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Diminuem casos de Malária em Magude

Em 2018, reduziram em cerca de 70% os casos de malária distrito de Magude graças a estudos desenvolvidos pelo Centro de Investigação em Saúde da Manhiça. A informação foi avançada, ontem, pelo Governador da província de Maputo.

Uma doença negligenciada por muitos, mas fatal! Causada pela picada de um pequeno insecto, mas suas consequências são nefastas. Tic tac, tic tac, tic tac… as horas passam… os tic tac, tic tac, tic tac…os minutos passam…tic tac, tic tac, tic tac…e a cada cinco segundos, uma criança, com menos de 15 anos, morria vítima de malária em 2017, em todo o mundo, de acordo com os dados das Nações Unidas.

Ou seja, ao todo foram cerca de 6,3 milhões de crianças que perderam a vida. Assim, Moçambique participa nas estatísticas, tendo sido diagnosticado, no ano passado, mais de sete milhões de casos que resultaram em 740 óbitos. Contudo, quando comparado com 2017, os casos tendem a reduzir. No ano em alusão, por exemplo, houve registo de perto de 10 milhões de pessoas com padecendo da doença, sendo mais de 851 perderam a vida.

É mesmo por constituir uma preocupação nacional e mundial, que o Centro de Investigação em Saúde da Manhiça tem vindo a desenvolver estudos com vista a minimizar a transmissão da doença, ainda que de forma localizada, neste caso em alguns distritos da província de Maputo.

Mara Máquina, de 26 anos de idade, é formada em veterinária pela Universidade Eduardo Mondlane e integrou a equipa do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça 2015. Afecta a área que lida com a malária, Mara e outros 11 investigadores aventuraram numa pesquisa para perceber porquê grande parte das pessoas têm a doença mesmo protegidas. E os resultados foram impressionantes.

“O vector (o mosquito) da malária pica as pessoas antes mesmo de elas entrarem dentro da casa e dormirem debaixo de uma rede mosquiteira”, revelou Mara Máquina, pesquisadora do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça, acrescentando que sempre existe a consciência de que alguém está protegido que estiver debaixo de uma rede mosquiteira ou numa sala pulverizada, mas “mas antes de entrarmos para dormir, os mosquitos começam a nos picar”, avançou.   

Depois do estudo, as constatações são partilhadas com o Programa Nacional de Combate à Malária e outros tomadores de decisão. “Nós usamos esses resultados para o desenho do, por exemplo, plano estratégico do combate à malária e darmos as nossas contribuições”, explicou a investigadora do Centro.  

E foram essas contribuições que permitiram reduzir de 907 para 186 o número de casos de malária no distrito de Magude, numa fase piloto.

“Está a surtir efeito, mas como a movimentação da população de um ponto para o outro não pára, sempre algum sinal aparece nesses distritos”, reconheceu Raimundo Diomba, governador da província de Maputo, mostrando-se esperançoso na vacina que ainda está fase do teste em alguns países africanos, como Malawi e “quando isso acontecer já a doença terá sido combatida com facilidade”.

Mesmo com o financiamento anual de pouco mais de um milhão de dólares da Espanha, o Director do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça diz que o Centro precisa de mais para sobreviver.

“A cada ano que passa, nós evoluímos. Há novos equipamentos que entram e é preciso mantê-los. A estrutura vai crescendo e muitas vezes não é fácil de encolher para responder as necessidades orçamentais”, referiu Eusébio Macete, Director do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça.

Criado em 1996, o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça realiza estudos, igualmente, para as áreas da tuberculose, HIV/SIDA, doenças diarreicas, pneumonias, saúde materno-infantil e reprodutiva.

 

 

 

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