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Escolas ainda aguardam orientação para retomar as aulas de Educação Física

Foto: O País

As aulas de educação física ainda não foram retomadas, duas semanas depois da autorização pelo Presidente da República. As escolas dizem que não estão a leccionar a disciplina por falta de uma instrução do Ministério da Educação, enquanto os professores atiram a culpa aos gestores escolares.

A indignação dos profissionais de Educação Física não é de hoje. Faz tempo que eles solicitam alguma intervenção do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), tanto que a intervenção do Presidente da República, a 16 de Fevereiro do ano em curso, autorizando a retoma das aulas de educação física e de todas as actividades desportivas, é, em parte, resultado de uma carta escrita pelos professores dirigida ao PR.

Mas, 16 dias depois, as escolas continuam a não leccionar a disciplina de Educação Física, porque, segundo os gestores, ainda se aguarda uma orientação do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano.

Orlando Dimas, director da Escola Secundária Josina Machel, diz que a escola acolheu com agrado a decisão do PR e estão criadas as condições para acolher as aulas, mas a retoma não depende deles.

“Como é sabido, nós trabalhamos de acordo com o comando. Quando há um pronunciamento presidencial, tem havido uma orientação ministerial, que nos orienta sobre como procedermos diante das novas informações. Contudo, já produzimos os horários dos professores, aguardando apenas pelo sinal, para imediatamente iniciarmos com o trabalho”, referiu.

Enquanto se aguarda por instrução ministerial, algumas escolas já estão relativamente avançadas no processo de preparação para acomodar as novas regras para prática da disciplina, mas persistem desafios.

“Actualmente, trabalhamos em regime de dias alternados e o plano de estudos contempla cinco disciplinas, logo é preciso que seja refeito, tanto o plano de estudo, para que seja possível encaixar a disciplina de Educação Física. Mas, não é tudo, existe a questão dos professores, que neste momento temos todos na sala de aula, então, quem será alocado para leccionar? Só o documento ministerial trará respostas para estas perguntas”, explicou Merli Viana, director da Escola Primária Completa Filipe Samuel Magaia.

Diante disto, os professores, que estão há mais de dois anos sem poder exercer a sua actividade, consideram infundadas as justificações. Para eles, a comunicação do Presidente da República é de cumprimento imediato.

Eduardo Machava, porta-voz da Associação dos Profissionais de Educação Física e Desportos de Moçambique (APEFDM), diz que não vê nenhuma razão para o MINEDH ter que intervir, uma vez que o mais alto magistrado da Nação anunciou um comando. Cabe às escolas colocarem em prática, para aliviar os professores de Educação Física que há anos se queixam e sentem-se marginalizados.

“Vou dar um exemplo: quando o PR autorizou a frequência das praias ou ainda eliminou o recolher obrigatório, ninguém apareceu com instruções ministeriais, isso porque o comando veio do Chefe máximo, porém não ocorre o mesmo na Educação Física”, disse a fonte.

O porta-voz da APEFDM defende ainda que o MINEDH não tem culpa neste processo, é preciso sim que haja proactividade dos gestores escolares, na interpretação dos comandos.

“Uma coisa é as escolas não terem ainda os horários prontos, por questões internas, outra coisa é aguardar por autorização. Uma autorização vem de quem? O MINEDH ainda pode fazer uma instrução, mas será tardia”.

Reagindo, a porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano diz que o sector acolheu o comando e, semana passada, esteve reunida com directores distritais a nível do país e, a nível central está a ser concluído o processo de compilação das normas e promete para breve a retoma das aulas.

“Temos como previsão este mês de Março, iniciar-se com as aulas de Educação Física”.

As aulas de Educação Física foram suspensas a 20 de Março de 2020, no quadro das medidas de prevenção contra a COVID-19, numa altura em que o país já tinha diagnosticados 1.209 casos do Coronavírus.

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