O País – A verdade como notícia

O 17º livro de Carlos dos Santos já está disponível nas livrarias. Histórias do outro mundo foi publicado sob a chancela da Alcance Editores.

 

Histórias do outro mundo é o título do novo livro de ficção científica de Carlos dos Santos, disponivel nas livrarias desde este mês. Editada pela Alcance Editores, a 17ª obra do escritor possui 112 páginas A3 e contém um conjunto de oito narrativas que realçam o fantástico e a ficção científica.

Depois de ter lançado três livros de ficção científica no passado, A quinta dimensão, O pastor de ondas e O eco das sombras, agora, Carlos dos Santos publica Histórias do outro mundo, com narrativas que “exploram factores psíquicos que, de forma inconsciente, delineiam o quotidiano de cada um de nós, discorrendo de forma lúdica e divertida através dos sonhos e das ilusões engendradas pela nossa percepção e pela nossa imaginação, pelas nossas crenças e pelos nossos medos, que, no nosso dia a dia nos fazem ver, ouvir e sentir um mundo só nosso, fictício, mas que é completamente real para aquele que o vive”, lê-se numa nota de imprensa.

Entre as narrativas que compõem o mais recente livro de Carlos dos Santos identificam-se “A ave que queria ser árvore”, “O ilusionista”, “Escondidos na luz”, “Mundos cruzados”, “Insónia” e “Ilusão à vista”. E a propósito de ilusão, nas Histórias do outro mundo há árvores que voam, acrescenta a nota de imprensa, alienígenas de visita ao planeta Terra e viagens entre mundos paralelos, num Universo a pulsar de vida, em que a realidade e a ficção se entrelaçam de forma tão estreita que as fronteiras entre se esbatem completamente.

Carlos dos Santos publica o seu 17º livro já pensando em lançar mais dois infanto-juvenis ainda este ano, designadamente, O espelho do céu e Os pintores de sonhos.

 

Outras livros do autor

Além de Histórias do outro mundo, Carlos dos Santos tem publicados livros de cariz didáctico e técnico: Criação de animais, doenças dos animais e currais (2009), Cartilha da ética (2011) e Guião de exploração para professores e para pais (2014). Dos Santos também é autor dos seguintes livros de literatura infanto-juvenil: O conselho (2007), Os frutos da amizade (2008), As cores da amizade (2011), Um passeio pelo céu (2012), O mundo e mais eu (2013), O caçador de ossos (2013, considerado ‘Altamente recomendavel’ no Brasil), O bichinho da curiosidade (2014), O passeio das espécies (2015), Os pastores de letras (2016) e Na esteira das estrelas (2018).

 

 

O Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, exibe “Lugar das ilhas”, a mais recente exposição de Sónia Sultuane. “Lugar das ilhas” aborda aspectos ligados a valor histórico e cultural da Ilha de Moçambique e explora o lado artístico da capulana.

“Lugar das ilhas” é um conjunto de 18 obras de arte, repleto de detalhes e feitas com base a capulana. “Eu queria tornar a capulana numa obra de arte e não pura e simplesmente que fosse um utensílio para uso banal”, disse a expositora durante a inauguração da exposição.

A exposição surgiu inspirada na Ilha de Moçambique e, para o efeito, a autora viajou mais de uma vez ao local. “Há aproximadamente dois fiz três viagens à Ilha de Moçambique e a Ilha inspirou-me.
Também em criança já tinha estado na Ilha de Moçambique e o local é muito rico ao nível de cultura, gastronomia, arquitectura, então daí o desafio’’, explicou, a autora.

Em termos temáticos, na Ilha de Moçambique, a autora fala da rota dos escravos, da porcelana, de esculturas, entre outros aspectos.

“Todas estas questões, por exemplo, de dote que fala da tradição das mulheres, da prata, do ouro e do m’siro são elementos que fazem parte das mulheres’’, acrescentou, Sónia Sultuane.

A curadora da exposição, Alda Costa, explica que Sónia Sultuane usa outras linguagens e interessa

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Palma. Macomia, Mocímboa da Praia, Nangade, Muidumbe.

Os bárbaros e selváticos ataques em Cabo Delgado fizeram-me insónias, logo a mim que mal pouso a cabeça na almofada, adormeço.

Vagueava o meu pensamento sonolento por entre as sombras do quarto às 4 horas da madrugada, quando subitamente a minha mente é assaltada por poetas e prosadores. Poetas? Estranho, visto que a minha relação com a poesia é idêntica à que tenho com o vinho. «Heresia!» clamam os literatos e os enófilos.

Como faço para apreciar ambos? Simples! Pergunto-me que sensações me provocam? O que me fazem sentir? Gosto ou não gosto? E pronto!

Todo este intróito para referir que Galeano foi o primeiro dos invasores, o qual valendo-se de Birri discorria sobre a utopia. «Então para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.» Brilhante!

Mas… caminhar para onde?

Alguém me sopra ao ouvido «para a frente é que é o caminho». Pois… e se à frente estiver um precipício? Depois é, a minha frente ou a tua frente? Para que ponto cardeal estás virado?

Carrol responde sarcasticamente. «Estás a fazer a mesma pergunta que a Alice? Olha que a resposta é a mesma».

 

«Gato Cheshire… pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?

Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

Eu não sei para onde ir! – disse Alice.

Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.»

 

Sinto então uma mão carinhosa no ombro e a voz de José Régio dizendo: «Não ligues, faz como eu».

 

«Quando me dizem: “vem por aqui”!

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali…

 

Não sei para onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!»

 

Explodem-me entretanto pensamentos perturbadores. E se afinal a utopia tiver sido mais uma distopia, com os seus julgamentos sumários, com os fuzilamentos em praça pública e o terror da reeducação? Mais os assassinatos e prisões de jornalistas? E a instrumentalização do patriotismo como forma de exclusão?

Escarnece George Orwell: «Big Brother is watching you» e «Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros».

E as nossas cumplicidades silenciosas, encapuçadas em fé cega em utopias sonhadas como realizáveis e filtradas pelos nossos olhos trópico-ocidentalizados marejados de boas intenções de princípios cristãos não assumidos e de culpas retroactivas não nossas?

Kafka acena-me de longe com “O Processo”. Quer ele assombrar-me com pesadelos surreais?

Se refutarmos crenças e dogmas dos tempos de antanho perdemo-nos de nós próprios?

Responde Jorge Rebelo: «Ora chegou um tempo…»

 

«Tenho de novo que aprender

a perturbar o universo, a recusar

o aconchego dos palácios,

a partilhar com os deserdados

o anseio da virtude.

O outro Eu me ensinara.»

 

E se a guerra tiver sido mesmo escolhida pelo descaso dado aos inúmeros sinais de insatisfação e de revolta com a injusta distribuição e pérfida ostentação de riqueza?

Porquê? Clama Noémia de Sousa, com palavras vindas do passado e tornadas tão presentes:

 

«Por que é que as acácias de repente

floriram flores de sangue?

Por que é que as noites já não são calmas e doces,

por que são agora carregadas de electricidade

e longas, longas?

Ah, por que é que os negros já não gemem,

noite fora,

Por que é que os negros gritam,

gritam à luz do dia?»

 

Vagueio por entre os silêncios atrapalhados e a auto-estima e auto-contentamento bafientos de quem eu esperava bem mais e tento escutar os tambores silenciados do mapiko em Cabo Delgado.

Repentinamente, ouço Craveirinha: «Convoca os espíritos e acompanha-me no grito».

 

«Tambor está velho de gritar

Oh velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

corpo e alma só tambor

só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

 

Eu

Só tambor rebentando o silêncio amargo de [Cabo Delgado]

Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra

Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.»

 

Não consigo dormir, às voltas na cama e com vários nós na cabeça.

Ressoa incessantemente no meu pensamento a frase dramática da nossa vida: «Valeu a pena?»

Escuto então Pessoa:

 

«Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.»

 

E, assim, finalmente adormeço.

A Ministra da Cultura e Turismo inaugurou, esta quarta-feira, a exposição Malangatana, tatana cultura. A mostra fotográfica pode ser visitada na galeria da Associação Kulungwana, na Cidade de Maputo, até 2 de Julho.

A certa altura, no texto de apresentação da mostra Malangatana, tatana cultura, escrito por Manuela Soeiro, lê-se o seguinte: “Esta exposição de fotografia pretende fazer, sem pretenciosismos, uma amostra de Malangatana nas várias épocas da sua vida, no seu dia-a-dia, o homem, o amigo e sua dimensão como artista moçambicano e cidadão do mundo”. Realmente, estas palavras da encenadora do Mutumbela Gogo reflectem o que a Kulungwana quis fazer das histórias seleccionadas e resumidas em imagens, nas quais aparece o artista de Matalana em contextos diferenciados.

Nas fotografias patentes na galeria da Associação Kulungwana, nos Caminhos de Ferro, Cidade de Maputo, desta vez, o protagonismo não são telas pintadas por Malangatana. O silêncio das imagens narram eventos reais de um homem que viveu para as artes e da cultura do seu povo sem nunca abandonar as suas raízes. Pode-se dizer que se trata de uma mostra íntima, que recupera fotografias familiares para as apresentar com as outras mais conhecidas. Na mostra, pode-se ver Malangatana com o filho Mutxhini ao colo, ainda bebé, com a esposa no leito do hospital, com os amigos e tantos, como ele, eternos cidadãos do mundo. Por exemplo? Claro está, o escultor Alberto Chissano, que viveu tão perto de Malangatana no Bairro Aeroporto, na Cidade de Maputo.

Com curadoria e grafismo de Ciro Pereira, Malangatana, tatana cultura é uma exposição montada por Carlos Jeco e com grande contribuição de entidades que cederam fotografias, como o Centro de Documentação e Formação Fotográfica.

Ao inaugurar a exposição, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, sublinhou a necessidade de celebrar a vida e a obra de Malangatana, um homem que deu tanto às artes e à cultura moçambicanas. “Malangatana foi mais que um herói. É, sem dúvidas, o nome da nossa cultura mais exposto, mais falado e que ainda sentimos a necessidade de celebrar, não só no nosso país, mas também a nível mundial. Por isso é importante celebrá-lo em jeito de exposição”.

Como que a concordar com a Ministra da Cultura e Turismo, Mutxhini Ngwenya, filho de Malangatana, reconheceu que a iniciativa da Associação Kulungwana de honrar o pai é muito boa. “Penso que é o primeiro passo para aquilo que temos vindo a discutir ao longo deste ano, que é retomar a imagem de Malangatana e tentar fazer tudo o que é possível para divulgarmos ao máximo o seu trabalho e o seu legado”.

A exposição Malangatana, tatana cultura acontece num contexto em que a Associação Kulungwana comemora 15 anos de existência. “Malangatana foi um dos fundadores da Kulungwana, foi com ele que começamos e ele é o autor do nosso nome. Nós começamos com música, mas pouco tempo depois, ele incentivou-nos a irmos a outras áreas culturais”, disse Henny Matos, da Associação Kulungwana.

A mostra inaugurada esta quarta-feira pode ser visitada até 2 de Julho.

A peça radiofónica Um almoço simples em Vällingby foi escrita pelo escritor sueco Henning Mankell, que viveu e trabalhou em Moçambique. Com 39 minutos de duração, a peça que conta com Jorge Vaz e Adelino Branquinho no elenco foi lançada esta noite, na Cidade de Maputo, numa recepção proporcionada pela Embaixadora da Suécia em Moçambique, Mette Sunnergren.

 

Entre Setembro de 1964 e Outubro de 1967, Eduardo Mondlane visitou a Suécia em cinco ocasiões com a pretensão de procurar apoio para a FRELIMO, que, na ápoca, lutava contra a dominação colonial portuguesa. Numa dessas viagens a Estocolmo, para não chamar atenção, Mondlane manteve um encontro longe dos holofotes em Vällingby, em casa de Olof Palme. Segundo lembra uma nota da Embaixada da Suécia, naquele subúrbio a oeste da capital Estocolmo muitas discussões políticas importantes ocorreram na cozinha de Palme (enquanto preparava almoços para os seus convidados: batatas fritas e salsichas), inclusive, com o então Presidente da FRELIMO.

Na verdade, este episódio verdadeiro, no entanto, pouco divulgado, inspirou Henning Mankell a escrever a peça radiofónica En enkel lunch i Vällingby, ou seja, Um almoço simples em Vällingby. No país, a peça radiofónica foi lançada esta terça-feira, numa recepção que teve a Embaixadora da Suécia em Moçambique, Mette Sunnergren, como anfitriã. Referindo-se à peça radiofónica agora lançada em Maputo, a diplomata explicou: “Ao traduzir esta dramaturgia para português e transmiti-la em Moçambique, a Embaixada da Suécia procura dar destaque à história que os nossos dois países partilham e que está profundamente ligada aos valores universais dos direitos humanos, democracia, liberdade de expressão e educação”.

Na adaptação do Mutumbela Gogo, o texto Um almoço simples em Vällingby, de Henning Mankell, traduzido por Solveig Nordlund, foi interpretado pelos actores Jorge Vaz, no papel de Eduardo Mondlane, e Adelino Branquinho, no papel de Olof Palme. A direcção da peça com 39 minutos de duração coube à encenadora Manuela Soeiro e a ficha técnica ainda inclui Julieta Mussanhane (narração), Samo Elias (sonorização e montagem).

Um almoço simples em Vällingby é resultado de uma parceria entre a Embaixada da Suécia em Moçambique, o Teatro Avenida e a Rádio Moçambique. Na Cidade de Maputo, a peça foi lançada por ocasião do Dia Nacional da Suécia, que se assinala a 6 de Junho de cada ano.

Entre os convidados à sessão de lançamento de Um almoço simples em Vällingby estiveram a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, o Reitor da Universidade Eduardo, Orlando Quilambo, jornalistas e actores. Em breve, a adaptação inspirada no encontro entre Eduardo Mondlane e Olof Palme chegará à(s) rádio(s) nacionais.

Olof Palme foi Primeiro-Ministro sueco. Na Cidade de Maputo, há uma avenida em seu nome.

A obra de crónicas de Bento Baloi, A arca de não é, será apresentada quinta-feira, às 17 horas, na Cidade da Beira. O livro será apresentado por Martins Mapera.

 

Bento Baloi volta à cidade que o inspirou a escrever o seu mais recente livro. No Chiveve, o escritor vai apresentar Arca de não é, sua mais recente obra literária que reúne um conjunto de 15 crónicas sobre as consequências do ciclone Idai.

O livro de Bento Baloi foi lançado na Cidade de Maputo, em Abril, numa sessão online. Agora, volta à cidade onde tudo começou, onde o escritor captou a tragédia sem a qual não teria escrito o livro. Além do efeito estético, as crónicas de Arca de não é preservam a memória colectiva, sempre provocando um debate sobre as mudanças ambientais e o impacto disso no país inteiro.

A obra “Arca de não é” é chancelada pela Índico Editores e, desta vez, a cerimónia de apresentação do livro irá realizar-se com presença de público. Quem não puder estar na Cidade da Beira, terá a possibilidade de acompanhar a sessão a partir de onde estiver, afinal o evento será transmitido pelas redes sociais da TMCEL e Revista Literatas.

No Chiveve, a obra será apresentada pelo ensaísta e professor universitário Martins Mapera.

Damião Sarmento, Francisco Baloi e Mateus Nhamuche, estudantes finalistas do curso de Teatro na Universidade Eduardo Mondlane, são os três moçambicanos seleccionados para uma formação técnica de profissionais na área das artes cénicas. Segundo uma nota de imprensa enviada à nossa redacção, com eles participarão quatro burquinenses, durante três semanas, num curso de treinamento em ofícios de iluminação, vídeo e som. O curso será conduzido, em conjunto, pelos formadores Paulin Ouedraogo (Ouagadougou), Quito Tembe (Maputo), Jean -Christophe Guillemet (Nantes), e liderado pela equipe técnica do Grand T.

A iniciativa do KINANI enquadra-se no programa de desenvolvimento e profissionalização do meio artístico. Com o programa, KINANI busca contribuir para a solidificação da indústria cultural e criativa em Moçambique e no continente africano. “Foi neste contexto que o KINANI, em parceria com um prestigiado Teatro na França, Le Grand T, e o maior e emblemático festival de teatro do continente africano, Récréâtrales, de Burkina Faso, desenvolveram uma parceria de três anos para promover a profissionalização de técnicos teatrais de Burkina Faso e Moçambique. Ao mesmo tempo, pretende-se, com a iniciativa, responder o desafio que os dois países enfrentam quanto à insuficiência de directores de Teatros com as competências necessárias nas áreas-chave da produção (iluminação, som e vídeo, etc)”, lê-se na nota de imprensa.

A formação m causa vai ocorrer entre Nantes, Ouagadougou e Maputo. Os gestores do Grand T irão supervisionar a formação, colocando ao serviço do projecto os seus conhecimentos nas profissões técnicas de criação artística e o seu know-how em transmissão. Um projecto de duração de três anos, a decorrer de 2021 a 2023, elaborado para favorecer três sectores: acompanhamento artístico de autores e companhias; formação em áreas técnicas; implantação territorial, mediação e inclusão social.

A formação será dividida em três modelos, sendo que o primeiro será entre os meses de Junho e Julho, em Nantes; o segundo em Outubro, em Ouagadougou; e o último em Maputo, em Novembro, durante o Festival KINANI.

 

O artista plástico Vasco Manhiça vai inaugurar, às 18 horas desta terça-feira, a exposição O novo normal. A individual pode ser visitada no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na Cidade de Maputo.

O novo normal chegará ao Centro Cultural Franco-Moçambicano em jeito de exposição. A individual de Vasco Manhiça, constituída por 15 obras, levanta questões sobre o impacto da COVID-19 na esfera social, cultural, económica e política. Em parte, esta foi a maneira que o artista plástico encontrou para demonstrar que a humanidade, nos últimos tempos, aprendeu novo vocabulário e apreendeu novas formas de estar em sociedade.

Todas as obras da individual O novo normal foram pintadas este ano, com recurso à técnica mista. Para melhor se expressar, Vasco Manhiça recorreu ao desenho, à colagem, à pintura sobre tela e à gravura. “Trago aqui uma exposição com muita cor. Se calhar, ao contrário do que tem sido habitual no país. Penso que os visitantes da exposição vão encontrar novas abordagens em termos técnicos”, afirmou, Vasco Manhiça, na véspera da inauguração.

Para o curador da exposição, Rafael Mouzinho, O novo normal é uma individual que absorve questões relacionadas com a tensão social e com a necessidade da emigração do espaço físico para o digital imposta pelo novo contexto. “O Vasco parte dessa constatação, captando energias na esfera pública”.

Ainda sobre a exposição, o Franco-Moçambicano destaca que Vasco Manhiça transmuta símbolos e sinais caligrafados, em sobreposição com cut and paste. Na sala de exposições daquele centro cultural, a individual O novo normal pode ser visitada de segunda a sexta, entre 10h e 18h, e aos sábados, entre 10h e 14h, até 17 de Julho.

 

O segundo trabalho discográfico do rapper Allan é uma homenagem à sua mãe e às mães do mundo inteiro. O álbum foi lançado em Maputo e pode ser o último do autor.

 

Allan é um daqueles artistas que aproveitou o tempo de confinamento para produzir. Assim, durante oito meses, pôs-se a compor temas que agora integram o seu segundo álbum a solo. Intitulado A bênção da Célia, o disco composto por 13 temas é uma homenagem à mãe do rapper, Célia, e também a todas mães do mundo. De igual modo, esta foi a maneira encontrada por Allan para expor certos aspectos vividos por si e pelas pessoas que o rodeiam, como forma de motivar quem for a ouvir as músicas.

Em termos rítmicos, quase todas as músicas que compõem A bênção da Célia enquadram-se no Hip-Hop, e, comparando com o primeiro disco, Génesis, o novo trabalho discográfico é mais pessoal. Ou seja, 70% das músicas de A bênção da Célia estão intimamente ligadas à vida do rapper.

Segundo afirmou Allan, esta segunda-feira, A bênção da Célia é, possivelmente, o seu último álbum discográfico. Doravante, acrescentou o artista, vai reduzir a intensidade com que faz música. “Quero-me focar noutras coisas, mas se achar que existem condições para continuar e o feedback for bom, irei continuar”.

O novo trabalho de Allan foi lançado há uma semana, na Cidade de Maputo, e conta com várias colaborações. Por exemplo, Duas Caras, Lay Lizzy, DJ Ardiles, Hernâni da Silva, 16 Cenas, Wanda Baloyi, Dygo Boy, Ubakka, Cláudio Ismael e Negro. Estas vozes ajudaram Allan a produzir músicas como “Mãe, eu consegui”, “Phambeni”, “Uma de Gin, três tónicas de gelo”, “Super mãe” e “Tempo de Deus”.

Com a excepção de alguns instrumentais feitos em Angola, A bênção da Célia foi produzido em Moçambique, por Ellputo, Lydasse, Proofless, Detergente e Origi Moz. A edição é do autor com produção-executiva de McDonald, Mauro Salia e Edy Simões. Até aqui, o disco conta com quatro vídeos-clipes.

 

 

 

+ LIDAS

Siga nos

Visualizações: 3.746