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Divisões dentro dos partidos políticos e exclusão apontados como razão para instabilidade no país

Foto: O Pais

Oradores defendem que o país precisa urgentemente de se reconciliar para reduzir as tensões que põem em causa a paz . Problemas como exclusão no acesso aos recursos naturais e reformas legislativas que não respondem às expectativas da população são apontadas como algumas razões para a instabilidade no país.

A poucos dias da celebração dos Acordos de Roma que colocaram fim a 16 anos de guerra civil, a UP-Maputo juntou diversas individualidades para falar sobre o processo de reconciliação no país. Dom Dinis Sengulane entende que a paz efectiva está refém de divisões, até dentro dos partidos. “Sem dúvidas, entendemos que dentro dos partidos precisa de haver reconciliação, isto é, dentro do mesmo partido há situações que denotam falta de reconciliação. Não se pode admitir que a fome que nós notámos de reconciliação dentro dessas organizações continue. Aos membros e dirigentes dos partidos políticos, pedimos que se reconciliem agora”, defendeu o Bispo Emérito da Igreja Anglicana.

Para Hermenegildo Mulhovo, director executivo do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) foi um erro excluir outros actores nos vários acordos assinados entre a Frelimo e a Renamo. “Não tivemos outras forças políticas, esse foi um denominador comum em todos os acordos. Não tivemos também a sociedade civil inclusa. Seria esta que deveria garantir, através do seu papel de representar e aglutinar a voz do cidadão, trazer nesses acordos elementos de caris económico e social”, defendeu Mulhovo para depois deixar recomendações.

“Temos que garantir que os acordos que foram assinados até agora sejam acompanhados de estratégias de implementação clara. Temos que ter uma clara noção de como o que está nesses acordos será convertido em políticas públicas, por exemplo. Como é que, no contexto de planificação nacional esses acordos estarão lá reflectidos. Que proveito será feito das instituições que existem para que estas assumam a responsabilidade relativamente a esses acordos, porque o que estamos a ver é que esses acordos dependem grandemente das lideranças”, descreveu.

Por seu turno, a activista social Fátima Mimbire defendeu que as injustiças causadas à população pelos mega-projectos e o actual modelo de descentralização são uma bomba relógio.

“Nesta exploração primitiva do capital, a ideia é de sempre excluir os mais fracos para favorecer os mais fortes. No caso dos projectos concessionados em Moçambique deveriam incluir os operadores artesanais que podem entrar nas grandes empresas como trabalhadores ou accionistas. Enquanto continuarmos com uma abordagem de exclusão, só darmos prioridade a todos que estão formalizados estaremos a causar problemas que poderão resvalar em situações como a que estamos a assistir em Cabo Delgado”, defendeu para, em seguida, falar sobre o modelo de descentralização de eleição de governadores.

“Quando afirmamos que a soberania reside no povo, e elegemos um governador provincial e nos vêm dizer que este governador não pode gerir recursos na sua província porque se trata-se de uma questão de soberania, eu não entendo. Temos que lutar para acabar com esta falsa descentralização”, concluiu.

Os oradores falavam, esta quinta-feira, durante a Conferência subordinada ao tema: Reconciliação Nacional: como lá chegar?

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