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É uma “dor de cabeça” viajar no troço EN1-Santa Isabel em Marracuene

Foto: O País

Moradores e automobilistas estão agastados com as condições precárias de transitabilidade no troço que liga a Estrada Nacional Número Um (EN1) e o bairro Santa Isabel, no distrito de Marracuene, província de Maputo.

Segundo os visados, circular pela via é um autêntico calvário, pois a viagem na principal via que liga a EN1 ao bairro Santa Isabel é feita aos solavancos em toda a extensão de terra batida.

Naquele troço, ninguém escapa, tanto os carros ligeiros, os de transporte semi-colectivo, como os de carga.

Segundo Laura Fumo, uma condutora que reside naquele bairro há mais de 10 anos, o cenário sempre foi o mesmo, entretanto já esteve pior.

“As autoridades às vezes limpavam a estrada, mas nunca foi grande coisa, a situação sempre voltava à mesma, isto é uma lástima; os carros estragam-se aqui mesmo, quem tem carro pequeno passa mal”, contou Laura.

Os usuários dizem que a situação se agrava na época chuvosa, em que a via se torna “verdadeiramente intransitável”.

Ao “O País”, Sedane Mussane, que usa um carro ligeiro “pequeno”, relatou que, nos dias de chuva, a solução é deixar a sua viatura em casa e tomar o transporte de passageiros, embora escasso nos últimos dias.

“Nos dias de chuva, muitos carros param aqui, no meio da estrada, pois as covas são muito profundas, os carros entram nelas e apanham aquela água; aqui precisamos mesmo é de um milagre”, disse Sedane Mussane, num tom irónico.

O que mais incomoda aos utentes da via é o silêncio por parte das autoridades, que, segundo contam, nunca deram alguma resposta às suas preocupações.

Por conta da situação, um camião de carga ficou enterrado no meio da estrada, mas esse não foi o único, pois até pelo menos o meio-dia desta terça-feira, sete carros estiveram na mesma situação e isso se agrava aos fins-de-semana, com o maior fluxo de viaturas.

Para minimizar os problemas da via, alguns jovens, que tapavam buracos na Avenida Julius Nyerere, ganham dinheiro, fazendo o mesmo trabalho naquela estrada.

“Nós trabalhávamos na Julius Nyerere, então as pessoas deste bairro nos deram a ideia de virmos tapar as covas daqui, porque há muita areia colocada na estrada há muito tempo e nunca foi usada, mas, quando chegámos, não imaginávamos que a situação fosse tão péssima assim”, explicou Fernando Vasco, um dos jovens que se dedica ao tapamento de buracos.

Vasco disse que do trabalho que ele e os seus amigos fazem, ganham cerca de 500 meticais por dia, pois não só tapam os buracos como também ajudam a empurrar os carros que ficam enterrados.

O problema não preocupa apenas os automobilistas, mas também residentes do bairro, que se queixam da falta de transporte por conta da elevada degradação do troço.

Saíde Libério revelou que, para entrar ou sair do bairro, é necessário fazer ligações até à EN1 e só depois é que pode tomar o transporte para um outro ponto ou para o destino final, e isso se torna oneroso.

“Não temos transporte nessa zona e, nos dias de chuva, os chapas não entram no bairro, muitos de nós devemos caminhar por uma hora ou uma hora e meia até à EN1, para tomarmos o transporte, tanto na ida quanto na volta”, reclamou Saíde.

Há alguns anos, iniciou a colocação de pavês bem próximo ao terminal da via, mas num troço de pouco mais de 500 metros, o que criou alguma expectativa nos munícipes daquele bairro, mas o processo nunca mais deu seguimento e os munícipes desconhecem os motivos.

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