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E lá se vão 10 anos sem Malangatana

Assinala-se, esta terça-feira, 10 anos sem o pintor, actor, poeta, cantor e dançarino, dos mais representativos artistas moçambicanos. Malangatana Valente Ngwenya morreu a 5 de Janeiro de 2011 e é lembrado como um homem que contribuiu para a internacionalização da cultura nacional.

Há 10 anos, a jornada de Malangatana Valente Ngwenya terminou na terra. Num dia como o que poderá o de amanhã, o país e o mundo ficaram a saber que o artista plástico, actor, poeta, cantor e dançarino tinha partido para uma longa viagem, a inadiável viagem, como diria Luís Carlos Patraquim. Em Matosinhos, Portugal, a voz daquele homem vigoroso calou-se, vítima de doença, mas não se esfumou. A obra de Malangatana Valente Gwenha continuou e continua muito presente no quotidiano moçambicano. Quer em colecções individuais, institucionais ou em murais, a obra do artista está bem presente.

O homem que, antes de tudo, foi pastor de gado, é dos poucos artistas moçambicanos cuja obra continua a exportar a imagem cultural do país. Tendo-se profissionalizado em 1960, o artista plástico, actor, apreciador de poesia, da música e da dança, revelou-se um homem versátil, um grande cidadão do mundo, tendo exposto em vários países, como Estados Unidos de América, Chile, África do Sul, Índia, Nigéria, Paquistão, Brasil, Cuba, Holanda e Nigéria. Tudo isso foi fruto de muito trabalho. Empenhando desde o princípio, Malangatana sempre soube lutar pelas suas convicções, nas artes e na vida. Por isso, foi preso pelo regime colonial português, acusado de ligações com a FRELIMO.

Enquanto pôde, Malangatana pintou Moçambique, os seus rostos e as suas emoções representadas em telas. Sempre esteve ligado ao seu povo e à sua terra natal: Matalana. Através da sua arte, aquele pedaço de terra do distrito de Marracuene, na província de Maputo, internacionalizou-se. Afinal, o artista levava consigo Matalana e o país inteiro além-fronteiras. “Um dos legados de Malangatana é o Museu Nacional de Arte, que ele e outros ajudaram a fundar; o legado de Malangatana é o que ele fez de Matalana”, disse Julieta Massimbe, antiga Directora do Museu Nacional de Arte, esta segunda-feira, na cidade de Maputo.

Em reconhecimento à sua obra, Malangatana foi várias vezes distinguido, por exemplo, pelos estados moçambicano, português, francês e ainda pela Academia Tomase Campanella de Artes e Ciências, de Itália. Foi galardoado com a Medalha Nachingweia, pela contribuição para a cultura moçambicana, Medalha Ordem Eduardo Mondlane do primeiro grau, por Moçambique, Oficial da Ordem Dom Infante Henrique Primeiro por Portugal, Comendador das Artes e Letras, pelo Governo Francês. Em 2010, um ano antes de morrer, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora, Portugal.

Quer a pintar, quer a despertar mentes, Malangatana construiu sonhos e ainda afirmou-se como um artista que não cabe apenas num território. A sua carreira artística iniciou em 1959 e prolongou-se até 2010, 51 anos de longevidade, sempre entre a cor, a representação, a música e a dança. “Malangatana fazia de Moçambique o seu poema. Ele trabalhava muito e mostrava a todos que só o trabalho faz o homem. Ele trabalhou até à última hora da sua vida. Todos nós, como sociedade, devemos o preservar. A grande homenagem, para mim, é essa: constituir um Museu Nacional de Arte de raiz, que era o sonho dele”, afirmou Julieta Massimbe.

Como que a reforçar, Gilberto Cossa, outro antigo Director do Museu Nacional de Arte, assim lembrou Malangatana na véspera deste 5 de Janeiro: “É uma das figuras representativas de Moçambique, porque é uma individualidade que contribuiu com o seu saber para o desenvolvimento, encorajamento e criatividade da personalidade moçambicana”.

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