O País – A verdade como notícia

A União Desportiva de Songo submeteu uma denúncia junto da Federação Moçambicana de Futebol e da Associação de Futebol da Província de Tete, contra o Ferroviário de Moatize, seu adversário na fase provincial da Taça de Moçambique.

Os “hidroeléctricos” denunciam uma pretensa má utilização de quatro jogadores pelos “locomotivas” de Moatize, no embate da quarta-feira da semana passada, a contar para a fase provincial da segunda maior competição futebolística.

De acordo com o ofício da turma de Songo, Cristóvão Sena Malunga, utilizado pelo Ferroviário de Moatize, está inscrito no sistema TMS da FMF como jogador do Textáfrica de Chimoio e não há nenhuma indicação da sua desvinculação com os fabris do planalto.

Além deste jogador, a União Desportiva de Songo denuncia a presença de outros três jogadores que estiveram no banco de suplentes, nomeadamente, Blessing Malia Kuluza, António Pedrito Marques e Fremenga Lúcio Pentiar, todos com irregularidades nas suas inscrições pelo Ferroviário de Moatize.

Assim, os “hidroeléctricos” apresentam o seu “protesto formal e solicitam à Federação Moçambicana de Futebol que clarifique as inscrições deste (Cristóvão Sena Malunga) e dos restantes atletas deste clube (Ferroviário de Moatize)”.

A União Desportiva de Songo solicita, por isso, que o resultado da Taça de Moçambique diante dos “locomotivas” de Moatize não seja homologado.

No referido embate, os “hidroeléctricos” perderam na marcação das grandes penalidades por 4-3, depois do empate a um golo, tendo sido eliminados da segunda maior competição futebolística do país. Para já, a turma de Songo espera pela decisão da Associação de Futebol da Província de Tete e da Federação Moçambicana de Futebol para saber se continua ou fica definitivamente afastada da Taça de Moçambique.

Bruno Langa na I Liga de Portugal:sinto-me orgulhoso, não só por mim, também pelo povo moçambicano”

Bruno Langa diz-se realizado e orgulhoso por poder jogar na primeira Liga de Portugal. O lateral-esquerdo moçambicano não esconde o sonho de poder jogar em ligas mais competitivas do velho continente. O lateral-esquerdo, que chegou a Portugal pela porta do Amora FC, mudou-se depois para o Vitória de Setúbal, e, no ano passado, foi contratado pelo Desportivo de Chaves, em exclusivo, partilhou com o “O País” como foi conquistar o “pla-off” de acesso à 1ª Liga Portuguesa.

  • Que avaliação  faz da última época?

R: Foi uma época positiva, esperava tanto por este momento, chegar ao mais alto nível do futebol europeu ou português. Consegui, não foi fácil, nunca é fácil, mas, com trabalho, consegui alcançar o meu objectivo de chegar ao mais alto nível.

  • Como se sentiu quando o Chaves conseguiu vencer o play-off de acesso à I Liga, contra o Moreirense?

R: Foi um sentimento muito forte, por isso, depois de ouvir o apito final, me agachei, fiquei de joelhos e comecei a chorar, porque tive um sentimento tão forte que nem explicação tem.

  • Em entrevista, recentemente, salientou que só se daria por satisfeito(s) quando garantisse(m) a subida do Chaves à I Liga. O que significa para si poder disputar, já na próxima época, o principal campeonato de Portugal?

R: Sinto-me orgulhoso por isso, porque sempre batalhei para poder chegar lá. Vou disputar a I Liga, sinto-me por isso orgulhoso, não só por mim, pelo povo moçambicano também. São muitos que me acompanham e isso também é para eles, é uma conquista de todos nós.

  • Começou a jogar futebol em Portugal pela porta do Amora FC, depois passou pelo Vitória FC, e agora está no GD Chaves. Como foi essa mudança?

R: Do Amora FC para o Vitória de Setúbal…o Vitória de Setúbal estava na I Liga, e eu sempre quis chegar à I Liga. Foi com esse objectivo que fui para o Vitória de Setúbal, mas as coisas não correram conforme o esperado. Foi uma época meio turbulenta, certas coisas passaram-se e o clube acabou por descer de divisão para a III Liga, foi daí que arrisquei, dando um passo para trás, ao regressar ao Amora FC (e eu já sabia que tinha de fazer uma época de grande nível para poder dar um salto). Cheguei ao Amora e dei o meu máximo, também porque sempre fui bem recebido lá, sinto-me em casa até hoje.

  • Qual é o segredo para as suas boas exibições que tem mostrado?

R: Um dos principais factores é nunca desistir, independentemente das circunstâncias por que passamos, manter o foco no que a gente quer. Essas foram as peças-chave para o bom desempenho. Houve um tempo em que eu não jogava e, se não tivesse a cabeça fria, às vezes ia pensar em desistir ou pedir para ser emprestado, mas eu acreditei e, naquele momento, disse para mim mesmo que eu vou trabalhar mais para jogar, porque, sem isso, ninguém me ia dar nada. E é este conselho que dou aos mais novos.

  • Qual é o seu maior objectivo como jogador?

R: Chegar ao mais alto nível, estar em melhores clubes, em melhores campeonatos, esse é o meu maior objectivo.

  • Que papel tem tido a sua família na sua carreira?

R: A minha família é o meu maior suporte. Não tenho palavras para definir, exactamente, o que representa a minha família. Ela faz tudo para me ver a vencer. Por isso, carrego-a comigo em todos os jogos, para onde eu vá, carrego comigo a minha família no coração e no meu pensamento. O esforço que faço em cada jogo é pela minha família e depois pelo povo moçambicano.

  • A quem deve gratidão?

R: Devo tudo à minha mãe. Ela é a nossa verdadeira guerreira. Ela cuidou de nós (de mim e dos meus irmãos), quando o meu pai passava por alguns deslizes da vida, ela sempre lutou por nós e nunca deixou faltar nada. Então, ela é que merece mais do que ninguém. Por isso, eu queria dizer que a amo muito, independentemente das circunstâncias ou das discussões que temos, às vezes, até porque isso é normal, faz parte. Quero que ela saiba que a amo muito e que nunca vou deixar faltar nada, porque ela é a minha verdadeira heroína.

  • Em que clube sonha em jogar?

R: Não tenho clube dos sonhos, tenho campeonatos dos sonhos. Um deles é a Liga Inglesa, a Liga Alemã (Bundesliga) e a Liga Espanhola.

  • Quem é o seu ídolo?

R: Como lateral-esquerdo, eu sempre gostei de David Alaba. Quando estava no Bayern de Munique, gostava muito de o ver jogar, e continuo a gostar, entretanto ele agora joga numa outra posição, mas sempre gostei dele.

  • Está na mira do Mainz da primeira divisão da Alemanha que terá contactado a direcção do Chaves, que recusou vendê-lo pelo valor de um milhão de euros. O que significaria, para si, passar àquele campeonato?

R: Sendo sincero, são assuntos que não gosto de abordar, são assuntos que cabe ao clube aceitar ou não, porque o meu contrato é com eles, pertenço a eles e nunca vou dar costas ao Chaves. Se a proposta for verdadeira, só o interesse que o clube mostra é positivo. Fico orgulhoso só por isso, pelo interesse que eles manifestaram. É uma boa notícia para mim e para as pessoas que me acompanham.

  • Aos 24 anos, soma 8 internacionalizações por Moçambique. Fale-nos do seu primeiro jogo com a camisola da selecção principal, como foi, como se sentiu?

R: Foi na era de Abel Xavier, foi na Namíbia, num Torneio Cosafa. Eu ainda era novo, penso que tinha 17 ou 18 anos. Nos primeiros jogos, ele apostava em alguns até que chegou a apostar em outros jogadores como lateral-esquerdo ou lateral-direito, e eu ali. Talvez não tenha apostado em mim, porque eu ainda era muito novo, mas, no jogo em que ele me colocou em campo, fui um dos melhores em campo, estive tranquilo, fiz um bom jogo e ficou marcado.

  • O que significa, para si, jogar pela selecção?

R: Não tenho palavras. Carregamos 30 milhões de moçambicanos, é um orgulho.

  • De que forma pretende dignificar o país?

R: Pergunta difícil! Em algum momento, a selecção nacional vem em primeiro lugar, antes de qualquer clube. Primeiro, carrego a selecção com todas as forças. Estou lá para representar todo o país.

  • Onde sonha em ver os “Mambas”?

R: A chegarem às maiores competições do mundo, seja o Mundial, seja o CAN (Campeonato Africano das Nações). Eu sonho em ver os “Mambas” lá e quero estar lá, para alcançar esse objectivo com a selecção nacional.

  • Fale-nos da experiência de jogar com os jogadores de renome, como Domingues, Reinildo, Zainadine e Mexer?

R: São jogadores que nos inspiram, aprendemos a cada dia com eles, são experientes e têm noção de muita coisa no mundo futebolístico. Então, nós nos aproximamos deles para aprender alguma coisa. Eles têm-me ajudado e os mais novos.

  • Como vê a renovação na selecção?

R: Sabemos todos que Moçambique é um país cheio de talentos, e eu percebo isso quando estou com os meus colegas em campo. E é bom estar lá com eles.

  • Qual é o impacto de os Mambas jogarem fora do país pela suspensão do Estádio Nacional do Zimpeto?

R: Sendo sincero, não é nada bom, nenhum jogador gosta de jogar fora de casa, principalmente quando o jogo é nosso. Não tem impacto nenhum e, em algum momento, cria dificuldades à nossa selecção nacional, mas nada podemos fazer, porque estamos a passar por momentos difíceis, já que o nosso estádio está a ser renovado. É muito difícil jogar fora, sabendo que vamos receber uma equipa; não é a nossa casa nem a do nosso adversário.

  • Como classifica Chiquinho Conde como treinador e que mais-valia trouxe aos Mambas?

R: Chiquinho Conde está a fazer um bom trabalho. É um treinador experiente, que jogou futebol, ele entende das coisas.

“Guardo boas recordações do Maxaquene e lamento a actual situação do meu clube do coração”

  • É um dos vários talentos saídos do Maxaquene. Que recordações guarda do clube que o formou?

R: É um clube que vai ficar sempre no meu coração, passei muitos momentos naquele clube. Foi lá onde eu dei os meus primeiros passos como jogador profissional e conheci também lá pessoas que carrego, até hoje, na minha vida, entre amigos, roupeiros, ou melhor, técnicos de equipamento. É muita gente, e é algo inesquecível. Nunca me esquecerei do clube donde eu saí.

  • O Maxaquene atravessa uma crise. O que deve ser feito para mudar o cenário?

R: São problemas que vêm há muito tempo. Mesmo quando eu cheguei, ainda juvenil ou iniciado, esses problemas já existiam. Maxaquene é um clube grande e não merece estar onde está hoje, não merece passar pelo que está a passar hoje, merecia estar ao mais alto nível, no mínimo a disputar o Moçambola. O Clube de Desportos do Maxaquene marca a minha vida, por exemplo, na formação, tive um treinador que me marcou muito, que me dava puxões de orelha, mas gostava de mim. Falo do mister Amid Tarmamade. É um treinador que acompanha o meu trabalho até hoje. Por isso, este meu crescimento é também mérito dele, porque ele teve um papel fundamental.

 

NOME COMPLETO: Bruno Alberto Langa

NASCIMENTO: 31-10-1997 (25 ANOS)

POSIÇÃO: Defesa/lateral esquerdo

Está tudo encaminhado para a realização do Campeonato Africano de Futebol de Praia, na vila municipal de Vilankulo, província de Inhambane. O sorteio da fase de qualificação à prova, que vai decorrer de 21 a 30 de Outubro próximo, foi realizado na última sexta-feira na capital do país.

Moçambique, como anfitrião, está isento desta fase, aguardando pelos vencedores dos sete jogos sorteados e que juntaram 14 países.

Assim, o Senegal, campeão em título, vai medir forças com o seu vizinho Camarões, sendo os senegaleses favoritos à fase de qualificação. Até mesmo porque os senegaleses têm o estatuto de melhor selecção africana desta modalidade, a par de Marrocos e Egipto, em que agora se intromete Moçambique, pelos últimos resultados alcançados.

O Marrocos, terceiro classificado do último CAN, terá, pela frente, a Costa do Marfim, que já ganhou um título em 2015. A Líbia e a Nigéria, cada com duas presenças no CAN, jogam entre si numa eliminatória interessante, tal como promete o embate entre Gana e Egipto.

Nos confrontos entre selecções nacionais da zona austral de África, destaque para o embate entre ilhéus, nomeadamente Seychelles e Madagáscar, numa eliminatória com rótulo de “ajuste de contas”, se tomarmos em consideração o último embate entre ambos, que terminou com as Seychelles a eliminarem os malgaxes da fase final do Senegal, para a surpresa de muitos.

Já a Tanzânia, selecção que conta com duas presenças em fases finais do CAN de futebol de praia, disputa a vaga com a estreante selecção do Malawi. Os tanzanianos são potenciais favoritos a garantir a vaga, sendo que somente uma surpresa pode afastá-los de irem a Vilankulo.

Finalmente, teremos o embate entre as Ilhas Comores e o Uganda, esta última que caiu aos pés de Moçambique nas meias-finais do CAN do Senegal. Desta vez, quer fazer a sua caminhada e pode começar já nesta eliminatória.

O sorteio, realizado na sexta-feira, inseriu-se no quadro da visita de uma delegação da Confederação Africana de Futebol, que veio a Moçambique para inspeccionar as infra-estruturas adjacentes a serem utilizadas durante o CAN de futebol de praia, entre as quais os hotéis, hospitais e aeroporto, bem como a Arena de Vilankulo, em construção, cujo término está previsto para Agosto próximo.

 

TEMOS UMA EQUIPA FORTE PARA LUTAR PELO TÍTULO

Pedro Barca, ex-guarda-redes de futebol de praia, foi a figura escolhida para retirar as bolas da sorte no sorteio da eliminatória de futebol de praia.

Questionado sobre as expectativas, quer de Moçambique, como país acolhedor, quer nos jogos da fase que qualificação, Barca disse que há um optimismo em relação à prestação de Moçambique na prova.

“Relativamente a Moçambique, penso que temos uma equipa forte, com melhores jogadores e melhor treinador, prova vista no CAN de Senegal e no Mundial de Moscovo. Em ambas as competições, aprendemos e ensinamos muita coisa”, referiu Pedro Barca.

O antigo guarda-redes de Moçambique disse, ainda, que, na fase de qualificação, há países favoritos, mas todos partem em igualdade de circunstâncias. “As selecções do Senegal, Egipto e Marrocos são potenciais favoritos”, acrescentou.

Pedro Barca representou as equipas de Mafalala, Colectividade de Amigos da Praia e Tau-Tau, todas da capital, tendo sido campeão nesta última. Esteve ao serviço da selecção nacional no Senegal e Moscovo onde terminou a sua carreira de jogador, para agora abraçar a de treinador, tendo participado no primeiro Curso FIFA de Treinadores de Futebol de Praia recentemente organizado em Moçambique.

 

Eis o resultado do sorteio:

Seychelles vs Madagáscar

Comores vs Uganda

Malawi e Tanzânia

Líbia vs Nigéria

Costa do Marfim vs Marrocos

Camarões vs Senegal

Gana vs Egipto

A selecção nacional de futebol, os Mambas, subiu apenas um lugar no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA). A actualização foi feita esta quinta-feira pelo órgão reitor do futebol mundial.

Para esta nova actualização, os Mambas passam da 119ª para 118º posição, totalizando já 1160.55 pontos. Em Março passado, altura em que Moçambique ocupava a 119ª posição, tinha 1146.09 pontos. Ou seja, somou mais 14.46 pontos na actualização desta quinta-feira.

Para esta subida mínima dos Mambas, muito valeram os quatro pontos somados na fase de qualificação ao Campeonato Africano das Nações, Costa do Marfim 2023. Nestes dois jogos, os Mambas empataram com Ruanda a um golo e venceram o Benim à tangente, em Cotonou.

Moçambique posiciona-se acima do Ruanda, seu adversário do grupo L de qualificação ao CAN-2023. Os ruandeses estão na 136ª posição, com 1095.04 pontos.

Senegal e Benim estão acima dos Mambas no ranking da FIFA. Senegal é, agora, o 18º classificado com 1593.45 pontos e Benim é 91º, com 1262.49 pontos. Aliás, os Leões de Teranga são a melhor selecção africana no ranking da FIFA, seguidos por Marrocos, 22º, e Tunísia, 30º. Nigéria é a quarta melhor selecção africana, logo abaixo da Tunísia.

O ranking da FIFA continua a ser liderado pelo Brasil, agora com 1837.56 pontos, seguido da Bélgica, com 1821.92 pontos. A Argentina, que conquistou a finalíssima diante da Itália, fecha o pódio, com 1770.65 pontos, e relega à França a quarta posição.

Portugal ocupa a 9ª posição do ranking da FIFA, a pior posição dos últimos oito anos.

A quinta jornada do Moçambola 2022 tem jogos interessantes este fim-de-semana, em alguns campos do país. Destaque para os embates que terão lugar em Vilankulo, Nacala e Nampula, cujos resultados finais vão trazer mudanças na tabela classificativa. Temos, no domingo, jogos ainda em Lichinga e Quelimane.

Os embates da quinta jornada do campeonato nacional de futebol começam a ser disputados este sábado, mas será no domingo em que haverá os confrontos mais interessantes.

O líder invicto da prova, a União Desportiva de Songo, desloca-se a Nampula para defrontar o Ferroviário local, naquele que é o embate de destaque da jornada. As duas equipas ainda não perderam e seguem uma perseguição implacável na classificação actual.

Os “hidroeléctricos” vão a Nampula na qualidade de únicos invictos, somando, por vitórias, todos os quatro jogos disputados e, por isso, com uma motivação elevada para este embate.

Entretanto, é uma motivação beliscada pela recente eliminação da Taça de Moçambique, ainda na fase provincial, após perder diante do Ferroviário de Moatize nas grandes penalidades, por 3-2, depois do empate a um golo no tempo regulamentar.

Uma eliminação que pode, inclusive, trazer algumas sequelas caso não se faça nenhum trabalho psicológico com os jogadores que estão feridos no seu orgulho, por saberem que deixam de lutar por todas as provas, mas garantem a concentração única no Moçambola 2022.

Terá, pela frente, o Ferroviário de Nampula, certamente mais concentrado depois do empate cedido nos instantes finais do último jogo, diante do Costa do Sol, que custou a co-liderança da prova, que estará em disputa no Estádio 25 de Junho, em Nampula, uma vez que, em caso de vitória dos “locomotivas”, passa de Songo para Nampula, mas pode manter-se em Songo em caso de empate ou vitória dos visitantes.

À espreita dessa liderança, estará o Costa do Sol, na sua deslocação a Quelimane. Os “canarinhos”, segundos e em igualdade pontual com os “locomotivas” de Nampula, com 10 pontos, podem ser os próximos líderes em caso de vitória diante do Matchedje de Mocuba e empate em Nampula, porém com a certeza de que não serão líderes isolados, em função do resultado que se verificar na capital do Norte.

Os pupilos de Artur Semedo terão que saber aproveitar a sua invencibilidade testada sábado passado e procurarem regressar com os três pontos, perante um adversário que sonha em somar os primeiros pontos na sua casa.

Os “militares” somam por derrotas as quatro jornadas disputadas, e Nacir Armando sabe que mais uma derrota pode comprometer o seu lugar no banco técnico.

 

MAIS DOIS JOGOS NO DOMINGO

Ainda no domingo, mais dois jogos de grande interesse – na capital de Niassa, os donos da casa recebem a Black Bulls. A “locomotiva” de Lichinga, que tem tido uma caminhada aos soluços neste arranque da prova, tem um teste de fogo caseiro.

Ainda que esteja a perseguir a caminhada semelhante à da época passada, com poucos pontos perdidos em casa (este ano ainda não perdeu em casa, venceu um jogo e empatou outro), não terá tarefa facilitada diante dos “touros”.

Vem de uma vitória fora de portas, em Quelimane, o que motiva os jogadores, mas sabem que, diante da campeã em título, Black Bulls, tudo pode acontecer. Aliás, os “touros” também estão a ter um arranque aos soluços nesta temporada.

Na época passada, houve empate entre as duas equipas em Lichinga, um jogo que quase comprometia o título dos “touros”. Na tabela classificativa, estão separadas por dois pontos, sendo a maior para a turma de Antoninho Muchanga. Desta vez, como será?

Se há muitas dúvidas no jogo de Lichinga, muito poucas podemos ter na Matola Hanhane. A Liga Desportiva de Maputo, oitavo classificado com quatro pontos, é favorita diante do Incomáti de Xinavane.

A vitória passada dos “açucareiros” pode espevitar os jogadores para uma exibição brilhante, mas nada belisca os interesses da turma de Dário Monteiro, que quer regressar às vitórias caseiras, depois de vencer o primeiro e perder o segundo.

Um jogo com transmissão em directo na Stv Notícias, este domingo, a partir das 14h00.

 

DOIS JOGOS NA ABERTURA DA JORNADA NO SÁBADO

A abrir a jornada, em Nampula, mais concretamente na vila portuária de Nacala, teremos o embate entre duas “locomotivas” – o Ferroviário de Nacala recebe o homónimo da Beira com intenções claras de regressar às vitórias e somar os primeiros pontos em casa.

Nas duas primeiras jornadas caseiras, o Ferroviário de Nacala não foi feliz e perdeu diante do homónimo de Nampula e do Costa do Sol e quer fazer as pazes com o seu público frente à turma de Chiveve. Mas terá que fazer das tripas coração, uma vez que, este ano, perdeu frente aos “locomotivas” de Chiveve no quadrangular dos Ferroviários, na pré-época, para além de que recebe uma equipa que oscila quanto aos resultados.

Fora de portas, a turma orientada por Wedson Nyirenda venceu um jogo e perdeu outro, por isso se prevê um jogo com resultado imprevisível neste embate entre irmãos.

Finalmente, no Alto Macassa, outro embate com resultado imprevisível. A Associação Desportiva de Vilankulo recebe o Ferroviário de Maputo – duas equipas ainda à procura de se encontrarem na prova, pese embora a turma de Vilankulo tenha alguma vantagem em termos de motivação, depois da conquista da fase provincial da Taça de Moçambique de Inhambane.

A derrota na jornada passada diante do Incomáti não terá caído bem aos jogadores, que querem recuperar, o quanto antes, a motivação e derrotar o Ferroviário de Maputo.

Jean Loscuito parece estar longe de conhecer o futebol moçambicano e surpreende-se a cada jogo. Este sábado, os “locomotivas” da capital, que não perderam nas últimas três jornadas, querem somar pontos para não deixar fugir a caravana da frente.

Todos os jogos iniciam-se quando forem 14h00.

O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, diz que a ideia é aproveitar o Torneio COSAFA para preparar a eliminatória, diante da Zâmbia, de apuramento para o CHAN 2023. Uma vez que a separação de dias entre o torneio COSAFA e a eliminatória para CHAN é de poucos dias, Chiquinho Conde optou por chamar apenas jogadores que actuam no Moçambola e descartar os “estrangeiros”.

Numa entrevista exclusiva ao “O País”, o seleccionador nacional falou das opções dos jogadores para a pré-convocatória, justificou a presença de mais jogadores da União Desportiva de Songo nos 30 pré-chamados e abordou a relação com os seus adjuntos, concretamente com Victor Matine. Passou em revista o sentimento em relação à primeira vez em que poderá treinar a selecção em solo pátrio.

Acompanhe, na íntegra, a entrevista ao seleccionador nacional, Chiquinho Conde.

Mister convocou 30 jogadores para os trabalhos dos Mambas com vista ao Torneio Cosafa. Por que convocou apenas os jogadores internos, enquanto não está vedado o acesso dos internacionais ao Torneio COSAFA?

A ideia inicial seria convocarmos jogadores sub-23, potenciarmos jogadores até da selecção sub-20 para esta competição. Mas a competição do CHAN é já na semana de 24 de Julho e, como tal, vamos aproveitar a possibilidade de podermos fazer, no mínimo, dois jogos na África do Sul e convocar os jogadores que militam no nosso campeonato e que irão fazer parte da selecção para o CHAN

Mister, esta convocatória é dominada pela União Desportiva de Songo. Qual a razão para isso?

São as escolhas que fizemos. Nós temos uma base de dados enorme e em função dos jogadores que militam no nosso campeonato, alguns se transferiram para o Songo, que é, coincidentemente, a maioria dos jogadores, mas não necessariamente porque haja opção ou simpatia por jogadores do Songo. Neste momento, o Songo está em primeiro lugar. São 30 jogadores da pré-convocatória e, depois, a convocatória final far-se-á na próxima semana. Mas não tenho nenhuma grande explicação em relação a isso. Alguns jogadores que estão no Songo estavam a jogar noutros clubes, mas, antes disso, já faziam parte de um leque de base de dados que nós temos.

E quando é que começa a preparação?

A princípio, nós arquitectamos que a semana de 2 a 3 de Julho seja a última jornada do Moçambola e, depois, entraremos em estágio em aproximadamente cinco dias para a preparação, porque temos jogo, no dia 13 [do próximo mês], frente à África do Sul. Significa isso que, inicialmente, a nossa concentração com os jogadores convocados será a partir do dia 5 de Julho e, no fim, serão 23 convocados para este confronto.

Por falar em concentração, Mister já sabe onde vai realizar o jogo do CHAN?

A princípio, tudo indica que será no Estádio Nacional do Zimpeto, e esperamos que, até lá, estejam criadas todas as condições para que seja aprovado. Não passa pela minha cabeça nem de ninguém que o jogo seja realizado fora do país.

O que vai significar, para si, o facto de poder ser o primeiro jogo dos Mambas que poderá orientar no Estádio Nacional de Zimpeto?

É sempre motivo de satisfação jogarmos no nosso reduto. Estamos a falar da selecção nacional. O povo está ávido de jogos e de vitórias e, obviamente, os jogadores também estão com esta gana de poder jogar dentro do nosso público, que nos dá sempre um apoio incondicional. São 30 milhões de habitantes que já são seleccionadores e passarão a ser, naquela altura, adeptos que vão ajudar os jogadores a conseguirem alcançar os resultados positivos.

Falta um mês para o jogo do CHAN, qual é a mensagem que deixa para os moçambicanos?

A minha mensagem é sempre de optimismo e de positivismo. Eu gosto de pensar nas coisas positivas e vejo sempre o seu lado bom e é o que partilho com o meu grupo de trabalho. Uma equipa feliz tem sempre mais possibilidades de fazer resultados positivos, por isso eu privilegio a minha mensagem de força para o grupo, que tem que prevalecer. Quando digo “um grupo”, não me refiro apenas à técnica nem falo só dos jogadores, mas sim à estrutura e conjuntura que se faz para embarcarmos no mesmo caminho e que possamos transformar as coisas difíceis nas mais fáceis.

Como está o seu trabalho com a equipa técnica, particularmente com o seu adjunto, Victor Matine?

CC: O Mister Matine faz parte da minha escolha e da equipa técnica da selecção nacional. Há uma equipa técnica na qual eu sou o seleccionador e existem os outros que são colaboradores da selecção nacional. Uma coisa é que, quando partiu inicialmente para este projecto com Tiago, tínhamos arquitectado uma perspectiva diferente, porque a minha ideia e convicção é que as equipas técnicas têm que ser muito disciplinares e cada elemento deve ter as suas valências. Tiago era mestre do treino, uma parte que estava, efectivamente, endereçada a si. A mim, era mais para estratégia, embora tivesse este cunho da resolução de conteúdos para aquele que é a percepção do nosso modelo de jogo. Mister Matine veio ocupar um espaço que precisávamos e eu achei por bem chamá-lo para nos ajudarmos nessa missão patriótica que não é fácil.

O piloto moçambicano Rodrigo Almeida fechou, domingo, a sua participação na segunda prova do troféu DTM, em G4,  na 9ª posição com o tempo de 1:53.911 centésimos.

Ao volante do BWT Mücke Motorsport, Almeida fez uma boa corrida de um total de 17 pilotos que evoluíram no lendário Autódromo Enzo, em Imola, Itália.

O jovem piloto moçambicano conseguiu, desta forma, manter-se entre os dez pilotos com o melhor tempo nesta competição de grande prestígio mundial, que teve como grande vencedor o nerlandês  Colin Caresani, da equipa Project 1, com o registo de 1:53.275 centésimos.

Almeida teve melhor andamento que nove dos 17 pilotos que participaram nesta prova. Nas qualificações, o mais internacional piloto moçambicano da actualidade fez o 9ª melhor tempo com  nono melhor tempo com 1:51.791 centésimos, numa corrida em que Jacob Riegel ficou na “poule position” ao volante do “Speed Monkeys” com 1:51.101 centésimos.

A 3ª prova do Troféu DTM está agendada para os dias 30 de Junho e 3 de Julho, no circuito de  Norisring, na Alemanha.

Trata-se de  um circuito de rua com longa tradição, assim como o circuito de Fórmula 1 de Monte Carlo. Rodrigo Almeida vai evoluir num circuito de curta extensão de pista, mas desafiador.

É um “sprint” entre os dois pontos de viragem, o gancho de Grundig e o gancho de Dutzendteich, com manobras de travagem extremas, sem esquecer o “Schöller S” onde as paredes são muito próximas, paredes com as quais, provavelmente, todos os pilotos de DTM já se depararam.

Lembre-se que o piloto moçambicano ficou, na prova de estreia,  em quinto lugar, depois de ter feito o seu melhor tempo de corrida no derradeiro dia da prova: 1.42.372.

Com uma excelente evolução, à mercê da sua participação constante em provas internacionais de reconhecido mérito, Rodrigo Almeida é uma aposta dos alemães da Mücke Motorsport Mercedes AMG para atingir um patamar profissional.

Esta é apenas uma das grandes provas internacionais em que Rodrigo Almeida já brilhou, nas 24 horas do Dubai, em 2021, ao comando de um BMW M4 GT4.

Em 2020, Almeida terminou na segunda posição na prova de Touring Car Racing Series, TCR Ibérico, no circuito espanhol Jerez de La Frontera, situado na província de Cádiz.

O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, divulgou, ontem, a lista de 30 pré-convocados para o Torneio COSAFA. A UD Songo, líder do Moçambola, contribui com mais atletas – um total de nove.

Chiquinho Conde tem luz verde para convocar 23 jogadores e não 20, como era regra no Torneio regional COSAFA, prova a realizar-se de 5 a 17 de Julho, em Durban, na África do Sul, já que o Comité Executivo da COSAFA e o Comité Organizador de Competições tomaram a decisão de aumentar o número de jogadores convocáveis para a competição.

Na verdade, o torneio COSAFA passa a adoptar o sistema da Confederação Africana de Futebol (CAF), que permite a chamada de 23 elementos nas suas principais competições do organismo.

Tal permitirá que os treinadores tenham mais opções, especialmente porque agora também podem fazer cinco substituições durante os jogos, de acordo com os novos regulamentos implementados pelo International Football Association Board (IFAB), que serão uma tendência global a partir da próxima temporada, caso desejem implementar as competições.

Os três jogadores adicionados serão uma grande vantagem para as equipas que esperam passar da fase de grupos para a final, onde terão que jogar seis partidas em 12 ou 13 dias, dependendo do grupo em que estiverem inseridos na primeira fase.

É um calendário desgastante, mas ultrapassado com sucesso pela Namíbia, quando venceu a competição em 2015 e várias outras equipas que chegaram à final.

Chamar mais três jogadores confere maior capacidade a Chiquinho Conde e a outros colegas de profissão para fazerem alterações e gerirem posições-chave nos jogos que vão fazer.

Vários treinadores já anunciaram a lista de jogadores pré-convocados para a edição 2022 do Torneio COSAFA. A data-limite era hoje, 22 de Junho, segundo escreve o sítio do COSAFA. Se duas ou mais equipas terminarem com o mesmo número de pontos na fase de grupos, as mesmas serão  separadas pelo resultado de seus confrontos directos, em primeira instância.

Se tal for decisivo para o desempate, o próximo critério será a diferença de golos em partidas entre as formações, golos marcados em partidas entre as mesmas e, finalmente, diferença de golos em todas as partidas do grupo.

Caso tal não seja suficiente para o desempate, será utilizado um sistema de pontos “Fair Play”, no qual o número de cartões amarelos e vermelhos será avaliado e, caso tal também não resulte, haverá espaço para o sorteio.

 

CONDE CHAMA 30 PRÉ-CONVOCADOS

Precisamente no último dia para a divulgação à organização do Torneio COSAFA da lista de pré-convocados para a prova regional, Chiquinho Conde abriu o livro sobre as suas escolhas. Com efeito, o seleccionador nacional de futebol  chamou 30 jogadores,  sendo que a União Desportiva do Songo, líder do campeonato nacional com 12 pontos, contribuiu com nove.

Trata-se de Ernani, Infren, Edmilson Dove, Amadou, Daniel Mutambe, Nelson Divrassone, Jimmy, Dayo e Lau King. Seguem-se o Ferroviário de Maputo, ABB e Costa do Sol, com cinco jogadores cada.

No Ferroviário de Maputo, Conde chamou os atletas  Shaquille, Kito, Celso, Tununo e Yude.  Por sua vez, a Associação Black Bulls, campeã nacional,  contribuiu com os seguintes jogadores: Ivan, Fidel, Martinho, Nené e Melque (Associação Black Bulls) e o Costa do Sol  viu serem convocados  Victor, Danilo, Mexer, Quaresma e Telinho (Costa do Sol). Nos Ferroviários da Beira e Nampula, foram chamados  Melven, João Bonde e Alberto Alface (Ferroviário da Beira), Isac Carvalho e Salas (Ferroviário de Nampula).

As basquetebolistas moçambicanas, Rute Elias Muianga e Deolinda Mulói Gimo, anunciaram, ontem, o fim de suas carreiras. Não ficam, nem tão pouco, nada a dever a ninguém na modalidade da bola ao cesto. Por isso, o Ferroviário de Maputo homenageou as atletas que conquistaram duas Taças dos Clubes Campeões Africanos em 2018 e 2019.

Os corpos já não estavam a dar tréguas. As lesões não as deixavam sossegadas. Havia, em meio a certas limitações, que encontrar uma solução áurea para saírem em grande de uma modalidade que tanto amam! Ou seja, retirarem-se de uma modalidade que serviram, há cerca de duas décadas, com enormíssimo brio e profissionalismo. Deram tudo na quadra. Ganharam reputação dentro e fora do país.

Exultaram com conquistas que colocaram a multicolor bandeira nacional a flutuar em pavilhões. Choraram com o entoar do hino “Pátria Amada” em momentos de consagração. Enxugaram as lágrimas de tanta tristeza quando falharam o pódio! Enfim, a fórmula para o sucesso no basquetebol foi feito de alegrias e tristezas.

Pois é: os campeões retiram-se, um dia, ficam para as suas obras. O “savoir fair” vai inspirar gerações de basquetebolistas nacionais que olham para um futuro risonho na modalidade da bola ao cesto!

Rute Elias Muianga e Deolinda Mulói Gimo disseram adeus ao basquetebol. Não foi fácil, pois respiram a modalidade. Vivem intensamente. O Ferroviário de Maputo, clube com o qual estavam contratualmente ligadas, agradece! Agradece, no geral, o basquetebol moçambicano que teve, nestas atletas, um exemplo de patriotismo, dedicação e amor à selecção nacional.

As suas presenças em Campeonatos Africanos, Mundial (Moçambique participou uma única vez, neste caso em 2014, na Turquia), Jogos da Commonwealth, Jogos da Lusofonia e eliminatórias para os Jogos Olímpicos são exemplo de compromisso com o basquetebol. Modalidade com a qual contraíram matrimónio.

Polivalente, ou melhor, basquetebolista com esta particularidade de pisar várias zonas na quadra (ndr: faz todas as posições: 1, 2 e 4-5), Rute Elias Muianga deixa um legado.

Aos mais novos, a experimentada basquetebolista deixa esta lição de que, com trabalho, entrega e dedicação, se pode jogar a base, extremo, extremo-poste e até poste.

Todo este percurso, marcado por virtudes e vicissitudes, começa lá nas bandas do outrora formador clube Estrela Vermelha, onde Rute Elias Muianga teve no professor Tajú uma figura que a moldou.

Tão rápido, pelas suas qualidades, explosão e ascensão, mudar-se-ia para o histórico Maxaquene.

No clube mais titulado do país, ainda com idade de cadetes, Rute Elias Muianga evidenciou-se ao ser chamada para a equipa sénior feminina. E não decepcionou. Mostrou serviço, impôs-se na quadra também como uma boa defensora. E, com outros desafios a colocarem-se na sua carreira, mudou-se para o Ferroviário de Maputo, onde conquistou duas Taças dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol (2018, na capital do país, e 2019, no Cairo, Egipto).

Há ainda a destacar o facto de ter sido vice-campeã ao serviço do CFvM em 2006 (quando o Ferroviário de Maputo perdeu na final com o 1º de Agosto), 2016 (caiu aos pés do Interclube) e 2017 (perdeu, novamente, na final com o 1º de Agosto em Luanda, Angola).

Depois, e, porque a marca de sucesso lhe corre nas veias, Rute Elias Muianga transferiu-se em 2012 para a extinta equipa da Liga Desportiva que foi campeã africana de clubes. O palco do título foi Abidjan, onde a galáctica Académica de Ana Flávia Azinheira, Deolinda Ngulela, Sílvia Langa, Nádia Rodrigues, entre outras, fez igualmente história em 2001.

Tal como o bom filho que regressa à casa, voltou ao Ferroviário de Maputo para conquistar tudo internamente. Com os olhos a ganharem o azul do mar, Rute Muianga soltou um sorriso antes mesmo de descrever um momento marcante na sua carreira: “Eu não estava à espera. Eu vinha para uma reunião e fui surpreendida pela direcção. Não esperava por esta recepção ”, começou por dizer Rute Muianga, visivelmente emocionada”.

De hoje em diante, a retirada basquetebolista é convocada a não se distanciar da modalidade. Pelo contrário, espera-se que continue, de fora, a dar o seu valioso contributo para moldar a nova geração de basquetebolistas nacionais: “Eu acho que tenho muito a dar ao basquetebol. Aprendi bastante e posso dar o meu contributo à modalidade, transmitindo a minha experiência às mais novas.”

Para quem faz todas as posições na quadra, habilidades que aprendeu desde que abraçou a modalidade, há mesmo que se tirar ilações para dar lições aos mais novos. “Isto começa na formação. Poucas pessoas acreditam que, com um 1,60 metros, podem jogar 4-5. Eu aprendi, nos treinos, a fazer todas essas posições. O ‘coach’ ensinou-me que todos os atletas podem jogar nas posições que pretendem. Com treino e dedicação é possível”, notou Rute Muianga.

Quem também disse adeus é Deolinda Gimo. Novinha, a basquetebolista deu cartas na Académica, clube que produziu tantas estrelas e tantos campeões. Com as também retiradas do basquetebol Nádia Zucule e Janete Monteiro, sempre evidenciou ter tarimba para jogar na zona restrita. Pena, pena mesmo, foi ter falhado a disputa em 2003 do Campeonato Africano de Basquetebol sénior feminino, em Maputo. Moçambique perdeu na final diante da Nigéria, Nelson Guiliam Isley ficou tão tramado não só por falhar a qualificação directa aos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, como também por não ter tido no seu leque de 12 atletas seleccionadas Deolinda Gimo.

Gimo transferiu-se para o Ferroviário de Maputo em 2006, um ano depois de a equipa verde-e-branca ter conquistado o Campeonato Nacional em Quelimane. E, no mesmo ano (2006), foi vice-campeã africana de clubes numa prova realizada em Libreville, Gabão.

Contam-se ainda o terceiro lugar no Campeonato Africano de Clubes de 2015, em Luanda, Angola. Não era tudo! O céu sempre foi o limite! Em 2016 e 2017, foi vice-campeã africana de clubes também ao serviço do Ferroviário de Maputo.
“Sinto-me com o coração partido, mas com o sentimento de missão cumprida. Foram momentos de muita alegria e tristeza”, disse Deolinda Mulói Gimo.

A poste passou por bons e maus momentos. E esse processo fê-las crescer como atletas: “Gostava de agradecer ao Ferroviário de Maputo e ao presidente por este momento. Eu não esperava. Não é fácil estar aqui para dizer adeus ao basquetebol. Representei Moçambique durante 20 anos. Espero continuar a ajudar o basquetebol”, acrescentou.

Em Dezembro próximo, o Ferroviário de Maputo vai disputar a fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol.
Gimo não poderá dar, como atleta, o seu contributo à equipa na luta pela revalidação do título de campeã africana. Mas, vai apoiar o clube numa outra vertente, segundo assegurou: “Não seria um bom momento, claro. Mas também não sou egoísta. Não estou apta. Tenho que ajudar o clube de outra forma”, frisou.

TEODOMIRO ÂNGELO: “VOCÊS INSPIRAM GERAÇÕES”

O presidente do Clube Ferroviário de Maputo (CFvM), Teodomiro Ângelo, diz que Rute Muianga e Deolinda Gimo são atletas exemplares.

“Hoje – terça-feira – é um dia especial para as atletas Deolinda Gimo e Rute Muianga pois marcam o fim da carreira. É prática desta casa homenagear e reconhecer quem tanto faz pelo clube. Fizeram toda a sua carreira com brio e profissionalismo. Foram momentos de muita alegria e tristeza”, disse o dirigente.

O homem forte do Ferroviário de Maputo diz ainda que as retiradas basquetebolistas inspiram a nova geração de atletas, pelo que desafiou as mesmas a continuarem a dar o seu contributo à modalidade da bola ao cesto.

“Abraçaram o desafio de serem atletas do Ferroviário de Maputo. Chegado este momento do final das suas carreiras, achamos por bem homenageá-las. Nós queremos endereçar os votos de muita saúde e sucesso na vida que se segue. É um momento de lançar um desafio. Esperamos que, no futuro, continuem ligadas ao basquetebol, quiçá, como treinadoras. Nunca tivemos treinadoras mulheres no clube”, desafiou o dirigente.

“Vocês não imaginam o quanto ajudaram o clube. Vocês não imaginam quão ajudaram a formar gente com carácter. Vocês inspiram muita gente. É uma cerimónia singela mas carregada de muita emoção. Parabéns”, manifestou o presidente do Clube Ferroviário de Maputo.

Teodemiro Ângelo não deixou de oferecer às atletas dois quadros estampados com as respectivas fotografias e buquês de rosas. O basquetebol vai, certamente, sentir saudades de duas atletas que, durante 20 anos, deram o seu melhor pelo país e assim como nos clubes que representaram com brio e profissionalismo.

 

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