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Desmond Tutu: celebrou-se a vida no dia da despedida

Foto: BBC NEWS

O mundo despediu-se, este sábado, de Desmond Tutu, num funeral de Estado com características religiosas, como definiu Cyril Ramaphosa. O Presidente sul-africano, família e amigos celebraram a vida do símbolo da luta contra o Apartheid, no lugar do choro e lamentação.

Chovia em Cape Town no dia em que o mundo se curvou para, mais do que dizer adeus, celebrar a vida de Desmond Tutu.

Por conta da COVID-19, algumas pessoas não puderam participar da cerimónia, mas, nem a pandemia, nem a chuva impediram que estivessem por perto.

Os convidados chegavam e faziam-se ao interior da Catedral de São Jorge e a maioria dirigiu-se a Leah Tutu para confortar a viúva e a família. Assim também fez Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul.

A urna transportando os restos mortais do Nobel da Paz de 1984 chegou à Catedral de São Jorge por volta das nove horas. Uma hora depois, iniciava a missa dirigida pelo Arcebispo Thabo Makgoba, uma cerimónia com convidados que transcendem a família, a amizade e a religião.

Depois da saudação do Bispo, a palavra foi dada à família de Desmond Tutu. Foi Naomi Tutu quem tomou as rédeas e, emocionada, agradeceu.

“A maioria das mensagens que recebemos diziam: obrigado por partilhá-lo com o mundo. Na verdade, é recíproco, porque nós o partilhamos com o mundo e vocês partilharam o amor que têm por ele connosco. Por isso estamos gratos!”, disse Naomi.

E a missa seguiu com cânticos de celebração, muitos deles entre os preferidos do finado.

Nas orações, várias pessoas, com destaque para Graça Machel, amiga de Desmond Tutu e ex-esposa de Nelson Mandela, aquele que esteve com o activista pelos Direitos Humanos quando o Apartheid tinha tomado a África do Sul. Graça fala de missão cumprida.

“Missão cumprida; bom e fiel servo de Deus, descanse em paz!”, desejou Graça Machel.

Feitas às pressas, os bispos encomendaram a alma de Tutu para que fosse recebido no céu como o bom filho que foi na terra.

Depois, coube a Cyril Ramaphosa recordar que, mais do que chorar a morte, é preciso celebrar a vida de Desmond Tutu.

“Se o Arcebispo Tuto estivesse aqui, ele perguntaria: por que parecem tão fechados, tão tristes? Ele quereria ver sorrisos ou um riso entre nós. Esse é o tipo de pessoa que ele era”, afirmou o Chefe de Estado, com sorriso no rosto.

Para o Presidente sul-africano, não há dúvidas de que o Primaz da Igreja Anglicana na África Austral é um ícone global.

“Se quisermos identificar um ícone global, que se destaque como exemplo de moral, de excelentes qualidades e que serve a humanidade, não há dúvidas de que esse ícone seria o homem de quem nos despedimos hoje. O Arcebispo Desmond Tutu travou, sem questionamentos, uma luta pela liberdade, justiça, igualdade e paz, não só para a África do Sul, sua terra natal, mas para todo o mundo”, salientou.

Feito o elogio fúnebre do Presidente sul-africano, a família recebeu a bandeira das mãos do general das Forças Armadas e os Bispos carregaram o caixão.

De seguida, uma viatura levou o corpo para a cremação, numa cerimónia privada. Mais um pedido de Desmond Tutu.

Foi o último adeus ao Arcebispo, ao activista dos direitos humanos, ao activista ambiental, ao professor, ao Prémio Nobel da Paz. O último adeus ao ícone mundial. Desmond Tutu tinha 90 anos.

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