O País – A verdade como notícia

O impacto da guerra entre a Rússia e a Ucrânia em Moçambique será mais sentido em áreas cruciais para a vida da população, nomeadamente, nos combustíveis e nos produtos alimentares, situação que poderá tornar a vida ainda mais difícil.

É que a dependência produtiva de Moçambique em relação aos dois países torna a economia nacional vulnerável às mudanças dos preços no mercado internacional e incapaz de determinar os preços a nível local praticados aos consumidores finais.

Segundo as perspectivas económicas do FMI para África Subsaariana, que destaca a parte moçambicana, Moçambique importa da Rússia cereais, fertilizantes, combustíveis e seus derivados, produtos fundamentais para a inflação global.

E da Ucrânia, Moçambique também importa cereais e fertilizantes, bem como óleo alimentar. São estes os produtos, que, segundo o Fundo Monetário Internacional, poderão continuar a impactar no agravamento de preços na economia nacional.

O relatório do Fundo foi divulgado ontem. Na ocasião, o representante residente do FMI em Moçambique, Alexis Meyer Cirkel, alertou que a dependência em relação à Rússia e Ucrânia irá impactar nos preços dos alimentos e dos combustíveis.

Para Rússia e Ucrânia, Moçambique vende tabaco, minérios, frutas, produtos químicos diversos. Já na África Subsaariana, 85% dos cereais consumidos são importados e uma parte significativa vem da Rússia, indicam dados do FMI.

“A região enfrenta um novo desafio com a crise entre a Rússia e a Ucrânia que vem afectar o preço dos alimentos. Todas as pessoas sentem isso em casa, através do custo maior dos alimentos, do petróleo e dos combustíveis”, disse Alexis Meyer.

Uma das saídas é a diversificação da economia, há muito debatida no país. Pela fraca produção no país, a directora nacional de Políticas Económicas e Desenvolvimento, Enilde Sarmento, lança parte da culpa para o sector privado.

“Produzir internamente passa também por termos um sector privado virado para este tipo de actividade de produção interna. Passa também por pensarmos em ter um sector privado que esteja a operar no sector produtivo e que, de facto, produza. O Governo é também chamado para a responsabilidade sobre a necessidade de fazer investimentos nas infra-estruturas produtivas, porque o sector privado para operar necessitará de infra-estruturas, sobretudo orientadas para a produção”, defendeu a directora nacional de Políticas Económicas e Desenvolvimento.

Em relação ao risco do aumento dos preços, Enilde Sarmento diz que o Banco de Moçambique está em melhores condições de controlar a situação que o Governo.

“Num momento de crise em que estamos com algumas pressões do lado fiscal, pensarmos que temos que arranjar uma solução do lado fiscal é sempre difícil”, referiu Enilde Sarmento.

Para este ano, o FMI espera que os preços em Moçambique aumentem cerca de 9%, elevando, assim, o custo de vida, uma situação a melhorar nos próximos anos.

VIDA CONTINUARÁ CARA NOS PRÓXIMOS MESES

O custo de vida continuará elevado nos próximos meses, alerta o Banco de Moçambique, instituição que decidiu ontemmanter a taxa de juro de referência no mercado em 15,25%.

“A curto prazo, a inflação continuará elevada, reflectindo o impacto do ajustamento dos preços dos bens administrados. O Comité de Política Monetária considera que as perspectivas macroeconómicas recentes estão em linha com a manutenção do actual nível da manutenção da taxa MIMO no curto prazo, por forma a garantir uma inflação baixa e estável”, disse Rogério Zandamela, governador do Banco de Moçambique.

Trata-se de uma decisão tomada tendo em conta as incertezas associadas à tensão na Europa. “O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique decidiu hoje (referindo-se a ontem) manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 15,25%. Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação em um dígito, a médio prazo, não obstante os elevados riscos e incertezas associados a estas projecções, com destaque para a tensão geopolítica na Europa”, referiu Rogério Zandamela.

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique promete continuar a monitorar a evolução dos riscos e das incertezas associados às projecções de inflação e não hesitar em tomar as medidas correctivas necessárias.

O PCA do Grupo SOICO e fundador da MAKAGUI deu uma palestra para orientar os jovens a encontrar o caminho do sucesso, no sector do empreendedorismo. No último dia da feira de tecnologias MozTech, realizada na Arena 3D, na Katembe, Cidade de Maputo, Daniel David explicou como a plataforma Wise Up, dedicada ao ensino de inglês, é um activo privilegiado para quem pretende aprender e ganhar dinheiro de forma sustentável.
Respondendo a uma pergunta retórica, formulada esta quinta-feira, durante a feira de tecnologias MozTech, Daniel David disse que empreender é fazer algo diferente e com valor. Logo, empreendedor é todo aquele que identifica e soluciona problemas. A explicação foi dada por quem tem 40 anos de percurso profissional, na área do empreendedorismo, ao longo de 45 minutos. Na verdade, a sessão funcionou como mote para o fundador da SOICO e da MAKAGUI chegar ao cerne da questão: sucesso financeiro.  

De acordo com Daniel David, quem não domina a educação financeira, está perdido na vida, e, a capacidade de vender um produto que se julga diferenciador é para quem quer prosperar. Por isso mesmo, a pensar na condição de pobreza que vários jovens moçambicanos enfrentam, o empreendedor levou à Arena 3D um produto literalmente dedicado aos que ambicionam a prosperidade. Trata-se da Wiser Sales Platform, uma plataforma dedicada à venda de cursos de inglês, que, do utilizador, apenas exige um telemóvel com acesso à internet. David inscreveu-se nesse serviço tecnológico ano passado, quando decidiu começar a somar rendimentos do zero. Aprendeu e, rapidamente, convenceu-se de que estava ali uma ferramenta fundamental para quem almeja aos trinta e poucos anos garantir uma reforma financeira que lhe garanta o empoderamento e a liberdade. “Eu vendi sempre, mas precisava de ter um caso de sucesso para partilhar”.

O caso de sucesso, com efeito, é a Wise Up, que não só permite às pessoas aprenderem a falar inglês de forma moderna e dinâmica, como ainda as permite enriquecer enquanto se formam. Segundo disse Daniel David, vender um curso por dia,garante 60 mil meticais. Inicialmente, ele propôs-se a vender dois cursos.

David vê na Wise Up uma grande ferramenta porque Moçambique, afinal, está rodeado de países que têm o inglês como língua oficial. “Quem quiser ter grandes oportunidades, tem de se preparar para fazer negócios ao nível da SADC”. Todavia, internamente também há muitas potencialidades, até porque sete milhões de moçambicanos com acesso à internet é uma excelente oportunidade de negócio.

Decidi ensinar inglês, vendendo um produto que permite a pessoa aprender onde e quando quiser. Temos de saber vender, o que implica ter técnica, conhecer a dor, a ambição e o desejo do cliente”. Dito isso, Daniel David acrescentou que o empreendedor deve diferenciar com valor ou então morrerá com o preço. Tudo o que tem valor, as pessoas pagam. O vendedor é o protagonista da sua vida e a venda nos desenvolve”. Assim, tendo a noção de “valor” e de “venda”, David garantiu que a Wise Up oferece serviços necessários e que impactam positivamente na vida das pessoas.

Ainda na Arena 3D, o fundador da SOICO e da MAKAGUI referiu-se às variáveis decisivas para quem pretende singrar na área do empreendedorismo, entre as quais a única que não deve mudar: “a nossa essência, a nossa fé, aquilo que nos move.

Daniel David chamou atenção aos jovens para aprenderem a questionar, inclusive, àqueles que os formam. Conforme observou, existem muitas pessoas que tratam do tema empreendedorismo só do ponto de vista teórico, sem a experiência da prática. “Aquele que ensina, tem de dominar e saber. Eu tenho uma experiência de 40 anos, que me dá legitimidade para partilhar a minha história e contribuir para que os outros tenham diferencial na vida. Enquanto tivermos sopro de vida no nosso corpo, devemos nos perguntar qual é a razão de termos nascido. Às vezes, a pessoa cresce e forma-se sem estar certo sobre o que deveria ser. Se não soubermos qual é o nosso propósito, levaremos uma jornada que nos faz perder tempo. E o tempo é precioso para o ser humano”.

Para que não houvesse equívocos, David disse aos mais jovens que, embora o dinheiro seja importante rumo ao equilíbrio financeiro, não é tudo. “O dinheiro é um meio que nos ajuda a realizar os nossos projectos rumo ao sucesso que queremos atingir”. Mas do que depende o sucesso? O empreendedor respondeu: “Depende de corpo, de alma (relações com as pessoas, com a família, com os amigos e os nossos sentimentos) e do nosso espírito (a forma como acordarmos e olhamos para o universo). Sem este triângulo equilibrado, não há como ter sucesso na vida.

Ao debruçar-se sobre o tema “Empreendedorismo na prática: oportunidades de negócio online – caso de estudo: Wiser Sales Platform”, Daniel David percorreu a sua trajectória de via, desde 1966, ano do seu nascimento, até MAKAGUI, plataforma especialmente dedicada a criar desenvolvimento humano através de palestras e variadas iniciativas inerentes. MAKAGUI possui três pilares importantes: inteligência financeira, que ajuda as pessoas a terem vida próspera com base em comportamento correctos; reforma da liberdade financeira; e liderança.

Na sua intervenção, Daniel David destacou que sempre procurou fazer o seu melhor nas piores condições por que passou. Por exemplo, na década de 80, tempo da fome em Moçambique, ou na África do Sul, na época do Apartheid. Esse também é um exemplo que os jovens precisam seguir.

No segundo e último dia da nona edição da feira de tecnologias MozTech, houve espaço para uma reflexão inerente ao tema “Plataformas digitais – uma alavanca para o crescimento dos negócios”. No total, quatro oradores foram convidados a partilhar com o público presente na Arena 3D, na Catembe, as suas experiências e perpecções. O primeiro a intervir, na sessão que também foi transmitida em directo pelo canal Stv Notícias, foi Pedro Garcia. De acordo com o representante da equipa de Planeamento da Bland Lovers, Moçambique está numa fase de crescimento, no que diz respeito ao aumento de empresas, investidores, empreendedores ou empresários que estão a investir nas plataformas digitais. Segundo disse o principal orador da sessão, o país que conheceu há dois anos é completamente diferente do actual, embora reconheça haver muitos desafios.

Ainda assim, para Pedro garcia, mais do que se pensar nos problemas, a MozTech deve servir de pretexto para a sociedade moçambicana em geral reflectir sobre oportunidades que o país possui no sector das plataformas digitais. As potencialidades moçambicanas, segundo disse, são visíveis porque se trata de uma sociedade dinâmico e com vontades próprias. O facto de Moçambique ser um país jovem, com mente aberta para novos conhecimentos é, igualmente, uma grande vantagem, que, inclusive, tem contribuído para que haja mais investidores na internet. “Não é preciso investir de forma estratosférica, para lançar pequenas coisas que podem trazer soluções constantes”, observou.

De igual modo, Pedro Garcia acrescentou os sete milhões de moçambicanos presentes nas plataformas digitais, ainda que não seja um número de todo excelente, é um início de oportunidade. Paralelamente, sublinhou que, neste momento, o cidadão é, sem dúvida, o ouro para quem se interessa em explorar negócios através da internet. “Agora, o que temos de fazer é apostar mais na segurança, na dinâmica procurar apoio para as questões legais que nos permitam profissionalizar o nosso trabalho. Assim, as coisas irão crescer porque estas questões são contagiantes”.

Reconhecendo que não existem governos fortes sem mercados fortes, Paulo do Carmo, Director Comercial da Sandit, lembrou que as plataformas digitais permitem chegar ao público mais vasto, atingir mercados externos e elevar a marca de forma que, apenas a nível local, seria impossível. Do Carmos também observa que Moçambique tem registado um crescimento do nível de utilizadores de plataformas digitais. “Isso é sinal de que as empresas estão a investir e a olhar para o digital como um presente”. Outrossim, para que esse progresso não fique comprometido, o Director Comercial da Sandit defende que a organização de dados ou informação sobre os clientes, por parte das empresas e investidores, é essencial, o que deve acontecer com clareza e sem complicações. “Até podemos começar de forma informal, pensando que, em pouco tempo, iremos nos profissionalizar. É por aí que temos todos de começar para poder comunicar”.

Já Vítor Cau, Representante PHC Software, reconheceu que Moçambique tem problemas de base, de infra-estrutura e de acesso à internet. No entanto, não vê nos obstáculos problemas desmoralizadores. Pelo contrário, sugeriu que os investidores devem atacar esses constrangimentos. “As oportunidades que o país possui só serão aproveitadas por empresas e gestores que migrarem. Não temos de inventar formas de chegar às pessoas, temos de usar meios para chegar às pessoas”.

Os bancos estão impedidos, por lei, de ter seus dados virtuais baseados fora, o que resulta na retração em relação à adesão à tecnologia de computação na nuvem. Ademais, a lei não clarifica que dados não devem estar no exterior, dizem painelistas da Moztech.

O avanço das tecnologias vem permitir facilidades no desenvolvimento de negócios. Tal é o caso da tecnologia Cloud Computer (ou, simplesmente, computação na nuvem), que permite a conservação e gestão de dados na internet. Entretanto, segundo Rufino Taula, membro de direcção da Dataserv, a legislação moçambicana inibe que o sector empresarial avance para esta tecnologia. Um dos painelistas do segundo dia desta nona edição da Moztech explica que o sector bancário, por exemplo, é impedido, por lei, de ter seus dados baseados fora do país, mesmo que os provedores da tecnologia sejam do exterior. Assim, este sector fica limitado, não só de aderir a esta tecnologia, como, também, de beneficiar das várias vantagens daí advindas.

“A base legal, para ambientes de produção, os dados do cliente não podem estar fora de Moçambique. Então, numa situação dessas, como é que vai ser o processo de migração para cloud?”, questiona Taula.

Contudo, para provedores locais, como é o caso da Dataserv, esta medida é uma vantagem, já que os usuários recorrem a tais locais para ter o serviço.

Esta tecnologia traz diversas vantagens, e o director da área de desenvolvimento de negócios da Real Life Technologies-Portugal, Jorge Epifânio, fez questão de destacar, de entre vários aspectos, o facto de haver possibilidade de abrir e gerir um negócio num país sem precisar de lá estar, nem de construir infra-estruturas. Disse, entretanto, que o continente africano está relativamente atrasado na implementação desta tecnologia, e referiu: “mas o crescimento é bem rápido!”.

Outro elemento de preocupação é a segurança, para o qual os painelistas são claros e directos em dizer que não existe segurança a 100%.

“Relativamente à questão de soberania, todos os Cloud privados já têm uma solução, que trazem a plataforma ao país, significando que usas a plataforma, mas os dados estão no país”, diz Jorge Epifânio.

Epifânio explica que é preciso garantir maior largura da banda, e afirma que também existem certificações, que são um meio de conhecer o nível de segurança dos dados conservados na nuvem. O painelista acrescentou, concordando com Miguel Ferreira, outro painelista, especialista em infra-estruturas e segurança de tecnologias de informação na Asseco PST-Portugal, que é necessário apostar-se na encriptação.

E porque o nosso país tem limitações de internet, o painelista recomenda que haja sempre uma conservação alternativa dos dados para evitar que a falta da internet não impeça o seu acesso.

Expositores da nona edição Moztech apresentam soluções com olhos postos na transformação digital. Há plataformas digitais para fazer quase tudo, desde o armazenamento de dados até a gestão de empresas.

Debates à parte, a feira da MozTech é um mundo de descobertas e os expositores fazem questão que esse mundo não seja segredo para ninguém. Os stands, cada um, estão montados para despertar a atenção de todos que passam pelos corredores da expo-tecnológica.

Por exemplo, a nona edição é uma oportunidade para jovens e adultos compreenderem melhor o funcionamento da Wise Up Online, uma plataforma digital de aprendizagem de inglês, com direito a certificado internacionalmente válido.

Um curso de Inglês que leva o mundo aos pés. É nisso que acredita Wiser Moçambique, devido ao nível de importância da própria língua. A representante da Wiser Educação Moçambique, Balbina Inroga, explicou que a empresa incentiva todos a aprenderem sobre a língua por ser um “passaporte” para se ter acesso a várias oportunidades de negócios e de emprego. “Nosso país está rodeado de outros falantes só de língua inglesa”, disse.

Mas, porque é tudo digital, há um desafio que se impõe em termos de segurança cibernética. Aliás, até foi tema de debate. Porém, para lá de conversa, há quem traz soluções práticas e está a tempo inteiro a mostrar isso aos participantes. É o caso da BCX, que apresenta vários sistemas de protecção cibernética.

“Fazemos por encomenda, por iniciativa ou proactivamente. Além disso, mostramos aqui o portfólio da BCX para que os clientes possam conhecer-nos melhor”, explicou Luís Enoque, director comercial da BCX.

O trabalho da BCX mostra-se cada dia mais importante pelo avolumar de dados que pessoas e empresas têm de processar. Isso também implica uma melhor gestão de espaço. Para isso, o armazenamento em nuvem é uma opção, aliás, é o caminho trazido pela Metrofile. “Trazemos a ferramenta Iron3, que é o datacenter, que é para criar um novo datacenter em Moçambique, que irá alojar alguns dados”, explicou Jorge Guambe, em representação da Metrofile.

A transformação digital está em tudo e esta nona edição está a provar isso, principalmente por via das soluções que os expositores trazem. A PHC, por exemplo, traz várias soluções para a gestão empresarial de forma digital, para que os gestores façam o manuseamento das suas empresas remotamente.

“O que fazemos é parte da política de ‘better management for happier people’, que significa ‘melhor gestão para pessoas mais felizes’”, comentou Vítor Cau, da PHC.

Porém, não é só isso que está nesta feira da Moztech, na sua edição número nove. Com as inscrições ainda abertas para o público no site, os expositores mantêm-se, em tempo real, nos stands para atender cada um dos seus clientes e explicar com exaustão os seus produtos tecnológicos.

A agência de viagens moçambicana COTUR foi, mais uma vez, galardoada com o prémio “TAP Awards” pela Transportadora Aérea de Portugal como maior e melhor promotor de viagens de África. Por outro lado, a COTUR vai passar a vender pacotes de bilhetes para o mundial Qatar 2022.

COTUR continua a ser um destaque entre os agentes de viagens a nível de África. Mais uma vez, galardoada com o TAP Awards. A agência diz que o reconhecimento constitui incentivo para continuar a procurar satisfazer seus clientes.

“Ao podemos elevar o nome do nosso país e trazer a tona de que é uma agência de Moçambique, melhor do continente, isso nos deixa com dupla satisfação, porque não está só em causa o nome da nossa empresa, mas também do país no continente africano.”                 

Depois deste reconhecimento, a COTUR anunciou também uma novidade. Segundo Noor Mimad, PCA da Cotur, está em processo um acordo com o Governo do Qatar para ter a exclusividade de vendas de pacotes de bilhetes para o mundial naquele país.   

A iniciativa, segundo Noor Momade, vai proporcionar aos moçambicanos melhores serviços de viagem para o Qatar durante o Campeonato do Mundo de Futebol a ser realizado pela primeira vez na sua história em Dezembro.

A tecnologia 5G não poderá ser implementada de forma imediata em todo o país por falta de infra-estruturas, que terão de ser partilhadas para maior sustentabilidade. E as pessoas vão ficar sem emprego com a automação? Pelo contrário, a tecnologia trará maiores facilidades de educação e desenvolvimento de habilidades. São ideias defendidas no segundo painel do primeiro dia, da nona edição da Moztech.

O pano de fundo deste painel foi a tecnologia 5G como o motor da indústria do futuro. Para falar desta tecnologia, estiveram frente-a-frente representantes do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), como regulador, a Movitel, que é operadora de telefonia móvel, a Huawei, líder da 5G e um gestor empresarial.

E, sem dúvida, esta tecnologia vai trazer mudanças na sociedade.

“É um elemento que vai chegar a todos os países, a todos os negócios, a todos os sectores de actividade, e todos nós vamos ter, com certeza, uma oportunidade de sentir no nosso dia-a-dia as mais-valias do 5G”, explica Jorge Cravo, partner e consultor da LBC-Portugal.

Uma dessas mudanças já visíveis na sociedade é a automação. O keynote speaker exemplificou o facto de ter acompanhado, recentemente, uma notícia segundo a qual houve uma cirurgia em Portugal comandada por robô, que eram monitorados a partir da Alemanha.

Mas, para implementar esta tecnologia e ter estas vantagens, claro, é preciso seguir alguns passos. A Huawei traz exemplos, a avaliar pela experiência em vários países.

“É preciso fazer análise do mercado, do tipo de subscritores a servir. Há que ter, ainda, uma estratégia comum, abrangente, para poder formular um plano tangível”, diz Bob Mo, da Huawei Tecnologies Mozambique, que apontou, entretanto, alguns dos vários desafios que são colocados pela frente, particularmente no nosso país.

“A questão da literacia é importante”, diz. Para Hélder Cassimo, director de Marketing e Comunicações na Movitel, um dos principais desafios são as infra-estruturas.

“No processo de implementação, vamos ter dificuldades de colocar (a tecnologia 5G) em determinados pontos, porque, naqueles locais, de facto, não há infra-estruturas.”

São essas infra-estruturas que o regulador, o INCM, diz que terão de ser partilhadas, e que esta partilha é com base em regulamentos.

Aliás, o regulador diz, ainda, que será preciso, com maior rigor, partilhar infra-estruturas para que o processo não seja dispendioso, tal como explicou Salomão David, do Gabinete de Estudos no INCM

Reconhecendo desafios, os painelistas assumem que haverá limitações, mas é preciso adaptação.

Mesmo que o país ainda tenha desafios pela frente, os painelistas dizem ser importante debater estes temas, na medida em que o desenvolvimento tecnológico permite que toda a sociedade se desenvolva. É preciso que o país tome este espaço, para que não sejam os outros a fazê-lo no seu lugar.

 

Especialistas e amantes das tecnologias estão, desde a manhã de hoje, juntos, no primeiro de dois dias da nona edição da feira MozTech, que agora decorre no formato presencial.

No palco principal, o pontapé de saída nos debates foi dado por um painel que discutiu os desafios impostos na área da cibersegurança.

Em Fevereiro deste ano, cerca de trinta sites de instituições do Governo ficaram mais de 14 horas indisponíveis, depois de um ataque cibernético do grupo Yemeni Hackers, um exército de terroristas digitais. Não há registo de um ciber-ataque desta dimensão em Moçambique.

O director-geral do Instituto Nacional do Governo Electrónico, Ermínio Jasse, defendeu que a missão de prevenir os ataques cibernéticos é de toda a sociedade.

“Todos temos de trabalhar para garantir a segurança. Neste instante, há várias tentativas de ataque que estão a acontecer. Mas a diferença é que, quando os portais do Governo foram atacados este ano, todo o mundo viu. O Governo está a fazer esforços para melhorar a sua protecção, mas isso não basta. É preciso o envolvimento de todos”, disse.

O responsável pelo E-Gov reconheceu que, neste momento, não há recursos humanos suficientes no país, para garantir uma segurança robusta na área cibernética, mas esta realidade pode ser contornada, através de parcerias a serem feitas com as academias.

“A formação é essencial para que as pessoas da área não actuem de forma maliciosa. A academia pode dar-nos apoio e já há contactos nesse sentido. Nos próximos tempos, esperamos ter mais pessoas formadas a colaborarem com a nossa instituição. Outro aspecto de extrema importância é a atenção que qualquer um de nós deve ter ao navegar na internet. Ao receber um e-mail, por exemplo, com informações supostamente ligadas ao seu trabalho, é preciso certificar sempre se é de facto uma informação fidedigna e corporativa”, realçou Jasse.

O painel contou com oradores com experiência internacional, entre os quais Marco Cepik, consultor e professor de segurança internacional e Governança Digital, no Brasil, que defendeu a necessidade de focar as acções no comportamento humano.

“Temos que ter maturidade tecnológica. Há questões básicas que é preciso observar ao usar o celular. Por exemplo, há empresas que têm nossos dados pessoais, só pelo facto de termos baixado determinadas aplicações. O Governo tem de elaborar leis que devem ser aplicadas. Mas o nosso comportamento individual é fundamental”, vincou Cepik.

Por sua vez, o engenheiro sénior de vendas na Cybereason, da África do Sul, Roberto Arico, alertou que não é possível que o Governo faça tudo sozinho, pelo que é necessário o envolvimento de toda a sociedade, incluindo o sector privado.

“Não podemos esperar que o Governo faça tudo. A nossa aposta deve ser em aprender quais os cuidados que cada um deve ter no manuseio da tecnologia. Só com este cuidado é que podemos evitar a exposição que leva aos ciberataques”, afirmou Arico.

Também, da África do Sul, veio o contributo de Desre Nieuwoudt, gerente sénior de Política das TIC e Gestão Estratégica na Huawei, que entende que é preciso criar programas de ensino que incluam as questões sobre cibersegurança e explicam às pessoas que medidas devem tomar.

Ademais, os painelistas defenderam a necessidade de protecção das crianças que ficam expostas à internet, algo que pode ser feito através da sua limitação aos sites a que acedem.

PATRONO DA FUNDASO ANUNCIA CRIAÇÃO DE COMUNIDADE MOZTECH

Durante dois anos, a pandemia não permitiu juntar, na mesma sala, especialistas, executivos e público em geral para discutir o tema da tecnologia.

Com o calor da presença física, coube ao PCA da Fundação SOICO, Daniel David, abrir e dar as boas vindas aos participantes da nona edição da MozTech. “Logo que terminar esta edição, queremos reunir-nos com todas as empresas que têm apoiado este projecto. O objectivo deste encontro é tentarmos agregar valor na forma como a MozTech pode impactar na vida das empresas. Primeiro, na rentabilidade dos negócios, porque ninguém abre empresa para não ganhar dinheiro. Segundo, naquilo que pode impactar nas pessoas e terceiro, na melhoria do ambiente de negócios. A MozTech passará a ser uma comunidade colectiva e cada um de nós fará parte da decisão sobre que MozTech nós queremos ter”, disse Daniel David.

O PCA da FUNDASO avançou ainda que, brevemente, haverá encontros mais restritos para discutir a questão das Tecnologias de Informação e Comunicação, a nível de ambiente de negócios. “Vamos analisar, de forma detalhada, os aspectos que dificultam o desenvolvimento das empresas. Temos que acreditar no nosso país e nas empresas que acreditam no país. E nós estamos aqui para criar essa plataforma, com a função de motivar, agregar e exponenciar os nossos negócios”, referiu Daniel David.

A transformação digital, os seus variados desafios e oportunidades estão no centro das atenções pelo nono ano consecutivo em que a Fundação SOICO faz recordar que a tecnologia está e sempre estará na ordem do dia.

“Espero que esta edição seja o início de uma nova etapa. E que vocês se divirtam, façam negócios e tragam conhecimentos para muitos moçambicanos. Muito obrigado pela confiança”, concluiu.

Fazedores e interessados em tecnologias juntam-se, a partir de hoje, na nona edição da feira MozTech, que agora volta ao formato físico. Serão dois dias de debates, apresentações de soluções tecnológicas e exposição de produtos e serviços das várias empresas que ocuparam stands.

Para acolher todos os momentos, está montado um palco principal, onde terão lugar as apresentações e os debates, chamados “Tech Talks”. É um espaço com lugares para albergar público em número acima de 200 pessoas, com um telão por onde serão feitas apresentações e as respectivas entradas de painelistas via Zoom.

Em termos de programa, o Presidente do Conselho de Administração da Fundação Soico, Daniel David, vai fazer a abertura, sendo seguido pelo primeiro painel que vai discutir os desafios da segurança cibernética. O último tema desta manhã será 5G como motor para o desenvolvimento da indústria.

Já que o evento vai ter lugar doutro lado da Baía de Maputo, a organização disponibilizou transporte gratuito a ser feito em duas rotas. A primeira vai partir às 07h30min de Museu, com passagens pelo Hospital Central de Maputo, EDM, Ronil, Belita, Alto-Maé, Fajardo e, finalmente, KaTembe.

Já a segunda rota parte quando forem 13h30min, saindo de Anjo Voador, passando pela Praça dos Trabalhadores, Cruz Azul, Cine África, Guerra Popular, Bombas, Fajardo e, finalmente, KaTembe.

Ao chegar, além de acompanhar os debates, os participantes vão contemplar as exposições, cujos stands estão montados ao lado da mesma sala de debates. Quem visitasse a Arena 3D, ontem, já podia ver toda a imagem montada, desde a entrada até aos corredores.

Os expositores estavam nos seus stands a fazer os últimos toques e retoques para que nada falhe. E estava já tudo pronto. 

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