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Defesa de Inês Moiane solicita audição de Celso Correia

A ré Maria Inês Moiane Dove em audição esta quinta-feira, na tenda da B.O, revelou que soube do processo das Dívidas Ocultas, em que está implicada, através da imprensa e do actual ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Ismael Correia.

“Soube pela imprensa que está a correr um processo da Kroll. Mas também alguém me informou que está a correr este processo judicial das Dívidas Ocultas. Conversamos de muitas coisas e a pessoa disse-me que havia este processo e que ouviu dizer que o meu nome constava do processo e que iam prender algumas pessoas”, explicou a ré.

Questionada por Isálcio Manhajane, advogado, de quem lhe terá dito sobre o assunto antes de ser constituída arguida, a gestora de profissão respondeu: “o ministro Celso Correia informou-me”.

Depois de uma longa conversa com Celso Correia, segundo a ré, o ministro da Agricultura terá aconselhado Inês Moiane a contactar o então ministro de Defesa, para mais esclarecimentos sobre este caso. Entretanto, a ré Inês Moiane disse que não contactou o Presidente e, consequentemente, foi presa.

Com estas declarações da ex-secretária particular do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, a parte assistente concluiu que há motivações políticas por detrás do processo. Mas, o Juiz Efigénio Baptista rebateu, dizendo que “os tribunais no âmbito da sua função institucional não se ocupam de questões políticas e tendo o requerimento fundamento em motivações políticas vai indeferindo o requerido. Não viemos discutir política. Não estamos a discutir política e não vamos discutir política. Não se deve misturar processo com assuntos políticos”.

À data dos factos, Inês Moiane disse que não conhecia e nunca contactou o réu Cipriano Mutota.

“Conheci o Mutota no início do julgamento aqui, na B.O”, afirmou a ré, acrescentando que não se lembrava quando iniciaram os contactos entre Jean Boustan, Iskandar Safa e oficiais da empresa Privinvest com a Presidência da República.

 

INÊS MOIANE NÃO RESPONDE ÀS PERGUNTAS DA ORDEM DOS ADVOGADOS

Parecia uma audição de perguntas sem respostas. Depois de uma interrupção de 15 minutos, era a vez de a Ordem dos Advogados (OAM) fazer perguntas à ré Inês Moiane.

Várias perguntas da OAM e uma só resposta da ré: “não vou responder a essa pergunta”

A Ordem não cessou e avançou com a última questão que suscitou a segunda resposta. Perguntada se teria sido interpelada pelo banco para justificar o valor que recebeu do grupo Privinvest e se apresentou alguma justificação, a ré respondeu que não se lembrava e que “não sabia que era preciso declarar que recebeu o dinheiro”.

Ainda em audição, Maria Inês Moiane confirmou que participou das reuniões do comando conjunto, cujas organizações estavam a cargo do Ministério da Defesa.

“Os ministros ligavam para mim a pedir encontros que vinham de vários quadrantes e alguns dos estrangeiros vinham da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MINEC). Os encontros eram também solicitados por várias entidades”, argumentou Inês Moiane.

Inês Moiane diz que não cabia a si seleccionar os e-mails e classificar o destinatário.

De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral da República, à data dos factos, Inês Moiane era secretária particular do antigo Presidente da República, Armando Guebuza. Inês Moiane preparou pelo menos seis encontros entre Guebuza e dirigentes da Privinvest.

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