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Eneas Comiche e Eldevina Materula realçam a importância da literatura na construção da nação

Esta quarta-feira arrancou a Feira do Livro de Maputo. Na cerimónia de inauguração, a Ministra da Cultura e Turismo e o Presidente do Município de Maputo realçaram a importância da literatura, primeiro, na construção da cidadania e, depois, da nação.

Numa cerimónia restrita, devido à COVID-19, a Ministra da Cultura e Turismo felicitou ao Município por ter mantido a tradição de realizar a Feira do Livro, um verdadeiro exemplo de reinvenção tendo em conta o tempo em que se vive. “Ao realizar esta feira, o Município contribui na implementação de política cultural do país”. E frisou: “o livro educa e forma o Homem. Estamos aqui a preparar os nossos futuros críticos, pensadores e até mesmo líderes políticos. Diz a política cultural do nosso país que a literatura e a escrita desempenham um papel importante no desenvolvimento da criatividade e na veiculação de valores universais”. Por isso, de acordo com a Ministra, o Governo vai continuar a apoiar iniciativas do género, por serem momentos importantes para as crianças e para os jovens.  

Com apoio do Governo às feiras, o desafio é promover o gosto pela leitura,  segundo disse a Ministra da Cultura. “Se queremos uma sociedade culta, precisamos educar as nossas crianças. E não basta só matricular. Os pais devem participar e continuar em casa o que foi iniciado na escola. A família deve ler livros às crianças e comprar-lhes. Aí, sim, estaremos a formar uma sociedade melhor”.

Para Eldevina Materula, o país tem um alto potencial cultural. Cabe a cada moçambicano fazer de nós mesmos uma grande potência. Como que a frisar a posição da Ministra, Eneas Comiche disse que foi com sentido de responsabilidade que, numa época tão difícil como esta, o Município voltou a realizar a Feira do Livro de Maputo, de modo que com debates e reflexões dos autores se cumpra a estética da recepção.

Para Eneas Comiche, “Moçambique não seria esta pátria de heróis sem a literatura. No passado, os poetas e os escritores moçambicanos adiantaram-se no projecto ousado de contribuir para a construção da nação. Muitos passaram privações, foram presos e torturados em nome da causa moçambicana”, disse o edil, realçando que os autores cumpriram o papel de cantar a liberdade. E ainda sublinhou o interesse do Município de inscrever Maputo como uma cidade literária, reconhecida internacionalmente.

Comiche quer, com a Feira, contribuir para atrair o turismo interno e externo à “Cidade das Acácias” e vê nas lives ferramentas para o efeito.

Esta edição da Feira do Livro de Maputo decorre sob o lema “(re)pensar a criação literária em tempos da pandemia”, e esta sexta-feira irá homenagear a escritora Paulina Chiziane, que esteve na cerimónia de abertura e ouviu a leitura se excertos da sua obra feita pela actriz Ana Magaia.

Portanto, antes de declarar aberta esta edição da Feira, Comiche citou Gabriel García Marquez: “Como nos diz o escritor colombiano no seu Cem anos de solidão, o mundo estará perdido de vez no dia em que os homens viajarem em primeira classe e a literatura no vagão de carga”.

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