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Edilidade de Maputo relança “guerra” contra vendedores informais

O Conselho Municipal de Maputo retirou, hoje, todos os vendedores informais que se encontravam nas bermas da faixa de rodagem no parque rodoviário do Zimpeto. A medida é tomada três dias depois do atropelamento que causou a morte de duas pessoas e 27 feridos.

À entrada do parque rodoviário do Zimpeto, o ambiente ganhou uma nova roupagem. A estrada que dá acesso ao parque está irreconhecível. Já as viaturas, estas circulam livremente e até podem fazer quaisquer manobras livremente. O mesmo pode se dizer em relação às pessoas que circulavam nas bermas da faixa de rodagem.

E quem foi àquele local há alguns dias atrás, pergunta-se donde vem tanta organização de dia para noite. A resposta é uma e única e resume-se no título deste apontamento de reportagem: está relançada a “guerra” entre vendedores informais e a edilidade de Maputo.
Na verdade, já estava nos planos retirar todos vendedores informais na cidade de Maputo, mas as duas mortes (de um peão, na sexta-feira e um vendedor informal, no sábado) precipitaram a tomada dessa medida que não é bem vista pelos vendedores informais.

Foi daí que, depois de fazer circular um comunicado dando conta do ocorrido no último fim-de-semana (morte de duas pessoas e ferimento de outras 27), o Conselho Municipal procedeu ontem a retirada dos vendedores informais que se encontram na estrada e dois metros da mesma.

Assim, foi sob olhar atendo da Polícia Municipal e da direcção do mercado anexo ao Grossista do Zimpeto, os vendedores informais iam derrubando as suas bancas. Com rostos visivelmente tristes, olhar inconformado e com murmúrios, os vendedores retiravam as estacas e chapas que sobram da banca para retomar o seu negócio num outro lugar.    Uma medida que não caiu bem para alguns vendedores que dizem ter recebido o aviso para se retirar do local tardiamente.

“Depois do acidente do sábado, eles ele ameaçaram nos tirar e nós aceitamos sair da estrada porque é doloroso de facto, mas até mexerem com as bancas, para onde é que vamos?”, questionou inconformada, Marta Mabunda, vendedeira informal do mercado anexo do Zimpeto
Mas nem todos estão nessa situação. Alguns já estão a tentar reerguer as suas bancas num local indicado pelo município. Mas estes se queixam da falta de clientes.

“Lá doutro lado perdi espaço e aqui também perdi espaço. Chego aqui e tento reclamar não me dão espaço. Esse lugar não é suficiente para todos. É muito pequeno e como faremos” indagou António Francisco, vendedor informal, acrescentando que ao tentar ocupar o novo espaço que não seja indicado pelo município serão “varridos”.

A outra dor de cabaça para os vendedores informais é que o novo é pouco conhecido pelos clientes, o que complica mais a sua vida.

“Esse mercado é muito pequeno, não temos clientes e nós vamos para o outro lado para procurarmos o nosso pão e de lá somos retirados e o espaço que nos indicaram não é suficiente para todos”, denunciou Elsa Guambe.
Os que ainda não conseguiram espaço para retomar o seu negócio contam com a solidariedade de alguns que, por milagre, as suas bancas não foram abrangidas.

“Abrangeram a banca do meu vizinho. Então a minha banca mantem-se e por isso tivemos que ceder um pouco do nosso espaço para encaixar o nosso irmão que foi afectado”, disse Mistério João, vendedor informal
O Conselho Municipal de Maputo disse que a medida visa acabar com actos que ferem a postura urbana.

Contrariando todos argumentos dos vendedores, o vereador de Protecção e Segurança garantiu que há espaço para todos vendedores abrangidos.

“Existe um espaço preparado para a realização do comércio informal de uma forma segura. Nós temos acima de 3500 bancas fixas num lugar bem construído que as pessoas podem muito bem exercer a sua actividade. Só no KaMubukana, onde se circunscreve a situação do Zimpeto, temos acima de 800 bancas”, revelou Manuel Zandamela, vereador da área de Protecção e Segurança.

O nosso interlocutor acrescenta que a meda poderá ser aplicada em outros mercados da cidade de Maputo, sendo que Zimpeto foi o ponto de partida, isso porque o acidente ocorrido no último fim-de-semana “acelerou, de certa maneira, a tomada dessas medidas. A vida é uma e nós somos pelas pessoas. Então sendo assim é de todo direito tomarmos aquelas medidas tendo como exemplo o que aconteceu”, sublinhou Manuel Zandamela.

Até à altura da retirada da equipa de reportagem, via-se um movimento, ainda que tímido, de alguns vendedores que tencionavam voltar aos locais de onde foram retirados.
 

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