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Privinvest pagou 7 milhões de meticais por uma casa vendida ao réu António Carlos Do Rosário

Foto: O País

Carolina da Piedade Alexandre dos Reis foi a primeira declarante ouvida nesta sexta-feira, pelo Tribunal que julga o “caso das dívidas ocultas”. Em 2013 recebeu sete milhões de Meticais provenientes do estrangeiro, numa das suas contas bancárias. Dos Reis disse em 2019, na Procuradoria-Geral da República, que não sabe de que país foi enviado o valor e quem fez a transferência, e que a única pessoa que o podia fazer é o seu pai, falecido aos 25 de Outubro de 2017, vítima de doença.

Segundo a declarante, o valor foi enviado em duas fases no interesse do seu falecido pai, que vendeu uma casa na cidade de Quelimane. A referida casa, do tipo 3, localizada na cidade de Quelimane foi vendida ao réu António Carlos Do Rosário, e, de acordo com a acusação, o dinheiro usado para a compra da casa resulta dos subornos pagos pela Privinvest. Uma tese que veio a ser confirmada.

“Eu não sabia quem tinha enviado o valor. Mas depois de ver o extracto bancário lá vinha escrito que foi enviado pela Privinvest”, revelou.

A declarante conta que só veio a saber quem era o comprador da casa, através do advogado do seu pai, que tramitou todos os documentos de compra e venda.

Entretanto, a declarante disse que não conhece Do Rosário, uma vez que este delegou intermediários para tratar o processo de compra da casa, sendo que um deles era também o então declarante Nordin Aboo Bacar.

E foi o declarante Nordin Aboo Bacar quem informou a declarante que o dinheiro já estava disponível na conta.

“Ele ligou-me duas vezes a informar que o dinheiro já estava disponível na minha conta. Mas nessa altura não perguntei de onde vem o valor”, referiu.

Carolina dos Reis confirmou ainda que enviou valores para a conta do também declarante Nordin Aboo Bacar a mando do seu pai, mas mudou a explicação anteriormente dada na PGR, onde referia que o valor destinava-se ao pagamento de uma dívida com a irmã do declarante.

“A transferência que eu fiz foi no valor de 900 mil Meticais a mando do meu pai, para Nordin Aboo Bacar. E uma parte era para dar à irmã dele, segundo a orientação do meu pai. E quanto ao resto não posso esclarecer”, disse.

Ao Tribunal, a declarante explicou que era frequente receber valores na sua conta destinados ao seu pai, apesar de o mesmo também ter contas bancárias.

Questionada sobre o destino que foi dado a casa, Carolina da Piedade disse saber que a casa foi reabilitada e agora é uma pensão.

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