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Preço de combustível pode subir no país

O preço do combustível poderá sofrer agravamento nos próximos dias, devido à tendência crescente dos custos do produto no mercado internacional. De acordo com a

Preço de combustível pode subir no país

O preço do combustível poderá sofrer agravamento nos próximos dias, devido à tendência crescente dos custos do produto no mercado internacional. De acordo com a

Um quilo de castanha de caju bruta vai custar 43 meticais na próxima campanha de comercialização 2021-2022. O preço de referência foi, esta sexta-feira, aprovado pelo Comité de Amêndoas, após auscultações feitas aos actores da cadeia de valor.

O preço em causa tem o potencial de remunerar de forma justa os produtores, comerciantes locais, processadores e exportadores.

Foi sob esse propósito e à luz do regulamento para o Fomento, Produção, Comercialização, Processamento e Exportação de caju que o Comité de Amêndoas fixou 43 meticais como preço de referência de compra da castanha de caju para a campanha de comercialização 2021/2022.

Segundo o director do Instituto Nacional de Amêndoas de Moçambique, Ilídio Bande, o novo preço resultou, em parte, da auscultação aos vários actores da cadeia de valor da castanha de caju, nomeadamente os produtores, comerciantes locais, processadores e exportadores

Entre opiniões e sugestões, o Comité de Amêndoas decidiu fixar os 43 meticais, um crescimento ligeiro se comparado com a passada época de comercialização de castanha de caju, em que a amêndoa custava 37 meticais.

Os factores internos foram determinantes para a fixação do novo preço, mas Ilídio Bande não descartou a conjuntura do mercado internacional, que impôs, sobremaneira, o ajuste.

“De Janeiro a Setembro deste ano, verifica-se um aumento do preço de amêndoa a nível internacional. Portanto, a se antes rondava por 2.3 dólares, agora está a 3.5”, afirmou Ilídio Bande.

Sobre a conjuntura internacional, Ilídio Bande apontou a influência do mercado africano, sobretudo dos países da região ocidental.

“Os preços que são praticados lá estão numa média parcialmente igual à nossa, então não poderíamos ficar à margem dessa imposição do mercado”, referiu Bande.

O director do Instituto de Amêndoas foi cauteloso ao afirmar que este é apenas um preço de referência, uma vez que pode sofrer alterações, embora não acima de 10 por cento.

“Significa que pode oscilar dez por cento a menos ou a mais dos 43 meticais, mas isso deve acontecer dentro dos interesses dos produtores e compradores”, afirmou a nossa fonte.

Por sua vez, os produtores acreditam que a actualização do preço de referência da castanha vai animar o mercado, até porque é passível de revisão se o mercado assim exigir.

As associações de produtores e industriais apontaram que é crucial que o país acompanhe as dinâmicas do mercado da castanha, para que não se saia prejudicado perante os preços dos outros países.

“Se por ventura o preço da amêndoa descer no mercado internacional, nós também temos que fazer revisão em baixas”, disse Cabir Ibrahimo, representante de uma associação industrial e agrícola baseada em Nampula.

Cabir Ibrahimo justificou que “se levarmos muito para reajustar o preço em face à conjuntura internacional, o produto não terá saída e, consequentemente, não será escoado, prejudicando, assim, os produtores, uma vez que não têm condições de armazenamento do produto.

A campanha de comercialização da castanha de caju inicia em Outubro do ano em curso e prevê-se a venda de cerca de 160 mil toneladas desta amêndoa.

O relatório do Banco de Moçambique sobre a conjuntura económica e perspectivas de inflação, publicado a 17 de Setembro corrente, indica que as projecções de inflação para o médio prazo se mantêm em um dígito, perspectivando-se, deste modo, uma relativa recuperação da economia nacional, influenciada pelas medidas de contorno aos efeitos da COVID-19.

Segundo o Banco de Moçambique, estas projecções são sustentadas pela menor depreciação do Metical, num contexto em que se prevêem pressões inflacionárias nas economias dos principais parceiros comerciais, bem como o aumento dos preços dos alimentos e do petróleo no mercado internacional.

Em Agosto, os preços registaram um ligeiro aumento no país, traduzindo o incremento verificado na classe de produtos alimentares e restauração. Ainda assim, o Banco de Moçambique perspectiva que a inflação se mantenha num dígito no curto e médio prazo.

“A inflação anual, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC), passou de 5,48%, em Julho, para 5,61%, em Agosto. Igualmente, a inflação média anual manteve a trajectória ascendente, situando-se em 4,61%, em Agosto, após 4,38%, em Julho de 2021”, lê-se no relatório do Banco de Moçambique.

Estas perspectivas reflectem também, e fundamentalmente, a manutenção da menor depreciação do Metical que permite amortecimento do efeito do aumento dos preços de alimentos e do petróleo no mercado internacional, facto que abre espaço para uma menor pressão cambial no médio prazo.

“A recente dinâmica da taxa de câmbio do Metical face às principais moedas transacionáveis, aliada à perspectiva de recuperação da procura externa, decorrente da melhoria das perspectivas económicas dos principais parceiros comerciais do país, bem como da evolução dos preços das principais mercadorias de exportação, prenuncia uma menor pressão cambial a médio prazo”, refere o documento.

Em relação à actividade económica, as projecções do Banco de Moçambique indicam uma recuperação da economia doméstica (em 2021 e 2022) impulsionada, sobretudo, pela procura externa, em face dos avanços nos programas de vacinação, da adopção de pacotes de estímulos nas economias avançadas, bem como da evolução favorável dos preços das mercadorias de exportação.

“O PIB acelerou no II trimestre de 2021, a reflectir o efeito base e a menor restritividade das medidas impostas no contexto da COVID-19. Dados preliminares do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) indicam que, em termos anuais, o PIB cresceu 1,97%, no período em análise, uma aceleração em 1,85 pp face ao I trimestre de 2021. Perante este quadro macroeconómico e ponderados os riscos e incertezas associados às projecções de inflação, o CPMO decidiu manter a taxa MIMO em 13,25%”, revela a fonte.

A recuperação da economia nacional é suportada pelas perspectivas de retoma da procura externa, em resultado do alívio gradual das medidas restritivas associadas à COVID-19 e a adopção de pacotes de estímulos monetários e fiscais, bem como uma evolução favorável dos preços das mercadorias de exportação.

Os pressupostos que sustentam as previsões do banco central, a nível internacional, têm a ver, segundo o Banco de Moçambique, com a relativa redução do crescimento do PIB nos Estados Unidos, África do Sul, em 2021, seguida por uma recuperação mais rápida, em 2022; a revisão em alta das perspectivas de inflação na África do Sul e nos EUA para 2021 e 2022; a revisão em alta das perspectivas de preços do brent no mercado internacional no horizonte de projecção; e a revisão em baixa das perspectivas de preços dos alimentos no mercado internacional, em 2021, e em alta, em 2022.

A nível doméstico, o Banco de Moçambique antevê uma manutenção da pressão nos preços de bens administrados a médio prazo. As perspectivas de recuperação do preço do petróleo, no mercado internacional, poderão gerar uma pressão sobre os preços domésticos, através do ajustamento do preço dos combustíveis. No entanto, a menor depreciação do Metical face às moedas dos principais parceiros comerciais de Moçambique poderá amortecer os possíveis impactos do referido ajustamento, no índice geral de preços do país.

Em relação à despesa pública a médio prazo, prevê-se uma maior pressão, devido à instabilidade militar na região norte do país, os desafios de reassentamento das populações, bem como a logística de aquisição e administração da vacina contra a COVID-19.

 

Novas taxas de incidência de reservas obrigatórias

Ao abrigo regulamento sobre o Apuramento e Constituição de Reservas Obrigatórias, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique fixou em 10,5% o coeficiente das reservas obrigatórias aplicável à base de incidência em moeda nacional, e em 11,5% em moeda estrangeira, a vigorar a partir de 7 de Outubro próximo.

 

Estatísticas do sector externo referentes ao II trimestre de 2021

Segundo o Banco de Moçambique, durante o II trimestre 2021, o saldo conjunto da conta corrente (CC) e de capital ­fixou-se em USD 2,151 milhões, o que representa uma melhoria de ordem de 0.5%, comparativamente ao igual período de 2020. Este resultado deveu-se à redução, em 2.2%, do dé­fice da CC, para USD 2,177.9 milhões, bem como do saldo superavitário da conta capital, em 58.9%, para USD 26.8 milhões, este último explicado pela diminuição da ajuda externa ao país.

O abrandamento do dé­fice da CC é justifi­cado, essencialmente, pela melhoria do dé­fice da conta parcial de bens, em 7.8% (determinado pelo aumento das receitas de exportação em 26.4%), e pelo incremento dos rendimentos secundários (28.9%), perante o agravamento dos dé­fices das contas parciais de serviços e rendimentos primários, em 10.5% e 16.0%, respetivamente.

Em conformidade com a fonte, dados da conta fi­nanceira apontam para a entrada líquida de recursos ­financeiros na economia moçambicana, na ordem de USD 1,963.5 milhões, menos 1.6% em relação ao período homólogo de 2020, justi­ficado pelo decréscimo, em 68.6%, do fluxo de outro investimento, para USD 387.0 milhões, num cenário em que o investimento directo estrangeiro cresceu em mais de 100%, para USD 1,555.2 milhões, apresentando-se, dessa forma, como a principal fonte de captação de recursos ­financeiros, no período em análise.

 

3ª edição do sandbox regulatório

Os desenvolvedores de startups de tecnologia, provedores de serviços financeiros, pesquisadores e outras entidades são convidadas a apresentar propostas de soluções inovadoras, com vista a satisfazer as necessidades identificadas no sector financeiro e áreas relacionadas.

A participação no Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique terá a duração de 10 meses, a contar de 15 de Novembro de 2021. As áreas de interesse incluem, mas não se limitam a carteiras digitais e agregadores de pagamentos; soluções de análise de crédito; soluções para e-KYC; financiamento colectivo (crowdfunding).

As propostas estarão sujeitas à análise de adequação ao quadro regulatório e impacto no sector financeiro, sendo a natureza inovadora a condição essencial para a selecção dos 10 melhores candidatos que irão participar neste programa.

O reforço da capacidade institucional e o aprimoramento da estrutura organizativa configuram-se como uma das apostas do novo presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Álvaro Massingue.

Um dos homens fortes do anterior Conselho Directivo da CTA, Álvaro Massingue, diz estar comprometido com a garantia da promoção da mulher e jovens empreendedores; industrialização e fomento das exportações; negócios entre os membros e atracção de investimentos; sustentabilidade da Câmara e reforço de parcerias de cooperação com entidades congéneres e outras.

O novo presidente da CCM eleito na última segunda-feira, com um total de 224 votos, também sublinhou que o leque da sua estratégia de governação se fundamenta no princípio de coesão e responsabilidade colectivas.

“Estamos cientes de que o caminho é bastante espinhoso, mas estamos também confiantes de que a união de todos os membros da nossa organização e o apoio de todos os nossos parceiros de cooperação farão a força e a diferença almejadas, para que, num futuro próximo, em sessão de balanço intercalar, possamos orgulhar-nos de todos os esforços”, disse Massingue.

Na mesma ocasião, a presidente cessante da Mesa da Assembleia Geral, Luísa Diogo, acredita que o candidato eleito será um Presidente de todos os associados.

“Todos nós temos que aprender a viver juntos, por uma Câmara activa e ética. Fazemos votos para que o novo elenco saiba elevar os interesses da Câmara para que prevaleça o bem comum dos associados”, sublinhou Diogo.

O presidente eleito compromete-se a tornar a CCM numa plataforma que permite o envolvimento de todos os associados, para o reforço da estratégia de desenvolvimento económico do país.

Álvaro Massingue substitui Julião Dimande da presidência da CCM. Do seu elenco directivo na CCM, constam Módi Adriano Maleiane (que ocupava o cargo de Presidente do Pelouro da Mulher e Género, desde 2019), como vice-presidente, Luís Magaço Jr, presidente do Conselho Fiscal. Além de Massingue, Lucas Chachine foi eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral, em substituição de Luísa Diogo e Sónia Uache, como vice-presidente. O Conselho Consultivo da CCM é composto por 15 membros, entre os quais quatro suplentes.

Em seis anos de implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE), o Governo diz que a economia nacional cresceu de forma considerável, apesar dos desafios enfrentados. Adriano Maleiane avançou ainda que, até Maio de 2022, a proposta de revisão do instrumento será submetida à Assembleia da República para aprovação.

Adriano Maleiane, falando à margem do lançamento do processo de revisão da ENDE (2015-2035), diz que, desde que o instrumento foi aprovado em 2015, o país alcançou vários êxitos.

“Tudo que foi feito estava enquadrado e continua nesta estratégia. Tivemos várias barreiras, a destacar as consequências das mudanças climáticas, porém, em 2015, mesmo envoltos em tantos problemas, a nossa economia cresceu em 6.6 por cento. Em 2016, mesmo com a crise económica mundial, alcançamos um crescimento de 3.3 por cento. Isto significa que, apesar das dificuldades, nós não perdemos o norte, tanto que o Plano Quinquenal do Governo que estamos a implementar está enquadrado nas políticas traçadas neste instrumento”, disse Adriano Maleiane.

Sobre o programa de revisão do instrumento, que passa pela auscultação de sectores sociais, económicos e políticos e a submissão da proposta à Assembleia da República, para aprovação, o ministro da Economia e Finanças explica: “a auscultação começa agora e, até Maio de 2022, teremos a proposta do documento pronta para o Governo submeter à aprovação pela Assembleia da República”.

Através de conversas presenciais, videoconferências, questionários no website do Ministério da Economia e Finanças, entre outras ferramentas, o Governo colherá as opiniões de académicos, organizações da sociedade civil, observatório do desenvolvimento, entre outros grupos, a nível nacional.

Para o Governo, a revisão da estratégia é para responder ao surgimento de novos paradigmas de desenvolvimento, com formas novas de trabalho, novas tecnologias e, acima de tudo, envolver os sectores produtivos na tomada de decisões.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, procedeu, hoje, ao lançamento do Processo de Revisão da Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE) 2015-2035. Na ocasião, o Chefe de Estado disse que apesar da pandemia da COVID-19, eventos climáticos e o terrorismo em Cabo Delgado, a economia nacional medrou nos primeiros dois trimestres de 2021.

“O desempenho mais recente da economia evidencia um ponto de inflexão saído do território negativo registado em 2020, para um crescimento em 2021, no primeiro e segundo trimestres, estimando em 0.12% e 1.97, respectivamente”, precisou Filipe Nyusi.

De acordo com o Presidente da República, espera-se, ainda, que, em 2021, Moçambique alcance um crescimento económico na ordem de 1.5%.

O Chefe do Executivo moçambicano avançou que, mediante os vários eventos catastróficos, incluindo os ciclones Idai e Kenneth e a pandemia da COVID-19, o país teve ganhos significativos em três sectores, nomeadamente, Educação, Saúde e Protecção Social.

Sobre a Educação, Nyusi disse que o foco do Governo tem sido orientado para a melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem, cujo enfoque foi direccionado para a expansão e apetrechamento de infra-estruturas, assim como a contratação e formação de mais professores para a redução do rácio aluno-professor, abrangendo mais de 16 milhões de alunos.

“Na Saúde, com vista a melhoria crescente das condições de vida dos moçambicanos, a formação de profissionais visa qualificá-los melhor para a prestação de serviços de saúde de qualidade”, disse Nyusi destacando os ganhos na Saúde.

Já na área social, o destaque foi para a melhoria das condições de mobilidade da população, que, segundo o Chefe do Estado, tem sido uma preocupação presente no Governo, por entender que esta é uma componente social importante e com um papel de destaque para a dinamização da actividade produtiva.

Ainda no seu discurso, o Presidente da República não deixou de lamentar o desfalque económico causado pelos eventos climáticos, associados aos ataques terroristas em Cabo Delgado e a actuação dos dissidentes da Renamo no centro do país.

“Estamos todos recordados sobre os ciclones Idai e Kenneth que atingiram severamente as regiões centro e norte do país, tendo afectado significativamente os processos produtivos e a vida da população, associados à instabilidade militar nas mesmas regiões, cujo modus operandi é a destruição das infra-estruturas económicas e sociais públicas e privadas e retirada de vida a população.”

O comércio electrónico no país ainda é deficitário, devido a limitações de acesso à internet, baixa literacia digital e falta de infra-estruturas tecnológicas robustas. Esta ideia foi defendida no segundo painel do primeiro dia da Moztech.

Desde a eclosão da pandemia da COVID-19, as vendas e compras através da internet cresceram a 90 por cento em todo o mundo, estatísticas nas quais Moçambique está longe de se destacar, dados os desafios de vária ordem.

Os participantes do painel subordinado ao tema Disrupção pelo E-Commerce da Moztech consideram que o país tem que resolver questões básicas e que o comércio electrónico deve ser feito em função das condições locais.

“Temos que começar com o que já temos e não estarmos a procurar outras condições para podermos funcionar. Portanto, o ideal é fazermos usos das capacidades que possuímos para responder à exigência do mercado, claro sem deixar de pesquisar outras alternativas”, afirmou Shaida Sene, uma dos painelistas.

No tocante à literacia digital, Abdul Mueid, gestor de uma plataforma de vendas digital, aponta que tem sido muito difícil fazer comércio electrónico num contexto em que as pessoas desconhecem as ferramentas digitais.

No seu entender, Mueid disse que Moçambique pode fazer melhor, mas é preciso ultrapassar as limitações mais básicas que interferem nas vendas e compras via online.

“Oportunidades existem, mas aqui, em Moçambique, há falta de talentos da área de tecnologia. Por exemplo, nas nossas operações, temos muito mais trabalho, para além de vender temos que explicar como esses sistemas funcionam”, referiu-se Abdul Mueid.

Para além do fraco acesso à internet, formação e infra-estruturas, a insegurança electrónica é também um dos aspectos que dificultam o desenvolvimento do comércio electrónico no país.

Segundo Lourino Chemane, director do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, apesar de o país contar com uma lei de segurança electrónica, ainda são necessários regulamentos específicos que possa orientar as operações digitais.

“Há previsões sobre o comércio electrónico, mas ainda não temos o regulamento em si. Felizmente, estamos a caminho de preparar esse instrumento e tomaremos em consideração a dinâmica actual do mercado”, afirmou Lourino Chemane.

Segundo o dirigente, a regulamentação do comércio electrónico poderá atenuar as vendas digitais informais. Outro desafio é a inexistência de dados estatísticos sobre o comércio informal, o que dificulta uma possível formalização.

Lourino Chemane diz, entretanto, que o regulador tem que ser cauteloso na tomada de algumas medidas sobre o comércio electrónico, para não retrair o mercado.

Por outro lado, Chemane entende que a regulamentação do comércio electrónico não cabe apenas a nível interno, mas também é um desafio na esfera global.

“Há desafios de dimensão internacional em termos de regulamentação do comércio electrónico e a participação equitativa de actores nacionais e internacionais na dinamização na dinamização de países em via de desenvolvimento”, disse Lourino Chemane.

Dados recolhidos em Agosto findo pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), nas cidades de Maputo, Beira e Nampula, quando comparados com os do mês anterior, indicam que o país registou uma inflação na ordem de 0,19%.

Segundo o INE, as divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de restaurantes, hotéis, cafés e similares, foram as de maior destaque, ao contribuírem no total da variação mensal com cerca de 0,09 e 0,06 pontos percentuais (pp) positivos, respectivamente.

Em termos de variação mensal por produto, o INE destaca o aumento dos preços do carapau (4,1%), do vinho (3,6%), da cerveja para consumo fora de casa (0,6%), do peixe fresco (0,4%), do limão (19,7%), de motorizadas (0,8%) e materiais diversos para manutenção e reparação da habitação (0,7%), tendo contribuído, no total da variação mensal, com cerca de 0,19 pp positivos.

Porém, produtos como repolho (7,7%), a galinha viva (1,1%), a farinha de mandioca (7,7%) e a alface (2,8%), contrariam a tendência de aumento, ao contribuírem com cerca de 0,04pp negativos.

Ainda em conformidade com o INE, de Janeiro a Agosto do ano em curso, o país registou um aumento de preços na ordem de 2,5%. A divisão de Alimentação e bebidas não alcoólicas foi a de maior destaque na tendência geral de subida de preços, ao contribuir com cerca de 1,03pp positivos.

Analisando a variação acumulada por produto, o INE destaca o aumento dos preços do carvão vegetal, do tomate, do carapau, de refeições completas em restaurantes, do óleo alimentar, de capulanas e do arroz em grão. Estes comparticiparam com cerca de 1,43pp positivos no total da variação acumulada.

Comparativamente a igual período do ano anterior, o país registou no mês em análise, um aumento de preços na ordem de 7%. As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de restaurantes, hotéis, cafés e similares, foram em termos homólogos as que registaram maior variação de preços com cerca de 11% e 6%, respectivamente.

Analisando a variação mensal pelos três centros de recolha, que servem de referência para a variação de preços do país, nota-se que em Agosto findo, todas as cidades registaram um relativo aumento de preços, com a Cidade de Nampula a se destacar com cerca de 0,4%, seguida da Cidade de Maputo com 0,15% e por fim a cidade da Beira com aproximadamente de 0,02%.

Comparativamente à variação acumulada, a Cidade de Maputo teve a maior subida do nível geral de preços com cerca de 2,7%, seguida das cidades de Nampula com 2,2% e da Beira com 2,1%. Relativamente a variação homóloga, a cidade da Beira liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 7%, seguida da Cidade de Nampula com cerca de 5,6% e por último a Cidade de Maputo com 5,1%.

No balanço do sector de caju de 2015 a 2020, olhando para a castanha bruta produzida, exportada e processada no país, há uma diferença de 297 mil toneladas, que equivale a mais de 49 milhões de dólares de divisas perdidas devido ao contrabando.

Na campanha 2020/21, por exemplo, o país produziu 144.823 toneladas; foram exportadas 26.670 e 35.888 foram para a indústria nacional, o que mostra que há 82.265 toneladas que não estão no registo oficial, uma mostra do quão as redes de contrabando são fortes e arruínam a indústria.

A fábrica da Condor, localizada no posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula, é um dos exemplos das fábricas que tiveram que fechar as portas este ano devido a vários problemas que enfermam o sector, sendo a falta de matéria-prima um deles. A unidade abriu em 2008 e recebia castanha bruta proveniente de vários distritos da província de Nampula, que é responsável pela produção de 50% da castanha bruta produzida no país.

A unidade empregava mais de 3 mil operários e a partir de Setembro de 2020 começou a mostrar sintomas graves de crise que levaram ao encerramento definitivo este ano.

A comunidade que vive nas redondezas da fábrica da Condor encontrava emprego naquela unidade fabril. Agora, sem renda, a agricultura de subsistência é o único refúgio para tantos desempregados. Laura Adriano é um deles que começou a laborar em 2011 até ao momento do encerramento. “Estava no sector de descasque [da película de amêndoa da castanha de cajú]. Ainda não tive indemnização”, disse.  

Lelo Estêvão, também da mesma comunidade, diz ter trabalhado durante 11 anos e também caiu no desemprego. “A vida é muito difícil. Aquela fábrica dava-nos muito emprego aqui”, lamentou.

A crise no sector de cajú existe há bastante tempo e nos últimos cinco anos tem atingido níveis alarmantes devido a circuitos de compra e exportação ilegal da castanha bruta, contrariando a legislação em vigor que preconiza a priorização do abastecimento das indústriais nacionais de processamento, quando se abre a época de comercialização no final de cada ano, e só o excedente é que pode ir à exportação.

“Quando a indústria de caju entrou para o Programa de Desenvolvimento Nacional e da província, há 15 anos, crescemos de nada para 100 mil toneladas e estava no nosso compromisso e as exigências da nossa governação que em 2020 pudéssemos processar 100 mil toneladas. Por razões de força maior retrocedemos, onde processamos nesse ano não mais que 25 a 30 mil toneladas”, disse Yunus Gafur, presidente da Associação dos Industriais de Caju, que fala de seis mil desempregados em consequência da falência de sete fábricas, só na província de Nampula.

O Governo lançou recentemente o debate para a revisão da legislação que regula o sector de caju e espera-se que os problemas que se registam neste momento inspirem a aprovação de uma lei que proteja ainda mais a indústria nacional de processamento da castanha de caju.

Cálculos feitos mostram que em 5 anos, o país perdeu mais de 49 milhões de dólares de divisas com o contrabando, fazendo à razão de 200 dólares a comercialização da tonelada de castanha bruta.

Cabo Delgado já não regista ataques terroristas desde Agosto último, altura em que Forças de Defesa de Moçambique e da República do Ruanda lançaram uma operação militar conjunta  de combate ao grupo armado instalado na província há cerca de quatro anos, mas, até ao momento, ainda não sabe quando a multinacional francesa Total irá retomar o projecto de exploração de gás na bacia do Rovuma, que foi interrompido em Março deste ano, depois do assalto à vila de Palma.

“Só depois das condições de segurança estiverem garantidas, voltaremos a contactar os investidores para desenhar um novo cronograma de retomada do projecto de gás na bacia de Afungi, por enquanto as atenções estão viradas à normalização da situação nos distritos afectados”, prometeu Max Tonela, ministro dos Recursos Minerais e Energia, durante a sua visita à zona norte de Cabo Delgado.

Devido aos ataques terroristas, continuam incertezas sobre as datas da retomada da Total, que foi concessionada à área 1, cujo início da exploração de gás estava previsto para 2024, entretanto, apesar da insegurança, a ENI, a multinacional italiana, que ocupou a área 4, continua normalmente a construir a sua plataforma no alto mar e, segundo previsões, deverá entrar em funcionamento em 2022.

“O projecto da Plataforma flutuante está a correr de acordo com o programado e, segundo informações, a sua construção está em quase noventa por cento de execução”, esclareceu Max Tonela, ministro dos Recursos Minerais e Energia.

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