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Desorganização marca 1º dia de vacinação em massa contra COVID-19 na cidade de Maputo

Houve atraso, enchentes, confusão, enfim desorganização, no primeiro dia de vacinação em massa contra COVID-19, em alguns pontos da cidade de Maputo. Os beneficiários da campanha mostraram-se descontentes pela forma com que o processo foi gerido esta quarta-feira.

No posto de vacinação do bairro Mavalane A, posicionados em salas de aula e outros do lado de fora, professores e idosos aguardavam ansiosamente pela toma da vacina da esperança, há muito esperada.

Contudo, a espera, diga-se longa, já irritava alguns beneficiários. E não era para menos, é que até por volta das nove horas e 40 minutos, o processo de vacinação ainda não havia iniciado naquele posto, cuja previsão era vacinar 200 pessoas só no primeiro dia.

Maria Luísa, de 60 anos, contou ao “O País” que a confusão começou no primeiro dia da pré-marcação, em que levaram horas a fio para proceder ao registo e, só depois das 11 horas, foram recomendados a voltar para casa, mas após alguma insistência é que houve a marcação.

“Acabaram-nos registando, levaram os nossos nomes, os números de telefone e disseram que devíamos estar aqui às oito horas de hoje (de quarta-feira), mas chegámos aqui à hora estipulada e, até agora, 10 horas, ainda não há nada e ninguém diz nada”, reclamou.

Na verdade, a espera devia-se ao atraso da chegada das vacinas àquele ponto. E porque são idosos e fazem parte do grupo de risco, já começavam a temer o pior, como mostrou Alberto Tsucana, de 68 anos.

“Disseram que, no pré-registo, teríamos a hora que cada um de nós devia vir para vacinar, para evitar aglomerações, mas não é o que está a acontecer aqui. Estamos todos juntos nesta sala e não sabemos qual é o estado de saúde de cada um, talvez seja aqui onde vamos apanhar a doença (COVID-19)”, disse o idoso.

Depois da longa espera, eis que acendeu o sinal verde e chegaram as vacinas. Para cada pessoa vacinada, eram dadas algumas recomendações sobre a data para a toma da próxima dose, como também para o caso dos beneficiários que tiverem algum efeito adverso por conta da vacinação.

No campo do Ferroviário das Mahotas, o cenário era de agitação e confusão, os residentes do bairro, que se fizeram àquele local, pediam socorro, pois, segundo disseram, estavam naquele local a mais de cinco horas sem o propósito para que foram.

Uns aguardavam em pé, outros sentados e os que, por causa da idade avançada já não aguentam, preferiram aguardar deitados e debaixo do sol e, diga-se, o local não fornecia nenhuma segurança à saúde dos munícipes.

“Isto está uma confusão, começaram a atender tarde! Disseram para chegarmos cedo, mas só agora estão a chegar as vacinas. Viemos para tomar a vacina contra a COVID-19, mas parece que vamos ficar contaminados aqui mesmo”, gritou Ana Manjate.

A Polícia até estava no local para organizar os munícipes, porém o caos estava instalado e as pessoas propunham outras formas para ajudar o processo a fluir.

“Quando são eleições, há muitas mesas, mas hoje em que é vacinação, colocam apenas uma pessoa para picar, como é possível isso, com tanta gente aqui?”, indagou Rafael Issaca.

Naquele ponto, nem algodão para limpar o sangue dos munícipes vacinados havia.

Refira-se que a cidade de Maputo espera vacinar acima de duzentos mil munícipes.

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