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“É preciso que se inicie uma nova era no reino de eSwatini”

O analista político, Simão Nhambe, defendeu, na manhã desta quinta-feira, que o reino de eSwatini precisa de uma reforma política profunda, que vai permitir que sejam os cidadãos a decidirem em quem votar e que tenham direito de ser votados.

Simão Nhambe diz que já é tempo de os cidadãos daquele país vizinho conhecerem outras formas políticas, diferentes das que vivem, porque, nos últimos anos, tendem a piorar.

“O rei Mswati tem de saber que o tempo do seu bisavô já passou. É preciso que se inicie uma nova era, em que o rei é apenas uma figura simbólica, como acontece no Reino Unido, e que se possa permitir que cada cidadão goze do direito de votar e ser votado”.

O especialista advoga que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) devia intervir ainda cedo para a solução da situação conflituosa que se vive naquele país e que esteja ao lado do povo que, como se vê, exige mudanças.

“Externamente, a SADC devia já se posicionar e encorajar estas reformas, pois são uma exigência do povo. Entretanto, como sabemos, a SADC não reage enquanto não houver uma crise, por isso pode esperar-se muito pouco deste órgão”.

Simão Nhambe defende, ainda, que devia ser aproveitado o respeito e a consideração que o povo nutre pelo Rei Mswati, para se iniciarem conversações que possam acomodar o anseio do povo.

O especialista vê na reforma política um caminho para reduzir a pobreza e os índices de desigualdades sociais que assolam aquele país vizinho.

“O povo eSwati adora o seu rei, porém reconhece que é momento de reformas. Então, é preciso que se aproveite esse afecto, para que haja diálogo entre os promotores das manifestações, o rei e seu elenco, de forma a dar oportunidade ao povo de escolher o seu dirigente e, com isso, ter a possibilidade de exigir, caso não se cumpram as promessas”.

A separação voluntária do poder no reino, segundo Nhambe, devia ter acompanhado a democratização das políticas dos vários países da região Austral, como a África do Sul e Moçambique, para evitar o que se vive hoje.

A violência nas principais cidades parece estar controlada durante o dia, porém, à noite, os manifestantes fazem-se à rua, em total violação do recolher obrigatório.

Refira-se que o rei Swati III está no poder desde 1986, tendo, recentemente, declarado a proibição de manifestação no país, o que agudizou a insatisfação dos populares, que culminou em escaramuças.

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