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Desenvolvimento do agronegócio depende do investimento no pequeno agricultor e na consolidação das marcas agrícolas

Vidal Bila e Emanuel Impissa, administradores dos distritos de Mopeia e Ribaué, respectivamente, defenderam, no penúltimo dia desta edição da MOZGROW, que o desenvolvimento local do agronegócio depende de se conciliar o investimento no pequeno agricultor e na consolidação das marcas agrícolas criadas no país.

 

Os administradores de Mopeia, na Zambézia, e de Ribaué, em Nampula, não têm dúvidas nenhumas: o desenvolvimento local do agronegócio em Moçambique depende da capacidade de se conciliar o investimento no pequeno agricultor e na consolidação das marcas agrícolas nacionais. Na opinião dos dois administradores, os agricultores que produzem em pequena escala são relevantes para o desenvolvimento do agronegócio. Por isso, segundo entendem, merecem uma especial atenção dos diversos intervenientes.

O primeiro a referir-se à importância do pequeno agricultor rumo ao desenvolvimento local do agronegócio foi o Administrador de Mopeia. Na percepção de Vidal Bila, para Moçambique potenciar o posicionamento das marcas nacionais a primeira coisa que deve fazer é investir no pequeno produtor porque “enquanto o pequeno produtor continuar a produzir quantidades que não são suficientes, mesmo que tenha um produto de grande qualidade, não poderá sustentar uma marca. As marcas dos produtos devem ser viáveis e acompanhar a qualidade desses mesmos produtos”. Mas como investir dos produtores de alimentos? Bila esclarece: “devemos, primeiro, investir no pequeno produtor alocando para este equipamentos adequados para produzir em grande escala. Aí, o produtor vai criar a sua própria marca, o que lhe vai permitir levar ao mercado o seu próprio produto. Mas essa marca deve ser consolidada, para que não desapareça ao longo do tempo. A marca deve ser sustentada através da produção e disseminada a vários níveis. Por exemplo, nós temos aqui em Mopeia o arroz Tewe, muito procurado, mas a marca não é sustentável. Porquê? Nós apenas temos o arroz num curto espaço de tempo. As pessoas querem o arroz agora e continuam a tê-lo em pequenas quantidades. Isto tem de ser alterado, para passarmos a ter em longo período. Quem procura leite Parmalat sempre encontra. Precisamos que o mesmo aconteça com o nosso arroz. A marca muitas vezes nos chama”.

Participando no debate deste penúltimo dia da MOZGROW, Vidal Bila realçou que a consistência tem que ver com níveis de produção, por isso “temos de produzir com regularidade, de modo que as pessoas possam apegar-se à a marca e ao produto”.

Mopeia é um distrito da Zambézia com muitas potencialidades na produção do arroz e do milho. Entretanto, explicou Vidal Bila, a indústria é incapaz de cobrir a quantidade de produção. O administrador que há necessidade de se investir em novas tecnologias agrárias para conseguir corresponder à demanda. “Se nós melhorarmos as nossas técnicas de produção, a industrialização far-se-á acompanhar. Vamos ter assegurar a instalação da indústria”.

Não obstante, o administrador de Mopeia criticou alguns procedimentos agrícolas no seu distrito. “Nós temos produtores que colocam no mesmo sítio vários tipos de arroz que, no final, nem se sabe qual é. Precisamos melhorar na selecção das sementes e sermos mais criteriosos. A indústria vai para onde existe produto de qualidade e quantidade. O nosso produtor tem de se preocupar com a qualidade. É preciso produzir para a indústria poder se desenvolver e essa produção deve acontecer continuamente”.

A questão de mercados e dos preços é um desafio. Vidal explicou que, em Mopeia, na época da colheita, o milho, por exemplo, é muito barato. Entretanto, quando chega o momento em que os agricultores precisam de milho, por já não terem em casa, acabam comprando o mesmo milho que venderam barato a um preço alto. Quer isto dizer que naquele distrito os preços não estão bem definidos, “e não temos preços favoráveis ao agricultor”. Ainda assim, antevê: “quando tivermos a qualidade e quantidade desejada de produtos, os preços vão se estabilizar”.

Também virtualmente, participou no debate “Desenvolvimento local do agronegócio” o administrador de Ribaué, na província de Nampula. Emanuel Impissa acrescentou à reflexão a ideia de que, além de se investir na regularidade da marca agrícola, é fundamental ter-se a cultura de a registar e fidelizar o produto. Depois, o agricultor deve especializar-se naquilo que faz. “Temos de nos preocupar em ser uma referência naquilo que produzimos”.

Segundo, Impissa disse que os agricultores devem procurar aumentar a produção e aproveitar os cursos introduzidos ao nível do distrito, de modo que saibam como podem produzir de Janeiro a Dezembro. “Temos de melhorar o acabamento do produto. Se produzimos tomate em quantidade, temos de saber como colocarmos o produto no mercado, de modo que os compradores possam adquir sabendo de onde surge. Temos muitos produtos comprados nos mercados sem que se saiba a proveniência”.

Emanuel Impissa disse que a sua administração encontra-se a conversar com os produtores para que possam ter maior robustez. Espera-se que daí se resolvam questões ligadas à documentação e que se dê valor acrescido às hortícolas ou ao milho. “Queremos que a nossa farinha seja Made in Mozambique e estamos num passo muito avançado. Assim, iremos conferir maior ganho aos produtores”.

Em jeito de aconselhamento, os administradores de Mopeia, na Zambézia, e de Ribaué, em Nampula, no debate moderado pelo jornalista Boaventura Mucipo, disseram que os intervenientes da área agrícola devem preocupar-se em assegurar a estabilidade de acesso dos produtos, garantindo a ligação com o que designam grandes superfícies, que querem sempre regularidade dos fornecedores.

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