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Da laicidade à hegemonia dos elementos artísticos

Por: Huwana Rubi

 

Pedro Mourana é um nome que dispensa apresentações, um decano por excelência das artes plásticas nacionais e não só, pois, a sua pintura é transcendental em termos de técnica, movimento e temáticas. E não é por mero acaso que influência um leque de artistas nacionais. A sua pintura busca sempre compreender recortes reais, imaginários, dentro dos contextos da sua exímia dialética e das várias mitologias que com o traço muito firme, compreende a harmonia das cores, transformações e deformações muito bem concedidas para que a leitura seja uma sensação própria de quem lê e vê. Estes elementos, técnicos e pictóricos, podem notar-se na sua obra “Quelimane”, patente na presente exposição O murmúrio dos búzios e as miudezas da alma, no Centro Cultural Brasil-Moçambique, cujo o curador é professor Jorge Dias, actual Director da instituição.

Outrossim, trata-se de uma exposição completa, onde duas individualidades das artes plásticas se reencontram neste murmúrio dos búzios.

A presente exposição é composta por uma entrega e busca de pensamentos e sempre no movimento triangular do lógico, fictício e do eu enquanto a figura principal.

Os “movimentos ” do realismo e do surrealismo confundem-se na beleza e profundidade das palavras do autor do livro com a mesma temática, o Falso Poeta.

Nada é falso.

A pintura “o pecado do Adão” é exactamente um “mirror” dos significados e ressignificados das realidades actuais e mitológicas, um veludo das paixões “não ortodoxas”, mas que buscam uma permanente beleza, encantos e laços, tais como os contrastes que se fundem nestes vários triângulos.
As obras, o labor e a vaidade, sereno silêncio sonoro e a longa espera, esta última condiz com as palavras do artista, “tem uma história para contar”.

A obra “meu canto…” é a essência do perfume das tintas, do caos e de um lugar solitário e rico, onde o artista vive mesmo que fora da tela, memórias do passado, o espanto da personagem e do cotidiano de um espaço sagrado que é o seu atelier em perspectiva, dimensões e focos de fuga.

De forma lacónica, urge que os artistas plásticos sejam mais entendidos, não como em 1993, mas como uma actualidade de dialética e com mestria.

É uma honra e é um momento prazeroso poder compartilhar este momento, O murmúrio dos búzios e as miudezas da alma, que ecoam no mar dos pensamentos que o mestre Pedro Mourana emana.

 

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