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EN1 aberta hoje ao trânsito em Nicoadala 

Está tudo a postos para a entrada em circulação da EN1, na província da Zambézia, paralisada desde sábado. Hoje, o empreiteiro incrementou o número de frentes ao trabalho de um para três, para que os prazos fossem cumpridos, tal como estipulado. Passam mais de 72 horas que a região Norte ficou desligada do resto do país.

Até por volta das 18 horas desta terça-feira, as obras de reposição do aterro já estavam a 70%, mercê do empenho do empreiteiro e aumento de números de frentes de um para três. As primeiras duas efectuavam o levantamento do muro em sacos de areia para permitir a contenção do aterro. Os homens apresentavam-se motivados, até porque os engenheiros da empreitada Chico e os quadros da Administração Nacional de Estradas estão no terreno a acompanhar ao detalhe os trabalhos.

Aliás, a pressão não é para menos. É que já passam sensivelmente quatro dias que a principal estrada que liga o Norte a Centro e Sul, vice-versa, está interdita, o que prejudica a vida de milhares de pessoas. Há centenas de carros paralisados, muitos com produtos para seguir a vários destinos do Norte e Centro e Sul. O desespero já começa a tomar conta de muitos camionistas.

O sofrimento das pessoas é tanto que o Governo da província da Zambézia está, também, embrenhado em ver a via voltar à normalidade. O governador Pio Matos inteirou-se, hoje à tarde, dos trabalhos de reposição da estrada. Conversou com o empreiteiro e recebeu toda a explicação necessária daquilo que ocorreu com o aqueduto em termos de danos e arrastamento dos solos.

O empreiteiro explicou que “quando as grandes chuvas passaram por Nicoadala, originaram ondas e forte corrente sobre o rio Elege. Na sequência, o aqueduto não suportou a pressão da água e, por isso, cedeu alguns pilares e assentou, causando sérios danos na infra-estrutura”. Aliás, até ao início das obras, recorde-se, quadros da ANE fizeram uma volta através de uma embarcação tradicional ao aqueduto e constataram tal situação.

Pio Matos ficou, hoje durante a visita, visivelmente emocionado com o empenho dos trabalhadores. “Estou bastante feliz com o empenho destes jovens, a força deles em querer repor a estrada para o bem do país me comove profundamente”, disse para depois saudar os jovens que responderam com um aplauso muito forte.

O governante não tem dúvidas de que a economia da província e da zona Norte do país ficou abalada. “Mas vamos deixar a economia para os economistas e para nós a solução dos problemas desta importante via”.

Os danos da plataforma são visíveis. Dada a força da água, o piso do aqueduto ganhou uma ondulação, o que vai permitir ao empreiteiro elevar a cota de areia até ao nível do piso da EN1, para evitar danos. O aqueduto apresenta enormes rachas que, a posterior, o empreiteiro terá de resolver.

O empreiteiro é o chinês Chico que ganhou, em 2020, as obras de ampliação e reabilitação da EN10, troço de Quelimane ao distrito de Nicoadala, numa extensão de 30 quilómetros e a EN1 de Nicoadala ao distrito de Namacurra, numa extensão de 40 km.

As obras, que são financiadas pelo Banco Mundial, na ordem de pouco mais de 200 milhões de dólares, vão compreender três fases – (i) reabilitação dos 70 quilómetros neste momento em curso; (ii) manutenção de rotina e (iii) periódica, sendo estas duas últimas com a duração de oito anos. Os trabalhos enquadram-se no projecto integrado de desenvolvimento de estradas rurais.

O traçado dispõe, neste momento, de três metros de largura. Com o projecto, a largura da estrada passará para oito metros. Será construído mais um metro e meio revestido para peão em cada uma das faixas.

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