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Deslocados pelo terrorismo em risco da malária e COVID-19

Milhares dos 435 mil deslocados no país, devido ao terrorismo em alguns distritos de Cabo Delgado, não só carecem de água potável, como também “estão expostos à malária, com quase nenhuma protecção, enquanto permanecem em condições insalubres e apinhadas”, segundo a Médicos Sem Fronteiras, que considera a situação um risco para o surto de sarampo, diarreia ou COVID-19.

Das “cerca de 10 mil pessoas deslocadas” que chegaram de barco à cidade de Pemba, “só na semana passada” algumas estavam desidratadas.

“As mulheres deram à luz no mar. Tem havido casos de diarreia grave e potencialmente fatal. Há muita pressão sobre o pessoal médico local, uma vez que 20 mil pessoas chegaram ao longo do último mês e mais continuarão a chegar”, diz a Médicos Sem Fronteiras.

Sem fim à vista, a violência armada em Cabo Delgado começou em Outubro de 2017. Milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, “reduzindo a quase nada o acesso aos cuidados e outros serviços na área”.

Aquela organização não-governamental diz que “teve de suspender as suas próprias actividades médicas humanitárias em Mocimboa da Praia”, em Março, seguido de Macomia, em Maio, “após um ataque insurrecto, durante o qual o centro de saúde em Macomia”, onde o seu pessoal trabalhava “foi saqueado e queimado”.

“Estima-se que mais de 20 centros de saúde locais foram destruídos durante o conflito”, a Médicos Sem Fronteiras, ajuntando que deslocou a sua base para a cidade de Pemba, onde tem vindo a prestar assistência médica aos deslocados internos e à comunidade de acolhimento.

Mesmo assim, as dificuldades persistem para permanecer operacional em Cabo Delgado, devido às restrições administrativas e de viagem relacionadas à COVID-19, “que obrigam a organização a trabalhar com capacidade mínima enquanto as necessidades continuam a crescer exponencialmente”.

O chefe de missão daquela entidade para Moçambique, Alain Kassa, manifestou preocupação “com a violência contínua e a deterioração das condições em Cabo Delgado e com o rápido crescimento do número de deslocados, especialmente com o início da estação chuvosa”.

As necessidades básicas das pessoas deslocadas continuam em grande parte por satisfazer, apesar dos esforços existentes para prestar assistência humanitária, disse o responsável, para quem “se não forem tomadas medidas imediatas, esta situação deteriorar-se-á rapidamente”.

Neste contexto, a Médicos Sem Fronteiras “apela às autoridades moçambicanas a apoiarem na mobilização de pessoal” para ajudar na minimização do drama a que os deslocados estão sujeitos.

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