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É arriscado financiar directamente a agricultura familiar…

O Presidente do Conselho Executivo do Banco Nacional de Investimento reconhece ser difícil financiar directamente a agricultura familiar devido aos riscos de perda de dinheiro a ela associados. Tomás Matola diz que só através dos grandes produtores e a indústria de agro-processamento é que estes podem beneficiar das linhas de crédito disponibilizados pelo BNI.

A agricultura é um dos pilares para o desenvolvimento económico do país. Só para se ter uma ideia, 20% do Produto Interno Bruto de Moçambique provem da actividade agrícola.

Para continuar a desempenhar esse papel importante na economia, a agricultura precisa de um estímulo financeiro. Foi assim que no último painel do segundo dia da MOZGROW subordinado ao tema “Financiamento da Transformação de Agronegócios”, o Presidente do Conselho Executivo (PCE) do Banco Nacional de Investimento, BNI, partilhou a sua opinião sobre as linhas de crédito para este sector.

“O papel da banca de desenvolvimento tem que ser, essencialmente, encontrar soluções que sejam ajustadas ao perfil de risco e retorno do sector do agronegócio, nomeadamente: financiar e assistir todos os intervenientes da cadeia de valor, encontrar soluções que permitam uma redução do risco de crédito que é perseguido e determinado pelos bancos comerciais, o que acaba afectando o nível de acesso ao financiamento bancário por parte dos projectos do agronegócio”, enumerou Tomás Matola, Presidente do Conselho Executivo.

Num outro desenvolvimento, Tomás Matola diz que é preciso procurar, para cada um dos intervenientes da cadeia, ver como financiar e como assisti-lo de modo que “não se quebre a cadeia. Que haja certeza de que cada interveniente na cadeia vai ter mercado e o banco ter a garantia de que ele vai conseguir gerir recursos para fazer face ao financiamento”.

Segundo PCE do Banco Nacional do Investimento, o acesso ao crédito bancário tradicional pelo sector agrícola no país é insignificante porque grande parte da população, cerca de 90%, ainda dedica-se à agricultura familiar, na qual o risco de perda de dinheiro é muito alto.

“A agricultura familiar, não mecanizada, que utiliza pouca semente certificada, o nível de produtividade é baixa e, consequentemente, o rendimento é baixo, o que eleva o risco de crédito”, constatou Tomás Matola, acrescentando que a outra fonte de risco é, depois da produção, não haver integração dos vários intervenientes da cadeia porque, “mesmo lhe financiando e produzindo, não havendo certeza de que vai colocar o produto, isso eleva o risco de negócio. A Terceira fonte tem a ver com a incapacidade dos produtores familiares de estruturação dos próprios projectos e, na ausência dessa capacidade, limita o seu acesso ao financiamento”.

E já na chamada agricultura mecanizada, mais do que financiar o processo de produção, o PCE do Banco Nacional de Investimento defende ser necessário custear toda a cadeia de valor até ao escoamento dos produtos.

“Se o investimento for apenas na produção, vamos ter o problema de super produção, mas se o investimento for, também, na integração dos outros intervenientes da cadeia de valor, refiro-me à produção, agro-processamento, distribuição, aí nós conseguimos mitigar esse risco ( de super produção)”, explicou PCE do Banco Nacional de Investimento.

Outro aspecto que Tomás Matola não deixou de lado é a questão das infra-estruturas. “Se continuarmos com dificuldades de acesso para chegar a alguns pontos de produção, aí o risco vai prevalecer. Significa que esses investimentos para a agricultura devem incorporar essa componente para financiar e assistir toda a cadeia”, observou Tomás Matola.

Por outro lado, Matola sublinha que é objectivo do executivo apoiar a agricultura familiar, através das várias linhas de financiamento, entretanto, considera ser difícil que tal investimento seja feito directamente aos produtores.

“O que nós fazemos é financiar os grandes produtores dos centros de produção e a indústria de agro-processamento a taxas de juro mais baixas e mais acessíveis, sob a condição de eles integrarem os produtores familiares, o que significa que os produtores familiares vão ter acesso a esse financiamento de forma indirecta”, esclareceu PCE do Banco Nacional de Investimento.

Assim, segundo Tomás Matola, os integradores vão distribuir insumos de produção, incluindo a própria tecnologia, os equipamentos sob forma de crédito “com a garantia de que, uma vez feita a produção, eles vão tomá-la. Aqueles produtores familiares vão ter acesso à tecnologia, insumos, equipamentos, assistência e vão produzir. Essa vai ser sua maior preocupação, produzir porque já têm mercado”.

É ambição do Banco Nacional de Investimento cobrir o mercado nacional e, num future próximo, expandir suas linhas de crédito para a regiões austral de África.

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