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Desmond Tutu tem uma agenda a ser continuada, dizem religiosos

Foto: O País

O Arcebispo Emérito de Maputo, Dom Dinis Sengulane, fez parte da cerimónia do último adeus ao seu falecido homólogo e amigo, Desmond Tutu, e considerou que o finado deixou um trabalho que não deve parar.

O funeral do primeiro Arcebispo negro de Cape Town mobilizou servos de Deus na Igreja Anglicana da África do Sul e da região. Destaque para Dom Dinis Sengulane que teve um papel activo na materialização da cerimónia de despedida ao Nobel da Paz e símbolo da luta, sem armas, contra a segregação racial.

De Maputo, em Moçambique, para Cidade do Cabo, na África do Sul, deslocou-se Dom Dinis Sengulane para quem Desmond Tutu “deixa uma agenda que tem que ser continuada. A agenda da igualdade, a agenda da justiça e a agenda da paz”.  Para o Bispo Emérito anglicano, “essas coisas ainda precisam de todos nós, não só os sul-africanos, mas todos os africanos”, pelo que entende que “é também uma agenda extremamente relevante para Moçambique”.Um dos momentos marcantes na cerimónia de sábado foi quando Dom Dinis privou com o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Ao jornal “O País”, Dom Dinis revelou que é “membro do painel do Mecanismo Africano de revisão de pares, responsável pela África do Sul, que concluiu agora a segunda revisão para o país”. Por isso, avança que, se calhar, esta revisão traz mensagens muito relevantes sobre o legado de Desmond Tutu”.

Michael Nuttal, Arcebispo Emérito de Natal, homem que conviveu intensamente com Desmond Tutu, é outro homem de Deus que esteve na Catedral de São Jorge. Para si, imortalizar o legado do líder passa por combater o racismo, que, segundo revela, ainda é uma “dura” realidade na vizinha África do Sul.

“Sabemos que continuamos a ter um racismo forte na nossa sociedade. Actualmente, não estamos livres disso. Na vida social, não estamos livres”, introduz o Arcebispo Emérito para depois deixar o seguinte desafio: “temos que continuar a trabalhar para resolver isso de modo  a honrar o seu legado. E eu espero que cerimónias como a do seu velório sirvam de exemplo”. Michael Nuttal diz que a Igreja está encorajada e vai encarar “a sua morte, como ele encarou a vida, com muito trabalho”.

Dalai Lama, um dos melhores amigos de Desmond Tutu, com quem escreveu dois livros, não pôde participar do adeus devido às limitações impostas pela pandemia e o avançar da sua idade. “Ele queria muito participar, mas, devido às restrições de voos internacionais por causa da COVID-19… sabemos da idade de Dalai Lama, então foi muito difícil que ele viajasse para África do Sul, para prestar o seu último tributo para seu amigo Desmond Tutu”.

Governo de Ramaphosa enaltece coordenação com família e igreja

O Ministro na Presidência da África do Sul disse, no fim da cerimónia de despedida ao ícone anti-apartheid, que a forma com que o Governo, a Igreja Anglicana e a família de Desmond Tutu organizaram as cerimónias de homenagem é uma lição para o futuro.

“Sempre esquecemos como, nas questões logísticas, o Estado e a família podem trabalhar em conjunto para garantir um evento de qualidade. É algo que deve continuar; que trabalhemos juntos”, afirmou Mondli Gungubele, agradecendo à família e a todas as pessoas que fizeram do evento um sucesso.

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