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Defesa de Boustani ouvida hoje pelo Tribunal de Brooklyn em Nova Iorque

A defesa de Jean Boustani, o principal suspeito na investigação americana às "dívidas ocultas" é ouvida hoje pelo Tribunal de Brooklyn em Nova Iorque. Os advogados pretendem que Boustani seja libertado sob caução, intenção que tem sido negada pela justiça.
 
Os advogados têm audição marcada com o juiz do Tribunal Federal de Brooklyn para as 14:30 (19:30 em Maputo). Jean Boustani, detido nos EUA, tem-se declarado inocente das acusações que lhe atribuem o papel de intermediário da empresa de estaleiros navais Privinvest, entregando dezenas de milhões de dólares em subornos a responsáveis das autoridades moçambicanas e banqueiros do Credit Suisse, entre outros.
 
Os seus advogados têm insistido na sua libertação sob caução, pretensão que tem sido negada pela justiça. O libanês tem julgamento marcado para 07 de Novembro e a audição desta quinta-feira acontece depois de outros dois arguidos, antigos banqueiros do Credit Suisse, terem colaborado com a investigação.
 
Andrew Pearse, antigo diretor do banco Credit Suisse, e Detelina Subeva, ex-vice-presidente do mesmo grupo, implicaram Jean Boustani no pagamento de subornos, segundo as declarações à justiça feitas em julho e maio, respectivamente, escreve a agência Lusa.
 
Pearse implicou também Iskandar Safa, o milionário libanês que fundou e lidera o grupo Privinvest, dizendo que estava a par do esquema fraudulento.
 
A acusação norte-americana corrobora a história já denunciada pela auditoria da Kroll e noutros relatos: entre 2013 e 2014, durante o mandato do antigo presidente da República, Armando Guebuza, foram usadas as empresas estatais EMATUM, ProÍndicus e MAM para acumular empréstimos de investidores internacionais no valor de 2,2 mil milhões de dólares, que terão servido para enriquecimento ilícito dos arguidos e cujas dívidas se acumularam nas contas do Estado.
 
A Proindicus deveria realizar vigilância costeira, a Ematum participaria na pesca de atum e a MAM visava a construção e manutenção de estaleiros, mas nunca chegaram a funcionar como previsto e agravaram a crise moçambicana.
 
A investigação atribui aos suspeitos os crimes de conspiração para cometer fraude electrónica, conspiração para cometer o crime de lavagem de dinheiro, subornos ou corrupção. São os mesmos crimes de que é acusado Manuel Chang, antigo-ministro das Finanças, detido há oito meses na África do Sul aguardando decisão sobre se é extraditado os Estados Unidos ou para Moçambique.

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