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É preciso criar mecanismos para evitar dispersão da produção agrícola

Para evitar a “grande dispersão da produção agrícola” deve haver “mecanismos que permitam a sua concentração, conservação em condições adequadas”, defendeu hoje o ministro da Indústria e Comércio, Carlos Mesquita, na abertura da segunda edição da plataforma MOZGROW.

O governante abordou o tema “agro-indústria e promoção de produtos e marcas nacionais”. O mesmo enquadra-se na agenda do Governo de promover o consumo de produtos nacionais com vista a estimular a produção, nutrição e valorização do produto nacional, segundo explicou o ministro.

Citando os resultados do estudo sobre o Custo da Fome em África (COHA, 2017), Carlos Mesquita disse que “a prevalência de 43% de desnutrição crónica em Moçambique em crianças menores de 5 anos equivale a uma perda de cerca de 11% do seu PIB anual”.

Esta taxa percentagem, corresponde a “1,6 mil milhões de dólares, ou seja, cerca de 112 mil milhões de meticais por ano. Estima-se ainda que cerca de dois milhões” das crianças acima referidas “sejam afectadas por atraso de crescimento e fraco desenvolvimento cognitivo”, prosseguiu o ministro.

Porque o Governo reconhece a malnutrição como um grave problema de saúde pública, aprovou o Plano de Acção Multissectorial para a Redução da Desnutrição Crónica, que inclui, dentre várias estratégias, a fortificação de alimentos de consumo massivo como uma das estratégias para a redução das deficiências de micronutrientes, tais como as vitaminas B12, A e D e o Ácido Fólico para as crianças e mulheres, salientou Carlos Mesquita, apontando que “a grande dispersão da produção agrícola e o seu carácter sazonal no geral requerem a criação de mecanismos que permitam a sua concentração, conservação em condições adequadas”.

Carlos Mesquita falou ainda da necessidade de instalação de parques logísticos e mercados abastecedores, como polos de desenvolvimento do comércio de hortícolas e frutas nos grandes centros urbanos, nomeadamente cidades da Matola, Beira e Nampula.

“A comercialização agrícola desempenha um papel chave para o escoamento dos produtos agrícolas das zonas de produção para as zonas de consumo, e vice-versa”.

Na presente campanha de comercialização agrícola, está prevista a comercialização de 14.864.367.39 toneladas de produtos diversos, o equivalente a um incremento de 8.7%, comparativamente ao que foi comercializado na campanha de 2019, que foi de 13.578.155 toneladas. “Está igualmente a decorrer a monitoria da exportação das 200.000 toneladas de feijão bóer, cujo processo já vai em cerca de 50%”

Até ao primeiro semestre deste ano, segundo o ministro, foram comercializadas cerca de 6,5 milhões de toneladas de produtos diversos, o que representa um nível de realização de 45% em relação do planificado.

Para “garantir a disponibilidade de bens a preços acessíveis e serviços de qualidade”, o Executivo “está a implementar medidas adequadas e a promover maior interação entre as instituições públicas e privadas”.

Para fazer face aos desafios do mercado, as empresas têm que apostar na qualidade, protecção dos seus produtos (propriedade intelectual), na embalagem, marketing e na certificação como factores que contribuirão para melhorar a competitividade e internacionalização dos nossos produtos e serviços, disse Mesquita.

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