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Erros no livro da 6ª classe: “Paulinas” aponta negligência ou mesmo sabotagem

Foto: O País

A livraria e editora Paulinas considera os erros contidos no livro de Ciências Sociais da 6ª classe como sendo inconcebíveis e só podem ser fruto de negligência ou sabotagem. Já a livraria Fundza defende que os erros põem em causa a credibilidade de todo o sistema de educação.

Em Moçambique, desde a década de 60, e com larga experiência na edição de livros, a livraria e a Paulinas aceitou receber a nossa reportagem. Inês Pissinin, gestora da editora há 13 anos, diz não ter memória de erros tão graves quanto os contidos no livro de Ciências Sociais da 6ª classe. Ela explica que, em norma, os livros passam por um processo rigoroso de aferição do conteúdo até à sua publicação.

“Antes da publicação, o livro passa por três ou quatro revisores, pois entendemos que o livro é um instrumento que irá passar por várias pessoas. E o leitor tende a apropriar-se do que lê, pois se trata de um documento. Há pessoas que lêem o mesmo livro por várias vezes e fazem anotações. Para dizer que é diferente da televisão e da internet, em que a pessoa vê coisas, mas depois esquece”, explicou.

Para a gestora, é provável que se tenham pulado etapas no processo de elaboração dos conteúdos, ou mesmo tenha havido sabotagem. “Ou o livro não foi levado à correcção, ou confiaram a elaboração do manual a pessoas sem grandes conhecimentos naquele campo. Esses erros parecem-me graves de mais para não terem sido notados. E do jeito como está, até começo a acreditar que possa ser uma sabotagem, é um pensamento muito particular, porque é estranho que não se tenham notado”, disse.

Para Pissinim, o livro deve ser substituído, pois a errata não resolve o problema. “O mais correcto é que o livro seja impresso novamente. Não sei qual é a opinião do Ministério da Educação em relação a isso, mas o mais correcto é banir aquele livro e substitui-lo. Isso requere muito dinheiro, mas as erratas não são a solução definitiva para o problema. As erratas podem ser úteis para o que restou em termos do ano lectivo 2022, mas, depois, as erratas irão cair ou vão perder-se, e as crianças vão fazer fé do que irão ler no livro e vamos ter problemas no futuro”, defendeu.

Para a editora Fundza, da cidade da Beira, essas polémicas põem em causa o Sistema Nacional de Educação, e levará muito tempo para resgatar a credibilidade no seio da sociedade.

“Entendo que esse problema demorou a ser despoletado devido à cultura do silêncio que está enraizado na nossa sociedade. Não duvido que há quem possa ter visto antes, mas preferiu não dizer nada. Estou muito preocupado porque essa informação está a ser propalada nas televisões e não sabemos como os alunos estarão depois dessa situação. A questão que fica é como se devolve a confiança, a credibilidade à sociedade, aos pais e encarregados de educação, esse será o grande desafio”, avançou Dany Wambire

Lembre-se que o MINEDH já avançou a criação de uma comissão de inquérito, que deverá explicar as razões por trás de tantos erros no referido livro.

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