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Dr. Apingar: 30 anos de teatro e (agora) uma aposta na música

Actor com 30 anos de carreira decidiu investir na arte musical. No seu novo tema, “Coronavírus”, Dr. Apingar conta com a colaboração dos seus três filhos.  

 

Sempre teve uma paixão (contida) pela música. Cantar e tocar são duas demostrações indispensáveis, que complementam a necessidade que tem de se exprimir através das artes. Há um ano, Dr. Apingar resolveu dar azo a uma carreira que pode estar a gerar raízes, de modo que, mais tarde, dê frutos. Em 2019, inspirado na dor causada pelo ciclone Idai, o intérprete e guitarrista decidiu que tinha de preservar a memória de dias difíceis através de uma música a que deu o título “Eu também sou vítima”. Confessa, não foi um início muito auspicioso, mas foi de tal ordem importante que, diante de uma nova catástrofe, o artista decidiu voltar ao estúdio para gravar um novo tema: “Coronavírus”, que pretende conciliar a fruição e a consciencialização dos cidadãos.

A música com 4:23 (quatro minutos e vinte e três) segundos de duração foi escrita no princípio de Abril e conta com colaborações de Mumy Tongo Tongo (guitarra), Lázaro (teclado) e dos três filhos de Apingar: Jackson (intro, 5 anos), Cynthia e Gabriella Garcia (coros, 15 e 11 anos de idade, respectivamente). “Resolvi fazer a música com eles porque achei que iriam dar um contributo para sensibilizar outras crianças nesta luta contra a COVID-19. Vejo muitas crianças na rua, a desobedecerem o decreto de Estado de Emergência. Então, penso que uma mensagem musical de criança para criança tem mais impacto do que quando vem de um adulto”.

Na verdade, a ideia de compor a música surgiu durante o primeiro Estado de Emergência decretado. Estando em casa, entre o dever de ensinar os filhos com trabalhos de casa e os intervalos que geram sempre algum tipo de brincadeira, Dr. Apingar segurou na sua guitarra e começou a improvisar algum tipo de diversão musical com os três meninos. Contra as suas expectativas, a coisa foi ficando consistente. Quando se convenceu de que ali tinha acontecido algo notável, ligou para o produtor NP e ao fim de 10 dias a obra estava pronta para ser estreada, o que aconteceu no dia 16 Abril, numa rádio da cidade Beira. Para o autor, o seu “Coronavírus” foi tão bem recebido que mereceu um vídeo-clip pronto para estreia. Filmado lá nas bandas do Chiveve por Ahby Spalding e Binho N-Film, o mesmo foi editado por Roger Pontavida, em Portugal. “O Roger ouviu a música pela Internet, ficou sensibilizado, e ofereceu-se para editar o vídeo”.

A música de Dr. Apingar convida as pessoas a adoptarem as diferentes formas de prevenção. “É uma música abrangente, para crianças, vendedores dos mercados, funcionários públicos, e etc., porque a doença não escolhe. Chamo atenção para o número de pessoas que morrem em todo o mundo. Recomendo para que estejamos atentos a todas as formas possíveis de transmissão. A música é um hino na Beira, toca nos carros, nas rádios, na rua e, por isso, decidi logo fazer o vídeo-clip. Penso que consegui alcançar às comunidades. Se a música começar a chegar às televisões, o impacto pode ser ainda mais positivo”, prevê.

 

A carreira de um actor em 3 D de Décadas

Dr. Apingar é novo na música, mas não no teatro. Na arte do palco, o artista iniciou-se em 1990, num grupo cultural da Escola Secundária Militar, onde actualmente funciona a Universidade Católica de Moçambique (UCM), na cidade da Beira. Cinco anos depois, com jovens do bairro da Manga, cria um grupo de teatro amador, chamado Nhacuaino. Em 1996, ingressa no Grupo de teatro Massinguita, como actor, e, mais tarde, começa a encenar algumas peças no mesmo grupo. No fim do século, concretamente em 1999, participa, na cidade de Maputo, num workshop de dramaturgia e técnicas de encenação realizado pelo Teatro Avenida e Backa Teater da Suécia, sob orientação do encenador e dramaturgo Henning Mankel, Eva Bergman e Manuela Soeiro. No ano seguinte, nos Países Baixos, exibe uma peça teatral e participa numa troca de experiência entre jovens das cidades da Beira, Manágua e Amsterdão. Em 2002, participa no Festival Internacional de Teatro, em Portugal.

Dr. Apingar dissocia-se Massinguita em 2004, e, depois, funda o Grupo de Teatro Chamuarianga, com o qual trabalha até ao momento. No mesmo ano, participa como actor e director de actores na produção do filme Preto no verde, sobre queimadas descontroladas, em Sofala. Em 2007, mais uma participação, no caso, como actor no filme As teias da Aranha, de Sol de Carvalho. Há sete anos, o cantor e actor fundou e organizou a primeira edição do Festival de Teatro da Beira (FESTBEIRA).

Dr. Apingar é o pseudónimo de António Pio Nhamizinga Garcia. Nasceu a 08 de Outubro de 1977, em Manica.

 

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