Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O Ministério das Finanças apresentou, esta quinta-feira, dados relativos à conjuntura económica e às condições de financiamento às pequenas e médias empresas, no encerramento da 22.ª edição do Economic Briefing 2026, realizada em Maputo.

De acordo com a Secretária Permanente do Ministério das Finanças, os dados mais recentes indicam que o Produto Interno Bruto cresceu 1,7% no segundo trimestre de 2026 e 0,9%, em média, no primeiro semestre, em termos homólogos.

Trata-se de uma inversão das contracções observadas em 2025, mas ainda insuficiente para uma recuperação robusta.

Segundo a Secretária Permanente, a previsão actual para 2026 é de 0,6%, abaixo dos 2,8% inicialmente inscritos no PESOE, o que recomenda prudência e exige converter a retoma em investimento, emprego e rendimento.

Contudo, há oportunidades no turismo, na energia e nos serviços, embora persistam dificuldades de acesso a insumos e divisas, custos logísticos e fraca procura industrial.

O Governo considera prioritário ampliar a participação competitiva das empresas nacionais nos grandes projectos, incluindo os de gás natural liquefeito, disse Albertina Fruquia.

A Secretária Permanente reafirmou a abertura para ouvir os problemas apresentados pela CTA e pela parte do sector empresarial, esperando o cumprimento das obrigações fiscais, investimento na produtividade e participação responsável na criação de emprego.

A Cimentos de Moçambique está a investir cerca de 150 milhões de dólares na modernização e expansão da capacidade produtiva das suas fábricas de Nacala, Dondo e Matola. Os investimentos incluem a reabilitação e instalação de novos fornos e deverão reforçar a produção nacional de clínquer, reduzindo a necessidade de importações e, consequentemente, a saída de divisas do país.

Segundo o Director Comercial da Cimentos de Moçambique, Ailton Novele, os investimentos fazem parte de um processo de transformação da base industrial da empresa, que actualmente conta com quatro fábricas no país.

Em Nacala, a empresa concluiu recentemente um projecto de remodelação que envolveu praticamente a construção de uma nova unidade de produção. O novo forno tem capacidade para produzir três mil toneladas de clínquer por dia e foi inaugurado pelo Presidente da República no mês passado.

No Dondo, a Cimentos de Moçambique também colocou em funcionamento um forno com capacidade para três mil toneladas de clínquer por dia, enquanto na Matola foi reabilitado e comissionado um forno com capacidade de duas mil toneladas diárias.

“Estamos a falar de investimentos grandes, que directamente têm um impacto enorme na economia, concretamente no que concerne à poupança de divisas”, explica Ailton Novele.

A aposta na produção local de clínquer surge num contexto em que a indústria cimenteira moçambicana tem recorrido à importação desta matéria-prima para responder às necessidades do mercado. Com o reforço da capacidade instalada, a Cimentos de Moçambique pretende reduzir progressivamente essa dependência e libertar recursos em moeda estrangeira para outros sectores da economia.

A estratégia tem também uma componente de geração de emprego. Só a unidade de Nacala deverá criar cerca de 150 postos de trabalho directos e indirectos, enquanto a empresa prevê alcançar números semelhantes com o reforço das operações no Dondo e na Matola.

A criação de oportunidades tem ocorrido igualmente durante as fases de construção e reabilitação das unidades industriais. A empresa diz estar a privilegiar a contratação de mão-de-obra local, incluindo jovens, tanto nas obras das fábricas como nas intervenções realizadas nas pedreiras.

“Em Nacala foi a mesma coisa, tanto na fase de construção como na fase de implementação haverá oportunidades para mais jovens moçambicanos”, afirma o Director Comercial.

Para além dos investimentos nas três fábricas, a Cimentos de Moçambique está a intervir também na sua cadeia de fornecimento de matérias-primas. Em Mwanza, por exemplo, decorrem trabalhos de remodelação da pedreira, envolvendo igualmente a contratação da população local.

A empresa considera que o reforço da produção nacional pode contribuir para tornar a indústria cimenteira mais robusta e reduzir a exposição do sector às necessidades de importação.

Foi neste contexto que a Cimentos de Moçambique participou na 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo, FACIM, onde apresentou parte da sua actividade industrial e os investimentos realizados no país.

A empresa levou para a feira uma exposição destinada a mostrar o seu contributo para a economia nacional e aproximar-se de potenciais parceiros, fornecedores e investidores. A participação teve ainda como objectivo despertar o interesse dos jovens pelas áreas de engenharia e produção industrial.

Com mais de três mil empresas presentes na FACIM, a Cimentos de Moçambique esperava aproveitar o evento para estabelecer novas parcerias comerciais, identificar fornecedores e explorar oportunidades de negócio, mantendo também o apoio à iniciativa do Governo de promoção do investimento e do sector privado nacional.

A Movitel apresentou recentemente, na FACIM 2026, um conjunto de soluções digitais que exploram o potencial da tecnologia 5G para responder às necessidades de empresas e instituições públicas em Moçambique. A participação da operadora destacou aplicações que vão do acesso à Internet de banda larga à gestão inteligente de infra-estruturas, transportes e operações industriais.

Entre as soluções apresentadas estiveram o Acesso Fixo sem Fios (FWA), as redes 5G privadas, as câmaras com Inteligência Artificial, os Sistemas Inteligentes de Transporte, os Centros de Operações Inteligentes, a gestão portuária e os sistemas de simulação e treino.

Com esta oferta, a operadoral procura aproximar a conectividade das necessidades concretas de funcionamento das organizações. O enfoque está na utilização da tecnologia para facilitar o acesso à informação, acompanhar operações e apoiar decisões com base em dados.

DA CONECTIVIDADE ÀS APLICAÇÕES PRÁTICAS

O FWA permite disponibilizar Internet de banda larga através da rede móvel, reduzindo a dependência de uma ligação por cabo até às instalações do utilizador. A solução constitui uma alternativa para empresas e instituições que necessitam de acesso à Internet sem depender exclusivamente da expansão da rede fixa.

As redes 5G privadas, por sua vez, destinam-se a ambientes como empresas, fábricas e parques industriais, onde a conectividade pode ser adaptada às exigências de cada operação. Estas redes permitem maior controlo sobre o acesso e a utilização dos recursos de comunicação.

Segundo a abordagem apresentada pela Movitel, o potencial do 5G vai além do aumento da velocidade. A baixa latência e a capacidade de ligação de múltiplos dispositivos podem apoiar aplicações que exigem comunicação rápida entre equipamentos e sistemas de processamento de dados.

SOLUÇÕES PARA EMPRESAS E SERVIÇOS PÚBLICOS

Na área da análise de imagens, as câmaras com Inteligência Artificial permitem identificar eventos e apoiar a monitorização de espaços e infra-estruturas. Nos transportes, os sistemas inteligentes podem contribuir para acompanhar o tráfego e melhorar a gestão da circulação.

Os Centros de Operações Inteligentes reúnem informações de diferentes sistemas numa plataforma de acompanhamento, permitindo uma visão integrada das operações e apoiando a resposta a ocorrências.

A oferta inclui igualmente soluções de gestão portuária, destinadas à coordenação das actividades e dos fluxos de mercadorias, bem como sistemas de simulação e treino, orientados para a preparação de profissionais em ambientes virtuais e controlados.

O 5G surge, neste contexto, como uma infraestrutura de conectividade que pode apoiar a integração destas aplicações, em articulação com plataformas digitais e ferramentas de análise de dados.

Implementação gradual

 

A Movitel prevê avançar, num futuro próximo, com testes e implementação gradual das soluções baseadas em 5G. A prioridade deverá incidir nas zonas urbanas, nas empresas, nas instituições públicas e nos sectores com maior procura por ligações de alta velocidade.

A apresentação na FACIM permitiu dar a conhecer estas possibilidades de utilização, sem representar a disponibilização imediata de todas as soluções em todo o território nacional.

Ao reunir serviços de conectividade e aplicações digitais, a operadora apresentou uma perspectiva de evolução tecnológica centrada na sua utilidade: facilitar o trabalho das organizações, melhorar a gestão de recursos e ampliar o acesso a serviços digitais em Moçambique.

Os oradores brasileiros Alexandre Kleppa e Paulo Rosseto mantiveram encontro com membros do Clube NexusOne, onde partilharam experiências e reflexões sobre os desafios do empreendedorismo, gestão, posicionamento e inovação nos negócios.

A iniciativa antecede a primeira edição do Makagui Summit e permitiu uma interação directa entre os convidados internacionais e empresários moçambicanos, num momento marcado pela troca de conhecimentos e experiências.

Durante a sua intervenção, Alexandre Kleppa abordou os desafios enfrentados pelas empresas no processo de transformação e adopção de novas ferramentas. O orador defendeu que muitas organizações reconhecem a necessidade de mudar, mas ainda enfrentam dificuldades para encontrar caminhos concretos para implementar essa transformação.

Kleppa disse ter identificado semelhanças entre os empreendedores moçambicanos e o público com quem trabalha no Brasil, destacando a vontade de crescer e de fazer acontecer.

Segundo o orador, a implementação de novas soluções exige mais do que acesso à tecnologia ou recursos financeiros. “Implementar da maneira certa exige esforço e exige inteligência”, afirmou, explicando que apresentou aos participantes um método desenvolvido ao longo do último ano para orientar empresários na utilização mais estratégica das novas ferramentas.

Paulo Rosseto também levou ao palco a sua experiência, com uma intervenção centrada na reputação, no posicionamento e na importância de colocar o conhecimento ao serviço dos outros.

Para o especialista, a reputação não serve apenas para atrair clientes, mas também para aproximar pessoas e criar relações. Rosseto disse ter saído do encontro com um sentimento de gratidão pela oportunidade de conhecer novos profissionais e partilhar conhecimentos com empresários moçambicanos.

O orador destacou ainda a importância de cada profissional reconhecer aquilo que a sua própria experiência pode oferecer aos outros.

Ao lado dos convidados brasileiros esteve Daniel David, mentor e dinamizador do movimento Makagui. Na sua intervenção, defendeu a necessidade de criar padrões e processos organizacionais que garantam maior consistência e impacto nas actividades desenvolvidas pela comunidade.

Daniel David explicou que o encontro abordou temas ligados ao posicionamento, imagem, mercado e ao papel crescente da inteligência artificial no mundo dos negócios.

Segundo o organizador, a aproximação entre os oradores e os membros do NexusOne representa também uma preparação para o Makagui Summit, que deverá reunir cerca de 200 participantes.

Durante os dois dias do evento serão debatidos temas como inteligência artificial, modelos de negócio, marketing e vendas, considerados pelo mentor como algumas das principais alavancas para o crescimento das empresas e dos empreendedores.

Para os membros do Clube NexusOne, a transformação é mais do que uma palavra de ordem. É um dos principais objectivos de uma comunidade que procura crescer através da aprendizagem, da partilha de experiências e do desenvolvimento colectivo.

Os participantes ouvidos durante o encontro dizem esperar sair do Makagui Summit com novos conhecimentos, ideias e ferramentas que possam ser aplicadas nas suas vidas e negócios.

Um dos participantes afirmou esperar que os próximos dias tragam “mais insights” e que os membros possam sair do encontro transformados. Outro destacou a importância de manter uma postura aberta à aprendizagem e absorver os conhecimentos partilhados pelos diferentes oradores.

A expectativa é que a mentoria e as experiências apresentadas contribuam para fortalecer os negócios dos participantes e ampliar a sua visão sobre os desafios do mercado.

O encontro com Alexandre Kleppa, Paulo Rosseto e Daniel David funcionou, assim, como uma antevisão do que será discutido no Makagui Summit.

A primeira edição do evento vai decorrer nos dias 10 e 11 de Setembro, na Arena 3D, na Katembe, reunindo participantes e oradores para dois dias de debates, aprendizagem e networking em torno da inteligência artificial, modelos de negócio, marketing e vendas.

Uma delegação do Fundo Monetário Internacional está em Maputo para avaliar as condições para um novo programa de financiamento a Moçambique. A visita prevê encontros com o Governo, Banco de Moçambique, sector privado e instituições financeiras.

O Ministério das Finanças emitiu este comunicado de imprensa, no qual consta a informação da visita de 10 dias, da delegação do Fundo Monetário Internacional, chefiada por Pablo Murphy. A missão da Bretton Woods incide sobre discussões técnicas para a negociação de um potencial programa, ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada.

A pedido do Governo, o FMI vem avaliar o cumprimento das recomendações deixadas, em Junho passado, para um novo financiamento.

“A presente visita insere-se no quadro do relacionamento de cooperação de longa data entre o Estado moçambicano e aquela instituição financeira internacional, e tem como objectivo central proceder a uma revisão aprofundada do desempenho macroeconómico recente, do estado de implementação das reformas em curso, bem como das perspectivas futuras de cooperação técnica e financeira”.

Durante a visita, a delegação do Fundo Monetário Internacional poderá reunir-se com o Governo, através dos diferentes ministérios, Banco de Moçambique, sector privado e instituições financeiras.

A vinda do FMI a Maputo ocorre seis meses depois de Moçambique liquidar antecipada e integralmente as dívidas contraídas, até 2031, no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e Crescimento, no montante de cerca de 700 milhões de dólares.

O país está a registar uma queda nas reservas internacionais. Segundo o Resumo mensal de informação estatística do Banco Central, em julho, o stock fixou-se em 3,44 mil milhões de dólares, suficientes para cobrir menos de três meses de importações, O relatório revela ainda a pressão sobre o investimento e o comércio externo.

O país terminou o mês de Julho com reservas internacionais líquidas de cerca de 3,44 mil milhões de dólares, mês em que o país gastou mais divisas do que conseguiu captar. O valor representa uma ligeira redução face aos 3,46 mil milhões registados em Junho.

Segundo o mesmo documento resumo mensal de informação estatística disponibilizado pelo Banco Central, em Julho, entraram no país cerca de 213 milhões de dólares, mas as saídas atingiram 261,7 milhões. O movimento resultou num fluxo líquido negativo de aproximadamente 27 milhões de dólares.

Com o actual nível de reservas, Moçambique consegue cobrir 2,8 meses de importações de bens e serviços, ou 4,3 meses quando excluídas as importações dos grandes projectos. No financiamento à economia, o crédito bancário atingiu 291,7 mil milhões de meticais.

Os particulares absorveram cerca de 106,2 mil milhões, enquanto as empresas privadas receberam 104,5 mil milhões de meticais. O comércio foi o sector que mais beneficiou do financiamento, com 25,7 mil milhões de meticais, seguido dos transportes e comunicações, com 24,2 mil milhões, e da indústria transformadora, com 22,2 mil milhões.

A agricultura recebeu apenas 4,6 mil milhões de meticais. E financiar-se continua caro. A taxa média de juro dos empréstimos a um ano situou-se em 21,27%, enquanto os depósitos com a mesma maturidade renderam, em média, 3,81%.

A Prime Rate manteve-se nos 15,50% em Julho. No comércio externo, o desequilíbrio também permanece. No segundo trimestre, Moçambique exportou bens no valor de 1,89 mil milhões de dólares, mas importou cerca de 2,21 mil milhões. O resultado foi um défice comercial de aproximadamente 320 milhões de dólares.

O gás, carvão e areias pesadas continuam a dominar as exportações nacionais. Outro indicador que recuou foi o investimento directo estrangeiro. Depois de atingir 1,33 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, o investimento caiu para cerca de 590 milhões no segundo trimestre.

Apesar da pressão sobre as reservas e do défice comercial, os preços registaram uma ligeira redução mensal. Em Julho, a inflação caiu 0,26%. Ainda assim, a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 5,12%, enquanto a inflação homóloga ficou em 7,48%, ligeiramente abaixo dos 7,51% de Junho.

Se a agricultura foi o mais penalizado, o sector extractivo recebeu a maior fatia, com 368,7 milhões de dólares, seguido da indústria transformadora, com 151 milhões.

A Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (ANDITUR) e a Urbanova Soluções de Urbanização estabeleceram, recentemente, durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM), uma parceria estratégica destinada a identificar, planear, ordenar, estruturar, valorizar e promover áreas com potencial para o desenvolvimento de investimentos turísticos, imobiliários e económicos em Moçambique.

O Memorando de Entendimento assinado pelo Presidente do Conselho de Administração da ANDITUR, Hélder Jauana, e pelo administrador da Urbanova, Chakyl Camal, pretende transformar áreas actualmente identificadas pelo seu potencial turístico e económico em territórios estruturados e oportunidades concretas de investimento, preparadas para serem apresentadas a investidores nacionais e estrangeiros, fundos de investimento, instituições financeiras, operadores turísticos e outros parceiros estratégicos.

Trata-se de uma cooperação que abrangerá uma cadeia que vai desde a identificação e caracterização das áreas de interesse turístico até à preparação de projectos e à sua promoção junto do mercado de investimento. Entre as áreas previstas estão a realização de inventários e avaliações do potencial turístico, económico e imobiliário dos territórios, a definição de vocações e usos do solo, a elaboração e estruturação de instrumentos de planeamento territorial e urbanístico, bem como a preparação de ‘masterplans’, planos de urbanização, planos de pormenor, planos de desenvolvimento turístico e outros instrumentos aplicáveis.

A parceria prevê igualmente a estruturação e valorização de Zonas de Interesse Turístico e de outras áreas com vocação para o desenvolvimento económico, incluindo a definição de modelos territoriais, urbanísticos, económicos e funcionais, a identificação de projectos-âncora, áreas prioritárias de desenvolvimento, necessidades de infra-estruturas e equipamentos e a criação de uma carteira organizada de oportunidades de investimento.

No domínio dos projectos, a cooperação poderá abranger resorts, hotéis, lodges, condomínios turísticos, empreendimentos residenciais, centros de convenções, marinas, equipamentos de lazer, comércio, serviços, projectos de segunda habitação e outros empreendimentos de uso misto integrados na cadeia de valor do turismo. O acordo contempla ainda a estruturação de projectos imobiliários associados às áreas turísticas, incluindo conceitos urbanísticos e arquitectónicos, programas funcionais, modelos de ocupação, fases de desenvolvimento, estimativas de investimento e potenciais modelos de exploração.

De acordo com Hélder Jauna, Moçambique tem áreas com condições excepcionais para o turismo que continuam por estruturar. “Esta parceria permite apresentá-las ao mercado com planeamento, desenho e sustentação económica”, afirmou.

Já Chakyl Camal entende que um investidor decide sobre um plano e um modelo de ocupação, neste sentido, “a nossa função é levar as áreas identificadas pela ANDITUR até esse nível de preparação”.

Uma componente considerada central neste memorando é a preparação económico-financeira dos projectos. As partes poderão trabalhar na realização de estudos de mercado e de viabilidade, projecções de receitas e custos, modelos de negócio, estruturas de financiamento, análise do retorno do investimento e identificação de mecanismos de mobilização de capital, criando condições para que os projectos possam avançar de uma ideia ou área com potencial para uma oportunidade de investimento devidamente estruturada.

Importa frisar que este acordo cria também a possibilidade de constituição de uma carteira de projectos turísticos, imobiliários e de desenvolvimento territorial, organizada de acordo com o nível de maturidade, potencial de investimento e grau de preparação de cada oportunidade. A intenção, neste sentido, é permitir que os projectos sejam apresentados ao mercado de forma estruturada, facilitando a aproximação entre oportunidades existentes no território e potenciais fontes de capital.

A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.

O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar. 

O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.

Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos. 

O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.

A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária. 

Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país. 

Primeira-ministra diz que contratos firmados na FACIM devem dar lugar a fábricas, unidades de processamento e novos postos de trabalho. A primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou o sector privado e as instituições responsáveis pela promoção do investimento a transformarem os compromissos assumidos durante a 51.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) em investimentos concretos, capazes de impulsionar a industrialização, criar emprego e aumentar o rendimento das famílias moçambicanas.

Falando no encerramento da FACIM 2026, que decorreu durante sete dias sob o lema “Transformação Digital e Energética rumo a uma economia sustentável e industrializada”, Benvinda Levi considerou que a feira voltou a afirmar-se como um importante ponto de encontro entre empresas, investidores, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento.

Para a governante, a edição deste ano permitiu aproximar empresas nacionais e estrangeiras, produtores e potenciais compradores, bem como investidores e fornecedores de tecnologias e soluções, colocando em evidência a diversidade económica e produtiva de Moçambique.

“A feira termina, mas os negócios não podem terminar com o encerramento dos pavilhões”, advertiu Benvinda Levi, defendendo que os compromissos e manifestações de interesse registados durante o certame devem ser acompanhados até à sua concretização.

Segundo a primeira-ministra, os contratos resultantes da FACIM devem transformar-se em investimentos e estes, por sua vez, em fábricas, unidades de processamento, explorações agrícolas, empresas de serviços, projectos tecnológicos e infra-estruturas.

Benvinda Levi apontou a industrialização e a agregação de valor às matérias-primas como prioridades para uma transformação estrutural da economia moçambicana. Defendeu, neste sentido, que o país deve reduzir a dependência da exportação de matérias-primas sem transformação e apostar na criação de cadeias de valor nacionais e regionais.

A governante destacou igualmente o papel do agronegócio na economia e na segurança alimentar, defendendo maior aproximação entre produtores, unidades de processamento e mercados. Considerou ainda necessária a adopção de tecnologias agrícolas mais eficientes e resilientes às mudanças climáticas, com vista ao aumento da produtividade e dos rendimentos no campo.

 

PM DESTACA PAPEL DAS PEQUENAS EMPRESAS

 

Na sua intervenção, Benvinda Levi atribuiu particular destaque à participação das micro, pequenas e médias empresas na FACIM, considerando-as como a maioria do empresariado nacional e actores fundamentais para o desenvolvimento económico.

Para a primeira-ministra, o principal desafio de Moçambique não reside apenas na capacidade produtiva, mas na necessidade de aumentar a escala de produção, melhorar a produtividade, garantir regularidade no abastecimento dos mercados, reduzir custos e facilitar o acesso aos mercados nacionais e internacionais.

Defendeu ainda uma maior integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor, como forma de aumentar a produção, gerar emprego e rendimento e criar bases sólidas para a independência económica do país.

Benvinda Levi apelou à Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), à Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), ao Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME), às instituições financeiras e a outras entidades ligadas à promoção do investimento para que acompanhem os acordos firmados durante a feira.

A primeira-ministra pediu igualmente a remoção de obstáculos e a simplificação dos processos, para que os investimentos possam avançar com maior rapidez.

No plano governamental, garantiu que o Executivo continuará a apostar na melhoria do ambiente de negócios, através da digitalização da economia, simplificação de procedimentos, redução da burocracia, inclusão financeira e expansão da conectividade.

Benvinda Levi considerou que estas medidas poderão reforçar a capacidade das empresas moçambicanas de competir nos mercados nacional, regional e internacional.

No encerramento, a primeira-ministra felicitou os expositores pela participação e diversidade de produtos apresentados, destacando a FACIM como uma “montra de Moçambique para o mundo”.

A governante encorajou os participantes a levarem da feira não apenas os contactos estabelecidos, mas também uma imagem renovada de Moçambique, enquanto país com desafios, mas igualmente com empresas, produtos, talentos, recursos e oportunidades de investimento.

Benvinda Levi declarou oficialmente encerrada a FACIM 2026, deixando como principal desafio a passagem dos compromissos assumidos no recinto da feira para a concretização de investimentos com impacto na economia nacional.

+ LIDAS

Siga nos