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“Desmond Tutu ouvia a cada um sem reservas””, diz Tomaz Salomão

Foto: O País

Foi-se uma voz da razão e a melhor forma de a imortalizar é seguir os seus ideais. Quem o diz é antigo secretário-executivo da Comunidade do Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), Tomaz Salomão, que reagia à morte do Arcebispo Desmond Tutu, consagrado com o Prémio Nobel da Paz em 1984.

Não foi uma, nem duas vezes que o antigo Secretário-executivo da Comunidade dos Países da África Austral, Tomaz Salomão, manteve contacto com o Arcebispo Desmond Tutu.

Em 2009, Salomão e Tutu estiveram juntos na República Democrática de Congo, numa missão de diálogo entre as facções rebeldes e Governo locais, para a pacificação das regiões assoladas por conflitos militares.

Tomaz Salomão diz que Desmond Tutu era um “bom” ouvinte e dono da voz da razão. O político e economista contou que o Nobel da Paz tinha bastante paciência, deixando sempre a sua opinião para depois.

Salomão enumerou também a imparcialidade e carisma como algumas das virtudes que caracterizavam o líder religioso. Seja por isso que Desmond Tutu era uma das figuras indispensáveis para mediar em conflitos políticos.

Aliás, em 1994, logo após a proclamação do primeiro Estado democrático na África do Sul, o Presidente Nelson Mandela decidiu nomear Desmond Tutu como o presidente da Comissão de Reconciliação, função que desempenhou com êxito, afirmou o antigo Secretario-executivo da SADC.

“Esta comissão teve a responsabilidade de ouvir os maiores criminosos e torturadores do regime de Apartheid. O Arcebispo Desmond Tutu ouviu-os e permitiu que eles dissessem o que tinham que fazer. Coisas terríveis de ser ouvidas, mas disseram”, relata Tomaz Salomão.

“No fim das audiências, ele transmitiu a mensagem de que não havia outra opção a não ser aceitar o perdão e a reconciliação entre os cidadãos sul-africanos e os criminosos”, afirmou Toma.

Nos últimos anos, Desmond Tutu mostrava-se crítico a alguns aspectos que considerava negativos na governação da África do Sul, por isso Tomaz Salomão descreve o Nobel da Paz como um homem que deixa lição de que é preciso que os povos sejam bem governados.

“Houve momentos em que foram cometidos erros que iam de encontro com os ideais de Desmond Tutu e de outros líderes activistas, sobretudo no que diz respeito à distribuição equitativa da riqueza”, lembra Salomão.

Desmond Tutu sonhava num mundo em que houvesse respeito entre os homens, considera o antigo secretário-executivo da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral.

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