Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O governador de Gaza anuncia o decurso de uma investigação que envolve funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, dos serviços de Identificação Civil e professores, na sequência da desqualificação de atletas por falsificação de idades nos Jogos Desportivos Escolares 2026. O caso fez a província, que defendia o título conquistado em 2024, cair para a nona posição da classificação geral.

A província de Gaza, que chegou a Inhambane com o estatuto de campeã da última edição dos Jogos Desportivos Escolares, realizada em 2024, na província de Nampula, regressa a casa na nona posição da classificação geral, depois da desqualificação de vários atletas por falsificação de idades.

A situação manchou a participação da província na edição de 2026. Perante o caso, o governador de Gaza, Alfeu Cuna, anunciou a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias que permitiram a inscrição de atletas com idades alegadamente incompatíveis com os requisitos da competição.

“Gaza registou um total de oito do total de 31 casos no País. Queremos, desde já, anunciar que o caso já está em investigação no Serviço Nacional de Investigação Criminal e, após o fecho, vamos avançar para medidas mais sérias”, garantiu Cuna.

Entre os suspeitos de envolvimento no processo estão funcionários dos serviços de Identificação Civil, encarregados de educação, professores e funcionários da Direcção Provincial da Juventude e Desportos.

“Que há envolvimento de funcionários da Direcção Provincial de Identificação é um facto. Agora, queremos apurar o envolvimento de pais e encarregados, funcionários da Direcção e professores”, destacou.

Alfeu Cuna diz que a investigação deverá ser conduzida com celeridade, de modo a esclarecer responsabilidades e permitir a aplicação de uma penalização exemplar aos envolvidos.

Apesar do revés, a participação de Gaza ficou também marcada por resultados positivos em algumas modalidades.

“Destacamos, nas modalidades, em primeiro lugar, o voleibol feminino e, em terceiro lugar, o andebol masculino, sendo seis medalhas de ouro, cinco medalhas de prata e cinco de bronze. E, nas modalidades colectivas, tivemos 12 medalhas de ouro no voleibol e 12 medalhas de bronze no andebol”, avançou Lurdes Machava, directora provincial da Juventude e Desportos.

Na XVI edição dos Jogos Desportivos Escolares, a província fez-se representar por uma delegação composta por 128 estudantes-atletas e 15 técnicos, que competiram em oito modalidades.

Foi detectado o primeiro caso de falsificação de idades no XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, que decorre na província de Inhambane.A equipa masculina de voleibol de Gaza foi desqualificada da competição depois de terem sido identificados jogadores com idades falsificadas no jogo diante de Manica, que venceu a partida na secretaria.

A equipa masculina de voleibol de Gaza está fora do XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. A desqualificação acontece depois de terem sido detectadas irregularidades na idade de alguns jogadores da selecção provincial, durante o confronto com Manica.

Na sequência da irregularidade, Manica foi declarada vencedora da partida na secretaria, enquanto a equipa de Gaza foi afastada da competição.

Este é o primeiro caso de falsificação de idades detectado nesta edição dos Jogos Escolares, que decorrem na província de Inhambane.

A organização deverá continuar a verificar a documentação e a elegibilidade dos participantes ao longo da competição, de modo a garantir o cumprimento das regras estabelecidas.

O XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares reúne delegações das províncias do país e decorre nas cidades de Inhambane e Maxixe.

São oito as modalidades em competição: atletismo, andebol, basquetebol, futebol de onze, ginástica, jogos tradicionais, voleibol de sala e xadrez.

A competição envolve mais de 1.400 estudantes-atletas. O festival arrancou a 29 de Agosto e termina a 6 de Setembro, mantendo em competição estudantes de todo o país durante mais de uma semana.

Enquanto as restantes modalidades prosseguem, o caso de Gaza passa a marcar esta edição dos Jogos Escolares como o primeiro episódio de desqualificação associado à falsificação de idades.

Cerca de 1.500 estudantes-atletas das 11 províncias do país estão em Inhambane para disputar a XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. Entre a pressão por resultados, os sonhos de chegar aos grandes palcos e a procura de novos talentos, os jogos transformam Inhambane e Maxixe numa montra do futuro do desporto nacional. O Governo garante que há olheiros no terreno e revela que parte dos atletas para os Jogos da Região 5, marcados para Dezembro, em Moçambique, poderá sair desta competição.

Para alguns, é apenas mais uma bola que entra em campo, uma corrida contra o cronómetro ou uma disputa entre duas equipas. Para os cerca de 1.500 estudantes-atletas que chegaram a Inhambane provenientes das 11 províncias do país, porém, estes dias podem significar muito mais. Entre eles há quem queira regressar a casa com uma medalha, quem procure colocar a sua província no lugar mais alto do pódio e quem olhe para estes Jogos Escolares como o primeiro grande palco de um sonho que pode terminar, um dia, numa selecção nacional ou mesmo nos Jogos Olímpicos.

É esta mistura de competição, ambição e descoberta de talentos que movimenta a XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares. Este ano, a organização teve de montar a operação em duas cidades, Inhambane e Maxixe, onde estão distribuídas as seis modalidades em competição. A dimensão do evento impôs desafios que começaram muito antes de os atletas entrarem nos campos: foi necessário garantir alojamento, colchões, alimentação, transporte e condições para receber delegações provenientes de todo o país.

SAMARIA TOVELA: “A ALIMENTAÇÃO ESTÁ GARANTIDA”

Para a Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, a realização da competição em duas cidades representa uma operação logística exigente, mas as condições essenciais para receber os estudantes estão asseguradas.

A governante reconhece que, no arranque do festival, ainda decorria o reforço de algumas condições nos centros de alojamento, incluindo a disponibilização de colchões, mas garante que os estudantes estão instalados e que a alimentação foi uma das prioridades da organização.

“Estamos todos organizados. Os nossos meninos estão nos nossos centros de internamento e também nas nossas instituições. Equipámos e ainda estamos a completar o que falta em termos de colchões”, explicou Samaria Tovela.

Para a ministra, entretanto, a organização material é apenas uma parte da dimensão dos Jogos Escolares. O encontro de estudantes provenientes de todas as províncias representa também uma oportunidade de convivência e fortalecimento da unidade nacional.

“Acima de tudo, é a alegria que as nossas crianças têm. Este é um momento-chave para elas, essa unidade nacional”, afirmou, acrescentando que a alimentação dos participantes “está toda garantida” e que houve um investimento significativo para assegurar refeições em horários adequados.

Resolvido o desafio de receber e acomodar cerca de 1.500 participantes, começa aquele que, para os estudantes, é o verdadeiro teste: o que acontece dentro do campo.

MADALENA MATOS: GAZA QUER DEIXAR O NOME NA HISTÓRIA

Madalena Matos chegou de Gaza para competir no andebol. Como muitos dos estudantes que participam nesta edição, carrega consigo mais do que a responsabilidade individual. Quando entra em campo, diz representar a família, aqueles que acompanham a competição e a própria província.

O andebol é a modalidade que escolheu e é através dela que pretende afirmar-se nesta edição dos Jogos Escolares.

“Estando aqui hoje, a minha função como atleta é porque eu quero mesmo poder orgulhar a minha família, orgulhar aqueles que nos assistem e deixar o nome de Gaza na história”, afirma.

A ambição de Madalena resume parte do ambiente vivido entre as delegações. Para estes jovens, vencer significa representar uma escola e uma província, mas a competição oferece também uma oportunidade rara de serem observados fora dos lugares onde habitualmente treinam.

E alguns sonhos já ultrapassaram as fronteiras provinciais e nacionais.

IVAN ANTÓNIO SONHA COM OS JOGOS OLÍMPICOS

Ivan António pratica atletismo e representa a província de Maputo. O seu horizonte, porém, está muito para além de Inhambane.

Tem como referência Lurdes Mutola, o maior nome do atletismo moçambicano, e não esconde o tamanho da ambição: quer chegar aos Jogos Olímpicos representando Moçambique.

“O meu sonho também é ser o próximo moçambicano a representar Moçambique nas Olimpíadas no atletismo”, afirma.

Para Ivan, os Jogos Escolares representam, por isso, uma etapa de um percurso que espera levar muito mais longe. E é precisamente nesta idade que muitos dos sonhos que mais tarde chegam ao desporto de alta competição começam a ganhar forma.

Mas enquanto uns encontram nos Jogos Escolares um palco para mostrar aquilo que sabem fazer, outros continuam do lado de fora.

TAEKWONDO TAMBÉM QUER ENTRAR NA FESTA

O Taekwondo não integra as seis modalidades em disputa nesta edição. Ainda assim, os seus praticantes acompanham a competição com uma reivindicação: querem que a modalidade passe a fazer parte dos Jogos Escolares.

Evaristo Mabote, treinador de Taekwondo em Inhambane, sustenta que a expansão da modalidade pelo país e a existência de estudantes que já a praticam justificam a sua integração.

“Esperamos que nas próximas edições o Taekwondo possa fazer parte dos Jogos Escolares, porque a nível nacional já se pratica Taekwondo. Basta ver que em todas as províncias e em vários distritos há praticantes”, defende.

Segundo Mabote, existem atletas em escolas públicas e privadas que conciliam os estudos com a prática da modalidade, razão pela qual considera haver uma base para levar o Taekwondo à maior competição nacional do desporto escolar.

“Esperamos que um dia o Taekwondo possa fazer parte deste leque de modalidades dos Jogos Escolares”, acrescenta.

Enquanto algumas modalidades procuram espaço para entrar, nas que já estão em competição começa outra corrida: encontrar quem pode chegar mais longe.

FÉLIX QUEHA: “TEMOS MUITOS JOGADORES BONS”

Félix Queha acompanhou o processo desde as fases anteriores até chegar à competição nacional. Treinador de futebol da selecção de Inhambane, diz ter identificado jogadores com qualidade desde a fase distrital, passando pela provincial, até ao festival.

“Tem bons talentos, tem muitos jogadores bons. Eu pude ver isso desde a fase distrital até à fase provincial e, até este momento, estamos a ter bons jogadores”, afirma.

Para o treinador, aquilo que está a acontecer dentro dos campos demonstra que existe matéria-prima que pode ser trabalhada para alimentar níveis superiores do futebol moçambicano.

Depois de acompanhar os jogos desta fase, Queha destaca a intensidade da disputa e acredita que os jovens encontrados nestas competições podem, com acompanhamento, chegar a patamares superiores.

A existência do talento, porém, levanta uma questão que acompanha quase todas as competições juvenis: o que acontece aos melhores depois de terminarem os Jogos Escolares?

Desta vez, o Governo diz que não quer deixar a resposta para depois.

 

CAIFADINE MANASSE: HÁ OLHEIROS À PROCURA DE TALENTOS

O Ministério da Juventude e Desportos garante que os Jogos Escolares não estão a ser acompanhados apenas como uma competição. Há olheiros, representantes das federações e técnicos do sector à procura de atletas que possam continuar o percurso para outros níveis.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desportos, diz que esta competição tem sido historicamente um espaço de surgimento de novos talentos e defende a continuidade da aposta nos Jogos Escolares.

“Daqui sempre nascem vedetas e, para nós, é importante continuarmos a acarinhá-los, porque estes jogos juntam crianças de todo o país, unem as crianças, unem o país e aqui vamos forjar cada vez mais talentos para fazerem parte do desporto nacional, internacional e de alta competição”, afirma.

Mas, desta vez, a observação dos jovens tem um objectivo ainda mais imediato.

Moçambique deverá acolher, em Dezembro, os Jogos da Região 5 e o Ministério pretende aproveitar o festival para identificar potenciais atletas para a competição.

“Estamos aqui com olheiros, estamos em peso com toda a equipa do Ministério da Juventude e Desportos e das federações, porque vamos ter os Jogos da Região 5, em Dezembro, em Moçambique, e é daqui onde vamos tirar os talentos para estes jogos”, revelou Caifadine Manasse.

A afirmação aumenta o peso competitivo desta edição. Uma boa prestação pode significar mais do que uma medalha escolar: pode colocar um estudante no radar de quem decide os próximos passos da sua carreira.

Durante os próximos dias, atletas de seis modalidades vão competir entre Inhambane e Maxixe. Haverá vitórias, derrotas, medalhas e campeões. Mas o resultado mais importante desta XVI edição poderá não aparecer no quadro de classificações.

Estará no que acontecer aos jovens depois de regressarem às suas províncias.

Para Madalena, pode ser a oportunidade de deixar o nome de Gaza na história. Para Ivan, um passo num sonho que aponta aos Jogos Olímpicos. Para os treinadores, uma oportunidade de mostrar que há talento por lapidar. E para o Governo, uma montra onde já procura atletas para representar Moçambique.

Porque, para muitos dos 1.500 estudantes que hoje competem em Inhambane e Maxixe, a maior vitória poderá não ser aquilo que conquistarem nestes Jogos Escolares, mas o caminho que conseguirem abrir quando eles terminarem.

A antiga basquetebolista Clarisse Machanguana critica a gestão do basquetebol moçambicano e aponta a falta de investimento como uma das causas do fraco desenvolvimento da modalidade. A antiga internacional, que fez história como a primeira e única moçambicana a jogar na WNBA, diz que os interesses pessoais de alguns dirigentes comprometem os objectivos desportivos.

Clarisse Machanguana foi convidada da Grande Entrevista da Stv desta semana, onde, durante uma hora, revisitou o seu percurso desportivo e a experiência adquirida nas grandes ligas mundiais, com destaque para a WNBA.

Machanguana começou por criticar a situação actual do basquetebol, que, segundo afirma, tem sido condicionada pela existência de agendas pessoais de alguns dirigentes desportivos.

“O que a Federação faz e tem feito,  não está a resultar e que as pessoas que lá estão, infelizmente, têm agendas, que nem sempre a modalidade é prioridade e que às vezes comprometem o resultado da própria instituição.  Mas quem tem que exigir este resultado somos nós, os moçambicanos, mas não só quem está nas lideranças, mas também  os moçambicanos.”, critica Machanguana.

Para Clarisse, a sua candidatura à presidência da Federação Moçambicana de Basquetebol serviu de escola e permitiu-lhe perceber melhor os problemas que afectam a modalidade no país.

“Eu diria que o meu processo a essa candidatura foi uma das melhores escolas de aprendizagem do porquê as coisas não funcionam em Moçambique, porquê os nossos resultados vão abaixo daquilo que se pretende e porquê continuamos a repetir os mesmos erros. Foi esse o maior aprendizado e também reforçou a consciencialização minha de que não preciso de um título para fazer o bem, não preciso de um título para passar o meu conhecimento, não preciso de um título para contactar universidades ou equipas profissionais e para fazer com que um jovem que tem talento, que tem fome, que é disciplinado vá lá fora. Portanto, não preciso esperar que Moçambique acredite em mim para fazer ou que veja a necessidade de usar o meu “know-how” para passar para os jovens. Foi esse o aprendizado.”,   explica a antiga basquetebolista.

A antiga atleta e actual empreendedora social critica também o actual modelo de financiamento do desporto, defendendo maior investimento nas infra-estruturas e na formação de pessoas com capacidade para liderar.

“Sem infra-estruturas faz-se um desporto com muita deficiência, faz-se um desporto em que não se pode atingir o máximo nível porque faltam elementos importantes. Mas eu comecei a jogar basquete há, se calhar, 40 anos e as infra-estruturas já não eram boas. Esse não é o único cancro que impede que os resultados que tanto sonhamos sejam conquistados. Eu diria que é a liderança, é o modelo desse núcleo, desse processo. O investimento político teria, se calhar, de ser em estudar como são eleitas essas pessoas, qual é a finalidade das pessoas que lá vão e como é que se exige resultados, como é que se avalia os resultados e como é que se substitui imediatamente quem não está a produzir. Se o cancro está na liderança, tudo o resto que vem não fará sentido”, anota. 

Machanguana afastou-se do desporto para se dedicar a outras questões sociais, entre elas a problemática da qualidade da educação.

“Mas enquanto os alunos que saírem do ensino do liceu, do ensino secundário, não estarem à altura de produzir para uma sociedade melhor, significa que houve falhas no processo, seja de ensinamento, seja de falta de cadernos, seja de falta de práticas de ensino, qualquer que seja a natureza, a verdade é que o maior cancro está no que aprendemos, porque se não aprendemos, não somos capazes de ter as qualidades ideais para nós melhorarmos. A educação que bebemos e que se transforma naquilo que vemos em casa e que se transforma naquilo que queremos ser na sociedade e que parte de um primeiro professor, que se diz a palavra errada já me condiciona, tanto a educação, sem margem de dúvida.”, conclui. 

A antiga basquetebolista critica ainda o que considera ser um tratamento privilegiado ao futebol, em detrimento de outras modalidades, e defende maior equilíbrio na distribuição dos investimentos no desporto.

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, felicitou as atletas moçambicanas Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar pela qualificação para as meias-finais do Campeonato Continental de Voleibol de Praia – CAN 2026, da Confederação Africana de Voleibol (CAVB).

A qualificação, alcançada em Alexandria, coloca a dupla moçambicana entre as quatro melhores do continente africano e garante, igualmente, a presença de Moçambique no Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia, a realizar-se no próximo ano, em Haia.

Numa mensagem de felicitação, Gueta Chapo enaltece a determinação, o espírito de sacrifício e a excelência demonstrados pelas duas atletas, considerando o feito um motivo de orgulho para todos os moçambicanos.

Para a Primeira-Dama, o desempenho de Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar demonstra também a capacidade da juventude moçambicana de alcançar resultados de elevado nível no panorama desportivo internacional.

Gueta Chapo encorajou as atletas a prosseguirem firmes na competição, mantendo a determinação e a ambição na luta pelas medalhas, tendo desejado sucessos nas meias-finais e nos próximos desafios internacionais.

A Primeira-Dama considera, igualmente, que a conquista da dupla poderá servir de inspiração para outras jovens moçambicanas acreditarem no seu potencial, perseguirem os seus sonhos e contribuírem para o desenvolvimento e engrandecimento do desporto nacional.

 

Os ingleses do Sunderland mantêm Geny Catamo no radar. O clube britânico fez chegar a Alvalade uma proposta de 30 milhões de euros fixos, acrescida de dez milhões em variáveis. Apesar de a oferta ter sido rejeitada pela SAD verde e branca, o emblema inglês manifestou de imediato a intenção de subir a fasquia pelo internacional moçambicano. Contudo, até ao momento, esse novo avanço formal ainda não deu entrada nos gabinetes leoninos.

Na estrutura do Sporting há uma certeza: quanto mais perto estiver o fecho da janela de transferências (4 de Setembro), mais difícil será negociar para os black cats. As exigências financeiras dos leões aumentarão à medida que o tempo escasseia, uma vez que a margem de manobra para encontrar um substituto para o corredor direito do ataque ficará cada vez mais reduzida, pois para essa posição apenas ficarão disponíveis Luís Guilherme e Salvador Blopa, que vagueará entre os treinos da equipa principal e os jogos da equipa B quando recuperar da lesão muscular que o retém no departamento médico desde a reta final da época passada.

Do ponto de vista do jogador, o entendimento com a equipa orientada por Régis Le Bris não deverá constituir um obstáculo. Em Inglaterra, o extremo tem à espera um salário cerca de cinco vezes superior ao que aufere em Alvalade, a que se soma o atrativo de alinhar na Premier League e também de continuar nas competições europeias, pois o Sunderland participará na Liga Europa.

Geny Catamo pode juntar-se a Reinildo Mandava no Sunderland, clube que milita na primeira liga inglesa. O emblema inglês está disposto a pagar 40 milhões de euros pelo passe do internacional moçambicano, mas o Sporting continua a não facilitar. 

Uma nova página pode-se abrir na carreira do internacional moçambicano. Segundo escreve o Jornal “O Jogo”, que cita o portal inglês Team Talk, o Sunderland poderá avançar nos próximos dias com uma proposta pelo passe de Geny Catamo. 

Ainda de acordo com o mesmo portal,  o emblema inglês terá sido informado por intermediários de que a fasquia mínima para o Sporting libertar o extremo é de 40 milhões de euros, um valor que não assusta o clube da Premier League.

O Sporting, porém, não está interessado em facilitar a saída do internacional moçambicano neste defeso, uma vez que o jogador de 25 anos é considerado indispensável por Rui Borges, treinador dos verdes e brancos. 

Geny Catamo tem contrato com o Sporting até 2029, e está protegido por uma cláusula de 60 milhões de euros. Ainda assim, escreve o portal, que o Sunderland não está disposto a desistir. Caso a transferência se concretize, Geny poderá juntar-se ao outro internacional moçambicano no emblema inglês, Reinildo Mandava.

O desporto nacional esteve em destaque esta quarta-feira, no Circuito de Manutenção Física António Repinga, na Cidade de Maputo, com a realização de uma cerimónia de homenagem ao pugilista profissional moçambicano Tiago Muxanga. Promovido pela Amaramba Capital Dealer, o evento serviu para enaltecer e premiar o mérito, a dedicação e o impacto internacional das recentes vitórias do atleta.

A sociedade financeira reuniu dirigentes desportivos e a imprensa para celebrar o trajecto invicto do pugilista moçambicano e reforçar o seu compromisso com a responsabilidade social.

Tiago Muxanga ostenta actualmente um percurso invicto no boxe profissional, impulsionado pela conquista de dois títulos de prestígio global, obtendo como palmarés o título de Campeão Africano da International Boxing Organization (IBO All Africa), sendo igualmente detentor do Cinturão de Prata da Commonwealth (Commonwealth Silver Belt).

Estes marcos não só elevam o estatuto do pugilista, como colocam Moçambique no mapa das grandes decisões do boxe internacional. Durante a cerimónia, o Director Financeiro da Amaramba Capital Dealer,

Baptista Machava, destacou a necessidade de apoiar referências nacionais que inspiram a juventude e projectam o país no panorama internacional.

“Tiago Muxanga demonstra que, com disciplina, foco e determinação, é possível alcançar o topo do mundo. Na Amaramba Capital Dealer, acreditamos que a nossa missão ultrapassa os mercados financeiros e o investimento de capital. O nosso compromisso social exige que sejamos catalisadores do desenvolvimento humano e da excelência moçambicana. Homenagear o Tiago é reconhecer um símbolo de superação e investir no orgulho de toda uma nação.”, disse Baptista Machava, em representação de Joaquim Bazar, PCA da Amaramba Capital Dealer.

A direcção da Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) marcou presença no evento e enalteceu a iniciativa da Amaramba Capital Dealer, sublinhando que o envolvimento do sector privado é determinante para a sustentabilidade do desporto de alta competição.

“A trajectória do Tiago Muxanga no boxe profissional é fruto de anos de entrega, mas consolida-se de forma muito mais sólida quando o sector empresarial se junta à causa desportiva. Agradecemos à Amaramba Capital Dealer por este gesto exemplar de reconhecimento. Esperamos que esta acção sirva de inspiração para que mais instituições financeiras e empresariais apostem nos nossos atletas.”, disse Gabriel Júnior, Presidente da Federação Moçambicana de Boxe.

O pugilista reiterou a sua determinação em continuar a defender as cores do país nos ringues internacionais.

“Receber esta homenagem da Amaramba Capital Dealer dá-me ainda mais força para continuar a trabalhar no duro. Estes títulos não são apenas meus, pertencem a Moçambique, à minha equipa e a todos os que acreditam no nosso boxe. O meu objectivo é continuar invicto e trazer mais cinturões para a nossa terra.”, promete Tiago Muxanga.

Luís Figo acusa Gianni Infantino de “forçar alterações significativas apenas para se enriquecer e aos amigos”, num artigo de opinião no qual diz ser “tarde demais para salvar a dignidade” do presidente da FIFA, “mas não para salvar o futebol”.

Luís Figo assina um extenso e arrasador artigo de opinião na edição desta quarta-feira do jornal britânico Daily Mail, no qual não poupa nas críticas tecidas a Gianni Infantino, na sequência da fracassada proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objectivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Mundial).

“Podia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da FIFA. Mas a solução precisa apenas de três: Infantino deve sair. Amei o futebol durante toda a minha vida. Fui jogador profissional durante 20 anos. E, acreditem em mim, deparei-me com alguns bandidos, no meu tempo na modalidade. Mas aquilo que vi exposto, nos dez últimos anos, é o mais baixo, mais enganador e mais cobarde comportamento de interesse próprio que alguma vez testemunhei”, começou por escrever.

“O homem que daria isso – o homem que tentaria forçar alterações tão significativas apenas para se enriquecer e aos amigos – é uma relíquia do passado da modalidade, e não deveria ter lugar no seu futuro. Se fosse uma ideia tão boa, por que não dizer aos teus membros, quando os tiveste todos numa sala, antes da final do Mundial? Se era um plano tão robusto, por que não contar aos teus membros os riscos, assim como aquilo que descreves como benefícios?”, prosseguiu.

“Se o esquema era simples, por que não ser honesto com o facto de que te daria um emprego de 30 milhões de dólares por ano, no final? Mas nada disto foi feito, porque não era uma boa ideia. Não é robusto quando não és transparente sobre os retornos incapacitantes que os investidores privados iriam procurar. Não é ousado quando não explicas que, ao venderes a tua parte, vai-se para sempre e deserdaste os teus sucessores de deterem o Mundial”, completou.

O antigo internacional português acusou, ainda, o advogado ítalo-suíço de não ser “honesto”, por não ter mencionado que, depois de “ter entregue o grosso do Mundial numa bandeja aos companheiros, em Washington DC”, teria direito a um “emprego que valeria cinco vezes mais do que o salário atual”.

NEM DONALD TRUMP ESCAPA À IRA DE FIGO

No entanto, Luís Figo (que chegou a apresentar uma candidatura à presidência da FIFA, em 2015, antes de desistir da mesma, por dúvidas relacionadas com a natureza democráticas das eleições) não ficou por aqui: “Nada disto é uma surpresa quando consideremos a litania de abusos que ele infligiu na reputação do futebol; desde suspender e reverter decisões disciplinares a violar as leis do jogo por um espectáculo ao intervalo, nada o impede de agradar aos amigos”.

“Também não é uma surpresa quando lês os comentários de Prince Ali [o presidente da Federação de Futebol da Jordânia] sobre o comportamento similar ao da máfia da FIFA de Infantino; obstruindo o seu trabalho e financiamento na federação, de maneira a garantir uma carta de apoio para que o reino de terrível interesse próprio possa continuar. O futebol precisa, sim, de uma discussão sobre dinheiro. Mas não do dinheiro que pode ir para fora da modalidade, para investidores ou salários inflacionados de administradores”, atira.

“Comecemos pelos cinco mil milhões de dólares das reservas da FIFA. Quantas ações poderia isso comprar nesta trama suja e dissimulada? Todas! Por isso, não é preciso investimento externo, afinal. Este plano – tal como o da Superliga [Europeia] que o antecedeu – foi cilindrado pela comunicação social, que expôs contornos desonestos, antes de os seus defensores alinharem o discurso. E graças a Deus que assim foi”, acrescenta.

“Infantino devassou o escritório do presidente da FIFA que prometeu elevar. Mentiu, enganou e tentou subir às custas da modalidade que é suposto servir. Ele perdeu o apoio dos seus principais funcionários, dos mais próximos conselheiros, da vasta maioria das pessoas que dedicaram as vidas a este desporto, e, parece, até, do vencedor do Prémio de Paz da FIFA [Donald Trump]. É demasiado tarde para salvar a sua dignidade, mas não é demasiado tarde para salvar o futebol. Ele tem de sair. Já”, conclui.

+ LIDAS

Siga nos