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Eclosão de pragas reduz exportações de produtos agrícolas

A eclosão de pragas está a preocupar as autoridades nacionais, uma vez que, nos últimos 10 anos, o país tem registado um aumento de espécies biológicas invasivas com dimensão de calamidade, o que trouxe grandes perdas nas exportações e consequentemente prejuízos para os camponeses.

Mahomed Valá, director nacional dos Serviços Agrários, diz ser urgente uma intervenção multissectorial para travar a propagação destas pragas, sob o risco de todo o trabalho executado pelos intervenientes ser reduzido a nada. “Estamos a buscar inspirações nacionais e internacionais, porque as pragas são transversais. Há um ano, exportávamos cerca de 22 a 24 contentores de banana saídos da província de Nampula para o mercado do Médio Oriente e agora reduzimos para quatro a cinco contentores, porque o mal de Panamá nos afecta”, explicou. Valá avançou ainda que para contenção destes males, o país poderá gastar valores acima de 450 milhões de meticais. “Precisamos de combater a lagarta do funil de milho num valor equivalente entre 38 a 48 milhões de meticais. Para o caso da banana, estamos a falar de um investimento de 350 milhões de meticais e para outras doenças, como a tuta, um valor de 18 milhões de meticais, isto dentro de cinco ou seis anos”, revelou director Nacional dos Serviços Agrários.

Além dos actuais prejuízos revelados por Valá, o ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, fez um prognóstico preocupante a cerca da eclosão das pragas, afirmando que se não forem controladas a tempo, poderão causar prejuízos de cerca de 40 por cento da sementeira. O mal de Panamá, a lagarta do milho e a mosca da fruta são as principais pragas que colocam em risco a produção agrícola nacional. José Pacheco divulgou alguns dos danos causados pelos picos de surtos de praga no país nos últimos anos. “A mosca da fruta registada no país em 2007 resultou na perda de mais de 2,5 milhões de dólares e no abrandamento de vários investimentos previstos. A doença do mal do panamá registada em 2013 afectou as exportações em 70 por cento e ameaça a produção de banana no país e no continente africano. E os dois mais recentes registos de pragas, designadamente a traça do tomateiro e a lagarta do funil do milho, podem causar perdas de rendimento em cerca de 100 por cento nas exportações agrícolas”, disse Pacheco.

A conferência sobre invasões biológicas que hoje termina, teve a duração de dois dias e contou com a participação do Governo, organizações não-governamentais e sector privado.

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