O País – A verdade como notícia

O Banco de Moçambique realizou, nos dias 17 e 18 de Junho, em Quelimane, uma capacitação de 43 jornalistas de órgãos de comunicação social da província da Zambézia, em parceria com o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ).

O evento, inserido no programa de educação económica denominado “Economia para Todos”, visava dotar os escribas de conhecimentos sobre o funcionamento do mercado cambial e do Fundo Soberano de Moçambique.

Intervindo na abertura do evento, o chefe do Serviço de Administração e Contabilidade da Filial de Quelimane, José Muane, disse que a qualidade da informação jornalística é de extrema relevância, porque “influencia directamente a compreensão e opiniões do público, relativamente a matérias adstritas ao mandato do Banco, nos domínios monetário, prudencial e cambial”.

Coube ao técnico do Gabinete de Comunicação e Imagem, Elton Cavadias, e ao assistente de Direcção do Departamento de Mercados e Gestão de Reservas, Cláudio Mangue, dissertar, respectivamente, sobre os temas “Taxa de câmbio e mercado cambial: o que é e como funciona?” e “Fundo Soberano de Moçambique: processo de governance e sua operacionalização”, que mereceram um debate permeado por muita interacção com os participantes.

Falando em representação dos escribas, o representante do Sindicato Provincial em Quelimane, Quincardete Paulo, louvou a iniciativa do banco central, sublinhando que o aprendizado adquirido será uma mais-valia na divulgação adequada de informações de interesse público com rigor e responsabilidade.

O Standard Bank e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento assinaram, na quarta-feira, um memorando de entendimento para a implementação do Programa de Incubação e Formação para Mulheres em Negócios Verdes.

Trata-se de uma iniciativa formalizada em Maputo e que visa fortalecer a capacidade empreendedora de mulheres moçambicanas e promover o seu envolvimento em sectores estratégicos para o desenvolvimento sustentável.

No acordo, as instituições propõem-se a criar oportunidades para que mulheres empreendedoras possam desenvolver competências empresariais, fortalecer os seus negócios e expandir o seu impacto nos domínios da economia verde, economia azul, economia circular, energias renováveis e gestão de resíduos.

“O programa contempla a realização de actividades de incubação e aceleração empresarial, academias de educação financeira, ‘masterclasses’ de gestão e módulos digitais de aprendizagem, permitindo que empreendedoras de todas as províncias tenham acesso a conhecimentos, ferramentas e redes de apoio essenciais para o crescimento sustentável dos seus negócios”, refere uma nota.

De acordo com o comunicado de imprensa, a iniciativa resulta de uma visão de desenvolvimento económico inclusivo e sustentável, assente no reconhecimento do papel das mulheres como agentes de transformação económica e social.

Para Erica Noormahomed, responsável da Incubadora de Negócios do Standard Bank, a parceria “representa um investimento concreto no talento, na capacidade empreendedora e no potencial de liderança das mulheres moçambicanas, reconhecendo o papel fundamental que desempenham na criação de riqueza e geração de emprego”.

Conforme explicou, o crescimento económico sustentável exige a participação activa das mulheres em sectores estratégicos para o futuro do País. Por isso, acrescentou, o programa foi concebido para apoiar empreendedoras em diferentes fases da sua jornada empresarial, desde a concepção de ideias de negócio até à aceleração de empresas com elevado potencial de crescimento.

“Pretendemos criar uma comunidade dinâmica de empresárias que continue a crescer para além da duração formal do projecto e que promova a colaboração, a partilha de experiências, o acesso a mercados, oportunidades de financiamento e novas parcerias”, frisou Noormahomed.

Por seu turno, a directora residente da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ) em Moçambique, Kirsten Focken destacou o papel estratégico das mulheres na promoção de soluções empresariais sustentáveis.

“As mulheres empreendedoras estão numa posição única para liderar a transformação verde de Moçambique. Com base na nossa forte colaboração com o Standard Bank, estamos a investir em competências, redes e impulso para transformar grandes ideias em negócios resilientes e geradores de emprego”, disse a directora residente da GIZ em Moçambique.

O programa inclui, ainda, medidas de inclusão e acessibilidade, visando garantir a participação de mulheres provenientes de diferentes contextos sociais e económicos, incluindo mulheres com deficiência, reforçando o compromisso das duas instituições com um desenvolvimento mais equitativo e abrangente.

“Esta parceria surge na sequência de experiências anteriores desenvolvidas conjuntamente entre o Standard Bank e a GIZ, cujos resultados demonstraram o impacto positivo da capacitação empresarial feminina na criação de emprego, crescimento dos negócios e fortalecimento da economia nacional”, diz a nota.

Com esta iniciativa, o Standard Bank e a GIZ afirmam que pretendem contribuir para o surgimento de uma nova geração de empresárias moçambicanas preparadas para liderar a transformação económica verde do País, promovendo empresas mais resilientes, competitivas e sustentáveis.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique indica que, durante o primeiro trimestre do ano, o Índice do Ambiente Macroeconómico caiu de 62 para 55 por cento, enquanto o Índice de Robustez Empresarial recuou de 28 para 26 por cento. A escassez de divisas, as cheias e os constrangimentos logísticos continuam a afectar as actividades das empresas.

Os dados apresentados nesta quinta-feira, durante o Economic Briefing promovido pela CTA, referem que a desaceleração da economia, em oito pontos percentuais, foi  influenciada por questões como o clima e a guerra no Médio Oriente.

“Entre os principais desafios destacam-se os impactos das calamidades naturais que afectaram várias regiões do País, as limitações persistentes no acesso a divisas, as pressões sobre o abastecimento de combustíveis e um ambiente internacional marcado por crescentes incertezas geopolíticas e económicas”, disse o presidente da CTA, Álvaro Massingue.

Uma das consequências directas deste cenário é a redução da capacidade de resistência das empresas, face aos abalos.

No mesmo período, indica o sector privado, o Índice de Robustez Empresarial sofreu uma queda de dois pontos percentuais, isto é de 28% para 26%, “sinalizando uma deterioração da resiliência empresarial face aos múltiplos choques económicos e operacionais observados ao longo do período”.

“Esta evolução é explicada, em grande medida, pelos danos provocados pelas cheias em infra-estruturas produtivas, equipamentos e stocks empresariais, particularmente nas províncias de Gaza e Maputo, bem como pelas interrupções verificadas nas cadeias de abastecimento, que limitaram a circulação de pessoas e mercadorias, afectando simultaneamente o acesso aos insumos e a comercialização dos produtos finais.”

Estes indicadores mostram que, apesar dos progressos alcançados em algumas variáveis macroeconómicas, muitas empresas continuam a operar sob forte pressão, exigindo respostas coordenadas que reforcem a capacidade produtiva e a competitividade da economia nacional.

Apesar destes números, o sector privado empresarial considera alguns sinais positivos para a recuperação económica: os níveis de inflação e a taxa de câmbio.

Massingue revelou que a inflação se manteve em níveis moderados, situando-se em torno de 4,1%, “preservando um ambiente de relativa estabilidade de preços”. A taxa de câmbio, por seu turno, “continuou a apresentar um comportamento relativamente estável”, contribuindo para uma maior previsibilidade das operações empresariais.

“Por outro lado, a política monetária prosseguiu numa trajectória de flexibilização gradual, traduzida na redução progressiva das taxas de juro, factor que poderá contribuir para estimular o investimento privado e aliviar os custos de financiamento das empresas.”

Diante dos números e das promessas governamentais, a CTA fez uma lista, dirigida ao Executivo, como acções essenciais para melhoria do ambiente de negócios: “(…) destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a regularização dos pagamentos em atraso do Estado ao sector privado, o reforço da disponibilidade de divisas, a modernização das infra-estruturas económicas e a aceleração das reformas orientadas para a competitividade”.

Diante do cenário, o Governo, que esteve representado pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, avalia o cenário positivamente, baseado nos dados de produção industrial.

“Na indústria, a nossa produção manteve-se estável, atingindo cerca de 34 825 milhões de meticais, acompanhada pela continuidade da actividade produtiva”, revelou o governante, que, sem apresentar números, se referiu ao registo de “crescimento de emprego em diversos sectores”.

No mesmo período, especificamente no comércio externo, o país registou um saldo no primeiro trimestre positivo de “114 milhões de dólares”, impulsionado pelo aumento das exportações e pela redução das importações.

“Este resultado demonstra que Moçambique está a reforçar a sua capacidade produtiva, a gerar mais divisas e a consolidar a sua presença nos mercados regionais e internacionais. Na promoção de investimento, foram aprovados cerca de 66 projectos avaliados em mais de  568 milhões de dólares norte-americanos, com potencial para gerar mais de 13 mil postos de trabalho.”

Muhate acrescenta que os números acima referidos representam as fábricas, empregos, oportunidades para a nossa juventude e maior dinamização das economias a nível local. “No sector do turismo, entraram em funcionamento no primeiro trimestre, 44 novos empreendimentos turísticos responsáveis pela criação de cerca de 398 postos de trabalho. Este desempenho confirma a crescente confiança dos investidores no potencial turístico que o nosso país oferece e reforça o papel deste sector como um dos principais motores de diversificação da nossa economia, geração de rendimento e desenvolvimento local”.

Em relação aos desafios apresentados pelo sector privado, o ministro da economia apresenta uma fórmula, que envolve sinergias.

“Os dados mais recentes apontam para um contexto marcado por factores internos e externos que exigem a vigilância permanente e uma actuação coordenada entre o Governo, o Banco Central e o sector privado. Em primeiro lugar, observa-se uma revisão em alta das perspectivas de inflação, influenciada, sobretudo, pelo ajustamento dos preços domésticos, dos combustíveis líquidos, pelas interrupções no fornecimento de combustíveis e pelas pressões inflacionárias em funcionários importados associados ao contexto internacional”.

A dívida interna é outro fenómeno reconhecido pelo Governo como um desafio para as empresas nacionais.

“É por isso que o Governo está a trabalhar no sentido de planificar e organizar melhor o processo de gestão da dívida pública, principalmente a dívida com os fornecedores, que já têm passos avançados em relação a uma planificação clara que prioriza as pequenas e grandes empresas ou aquelas empresas que realmente precisam de suporte para continuar a realizar as suas actividades.”

Face à resolução do conflito no Médio Oriente, que já demanda a redução da crise financeira global, o Governo apela às entidades para estarem atentas para tirarem maior proveito deste contexto, para a estabilização financeira.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que a estabilidade macroeconómica alcançada nos últimos meses, embora importante, não é suficiente para garantir o crescimento sustentável da economia nacional.

Durante o Economic Briefing, a CTA defendeu a implementação de reformas estruturais destinadas a reduzir os custos, para minimizar os problemas que continuam a afectar a actividade empresarial.

Entre as prioridades apontadas, destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a modernização das infra-estruturas económicas, a simplificação dos procedimentos administrativos, o reforço da disponibilidade de divisas e a eliminação de barreiras que limitam a competitividade das empresas nacionais.

A agremiação sublinhou ainda que a actual  conjuntura económica exige acção imediata e decisões corajosas por parte de todos os intervenientes, incluindo o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento.

“A estabilidade macroeconómica deve traduzir-se em benefícios concretos para as empresas e para os cidadãos”, defendeu o presidente da CTA, Álvaro Massingue, acrescentando que o fortalecimento da produção nacional, da industrialização e das exportações deverá ocupar um lugar central na agenda económica do País.

A agremiação empresarial manifestou-se confiante quanto ao potencial de crescimento de Moçambique, mas advertiu que a concretização desse potencial dependerá da capacidade colectiva de implementar reformas que promovam o investimento, a criação de emprego e o aumento da produtividade.

Para a CTA, o momento actual representa uma oportunidade para acelerar a transformação económica do País e construir uma economia mais forte, mais competitiva e mais resiliente perante os desafios internos e externos.

 

O Banco de Moçambique defende a criação de regras claras para a utilização da Inteligência Artificial no sistema financeiro nacional, com vista a garantir a segurança, a transparência e a protecção dos consumidores. A posição foi manifestada pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a abertura das XVII Jornadas Científicas da instituição.

A Inteligência Artificial está a transformar rapidamente o sector financeiro e já integra as operações de várias instituições bancárias. A sua adopção está igualmente prevista na Estratégia do Banco de Moçambique para o período 2025-2029.

Entretanto, para assegurar uma implementação eficaz desta tecnologia, o Governador considera indispensável que a inovação seja acompanhada por mecanismos de regulamentação capazes de minimizar riscos e reforçar a confiança no sistema financeiro.

“A regulamentação e a utilização da Inteligência Artificial exigem mais do que mera tecnologia; requerem conhecimento, cooperação e sentido de responsabilidade. Nenhuma instituição conseguirá responder sozinha aos desafios desta transformação, razão pela qual o Banco de Moçambique continuará disponível para dialogar com o sistema financeiro, a academia, os inovadores e a sociedade em geral”, defendeu Rogério Zandamela.

O Governador alertou, contudo, para os riscos associados ao uso inadequado de dados pessoais, às ameaças à cibersegurança e às decisões automatizadas susceptíveis de prejudicar os consumidores.

“Não se trata de travar a inovação, mas sim de criar regras claras que assegurem que estas ferramentas sejam utilizadas com segurança, transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos dos consumidores. É na procura deste equilíbrio que o Banco de Moçambique iniciou uma jornada de adopção responsável de tecnologias emergentes”, afirmou.

Segundo Rogério Zandamela, desde 2021 o Banco de Moçambique tem vindo a desenvolver diversas iniciativas que culminaram com a aprovação da Estratégia de Transformação Digital 2025-2027 e com a criação de uma task force dedicada à área da Inteligência Artificial.

“Este ano, aprovámos igualmente a nossa Política de Inteligência Artificial, que estabelece princípios orientadores destinados a assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma segura, transparente e responsável no seio do nosso banco central”, acrescentou.

As XVII Jornadas Científicas do Banco de Moçambique decorrem sob o lema “Regulamentação e Utilização da Inteligência Artificial no Sistema Financeiro Nacional: Riscos e Oportunidades”.

A presente edição contou com a submissão de mais de 800 trabalhos de investigação, dos quais apenas três foram seleccionados para debate neste encontro, que reúne especialistas, académicos e profissionais do sector financeiro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Moçambique continua a enfrentar desafios económicos significativos, mas assinala uma recuperação gradual da actividade económica, após a contracção registada em 2025.

A avaliação foi apresentada no final de uma missão do FMI a Maputo, realizada entre 8 e 12 de Junho e chefiada por Pablo López Murphy, que manteve encontros com membros do Governo, do Banco de Moçambique, do sector privado e parceiros de desenvolvimento.

Segundo a declaração divulgada pela instituição, “Moçambique enfrenta uma situação económica desafiadora em meio a um ambiente global cada vez mais difícil”. Ainda assim, o FMI observa que “a actividade económica está se recuperando gradualmente da contração de 2025, mas o crescimento permanece moderado”.

A instituição refere igualmente que a inflação registou uma subida recente, embora partindo de níveis moderados, ao mesmo tempo que os desequilíbrios fiscais diminuíram ao longo de 2025, num contexto de condições de financiamento restritivas.

No entanto, o FMI alerta que “as vulnerabilidades fiscais e da dívida persistem”, enquanto os desequilíbrios externos aumentaram devido à queda das exportações e ao crescimento das importações associadas a grandes projectos de investimento. A organização acrescenta que “a persistente escassez de divisas continua a afectar as importações e a actividade económica”.

A missão sublinha ainda os riscos decorrentes da conjuntura internacional. Segundo o comunicado, “a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços dos combustíveis e fertilizantes, atinge Moçambique em um momento em que o crescimento permanece fraco, inclusive devido aos recentes choques climáticos, deixando pouca margem de manobra”.

Para o FMI, estes desenvolvimentos “representam riscos adicionais de queda para o crescimento e riscos de alta para a inflação”.

Durante a visita, a equipa discutiu com as autoridades moçambicanas as medidas consideradas necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e assegurar a sustentabilidade da dívida.

As conversações incidiram sobre o reforço da posição fiscal de forma sustentável, a protecção das camadas mais vulneráveis da população, o fortalecimento do quadro de política monetária e cambial, a preservação da estabilidade financeira, a melhoria da governação e a promoção do crescimento liderado pelo sector privado.

O FMI revelou igualmente ter iniciado conversações com o Governo sobre um eventual programa apoiado pela instituição.

“A equipa discutiu com as autoridades o pedido de um acordo apoiado pelo FMI e retornará a Maputo nos próximos meses para discutir mais a fundo o pedido e os planos de política das autoridades”, refere o comunicado.

Durante a missão, a delegação reuniu-se com a ministra das Finanças, Carla Loveira, com a membro do Conselho de Administração do Banco de Moçambique, Maria Esperança Mateus Majimeja, bem como com outros altos funcionários governamentais e do banco central.

No final da visita, a equipa do FMI agradeceu às autoridades moçambicanas “pelo seu engajamento franco e construtivo e pelo apoio durante a missão”.

Maputo acolheu, nos dias 11 e 12 de Junho, a quinta edição da Conferência Empresarial Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026), evento que reuniu representantes do Governo, sector privado, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento para debater o futuro da transição energética no país.

A conferência destacou a necessidade de mobilizar mais investimento, reforçar o papel do sector privado e transformar oportunidades em projectos concretos para acelerar o acesso universal à energia e expandir a capacidade de geração e transmissão eléctrica.

Com mais de 500 participantes de 18 nacionalidades, a RENMOZ 2026 confirmou o crescente interesse pelo sector das energias renováveis em Moçambique. Do total dos participantes, 45 por cento representavam empresas, 39 por cento instituições governamentais e públicas moçambicanas, e 10 por cento instituições financeiras.

Na sessão de abertura, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, destacou que o alcance das metas nacionais de acesso à energia, industrialização, criação de emprego e aumento da competitividade económica exige elevados investimentos, apontando o sector privado como um parceiro central nesse processo.

Por sua vez, o Embaixador da Alemanha em Moçambique, Ronald Münch, defendeu o reforço das parcerias para acelerar a implementação de projectos energéticos, enquanto os representantes da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) e da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) sublinharam a importância da conferência como espaço de diálogo, confiança e promoção de investimentos.

Entre os principais anúncios realizados durante o evento destacam-se a apresentação do PROMIR-MZ, o lançamento previsto de um concurso para mini-redes no segundo semestre de 2026, a assinatura do acordo Subsidiary Agreement – PURE, os avanços do programa PROLER e a assinatura de um acordo de financiamento entre a ElectriFI e a Source Energia para apoiar projectos de energias renováveis no país.

A conferência serviu igualmente de palco para a apresentação da quinta edição da publicação “Resumo: Renováveis em Moçambique”, que aponta para uma taxa de electrificação de 66,4 por cento em 2025 e reafirma a meta nacional de alcançar o acesso universal à energia até 2030.

Segundo os dados apresentados, a capacidade instalada de geração eléctrica deverá aumentar de cerca de 2,9 gigawatts em 2025 para aproximadamente 9,5 gigawatts em 2032, mantendo as energias renováveis como principal fonte de geração.

Apesar do potencial do sector, a mobilização de financiamento continua a ser um dos principais desafios. A Estratégia de Transição Energética prevê necessidades de investimento de 18,6 mil milhões de dólares até 2030 e superiores a 80 mil milhões de dólares até 2050. Entre 2013 e 2024, Moçambique recebeu 755 milhões de dólares em investimentos em energias renováveis, dos quais apenas 20 por cento tiveram origem no sector privado.

Durante as sessões de negócio foram apresentadas diversas oportunidades de investimento em geração, transmissão, mini-redes, usos produtivos de energia e cozinha limpa. A Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou 16 projectos de geração e 11 de transmissão avaliados em mais de 4,6 mil milhões de dólares. Já a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) apresentou projectos avaliados em mais de 3,1 mil milhões de dólares, incluindo a Nova Central Norte, uma central solar e a modernização da Central Sul.

No domínio das mini-redes, foram identificadas oportunidades associadas a sete pré-clusters, 100 locais e nove potenciais usos produtivos de energia, reforçando a aposta em soluções fora da rede para acelerar a electrificação das zonas rurais.

O segundo dia do evento ficou marcado por debates sobre o desbloqueio de investimento para um crescimento energético inclusivo, cooperação regional no espaço da CPLP e pela realização do Seminário Nacional de Biocombustíveis 2026, que discutiu mecanismos para impulsionar o mercado, atrair financiamento e fortalecer a cadeia de valor dos biocombustíveis.

Organizada pela AMER e pela ALER, em parceria com o programa europeu GET.invest, a RENMOZ 2026 reafirmou o seu papel como plataforma de ligação entre visão estratégica, financiamento e implementação, num momento em que Moçambique procura consolidar-se como um mercado estratégico e um polo regional de energia renovável.

Os governos da África Oriental enfrentam crescentes dificuldades para equilibrar as contas públicas, devido à subida dos preços dos combustíveis e ao peso da dívida pública. Quénia, Uganda e Tanzânia apresentaram, nesta semana, os seus novos orçamentos de Estado num contexto marcado pelo aumento dos custos da energia, pressão inflacionária e necessidade de financiar programas sociais e projectos de desenvolvimento.

A situação surge numa altura em que as economias africanas continuam expostas à volatilidade dos mercados internacionais, particularmente no sector energético. As tensões geopolíticas e a instabilidade em regiões produtoras de petróleo continuam a influenciar os preços globais dos combustíveis, aumentando os custos para países dependentes de importações.

Analistas económicos alertam que a combinação entre combustíveis caros e dívida elevada está a reduzir significativamente a margem de manobra dos governos africanos. Muitos países vêm-se obrigados a escolher entre manter subsídios aos combustíveis, aumentar impostos ou reduzir despesas públicas para controlar os défices orçamentais.

“O aumento dos custos energéticos e do serviço da dívida está a limitar a capacidade dos governos para expandirem investimentos sociais e impulsionarem o crescimento económico”, observam especialistas citados por agências financeiras internacionais.

No Quénia, uma das maiores economias da região, as autoridades procuram equilibrar as exigências de consolidação fiscal com a necessidade de responder ao aumento do custo de vida. O desafio é semelhante na Tanzânia e no Uganda, onde os governos enfrentam pressões para manter a estabilidade económica sem comprometer investimentos considerados estratégicos.

Os combustíveis continuam a ser um dos principais factores de pressão sobre as economias africanas. O aumento dos seus preços têm impacto directo nos transportes, na distribuição de mercadorias e nos custos de produção, contribuindo para a subida generalizada dos preços dos bens e serviços.

Especialistas alertam que uma factura energética mais elevada absorve recursos que poderiam ser destinados a sectores prioritários como saúde, educação e protecção social.

Ao mesmo tempo, o elevado endividamento de vários países africanos obriga os governos a canalizarem uma parcela crescente das receitas para o pagamento de juros e amortizações aos credores.

Segundo instituições financeiras internacionais, alguns países já gastam mais recursos no serviço da dívida do que em áreas fundamentais para o desenvolvimento social, uma realidade que levanta preocupações sobre a sustentabilidade das finanças públicas.

Os novos orçamentos procuram, por isso, encontrar um equilíbrio entre disciplina fiscal e protecção dos cidadãos mais vulneráveis. Contudo, economistas admitem que as opções disponíveis são cada vez mais limitadas num ambiente económico global marcado pela incerteza.

Para a população, o impacto é sentido sobretudo através do aumento do custo de vida. Sempre que os combustíveis ficam mais caros, aumentam também os preços dos transportes públicos, dos alimentos e de diversos bens essenciais, reduzindo o poder de compra das famílias.

Num cenário de combustíveis caros, inflação persistente e dívida crescente, os governos africanos enfrentam o desafio de garantir estabilidade económica sem agravar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos. Os orçamentos agora apresentados poderão definir a capacidade destes de países responderem aos desafios económicos dos próximos anos.

O custo de vida disparou em Maio no País, impulsionado sobretudo pela forte subida dos preços dos combustíveis e pelo encarecimento dos transportes.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que os preços dos bens e serviços aumentaram 2,32% apenas num mês e estão, em média, 7,22% mais altos do que estavam há um ano. 

O aumento dos preços dos combustíveis foi o principal factor por trás da subida generalizada dos preços, afectando directamente o transporte de pessoas e mercadorias e, consequentemente, o preço de diversos bens e serviços.

“O País registou, em Maio de 2026, uma inflação mensal de 2,32%. A inflação acumulada situou-se em 5,19% e a homóloga em 7,22%”, lê-se no relatório sobre o Índice de Preços no Consumidor divulgado pelo INE.

O maior choque veio do gasóleo, cujo preço aumentou 44,5% em apenas um mês. A gasolina também ficou mais cara, registando uma subida de 11,9%. O impacto foi imediato nos transportes públicos e privados.

Segundo o INE, os preços dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos aumentaram 11,9%, os táxis ficaram 23,5% mais caros e os transportes de longo curso por autocarro tiveram um agravamento de 26,3%.

“Analisando a variação mensal por produto, é de destacar o aumento dos preços do gasóleo (44,5%), dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros (11,9%), da gasolina (11,9%) e dos transportes por táxis (23,5%)”, refere o documento.

Na prática, isso significa que muitas famílias passaram a gastar mais para se deslocarem para o trabalho, escola ou mercado, num contexto em que os salários permanecem praticamente inalterados.

Os alimentos também contribuíram para o aumento do custo de vida. Entre os produtos que registaram maiores subidas destacam-se o peixe fresco, com um aumento de 11,7%, e o tomate, que ficou 5,7% mais caro.

Apesar de alguns produtos terem registado quedas de preços, como o milho em grão, a manga, a couve e o carvão vegetal, essas reduções não foram suficientes para compensar os aumentos registados nos combustíveis, transportes e outros produtos essenciais.

Desde o início do ano até Maio, os preços já aumentaram 5,19% em todo o País. O INE indica que a alimentação e os transportes continuam a ser os sectores que mais pressionam as despesas das famílias moçambicanas.

A situação não foi igual em todas as regiões do País. Quelimane foi a cidade onde os preços mais aumentaram durante o mês de Maio, tendo registado uma subida de 4,26%, quase o dobro da média nacional. Seguem-se Nampula, com 3,62%, e a província de Inhambane, com 2,53%. A Cidade de Maputo apresentou a menor subida mensal de preços, com 1,36%.

Contudo, quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado, é a cidade de Tete que apresenta o cenário mais preocupante. Naquela urbe, os preços ficaram 11,90% mais altos do que estavam há um ano, o maior aumento registado entre todas as cidades analisadas. Xai-Xai surge na segunda posição, com uma subida anual de 9,76%, seguida de Quelimane, com 9,67%.

“Comparativamente à variação homóloga, todos os centros registaram um aumento do nível geral de preços”, refere o documento.

Os números divulgados pelo INE mostram que a pressão sobre o orçamento das famílias continua a aumentar.

Com combustíveis mais caros, transportes mais dispendiosos e vários produtos alimentares a registarem aumentos, os consumidores vêem-se obrigados a gastar mais dinheiro para adquirir os mesmos bens e serviços que compravam há alguns meses.

Para milhares de famílias, a subida dos preços significa um poder de compra cada vez mais reduzido, numa altura em que as despesas do dia-a-dia continuam a crescer mais rapidamente do que os rendimentos.

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