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A empresa mineira Vale vendeu à Vulcan a sua mina de carvão de Moatize e seus activos no Corredor Logístico Nacala por 270 milhões de dólares. O anúncio foi feito pela firma, hoje, através de uma nota publicada na sua página electrónica.

Depois de anunciar a intenção no início deste ano, nesta terça-feira, a empresa mineira Vale informou que chegou a um acordo vinculativo com a Vulcan Minerals para a venda da sua mina de carvão de Moatize, na província de Tete e do Corredor Logístico Nacala.

Os activos da Vale custaram à Vulcan 270 milhões de dólares norte-americanos. Segundo a nota, a empresa receberá 80 milhões no fecho da transacção e 190 milhões após a conclusão da venda.

 “A conclusão da transacção está sujeita ao cumprimento das condições precedentes usuais, incluindo a aprovação do Ministério de Recursos Minerais e Energia de Moçambique nos termos da Lei de Mineração nº 20/2014, e a aprovação do Governo de Moçambique nos termos dos Contratos de Concessão para a mudança de controlo e “antitruste”, refere a nota.

A empresa diz estar empenhada em trabalhar em conjunto com os Governos de Moçambique e do Malawi, por onde passa o corredor logístico de Nacala, com uma linha-férrea de 912 quilómetros, para garantir uma transição suave para a nova operadora.

A Vulcan é uma empresa privada que faz parte do grupo indiano Jindal, com experiência de trabalho em Moçambique nas operações da mina a céu aberto Chirodzi, localizada em Tete.

O Mozambique Renewable Energy – Conferência & Expo, designado por “Morenergy”, é um evento de nível internacional, anual, organizado pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) e parceiros, cuja primeira edição se realizará na Cidade de Maputo entre os dias 22 e 24 de Março de 2022, sob o lema “Mais Energia Limpa para o Desenvolvimento Sustentável”.

Moçambique tem um enorme potencial para energias renováveis. E foi por isso que a Associação Nacional dos Jovens Empresários e Parceiros realizou, esta terça-feira, na Cidade de Maputo, o lançamento da Mozambique Renewable Energy (MORENERGY), sob o lema “Mais Energia Limpa para o Desenvolvimento Sustentável”.

O evento surge com o intuito de dar mais ímpeto ao sector das energias renováveis em Moçambique, considerado como um dos eixos estratégicos para a construção de “um sector energético dinâmico, competitivo, inovador e sustentável, com prosperidade partilhada por todos”, e para o “desenvolvimento com forte efeito multiplicador na economia moçambicana”.

“Este evento é uma grande oportunidade para os potenciais interessados dentre investidores, financiadores, empreiteiros, fornecedores e fabricantes de tecnologias de energias renováveis”, afirmou António Saíde, PCA da FUNAE, acrescentando que a transição energética é um processo irreversível.

Para o presidente da ANJE, Lineu Candieiro, este lançamento é fruto da visão energética e futurista da associação, que se inspira nos desafios do presente para trazer soluções do e para o futuro.

“É nas energias renováveis onde reside o próximo factor impulsionador do desenvolvimento nacional e mundial”, assegurou Candieiro.

A directora de Energias Renováveis da Electricidade de Moçambique (EDM, EP), Olga Utchavo, presente no evento, diz que o mesmo constitui uma grande oportunidade para os fornecedores e enalteceu o papel dos jovens nesta temática de energias renováveis.

“Nós temos o sol, o vento, a biomassa, resíduos sólidos, e muita oportunidade de usar estes recursos para, de forma alternativa e sustentável, desenvolver o uso produtivo dessas energias, e para também potenciar o sector económico, principalmente o papel dos jovens que terão oportunidade de alavancar os seus projectos através destas energias”, disse Olga Utchavo.

O Presidente Filipe Nyusi enfatizou que “a aposta nas energias renováveis poderá assegurar a transformação e desenvolvimento industrial, agro-processamento, aquacultura, e aumento do acesso energético a mais famílias”.

O evento conta com o apoio dos demais stakeholders do sector e servirá de “hub”, no qual estarão agentes do sector público e privado. A ANJE fará, nesta primeira edição, um evento híbrido, onde a conferência e exposição, além de ser possível presenciar “in loco” com limitação de lugares e circulação de pessoas, através da plataforma digital, será possível acompanhar o evento online e, deste modo, atrair delegados dos quatro cantos do planeta.

Serão igualmente apresentadas as linhas de financiamento disponíveis e os investimentos em curso em Moçambique. A iniciativa MORENERGY pretende contribuir para os Objectivos do Milénio, através da mobilização do sector privado, público e investimentos internacionais.

O Governo de Moçambique, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), lançou oficialmente em Maputo, esta segunda-feira, o concurso para a selecção do parceiro ou investidor estratégico para o desenvolvimento do projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa.

O projecto de hidroeléctrica Mphanda Nkuwa está prestes a sair do papel e tornar-se numa realidade. Para o efeito, foi lançado esta segunda-feira, o concurso internacional para a selecção do parceiro estratégico para executar o projecto. Intervindo no acto, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Tonela, assegurou que o processo será aberto e transparente com vista a selecionar investidores com capacidade técnica e financeira para execução de projectos dessa dimensão.

“A nossa visão do Sector é de longo prazo pelo que iremos continuar a adoptar medidas que visam impulsionar o fortalecimento da participação privada e, a proposta de revisão da Lei de Electricidade, que neste momento segue os trâmites para a sua aprovação, reflecte os esforços em curso visando a melhoria do ambiente de investimento no sector eléctrico em Moçambique”, disse Max Tonela.

Diante de olhares atentos de parceiros, quadros do Ministério dos Recursos Minerais e Energia assim como convidados, houve uma breve apresentação de o quê o projecto hidroeléctrico Mphanda Nkuwa e o processo de licitação pelo director do Gabinete de Implementação, Carlos Yum.

Os parceiros de cooperação ouviram, atentamente, a apresentação do projecto de hidroeléctrica Mphanda Nkuwa e concluíram haver muitas vantagens que ele traz.

“Deixe-me dizer, primeiro, que Mphanda Nkuwa é um projecto regional. Sendo este o caso, nós estamos aqui para acompanhar o seu desenvolvimento, percebendo o que está a acontecer, assim como identificar áreas que nós podemos fazer uma intervenção assim como partilhar experiência que podem ajudar a desenvolver tal projecto”, disse Stephen Diwha, director-geral da Southern Africa Power Pool (SAPP).

E o director-geral da SAPP não escondeu a sua satisfação em fazer parte do projecto.

“Nós estamos felizes por fazer parte de todo o processo, providenciando assistência técnica a vários níveis. Nós estamos felizes de estar aqui, não só na deliberação, mas também sobre como esta energia um bem para a região”, acrescentou Diwha.

Providenciando mais energia para a região, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) acreditam que as pessoas poderão ter acesso a outros serviços sociais básicos.

“Muitos de nós que estamos sentados nesta sala, não estaremos na mesma posição, depois de a energia começar a ser gerada em Mphanda Nkuwa, mas não importa. É o que fazemos hoje que fará diferença. Recentemente, o Governo de Moçambique atingiu um progresso substancial”, reconhecer Idah-Z-Pswarayi-Riddihough, directora do Banco Mundial em Moçambique, apontando para o dobro da produção de energia de 2016 a esta parte, “mas o projecto Mphanda Nkuwa tem uma pretensão de transformação de trazer energia renovável para o país e para a região em grande escala”.

Já o BAD mostrou sua disponibilidade em a apoiar o país.

“O Banco Africano de Desenvolvimento está comprometido em ajudar o Governo de Moçambique, no seu principal objectivo que é electrificar o país até 2030. O Banco Africano de Desenvolvimento está à inteira disposição do Governo para apoiar o país, como membro da região, no alcance do seu objectivo, levados a cabo como suas estratégias e prioridades”, manifestou a disposição do BAD, a directora-geral da Região da África Austral, Leila Mokadem.

No seu discurso de lançamento do concurso, o ministro dos Recursos Minerais e Energia destacou a importância do Mphanda Nkuwa no acesso universal à energia até 2030 e não só.

Na cerimónia, foram apresentadas informações sobre os resultados da sondagem de mercado realizada em Setembro; os aspectos críticos da estruturação do projecto e o alinhamento com potenciais compradores e a participação accionista. Foi ainda apresentada a própria estrutura da linha de transporte de energia, a metodologia de selecção do parceiro estratégico, o cronograma de implementação, entre outras questões relevantes da transacção do projecto.

A primeira etapa de selecção do parceiro estratégico deverá decorrer até Abril de 2022 e será concluída com uma lista curta de investidores seleccionados, mediante um processo de pré-qualificação, na base de um critério técnico e financeiro.

Na segunda etapa, já com uma lista curta e determinada, os concorrentes pré-qualificados irão receber um caderno de encargos com detalhes sobre o modelo financeiro e o local de submissão das respectivas propostas, de forma clara e detalhada.

O documento terá ainda informações técnicas, financeiras e seu impacto no modelo financeiro de investimento no empreendimento. A sua conclusão está prevista para 2022.

A segunda etapa culminará com a assinatura de um acordo de desenvolvimento de Mphanda Nkuwa entre a Electricidade de Moçambique e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que representam o sector público e o parceiro estratégico seleccionado deste processo. Importa salientar que o parceiro estratégico terá a responsabilidade de investir entre 500 a 600 milhões de dólares americanos no empreendimento.

Participaram no evento membros do Governo, entidades do sector de energia, corpo diplomático acreditado em Moçambique, financiadores, sector privado, entre outros.

Refira-se que o GMNK está orçado em 4,5 a 5 mil milhões de dólares americanos, sendo 60% para a edificação da barragem e 40% para a linha de transporte de energia. O início da construção do projecto está previsto para finais de 2024 e poderá ser concluída em 2030 ou 2031. A barragem de Mphanda Nkuwa estará localizada na província de Tete, no Rio Zambeze, a 61km à jusante da Hidroeléctrica de Cahora Bassa. A central Hidroeléctrica terá a capacidade de até 1.500 Megawatts e uma Linha de Transporte de Energia Eléctrica de Tete a Maputo com 1,300 quilómetros.

O Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER) diz que vai investir no sector agrário para eliminar a fome até os próximos oito anos, conforme estabelecem as metas das Nações Unidas. Para o feito, são necessários cerca de 400 mil milhões de meticais.

O segundo Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), traçado pela Organização das Nações Unidas, prevê a eliminação da fome no mundo até 2030, uma meta que também faz parte do programa do Governo moçambicano.

Para tal, o Executivo quer reforçar o investimento no sector agrário a curto e médio prazos, um esforço adicional ao que já ocorre no terreno, como é o caso do programa SUSTENTA.

Segundo Yolanda Gonçalves, porta-voz do segundo Conselho Coordenador do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural, o sector tem um plano de investimento agrário para a eliminação da fome até ao período em alusão e são necessários fundos para a sua implementação.

Gonçalves disse que são necessários cerca de 400 mil milhões de meticais, que serão aplicados em vários projectos da cadeia de valor do sector agrário.

“Com base nas contribuições que tivemos no segundo Conselho Coordenador, foram definidas as linhas estratégicas que vão orientar a implementação do Plano Nacional de Investimento e o mesmo requer um financiamento de 400 biliões de meticais”, afirmou Yolanda Gonçalves.

Gonçalves realçou que o plano de investimento do sector agrário para a eliminação da fome até 2030 será submetido aos órgãos competentes para sua aprovação, mas antes serão ouvidas várias opiniões da sociedade.

“A partir do primeiro trimestre de 2022, serão auscultados os intervenientes da cadeia de valor do sector agrário, no sentido de aferir propostas adequadas ao plano”, sublinhou Yolanda Gonçalves.

Sobre a presente campanha agrícola, o Governo mantém ambições de maior produtividade, com olhos postos no abastecimento interno, bem como exportação do excedente.

“A prioridade continuará sendo a mesma, que é produzir culturas que garantam a segurança alimentar e as que garantem o rendimento. Refiro-me, especialmente, à soja, gergelim e a soja”, disse Gonçalves

 As informações foram partilhadas esta sexta-feira, último dia do segundo Conselho Coordenador do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural, que decorreu na Cidade de Maputo.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou hoje a estrada Cuamba-Muíta, na província de Niassa, avaliada em cerca de 3,3 bilhões de meticais. Segundo Nyusi, a via inaugurada vai contribuir para o desenvolvimento local e nacional.

O Chefe de Estado mostrou-se contente pela inauguração da infra-estrutura, pois, segundo disse, a mesma reflecte o cumprimento do seu manifesto eleitoral anunciado naquela parcela do país.

O troço Cuamba-Muíta, na extensão da Estrada Nacional Número 13, tem 135 KM e poderá reduzir o tempo de viagem para as zonas circunvizinhas e “trazer ganhos de produtividade”.

Foi neste contexto em que o Chefe do Executivo moçambicano disse, igualmente, que a infra-estrutura inaugurada representa uma melhoria da rede viária do país. Não terminou por aí, com a estrada, perspectiva-se um novo horizonte económico para a província de Niassa, particularmente, e para o país, em geral.

Segundo avançou Filipe Nyusi, será possível fazer o escoamento de produtos agrícolas produzidos em Cuamba, bem como a sua conservação em tempo reduzido, o que permitirá o abastecimento das localidades da província de Niassa.

A estrada permitirá, igualmente, o transporte de pessoas e bens, facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços públicos, como hospitais, escolas, universidades, entre outros.

A estrada Cuamba-Muíta, de acordo com Presidente da República, faz parte do programa de integração regional e permitirá contacto com os países da região da África Austral e dos países do Interland.

Durante a sua intervenção, Filipe Nyusi exortou a população a vigiar e cuidar da infra-estrutura. “Apelamos aos nossos automobilistas para condução prudente”, acrescentou.

Por seu turno, o representante residente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) César Augusto Mba Abogo, disse que a estrada vai impulsionar o crescimento do comércio entre os países vizinhos, através dos corredores de Pemba e Lichinga e reduzir o custo de transporte, uma vez que vai reduzir, também, o tempo de viagem.

Durante as obras de construção da estrada Cuamba-Muíta foram contratadas 560 pessoas.

Houve um crescimento de 8.2 por cento de produção na Campanha Agrária 2020/2021 contra os quatro por cento que tinham sido projectados. Em termos numéricos, o país conseguiu uma colheita correspondente a 321 biliões de meticais. O ministro da Agricultura diz que estes números devem contribuir para a erradicação da fome em Moçambique.

Estão reunidos, no distrito municipal da KaTembe, Cidade de Maputo, quadros do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, no segundo Conselho Coordenador da instituição, para o balanço das actividades e traçar caminhos rumo à fome zero em Moçambique até 2030.

No evento, que conta com mais de 100 participantes, sob as medidas prevenção da COVID-19, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural fez o discurso de abertura, tendo destacado os resultados alcançados na Campanha Agrária 2020/2021.

“Fazer referência que o sector da agricultura superou o seu crescimento. Projectávamos crescer 4.1 por cento, mas atingimos 8.2 por cento na última Campanha Agrária, crescimento este que foi referenciado pelo Presidente da República que contribuiu, largamente, para a retoma económica de Moçambique”, indicou Celso Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Em termos monetários, esta produção significa “cerca de 321 biliões de meticais, a preços correntes, naturalmente, do mercado, ou seja, uma contribuição robusta de perto de 25 por cento do PIB nacional”.

Os cereais foram os que maior contributo deram para o sucesso da última Campanha Agrária. “Importa referir que os cereais cresceram em 12 por cento, também com o impulso do arroz, as leguminosas oito por cento a nível nacional, oleaginosas foram 26 por cento, dentro de uma nova dinâmica do fomento que estamos a seguir, em particular das culturas de soja, gergelim e girassol. As amêndoas cresceram em cinco por cento, num ano desafiante, em particular para a indústria da castanha de caju, mesmo assim, permitiu que crescêssemos. Nas frutas, houve um crescimento considerável de 44 por cento”, enumerou Celso Correia.

Mas, não foi só nesses domínios nos quais houve sucessos no sector da agricultura. Celso Correia revelou, também, números encorajadores na silvicultura e pecuária. “Na silvicultura, demos passos significativos, explorando as dinâmicas locais, nomeadamente, com a presença das multinacionais que consomem muito o eucalipto, passando Moçambique a exportar 150 metros cúbicos de eucaliptos, algo que já não acontecia há algum tempo”, revelou o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Já na pecuária, “o crescimento mantém-se constante com destaque para avicultura, depois de um ano tremendo em termos de trabalho de contrabando, foi possível crescer nove por cento, apesar de os números estarem abertos, pois estamos, ainda, em período de produção e de consumo ou no ponto mais alto de consumo. Fazer referência ao gado bovino que cresceu em quatro por cento e tem impacto no PIB”.

Estes dados só farão sentido, segundo o titular da pasta da Agricultura e Desenvolvimento Rural, se se reflectirem no objectivo de acabar com a fome no país até 2030.

“Foi com muita satisfação que o país registou a retirada de cerca de um milhão de moçambicanos, aproximadamente. Este é um caminho que temos que seguir, é o caminho que nos orienta. Naturalmente, os desafios estão lá. Ainda temos cerca de 1.6 milhões de moçambicanos em dependência da assistência humanitária e que também precisam de uma atenção especial no que diz respeito à sua integração na próxima campanha em linhas e sistemas produtivos”, apontou o governante.

O caminho supracitado, de acordo com Celso Correia, é o rumo para a fome zero. Aliás, fez questão de lembrar que, no último Conselho Coordenador, se tinha assumido o compromisso de, nos próximos dois anos, “estarmos ainda dentro do prazo, temos que ser capazes de marcar a data e a hora do anúncio do fim da fome em Moçambique.

“Tenho afirmado que um dos maiores desafios da República é assegurar que possamos ter 90 milhões de refeições por dia e estas 90 milhões de refeições por dia, a serem alcançadas com qualidade, significarão a maior transformação da nossa história. É inconcebível que nações a nível global ainda tenham registo de fome. Portanto, mais do que um objectivo, é uma obrigação de todos nós trabalharmos para tal fim”, exortou o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

O segundo Conselho Coordenador, que decorre sob o lema “Moçambique Rumo à Fome Zero até 2030”, realiza-se após o primeiro ano de implementação do programa Sustenta a nível nacional.

O ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, em representação de Moçambique, participou esta quarta-feira de uma reunião virtual da Agência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), sediada em Genebra na Suiça, sob o lema “Transformando África Austral – aproveitando as cadeias de valor regionais e política industrial para o desenvolvimento”.

O evento teve como objectivo discutir o papel instrumental que a integração regional na África Austral pode desempenhar para acelerar as transformações estruturais e o desenvolvimento económico da região.

Falando na ocasião, no painel sobre “Perspectivas de Políticas da África Austral”, Carlos Mesquita enalteceu os esforços da UNCTAD, na dinamização da plataforma de interacção e promoção sobre as boas práticas e experiências que a nível da integração económica, a SADC tem vindo a construir através da Estratégia e Roteiro de industrialização e a sua ligação com a visão e o percurso local dos seus Estados Membros, no âmbito coordenação da política industrial.

Segundo o governante, o processo consolidado da integração económica da SADC, para além de ter como instrumento de força, o Protocolo de Trocas Comerciais, também serve-se da experiência soberana dos Estados Membros, o que vem permitindo que sejam consensualizados alguns objectivos e resultados.

Como exemplo disso, Mesquita destacou o desenvolvimento industrial assente no crescimento, produtividade, geração de emprego, ambiente de negócios e de investimento privado, inovação e tecnologia, transformação dos produtos primários nacionais privilegiando as infra-estruturas de apoio e a substituição de importações; a partilha e o aproveitamento integrado dos corredores logísticos estratégicos e programas de desenvolvimento; a parceria empresarial através do conteúdo local e a efectividade do diálogo público-privado, incluindo com os parceiros de desenvolvimento e a profissionalização e modernização da micro, pequena e média indústria como eixo expressivo de inclusão produtiva regional; as políticas, estratégias e programas industriais nacionais harmonizados com a pauta estratégica da região Austral, da África Continental e com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Mesquita falou igualmente sobre o quadro da política industrial e a convergência na visão operacional, tendo enfatizado que como parte do  “edifício de Política Industrial da Região Austral, Moçambique conformou a sua Política e Estratégia Industrial (PEI 2016-2025) que busca tornar a indústria o principal veículo para o alcance da prosperidade e bem-estar do país através da geração da maior parte de postos de emprego, produção e contribuição na valorização dos recursos naturais, através da sua adição de valor; e operacionalizou os seus fundamentos e pressupostos através do Programa Nacional Industrializar Moçambique (PRONAI 2021-2031), lançado oficialmente pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, cujo objectivo é contribuir para aumento da produção industrial, investimento em infraestruturas, desenvolvimento de recursos humanos, assente na transformação local da matéria-prima de forma inclusiva e ambientalmente sustentável no âmbito da melhoria da balança comercial.

O governante, finalmente apelou a uma resposta efectiva, concertada, justa e sustentável para que a indústria afectada pela Pandemia da COVID-19 não seja vítima nem refém de eventuais medidas e posições discriminatórias, antes se reinvente, seja competitiva, resiliente, globalmente integrada e inovadora como factor preponderante para o rápido crescimento, recuperação económica e desenvolvimento da SADC.

O secretário de Estado na província de Cabo Delgado, António Njanje Taímo Supeia, esteve, recentemente, na Montepuez Ruby Mining (MRM), como parte da sua visita ao distrito de Montepuez, para saber mais sobre as operações da MRM. Na ocasião, o governante fez-se acompanhar pelos altos funcionários do Governo da província e do distrito.

Durante a visita, António Supeia foi informado das contribuições da MRM em Moçambique, nomeadamente o facto de a mineradora ser o maior exportador do país na categoria de rubis, esmeraldas e safiras e o maior contribuinte da província, durante seis anos consecutivos. A MRM apresentou ao secretário de Estado uma iniciativa recente da empresa-mãe da MRM, Gemfields, denominada “O Factor G” – um indicador da percentagem de receitas de uma empresa mineira de recursos naturais que é paga ao Governo do país, anfitrião em impostos primários e directos.

A comitiva visitou a mina, onde se inteirou do processo mineiro, do funcionamento da planta de lavagem e da casa de selecção da MRM, de última geração.

A jornada à MRM terminou com uma visita às terras agrícolas identificadas para a população reassentada, perto do posto administrativo de Namanhumbir. No local, António Supeia soube que a ocupação ilegal das terras destinadas à população reassentada tinha contribuído para o atraso no processo de atribuição das terras às famílias realocadas, o que exigiu medidas adicionais para completar o processo.

Após a intervenção activa da Comissão Técnica de Monitoria e Implementação do Plano de Acção de Reassentamento (CTASR) e da administração distrital de Montepuez para resolver o conflito, foram identificadas e demarcadas terras que estão, actualmente, a ser preparadas pelo Centro de Pesquisa Agrícola de Mapupulo (CIAM), para atribuição aos ocupantes ilegais – um processo que se espera estar concluído em breve.

O secretário de Estado manifestou a sua satisfação com o progresso do trabalho na área das terras para os invasores, uma vez que este é o único obstáculo no processo de realocação, e uma vez resolvido, poder-se-á avançar para a inauguração.

No global, a província da Zambézia produziu 17 mil toneladas da castanha de caju e só vai comercializar 170 toneladas, porque os comerciantes estrangeiros e outros se anteciparam em contactar os produtores, comprando a castanha de caju a preços não competitivos, ao invés de aguardar pelo preço de referência estabelecido pelo Governo na ordem de 43 meticais o quilo.

Zambézia acolheu, esta segunda-feira, o lançamento da primeira edição do leilão presencial da castanha de caju. Trata-se da primeira iniciativa à escala nacional organizada pela Bolsa de Mercadorias de Moçambique (BMM). A iniciativa vai abranger cinco províncias que mais produzem a castanha de caju, designadamente Zambézia, Nampula, Cabo Delgado, Inhambane e Gaza.

A localidade de Malema, distrito de Pebane, acolheu as cerimónias de lançamento do leilão. A presidente da BMM, Victória Daniel, disse que a iniciativa, por sinal a primeira do género, passará a ser anual, prevendo abarcar outros produtos, tais como o feijão, gergelim, milho, entre outras culturas de rendimento com elevada produção e procura.

Victória Daniel afirmou também que esta iniciativa tem por objectivo fortalecer os esforços dos produtores que tanto fazem para produzir e que, no fim do dia, pouco arrecadam para as suas famílias, porque o comerciante que se dirige a eles apresenta propostas não competitivas.

“Isso tem um impacto negativo na renda familiar do produtor. Ele despende força, tempo e valores para produzir com objectivos de aumentar a sua renda, mas, no fim de dia, vê todas as suas contas frustradas por conta do comerciante que só olha para os seus benefícios”, disse a presidente da BMM

Fundamentalmente, a província da Zambézia produziu, na presente campanha, 17 mil toneladas da castanha de caju, mas apenas vai colocar em leilão 170 toneladas. Tudo porque alguns comerciantes se anteciparam e foram ao produtor comprar castanha ao preço não recomendado pelo Governo.

Sucede que o Governo decidiu aplicar o preço de referência para a presente campanha de comercialização, na ordem de 43 meticais o quilo. Das 170 toneladas disponíveis que vão a leilão, os produtores esperam arrecadar pouco mais de sete milhões de meticais. Do valor, 2%, o equivalente a pouco mais de MZN 400 mil, vai para os cofres do Estado.

O governador da província, Pio Matos, que fez o lançamento do leilão, começou por apresentar aos intervenientes da cadeia de comercialização as qualidades da castanha de caju disponíveis.

Depois de anunciar, os comerciantes não concordaram com o preço de referência da castanha aplicada pelo Governo. Evocaram questões de transporte e impostos como factores que não vão ajudar na obtenção de lucros.

Em resposta, o governante deixou claro que “o preço de referência aplicado pelo Governo não se negoceia, pois tem em vista salvaguardar a melhoria das condições de vida dos produtores”, disse o governante, afirmando que o preço de referência é irreversível.

O “mega leilão” da castanha de caju vai de Novembro de 2021 a Fevereiro de 2022, contemplando cinco províncias, que são Cabo Delgado, Zambézia, Nampula, Inhambane e Gaza.

 

ZAMBÉZIA, CASTANHA DE CAJU, PRODUTORES

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