O País – A verdade como notícia

Por: Rudêncio Morais

 

Há uma geração de jovens que parece remar numa direcção cuja busca nutre o ser que se nos foi sendo primeiramente transmitido em livros bíblicos, uma visão “Genesiana” se assim se pode dizer para chamar a nós o livro do Gênesis: “Homem e Mulher Deus os fez”, há nesses jovens o gosto pelos laços que o amor gera e os convoca a essa vocação bíblica de fazer do amor, a família e os filhos, a sua maior “ostentação”.

Ubakka, jovem músico, que deixou de ser uma promessa cimentada nos tempos de “Sunangai”, seu primeiro álbum, é quem nos convida a vestir o corpo e a alma dessa ostentação devota a família e ao amor na sua essência e cheiro. O jovem vestiu-se das ferramentas que melhor domina, armou a sua voz, escolheu os melhores instrumentos e melodia, para bem alto gritar: “minha ostentação é minha família”, uma música que preenche os cantos que fazem Moçambique, para depois transbordar para os países que com Moçambique partilham a alma através da língua, esse português que Ubakka parece esculpir nele um novo léxico acusticamente elaborado e que se estende ao “xironga” numa transição quase que invisível pela forma como compõe e nos oferece a sua voz.

“Eu tenho carro, eu tenho casa, eu tenho terreno, eu tenho uma conta gorda lá no banco, mas o meu maior orgulho é ter família, ouvir marido até já, até já … minha ostentação é minha mulher…” percebe-se, nessa passagem, uma viagem missionária que Ubakka faz no coração das famílias, uma homilia dominical que se nos oferece de alma descalça, sendo-nos, não só uma música, mas o ecoar melódico de um sacerdote do amor que nos devolve aos tempos do Padre Zezinho e à célebre oração da família.

Há em Ubakka, e nas suas composições, um regresso ao “Ser” e a igreja missionária moldada no brilho das famílias moçambicanas. A sua música é revestida de uma teologia dos tempos e dos espaços, sendo-nos um ecoar que nos convoca a um permanente reflectir com profundidade; o amor e a instituição família vestindo-nos de Moçambique através de um ensaio melódico que parece rebuscar o pandza para um novo começo.

Abraços Ubakka

 

 

O antigo ministro da Defesa Nacional, Atanásio Salvador M’tumuke, lançou o seu primeiro livro em Nampula em que nele conta a última batalha contra o colonialismo português, que dirigiu em Agosto de 1974. Conta que sem disparo de um único tiro, ele e os seus homens recorreram a um megafone, tendo conseguido capturar 142 soldados portugueses.

A narrativa da considerada Última Batalha da Luta Armada de Libertação Nacional é contada por Atanásio Salvador M’tumuke, que, num duplo papel de escritor e personagem principal, começa por contar a missão que recebeu de Samora Machel em 1974, quando o convidou para Nachingweia, na Tanzânia, com o objectivo de o desafiar a aniquilar os últimos aquartelamentos de soldados portugueses que propositadamente tinham sido montados ao longo da fronteira com a Tanzânia, um corredor estratégico para a Frente de Libertação Nacional, que tinha a sua base político-militar naquele país vizinho.

O megafone que pediu lhe foi disponibilizado e é precisamente este o instrumento de comunicação que foi determinante para o assalto às bases de Omar no distrito de Mueda, província de Cabo Delgado, a 1 de Agosto de 1974. Com mensagens “rendam-se, tomados a terra e o espaço”, os guerrilheiros da FRELIMO naquela operação conseguiram fazer render-se 142 soldados portugueses sem necessidade de efectuar um único disparo de arma de fogo.

O livro “O Fim da Luta de Libertação Nacional: Operação Omar” foi prefaciado pelo Presidente da República, o mesmo que incentivou M’tumuke a escrever esta história epopeica e inusitada.

Atanásio Salvador M’tumuke é natural de Cabo Delgado, aos 16 anos, entrou na Luta de Libertação Nacional. Aos 24 anos, atingiu a elevada patente  de Major-General. De 2015 a 2019, foi ministro da Defesa Nacional. Agora, é Major-General na reserva.

“Que homem pode viver e não ver a morte,

ou livrar-se do poder da sepultura?”

Salmos 89:48

 

 

A morte bateu à porta do velho Cossa. Não avisou. Aliás, este é o seu modus operandi. Nunca avisa. O velho Cossa não se queixava de alguma doença. Até ao momento da sua partida para a “inadiável viagem”, tudo indicava ter uma boa saúde. Quis o destino que ele morresse saudável, sem ter adoecido. Sem ter dado muito trabalho a sua esposa.

O velho Cossa deixa uma viúva. Os filhos do casal já os tinham abandonado há anos por alegações de os pais serem feiticeiros. Na verdade, este é o preço da velhice no país do pandza. São milhares de pessoas que temem atingir a terceira idade. Neste país, a velhice é sinónimo de feitiçaria. Todos os dias a comunicação social relata casos de idosos que são mortos pelos seus próprios filhos sob alegação de serem feiticeiros e estarem a inviabilizar as suas vidas.

A velha Catarina, quando viu o seu marido estatelado no chão sem manifestar nenhum sinal de vida, não levou a sério. A morte seria a última coisa a passar pela sua cabeça. Aproximou-se do seu marido. Mexeu-o. Não houve nenhuma reacção. Não conseguiu digerir o assunto que estava vendo. Parou por alguns segundos a pensar se estava a sonhar ou era realidade. Ficou sem saber. Pegou no telefone. Discou o contacto de emergência dos serviços da saúde. O telefone tocou do outro lado.

– Boa noite, aqui fala a avó Catarina. Ligo-vos a partir do bairro dos esquecidos desta cidadela do país do pandza. O meu marido parece que desmaiou. Não está a se mexer. Não sei o que poderá estar a acontecer com ele. Por favor, ajudem-me com muita urgência… – Explicou a avó Catarina ao recepcionista do centro de saúde.

– Percebemos, mãe. Nós agora estamos a caminho da sua casa. Mantenha calma. – Respondeu a outra voz do outro lado do telefone.

– Está bem, estou à vossa espera. Não demorem, por favor! Salvem a vida do meu marido. Ele é a única pessoa que tenho na vida. Por favor… – Implorou a velha Catarina.

– Não te preocupes. Dentro de instantes estaremos aí. – Garantiram os profissionais de saúde.

A velha Catarina desligou o telefone. Conhecendo a morosidade dos profissionais da saúde, deduziu que levariam muito tempo para chegarem à sua casa. Apenas desatou a chorar lágrimas de dor. Fez mil e uma orações pedindo ao altíssimo que devolvesse a vida do seu amado marido. Não pára de chorar pelo seu marido. Ama-o bastante. Seus olhos ficaram inundados de lágrimas. São lágrimas de dor. Pensa em como a vida vai ser sem o seu marido. Sem trabalho. Sem os seus filhos. Será uma total desgraça.

Minutos depois, a velha ouve sirenes de um carro que vinha a uma alta velocidade. Levantou-se. Espreitou. Era a ambulância que vinha para salvar o seu esposo. Parou de chorar, pois estava a ver os deuses que poderiam salvar a vida do seu amado marido. Abriu a porta do quintal, a ambulância entrou. Carregaram o madala Cossa, colocaram-lhe na ambulância. Um pingo de esperança nasce no seu interior. É esperança de que o madala Cossa voltaria do mundo dos mortos. Terá o prazer de o abraçar, beijar e partilhar a mesma cama com ele como sempre foi.

A velha Catarina subiu na ambulância. O motorista da ambulância conduziu de regresso ao hospital. Pelo caminho, os profissionais de saúde iam tentando a todo custo reanimar o madala Cossa. Infelizmente a reanimação não surtiu nenhum efeito. A tristeza voltou a habitar nas entranhas da velha Catarina.

Minutos depois já estavam no centro de saúde. A velha Catarina, mandaram-lhe ficar na sala de espera, enquanto orava pela vida do seu amado esposo. Os médicos levaram-no para um laboratório onde lhe reanimaram. Fizeram uma bateria de exames. Fizeram de tudo que estava ao seu alcance para devolver a vida ao madala Cossa. Mas não foi possível. Ele tinha partido.          Depois de esgotarem todas as suas forças sem lograr algum sucesso, os médicos deram-se por vencidos. Não havia mais algo que podiam fazer para ver o velho Cossa vivo. A sua missão aqui na terra já tinha terminado. Faltava-lhe apenas cumprir outras missões celestiais. Os médicos saíram do laboratório cabisbaixos e muito tristes. Não conseguiram devolver a vida do velho Cossa. Dirigiram-se à sala de espera onde se encontrava a velha Catarina para lhe darem a triste notícia da morte do seu marido. A velha Catarina os viu. A ansiedade tomou conta de si.

– Que tal, sobreviveu, nem? Conseguiram trazer de volta a vida do meu amado marido? Vai, falem. Conseguiram impedir com que o meu marido fosse ao mundo dos mortos? conseguiram… – Perguntava a velha Catarina num tom de desespero.

Todos os médicos não tinham a coragem de dar-lhe a triste notícia. Mas, tarde ou cedo ela saberia. Por isso, os médicos ganharam mais coragem.

– Minha senhora, lamento muito ter que dizer. Mas o seu marido evoluiu para óbito. – Disse o porta-voz dos médicos, com o seu semblante ostentando tristeza.

– O que é isso de óbito? Quer dizer que ele sobreviveu? – Questionou a velha Catarina, que estava muito desesperada.

– Nada disso. Óbito quer dizer que está morto. – Respondeu o médico.

– Vocês são médicos. Salvam vidas. Não podiam salvar a vida do meu marido? – Questionou a velha Catarina, enquanto os seus olhos jorravam um rio de lágrimas de tristeza.

– Tentamos, minha senhora. Infelizmente não foi possível. Demos o nosso máximo, mas não foi possível devolver a vida do madala Cossa. Não há mais nada que possamos fazer. – Respondeu o porta-voz dos médicos.

A velha Catarina digeriu mal a triste notícia. Desmaiou. Os médicos ficaram preocupados. Pegaram-na antes mesmo que caísse. Nas suas mentes começou a pairar dúvidas. Será que ela está a seguir o caminho do seu marido para aquela viagem, a morte? Reanimaram a velha, mas nada. Insistiram na reanimação. A velha não reagia. As esperanças diminuíam a cada tentativa sem sucesso. Insistiram novamente. Nada. Insistiram mais uma vez. Felizmente reagiu. A velha Catarina despertou. Os médicos sorriram de alegria.

– Cossa, Cossa, diga-me que está vivo. Diga-me… – Dizia a velha Catarina logo que acordou do desmaio, muito desesperada.

– Senhora, tenha calma. O seu marido está morto. – Disse o médico. – Aliás, tu precisas descansar. O dia de hoje foi longo. O corpo do seu marido vai ficar aqui na morgue do hospital. Vamos te levar até a sua casa para descansares. Amanhã, logo de manhã, venha para tratar os assuntos atinentes ao funeral do seu marido. Os homens do município estarão aqui para o tratamento de toda papelada. Entendeu? – Acrescentou o médico.

– Está bem. – Respondeu a velha Catarina, enquanto chorava por a dor ser maior. Anoiteceu. Os médicos acompanharam a velha Catarina para sua residência e depois foram-se para as suas casas. A velha Catarina pernoitou. Não conseguia ter sono. Pensava somente no seu saudoso marido.

Amanheceu. A velha Catarina preparou-se e dirigiu-se ao hospital. Os homens do município já estavam bem posicionados para a tramitação da papelada para o velório e funeral de madala Cossa.

– Bom dia, senhora! Em que podemos ajudar? – Saudou-a um dos profissionais do município que já se encontrava bem posicionado naquele centro de saúde para a tramitação de toda a papelada que seria necessária para que pudessem ir deixar o corpo de madala Cossa na sua última morada.

– Eu sou a viúva do senhor Cossa. Venho tratar a documentação para poder prosseguir com os processos fúnebres do meu marido. Quero-lhe oferecer um funeral e sepultamento condigno. – Respondeu a velha Catarina.

– Óptimo. Onde é que está o dinheiro? – Questionou o funcionário do município.

A velha Catarina tomou um susto. A palavra dinheiro é a última coisa que esperava ouvir naquele momento mais triste e difícil da sua vida.

– Dinheiro? Que dinheiro? – Questionou a velha Catarina, num tom admirativo.

– Espera eu te explicar. A reserva de espaço para enterrar um cadáver aqui custa quatro mil e quinhentos meticais contra os mil e quinhentos meticais anteriores. Já a chapa de identificação da campa passa a custar quatrocentos meticais contra os anteriores cem. Quanto ao preço de cremação de cadáveres, aumenta dos actuais quinhentos para cinco mil meticais. A exumação de corpos passa dos mil meticais para dois mil e quinhentos meticais. Já a licença para a construção de campa em cimento custa mil e quinhentos meticais contra os anteriores mil meticais. Se for a usar mármore, o preço subiu de dois mil para três mil meticais. Por último, caso queira Jazigo, aí já o preço será cada vez maior. Terá de pagar dez mil meticais contra os anteriores cinco mil meticais. – Explicou-lhe o funcionário do município, ao mínimo detalhe. – Esta é a nova lei que acabou de ser aprovada. Agora é só escolher a forma como quer enterrar o seu ente querido.

A velha Catarina ficou confusa e preocupada ao ouvir aqueles números altíssimos. Nunca pensou que morrer já tinha se tornado carro nesta terra de pandza. Não chegou a equacionar que o luto um dia viraria negócio muito lucrativo. Enterrar um ente querido tornou-se muito caro. Viver custa. Agora morrer também custa. O silêncio tomou conta da velha Catarina. Estava a reflectir em como procederia. Infelizmente chegou à conclusão de que não reunia as condições necessárias para oferecer um enterro condigno ao seu parceiro. Decidiu quebrar o silêncio que já durava alguns segundos.

– Como assim? Encarecer o enterro de um morto? Não é possível. Assim estão a transformar algo eminentemente social em negócio? Não pode ser… – Berrava a velha Catarina, quando o funcionário do município a interrompeu.

– Senhora, não se exalte aqui. Nós apenas estamos a cumprir a lei que a assembleia municipal aprovou. Não fomos nós que escrevemos e aprovamos estas leis. Lei é lei e deve ser cumprida – Disse o funcionário do município.

– E nós que não trabalhamos, onde é que vamos buscar o dinheiro para que consigamos oferecer um enterro condigno aos nossos ente queridos? Eu quero oferecer um enterro condigno para o meu falecido marido, mas não tenho esse todo dinheiro que vocês estão a cobrar. Digam-me, agora como é que vou fazer? – Questionou-lhes.

– Bem, o que a senhora pode fazer é tratar um atestado de pobreza para poder beneficiar destes serviços gratuitamente. – Explicou-lhe.

As palavras “atestado de pobreza” e “gratuita” não fazem parte do vocabulário da velha Catarina. O nível do português foi elevado.

– Ok! – Respondeu a velha Catarina e de seguida retirou-se do local, mesmo não sabendo o significado de atestado de pobreza e muito menos da palavra gratuito.

A velha Catarina saiu daquele local muito confusa, chateada e revoltada com a atitude do município de encarecer os serviços fúnebres numa altura em que o custo de vida não anda de mãos dadas com os salários. Há muito que não se aumenta o salário mínimo. Foi-se embora daquele local e desistiu de realizar um enterro condigno do seu parceiro.

Passaram-se muitos meses. O corpo do velho Cossa não estava a ser reclamado na morgue do hospital. As autoridades de saúde viram-se obrigadas a levar o corpo do velho Cossa e de outros que foram abandonados naquela unidade sanitária, para uma vala comum, um recurso considerado para os mais carenciados. É na vala comum onde são enterrados os cadáveres abandonados, sem a realização de cerimónias fúnebres. É como se fosse um enterro de um cão. O corpo do madala Cossa foi jogado na vala comum, juntamente com outros que não estavam a ser reclamados.

 

[email protected]

 

O poeta moçambicano, Álvaro Taruma, que é rosto habitual nos eventos do Instituto Camões – Centro Cultural Português (IC-CCP) em Maputo, fará a apresentação do seu mais recente livro “Animais do Ocaso” na Feira do Livro de Porto e na Feira do Livro de Lisboa, respetivamente, nos dias 4 e 11 de Setembro em curso.

Taruma escala Portugal a partir de hoje com vista à participação nas Feiras do livro de Porto e de Lisboa, e outras demais actividades, nas quais apresentará ao público o seu mais recente livro, sob chancela da portuense Editora Exclamação.

No dia 4 de Setembro, Taruma fará a sua estreia na Feira do Livro do Porto, e estará presente no stand da sua editora para autografar os livros e trocar experiência com outros autores. No dia 11 do mesmo mês, caberá a vez da Feira do Livro de Lisboa receber Taruma e apresentar aos leitores o seu mais recente livro.

“Animais do Ocaso” é o terceiro livro de Álvaro Taruma e é precedido de “Matéria Para Um Grito” (Cavalo do Mar, 2018) também lançado no IC-CCP. O mesmo foi galardoado com o prémio BCI de Literatura, na edição de 2019. Note-se que Álvaro Taruma foi agraciado no ano passado como um dos Escritores do Ano pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), galardão que se espera venha a receber também durante a sua estadia em Portugal.

O prefaciador da obra, o escritor e crítico literário, António Cabrita, destaca na escrita de Taruma o seu forte apelo lírico e sua poesia de cunho existencial, considerando-o um poeta que não receia pôr os dedos nas feridas, não alienando na palavra o seu testemunho histórico e social, e isto embrulhado numa prosódia segura que faz de si um dos nomes cimeiros da atual poesia moçambicana.

A presença do autor em Portugal e a divulgação da obra em Moçambique contam com o apoio do IC-CCP e insere-se na promoção de novos valores literários no espaço da língua portuguesa, suas culturas, bem como na valorização da sua diversidade. “Animais do Ocaso” será também apresentado brevemente no IC-CCP em Maputo e na Beira, acompanhado de uma conversa que contará com o prefaciador

Decorre hoje, às 18h30, na cidade de Maputo, a primeira edição do sarau cultural Noites de Poesia, referente ao ano de 2021. O evento, para além da troca de impressões culturais entre os países participantes, tem como objectivo promover a reflexão sobre a Negritude e Pan-africanismo.

O Noites de Poesia é o maior e mais antigo evento que acontece na cidade de Maputo, uma vez ao mês, cruzando poesia, outras artes e diálogos. Nesta temporada, o sarau decorre virtualmente pelas redes socias dos Poetas D’alma e Noites de Poesia, sob o lema “Agosto Negro”.

Poderão desfilar no “D’Agosto Negro” poetas de vários pontos do mundo, com destaque para Nelson Maca e Luan Charles, do Brasil; Cjey Duarte, de Cabo Verde; Vuyokazi Tshaya de África do Sul.

Por sua vez, Moçambique será representado pelos poetas Custódio Duma, Régio Conrado, Álvaro Taruma, Alice Ambrucer, Cecília Muleica, Mary Dias, Denise André, Luís Nhazilo, Hélder Malele e Féling Capela Moçambique.

De acordo com uma nota da comissão organizadora, “mais do que um sarau, ‘Agosto Negro’ inaugura os eventos que vão decorrer mensalmente até ao grande Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas – Poetas D’Alma, marcado entre os dias 18 e 21 de Novembro, num modelo virtual e presencial”.

O Governo nipónico, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, atribuiu a Moreira Chonguiça, no dia 20 de Agosto de 2021, a Comenda de “Promoção de Entendimento Mútuo entre Japão e Moçambique”, segundo o comunicado de imprensa, publicado a 20 de Agosto, no site oficial daquele Ministério.

Este ano, as Comendas serão concedidas a 177 indivíduos e 41 grupos (22 indivíduos e cinco grupos residem no Japão e 155 indivíduos e 36 grupos, no exterior) e Moreira Chonguiça é o único moçambicano contemplado entre os 155 indivíduos premiados de vários países de todos os continentes ao lado de Presidentes da República, diplomatas, académicos, pessoas de negócio, filantropos, políticos, entre outros.

Os contemplados receberão um certificado de prémio e os indivíduos receberão um presente comemorativo. A cerimónia, que tem sido anual, não será realizada este ano, devido à disseminação da nova variante do Coronavírus.

As Comendas do Ministro dos Negócios Estrangeiros são concedidas a indivíduos e grupos com realizações notáveis em campos internacionais, a fim de reconhecer as suas contribuições para a promoção da amizade entre o Japão e outros países e áreas. As Comendas visam, também, promover a compreensão e o apoio do público japonês às actividades dos destinatários.

A Polícia Judiciária portuguesa deteve três indivíduos suspeitos de falsificar e comercializar obras atribuídas a Malangatana em leilões online. A Fundação Malangatana Valente Ngwenya trabalha com advogados moçambicanos e portugueses para avançar com processo-crime.

Desde 1998 que a família Ngwenya tem recebido notícias sobre a falsificação de obras de Malangatana em Portugal. De lá a esta parte, o caso repetiu-se algumas vezes e as autoridades portuguesas têm colaborado para neutralizar falsificadores. Por isso mesmo, a detenção de dois homens e uma mulher de 79, 43 e 51 anos de idade, respectivamente, pela Polícia Judiciária portuguesa, noticiada esta sexta-feira, não surpreende Mutxhini Ngwenya. Aliás, o Presidente da Fundação Malangatana Valente Ngwenya lembrou, este sábado, na Cidade de Maputo: “Este é um caso que se arrasta há alguns anos. De alguma maneira, temos tido o contacto sobre este assunto. Mas felicitar às autoridades portuguesas pelo sucesso que tiveram, agora, na apreensão”.

Em Portugal, os três indivíduos foram detidos por falsificar e comercializar obras atribuídas ao artista moçambicano, o que resultou na apreensão de 35 telas falsas e do que os suspeitos utilizaram para a produção das pinturas.

O caso, em Portugal, ainda não está concluído. Enquanto, as autoridades locais investigam o assunto, a Fundação Malangatana Valente Ngwenya, igualmente, prepara-se para algo concreto:  “Estamos, neste momento, com a nossa equipa de advogados de cá e de lá [Portugal] a preparamo-nos para um envolvimento ao nível processual. Não gostaríamos que o caso ficasse limitado à apreensão e à divulgação da informação na media. Gostaríamos, em nome da Fundação e família, levantar um processo-crime até chegarmos ao processo cível”.

No entendimento de Mutxhini Ngwenya, mais do que o dinheiro que se perde com as falsificações, o que é grave é a desvalorização que se faz à obra do artista. “O que circula de falso tira valor àquilo que é real. Não é o primeiro caso, não há-de ser o último. Temos estado a fazer esforços no sentido de minimizar e tentar travar a falsificação. Felizmente, temos o apoio da Polícia Judiciária e da Interpol, que também tem trabalhado muito neste caso”.

A falsificação das obras de Malangatana, com efeito, não acontece apenas em Portugal, disse Mutxhini Ngwenya: “Estamos com um caso, neste momento, de um país da CPLP, em que há uma parte de artigos roubados da colecçao e a outra que é uma falsificação. Estamos a falar com uma instituição séria e esperemos que tenha um atitude à sua altura, porque o caso é grave”.

Em Moçambique, também há casos de falsificação das obras do artista de Matalana, inclusive identificados e reportados pela Fundação Malangatana Valente Ngwenya. “Do nosso lado, sente-se pouca acção. Deveria haver mais envolvimento das autoridades moçambicanas, de modo que a falsificação fosse estancada da melhor forma”.

Segundo Mutxhini Ngwenya, filho de Malangatana, as obras falsificadas têm mercado porque, muitas vezes, quem as adquiri não se preocupa em saber qual é a proveniência e nem se preocupa com a autenticação.

Como tem sido recorrente, a Feira do Livro de Maputo irá realizar-se em Outubro. Desta vez, entre os dias 21 e 23. Nesta sexta edição do evento organizado pelo Conselho Municipal de Maputo, já há alguns nomes confirmados: Hélia Correia, Maria Valéria Rezende e Donato Ndongo.

Os escritores Hélia Correia (Portugal), Maria Valéria Rezende (Brasil) e o Donato Ndongo (Guiné Equatorial) irão participar na sexta edição da Feira do Livro de Maputo, que, nesta edição, vai decorrer no formato virtual, entre 21 e 23 de Outubro.

De acordo com o curador do evento organizado pelo Conselho Municipal de Maputo, Amosse Mucavele, “teremos mais de 20 eventos distribuídos por três dias, com diversaas propostas culturais, mesas literárias, teatro, stand up comedy, leituras, com a participação de mais de 30 escritores, pesquisadores, activistas, gestores culturais, mais de 10 editoras e livrarias farão a exposição virtual de livros”, disse o curador.

À nota de imprensa, a coordenadora da Feira do Livro de Maputo, Cristina Manguele, avançou que o evento, este ano, apresenta um novo figurino, que inclui a presença do país convidado de honra: Cabo Verde. “O Conselho Municipal de Maputo se empenha em intensificar o intercâmbio cultural entre os países da língua portuguesa e não só, ademais, desde a 1ª edição, a Feira do Livro mostrou esta visão intercultural, de congregar vozes literárias de vários quadrantes do mundo, independentemente da sua língua, pois, a linguagem literária é universal”.

Na Cidade das Acácias, sempre de forma virtual, estarão igualmente Jan Queretz (Venezuela), Noemi Alfieri (Itália), Vera Duarte (Cabo Verde), Adriana Almada (Argentina), Lucílio Manjate (Moçambique) e Abdulai Sila (Guiné Bissau).

A Vereadora da Cultura e Turismo, Isabel Macie, citada na nota de imprensa da Feira do Livro de Maputo, disse que, pela primeira vez, foi criada uma “janela específica para parceiros culturais e estratégicos, cujo objectivo é de divulgar e retransmitir o programa da Feira do Livro de Maputo, nas suas plataformas virtuais”. E acrescentou: “É um mecanismo de diálogo, de trocas culturais entre o universo do livro e da leitura, mas perspectivando dinâmicas contemporâneas da comunicação em rede”.

Ainda no evento, participarão autores como Maria Angel Peréz Lopéz (Espanha), Adriana Almada (Argentina), Víctor Rodríguez Núñez (Cuba) e René Silva Catalán (Chile).

A sexta edição da Feira do Livro de Maputo terá um cartaz musical, estando confirmadas as presenças da Xixel Langa e do humorista Menezes Chilaule.

Nesta sexta edição da Feira do Livro de Maputo, será homenageado Ungulani Ba Ka Khosa.

 

A ministra da Cultura e Turismo defendeu, ontem, a necessidade de valorizar e apoiar mais a cultura moçambicana. Eldevina Materula manifestou a sua posição durante a visita ao conceituado músico moçambicano Xidimingwana.

Xidimingwana recebeu em sua casa a ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, que não só foi saber do estado de saúde do ícone, mas também foi aprender.

“Estou muito emocionada, mais do que tudo, estou feliz por ter dado um pouco do nosso contributo para que Xidimingwana melhorasse e recuperasse a sua saúde. Ele é pai da música, é pai dos artistas, é professor e inclusive no próximo encontro ele vai ensinar-me a falar com a guitarra. Assim que a pandemia passar, nós pretendemos criar condições para que volte aos palcos”, disse Eldevina Materula.

Por sua vez, a família do músico disse que é importante ter atenção do Ministério da Cultura e Turismo, numa altura em que Xidimingwana se recupera e não pode fazer o seu trabalho.

“Para a família, Xidimingwana é uma figura ímpar porque para além de ser da família Honwana”, é uma figura importante e que deve ser “extremamente explorado num bom sentido pelos amantes da cultura”, disse Félix Moya, músico e representante de Xidimingwana, para quem “a visita da ministra deu força ao ícone da música moçambicana”.

Ainda no âmbito da visita, o Ministério que chancela o sector cultural no país efectuou a compra de várias cópias da última obra discográfica do artista, intitulada Dlawa, e ofereceu uma sexta básica.

Eldevina Materula pediu a colaboração de todos os moçambicanos no combate à pirataria e na valorização da cultura local.

+ LIDAS

Siga nos