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Desenvolvimento sustentável como investimento no futuro

A criação de áreas protegidas com o objectivo de conservar a diversidade biológica do planeta, é uma das abordagens mais largamente utilizadas pelas diversas organizações que se dedicam hoje, como no passado, a evitar fenómenos como a extinção de espécies da fauna ou da flora; a perda de habitats ou a destruição de ecossistemas inteiros. Desde o seu aparecimento, conceitos como Parque Nacional, Reserva Natural ou Santuário, entre outros, entraram no léxico das sociedades modernas como modelos principais de um movimento mais amplo que luta pela conservação da biodiversidade.

A destruição do mundo natural em diversos pontos do mundo, devido principalmente à acção do Homem, “inspirou” os primeiros passos de uma estratégia que passa por separar porções de território para preservar a vida não humana do globo. Para tal, organizações governamentais e não-governamentais adoptaram uma fórmula que visa proteger e, muitas vezes, excluir ao máximo os efeitos nefastos que as acções humanas, como, por exemplo, a caça exaustiva ou a poluição, tenham no meio ambiente.

O esforço global para a conservação – que, além das áreas protegidas, inclui outros fenómenos, como a promoção de legislação nacional e internacional para a protecção de espécies (como a CITES), a produção de conhecimento científico, a propagação de campanhas mediáticas ou a proliferação de ideologias, com vista a conservar o mundo natural – colhe, hoje, o apoio generalizado de governos, ONG ou cidadãos, que olham para estas abordagens como a salvaguarda, nas suas últimas consequências, da própria vida humana no planeta.

No entanto, o apoio generalizado a este modelo de conservação tem sofrido algumas deserções, contestando a gênese biocêntrica desta abordagem. Uma das principais críticas a estas estratégias é a de que este tipo de abordagem tem sido feita à custa da apropriação e desalojamento em massa das comunidades que nelas viviam. Ao separar as pessoas que aí viviam anteriormente dos recursos naturais que até aí faziam parte do seu modo de vida, o movimento da conservação estaria a colocar deliberadamente milhões de pessoas em posições de exclusão e pobreza. Povos que sempre caçaram em determinado local, passaram a ser vistos como caçadores furtivos e brutalmente perseguidos pelas autoridades que protegiam aquelas reservas.

O debate que opõe estratégias de conservação e as que procuram soluções de integração de modelos de desenvolvimento sustentável têm estado no centro dos debates sobre os caminhos que a conservação em geral terá que trilhar no futuro. São cada vez mais as vozes que apontam para a necessidade de união de esforços entre estes dois mundos.

O Fórum MOZEFO 2017 não está alheio a estes desafios do país e de África, neste contexto, dedicará sessões plenárias subordinadas aos temas “A Economia do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, agendado para o dia 23 de Novembro, e “Os Projectos de Grande Dimensão e a Promoção do Conteúdo Local”, para o dia 24 de Novembro, com os oradores dos painéis trazendo experiências de seus países para enriquecer o debate.

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