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Economia moçambicana imune ao escândalo da dívida oculta

Banco Central afirma estar atento aos processos judiciais dentro e fora do país sobre o escândalo da dívida de mais de dois biliões de dólares. Contudo, e apesar da desconfiança dos investidores, mantém inalteradas as previsões de recuperação económica do país.

Um ex-ministro das Finanças detido e tantos arguidos na mira da justiça, com os americanos a liderarem o processo das investigações. Afinal, trata-se do maior escândalo financeiro de que há registo em Moçambique (dois biliões de dólares).

Como consequência dessa engenharia fraudulenta, o país ficou refém da ajuda externa directa ao Orçamento do Estado (OE) desde Abril de 2016, obrigando o Executivo de Maputo a adoptar medidas de austeridade, e como sempre, a factura final pesa no bolso do cidadão comum.

Com os recentes desenvolvimentos em torno das chamadas "dívidas ocultas", aliados as descidas de ratings de Moçambique, pelas principais agências de notação financeira, o Banco Central diz que “não há alterações de relevo” nas projecções de crescimento económico do país, ou seja, a economia moçambicana continua imune às revelações.

“Desde que tivemos a última sessão do Comité de Política Monetária em Dezembro do ano passado, não se verifica nenhuma alteração nos indicadores macroeconómicos. No entanto, estamos atentos e a monitorar a situação”, referiu Silvina de Abreu, directora do Gabinete de Comunicação do Banco de Moçambique (BM), mantendo a convicção da recuperação económica do país neste ano.

Porém, De Abreu deixou claro que o Banco Central não hesitará em tomar medidas que estiverem ao seu alcance para garantir a manutenção deste estabilidade macroeconómica que o país apresenta.

Sobre a polémica emissão dos títulos da dívida pública, muito criticada pelo sector privado, na voz da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) De Abreu garantiu que este tipo de operação não agrava o endividamento público.

“Recebemos em fórum próprio a preocupação da CTA em relação às constantes emissões de Bilhetes de Tesouro, aproveitamos esclarecer desde já que há uma má interpretação da operação, pois estes títulos não visam aumentar a dívida do Estado”, explicou ontem (quinta-feira), a imprensa em Maputo, a directora do Gabinete de Comunicações do BM.

Recorda-se, na primeira quinzena de Janeiro, o Banco de Moçambique emitiu os primeiros títulos da dívida do ano, uma operação que mereceu reparo do sector privado, alegadamente por falta de clareza.
O presidente da CTA, Agostinho Vuma, acusou a autoridade monetária de ser pouco comunicativa ao não clarificar os devidos propósitos da emissão destes títulos de dívida pública, situação que está a agitar o mercado e a alimentar especulações.

Para esta agremiação se o propósito desta emissão for para condução da política monetária seria ideal, mas caso seja para financiar a despesa pública vai limitar a possibilidade de redução de taxas de juro, encarecer o custo para as empresas reinvestir e expandir os seus negócios.

As contas revelam, que só nos últimos três anos, o Banco de Moçambique emitiu de forma desenfreada Bilhetes de Tesouro, e como resultado aumentaram as taxas de juro criando dificuldades de acesso a recursos financeiros para o reinvestimento por parte de empresas.

Esta decisão pode afectar negativamente os ganhos macroeconómicos que o país vinha registando, nomeadamente na inflação e taxa de câmbio, factores que poderão influenciar as previsões de crescimento económico do país para 2019.

 

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