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Direcção provincial de Educação diz estar a preparar projecto para eliminar turmas ao ar livre em Maputo

Foto: O País

Dos oito distritos da província de Maputo, Matola e Marracuene é que possuem maior número de turmas com alunos a estudarem ao ar livre e sentados no chão, sendo Matola com 699 turmas e Marracuene com 141 de um total de 1152 turmas que não têm salas convencionais, recorrendo às árvores.

A Escola Primária Completa Joaquim Chissano, no distrito de Marracuene, conta, para o presente ano lectivo, com 2682 alunos da primeira à sétima classes, correspondentes a um total de 48 turmas e, desse universo, há 17 turmas que usam as sombras das árvores como salas de aula e com os alunos sentados no chão.

Flora Sitoe pretende formar-se em medicina quando concluir o nível médio, mas não disfarça a sua tristeza de receber aulas ao relento e sentada no chão e pede melhoria das condições para todos os alunos do país que estão na mesma situação. “Estamos a sofrer aqui, debaixo das árvores, e, quando chove, não estudamos, ficamos em casa.”

Quando questionada sobre a situação da escola e o que gostava de que fosse feito, respondeu nos seguintes termos. “Gostava de que fossem construídas salas para todos nós, para podermos estudar e sermos como outras pessoas. Estamos cansados de sentar debaixo das árvores”, expressou-se a aluna de doze anos de idade que frequenta a sexta classe.

Alfredo Nguenha, professor há 20 anos, esteve antes na Matola, concretamente na Zona Verde, onde leccionou numa escola que, por muito tempo, manteve alunos debaixo das árvores e está há dois anos na EPC Joaquim Chissano, onde lecciona a disciplina de língua portuguesa. Ele é desafiado diariamente a dar o seu melhor para a formação do homem do amanhã. “Obviamente, é difícil sim, mas é preciso darmos o nosso melhor dentro das condições existentes, tendo esperança de que um dia possamos ter condições melhores que estas”.

Nos últimos dias, a cidade e província de Maputo vêm registando temperaturas baixas, acompanhadas de chuviscos e vento, o que está a influenciar no decurso normal das aulas nas turmas ao ar livre. O director da EPC Joaquim Chissano, Serôdio Roque, diz ser difícil atingir aproveitamento pedagógico a 100% nestas condições. “O aproveitamento pedagógico não tem sido a 100%, rondando por aí em 75%”.

A Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano diz que, com a pandemia da COVID-19, houve redimensionamento das turmas, passando de 1152 para 886, uma vez que os alunos alternam os dias de aulas. José Luís, porta-voz daquela instituição, diz estar em curso um programa acelerado de construção de novas salas e melhoria de outras degradadas.

“Este ano, nós estamos a prever construir novas salas, 46 convencionais, e 50 mistas que são feitas de material convencional e material local. Mas também, temos a previsão de melhoramento de mais de 55 salas de aula. A preparação deste projecto está em curso e já está numa fase avançada, só falta mesmo o lançamento; o programa visa retirar todas as crianças ao ar livre na nossa província”.

Há, também, três novas salas, com capacidade para 55 alunos cada, que estão a ser construídas com a intervenção do Governo distrital de Marracuene e o apoio da comunidade local e, enquanto não são concluídas, vão sendo usadas para minimizar a exposição dos alunos aos eventos extremos da natureza.

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