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Declarante diz que Fabião Mabunda foi usado pelo casal Leão

Foto: O País

Imran Issa disse, esta terça-feira, na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, que Fabião Mabunda não foi ameaçado na Procuradoria-Geral da República e que acredita que o réu foi usado.

A audição ao advogado Imran Issa continuou na manhã desta terça-feira, na Cadeia de Máxima Segurança da Machava. Em tribunal, o declarante, que começou a ser ouvido esta segunda-feira, negou que o réu Fabião Mabunda tenha sido ameaçado e intimidado na Procuradoria-Geral da República e pediu ao juiz da causa que reavaliasse a sua situação, porque apenas foi usado pelo casal Leão. Imran Issa foi advogado de Fabião Mabunda durante a instrução preparatória.

Quando foi ouvido em tribunal, Fabião Mabunda disse que, na PGR, foi ameaçado, mesmo na presença do seu advogado que “não abriu a boca”. O advogado a que o réu se referiu é Imran Issa, que está desde esta segunda-feira a ser ouvido como declarante no tribunal. Pelo que diz que Fabião Mabunda mentiu: “Só para o efeito de esclarecimento, eu não conheço Dr. Paulo de lado nenhum. Conheci-o naquele encontro. Não senti, porque sou advogado de profissão, uma audiência de 10 horas de interrogatório, para mim, é normal. Não notei nenhuma ameaça da parte do senhor procurador”, explicou.

O declarante foi indicado pelo réu António Carlos do Rosário para defender Fabião Mabunda e era ele quem pagava os seus honorários. Antes e depois da audiência, Imran Issa teve que ter um briefing com António Carlos do Rosário, Gregório Leão e Ângela Leão: “Depois da audiência, o Dr. António Carlos do Rosário contactou-me para efeitos de explicação do que teria acontecido na PGR. Estiveram no encontro o senhor António Carlos do Rosário, a senhora Ângela Buque Leão e o senhor Gregório Leão José”.

Dito isso, pediu ao juiz para rever a situação de Fabião Mabunda, porque acredita que o mesmo foi usado: “Julgo eu que ele não tinha a dimensão desses assuntos. Mesmo eu não tinha a dimensão de muita coisa que estou aqui a falar”.

O mesmo pedido aplica-se a Zulficar Ahmed: “Os 100 mil dólares que ele recebeu vindos da Privinvest era por comissão de imóvel”.

Imran Issa disse que nunca participou no processo de contratação, de financiamento, de execução e de implementação desses projectos.

Antes de ser ouvido, esta segunda-feira, foi levantado o facto de o declarante ser arguido num dos processos autónomos sobre as dívidas ocultas, tendo respondido que o mesmo não tem conexão com o julgamento do “caso dívidas pultas”.

Imran Issa assumiu ter tipo um papel preponderante na criação da empresa Txopela Investment e diz ser mesmo de propriedade de António Carlos do Rosário: “Eu é que constitui a empresa Txopela Investment e outra empresa era detida 98% pelo senhor António Carlos do Rosário”.

Depois, Do Rosário deteve os 100% do capital da Txopela. Através da Txopela e a título individual, António Carlos do Rosário adquiriu vários imóveis em Quelimane, Tete, em Boane e na Cidade de Maputo. Só com a imobiliária ImoMoz, assinou um contrato milionário, na ordem de mais de 16 milhões de dólares.

António Carlos do Rosário disse, no tribunal, que a Txopela Investment pertence à IRS, uma empresa do grupo Privinvest e que o seu envolvimento com ela é por ter sido usada como um veículo operativo do SISE. O declarante diz que, até 2019, era detida 100% pelo réu. No entanto, o declarante reconhece que houve um acordo para a cedência de parte de acções da Txopela à IRS.

Concluído o processo, terá enviado um e-mail a António Carlos do Rosário, que, por sua vez, o reencaminhou a Armando Ndambi Guebuza. No interrogatório, António Carlos do Rosário considerou a correspondência forjada, um “martelanço”.

Imran Issa só deixou os negócios de António Carlos do Rosário em 2019, após a sua prisão e por circularem informações de que seria o próximo a ser detido, pelo que foi procurar explicações junto do réu e seu antigo patrão: “Ele disse para não se preocupar, porque o Director do SISE tinha ido visitá-lo, o Presidente da República e o filho do Presidente da República tinham ido visitá-lo. Eu fiquei tranquilo, porque, se o Presidente da República foi visitar António Carlos do Rosário, é porque estava tudo controlado. E não passou uma vez e eu já estava a ser procurado no Líbano”.

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