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O grito das madrugadas lá no gueto

Por: Edna Matavel   Lá, naquele bairro, no bairro onde nasci, crescemos e vivemos como um grupo de quartéis de droga, sem importar a idade,

O grito das madrugadas lá no gueto

Por: Edna Matavel   Lá, naquele bairro, no bairro onde nasci, crescemos e vivemos como um grupo de quartéis de droga, sem importar a idade,

O guitarrista e fundador da banda francesa Kassav, Jacob Desvarieux morreu na sexta-feira, vítima da COVID-19, anunciou a produtora do grupo.

Desvarieux foi hospitalizado no dia 12 de Julho, depois de ter contraído a COVID-19 e colocado em coma induzido, devido a um estado de saúde debilitado, na sequência de um transplante renal, indicou a empresa, citada pelo Notícias ao Minuto.

Devido à situação, a banda cancelou, recentemente, todos os concertos programados.

Em reacção à sua morte, o cantor senegalês Youssou Ndour endereçou uma mensagem do último adeus ao malogrado, tendo sido divulgada na sexta-feira à noite, na rede social Twitter.

“As Índias Ocidentais, África e a música acabam de perder um dos seus maiores embaixadores. Jacob, graças à sua arte, aproximou as Índias Ocidentais e a África. Dakar, onde viveste, chora por ti. Amigo de despedida”.

A banda Kassav lançou o primeiro álbum “Love and Ka dance” em 1979, e atingiu o auge da popularidade, com o “Zouk”, estilo de música que deu origem a êxitos mundiais cantados em crioulo, como “Zouk la sé sèl médikaman nou ni” (1984), ou “Syé bwa” (1987).

Refira-se que Desvarieux nasceu na capital francesa, Paris, em 1955, e morreu com 65 anos de idade.

Morreu, hoje à tarde, em casa, o músico Dimas. O autor de Txotxoloza encontrava-se doente há vários anos e não resistiu à enfermidade que o afligia.

Para os mais novos, o nome Dimas até pode não dizer nada. No entanto, para aqueles que nos anos 90 já ouviam rádio e ligavam a televisão, certamente, deve dizer muita coisa. Na verdade, Augusto Samuel Dimande, nome de registo, começou a cantar mais cedo, muito provavelmente nos anos 70. 20 anos depois, já era aquela voz vibrante que se destacava pela sua precisão musical e colocação vocal. Dimas cantou de forma particular, exprimindo, através da música, sentimentos verosímeis e acutilantes. Txotxoloza, eventualmente o seu maior êxito de sempre, é exemplo dessa capacidade que o autor teve na representação de uma época e de um povo. A música, por isso, continua actual, com aquele teor moral e educativo.

Dimas abandonou os palcos lá vai um bom tempo. A saúde foi-lhe um bem muito precioso, difícil de manter. Nos últimos cinco anos, mal se ouvia a sua voz. O artista recolheu-se ao seu lar para recuperar o vigor de outros tempos. Lutou uma vida inteira. Cinco anos doente é uma vida inteira. Por isso, enquanto lutava pela vida, essa coisa efémera, os mais novos não viram e nem ouviram Txotxoloza. Talvez, porque a música não é abundante no YouTube, mas o tema até se refere ao destino que esses mupfanas (rapazes) podem ter se não souberem ouvir e aprender.

Dimas não cantava apenas, interpretava a vida no mais profundo sentido da palavra. As notas altas e prolongadas eram suas. Com ele parece que cantar era fácil e, não poucas vezes, a música parecia uma recriação da dor. Esse terreno também era seu. Originalmente seu. Também por isso fazia de temas taciturnos uma receita para a arte de interpretar o que pode ser âmago de um sofredor. Hlomulo – outro hit dele, diriam os mais novos, aqui opta-se por clássico – encontra-se nessa fronteira entre o drama, o trágico, a frustração e a catarse. Nyandayeho! (Do rhonga, socorro em português). Na música se ouve essa palavra intensa, dita apenas em momentos muito específicos. Essa também é uma palavra actual e continuará a ser enquanto houver sofrimento.

Dimas cantou o sofrimento e com a música expurgou-o, de certo modo. Quando abandonou os palcos, muitos sentiram a sua falta. – Por onde anda o Dimas? Perguntavam os mais velhos, esses cuja memória atravessava séculos na ansiedade de recuperar, no passado, parte do que Moçambique teve de encantador ao nível musical.

Dimas morreu 15 dias antes de completar o seu 65º aniversário. O artista nasceu no dia 13 de Agosto de 1956, no Distrito de Manhiça, Província de Maputo. Muito provavelmente, começa a cantar nos 70, mas foi nos anos 90 que se destacou. Além de cantar, foi Presidente da Mesa da Associação dos Músicos Moçambicanos, funcionário público, empresário na área musical e fundador da editora Diamante. Com este sumiço eterno, o autor do célebre Txotxoloza deixa viúva e seis filhos.

Resultando de uma residência artística de 15 dias de duas artistas francesas, Albertine Trichon e Caroline Aycard, a exposição “Maputo, Cidade Portuária” será inaugurada esta quinta-feira, a partir das 17 horas.

A cerimónia de inauguração será restrita e vai realizar-se com a presença das autoras da colectiva.

De acordo com uma nota do Centro Cultural Franco-Moçambicano, cada artista, na mostra, apresenta-se com diferentes meios, gravura em monotipia e pintura em técnica mista.

A colectiva resulta do programa de residências artísticas, de periodicidade anual e especialmente dirigido a artistas franceses/as e francófonos/as, surge no âmbito das missões do Centro Cultural Franco-Moçambicano e da Embaixada de França de valorização e difusão das culturas francófonas em Moçambique, com o objectivo de fomentar a colaboração, cooperação e intercâmbio entre culturas.

Albertine Trichon é pintora. Depois de estudar línguas e literatura na Sorbonne, ingressou na Escola de Belas-Artes de Paris (ateliers de Vincent Bioulès e Jean-Michel Albérola), e praticou litografia e gravura. Após os seus estudos superiores, expôs em França, no Japão, na Alemanha, na Croácia e na Grécia. Os temas das suas obras remetem aoos encontros com lugares e os seus contemporâneos, colocando-os em perspectiva ou simplesmente as viagens diárias que a inspiram.

Além de Albertine Trichon, a nota do Franco refere-se a Caroline Aycard, pintora e escultora. Depois de estudar direito e administração no Pantheon, mudou radicalmente de direcção, entrando na Escola Nacional Superior das Belas-Artes de Paris. Enquanto frequenta a oficina de escultura dirigida por Bruno Lebel e depois Richard Deacon, aproveita, ao longo de cinco anos, para abordar diversos meios de expressão plástica. Desde então, a par da actividade de docente em escultura, desenho e pintura, dá continuidade à sua prática artística e expõe regularmente em França. A vida quotidiana, as pessoas ao seu redor e os seus desejos em outros lugares inspiram o seu trabalho, que assume a forma de desenho, pintura, gravura ou escultura.

 

Perspectivas do meu guetto, de Cecília Mahumane; Silêncio, de Gigliola Zacara; O preto, de Ivo Mabjaia; As minhas rosas, de Ruben Morgado; O táxi, de Isidro Mangue; e Deus nos acudi, de Pak Ndjamena, são os seis filmes nomeados ao Prémio Novos Autores Moçambique, realizado pelo KUGOMA. O grande vencedor deverá ser anunciado próximo mês.

Em Agosto, o KUGOMA – Fórum de Cinema de Moçambique deverá anunciar o grande vencedor da terceira edição do Prémio Novos Autores Moçambique. Enquanto isso não acontece, já são conhecidos as curtas-metragens nomeadas, designadamente: Perspectivas do meu guetto, de Cecília Mahumane; Silêncio, de Gigliola Zacara; O preto, de Ivo Mabjaia; As minhas rosas, de Ruben Morgado; O táxi, de Isidro Mangue; e Deus nos acudi, de Pak Ndjamena. Portanto, são seis os filmes que serão avaliados por um júri composto por três cineastas moçambicanos: João Ribeiro, Inadelso Cossa e Lara Sousa.

Numa curta referência à qualidade das películas, o Produtor-Executivo do KUGOMA garantiu que nesta edição os membros do júri terão uma tarefa difícil, pois os seis filmes seleccionados traduzem um conjunto de linguagens completamente distintas. “O júri já se encontra a trabalhar na avaliação do melhor filme ou do melhor realizador. Temos filmes que, ao nível do conteúdo, são bons para discutirmos, e, em termos de questões técnicas, têm um desenvolvimento bem maior”. De acordo com António Maxlhaieie, são essas as principais questões que interessaram à produção e à curadoria do KUGOMA.

A equipa de produção da terceira edição do Prémio Novos Autores Moçambique, igualmente, entende que estão assegurados os requisitos para estimular produções cinematográficas realizadas por cineastas em ascensão. “Agora”, afirmou, António Maxlhaieie, “a outra grande aposta é que os filmes sejam vistos, de modo que os realizadores tenham um feedback importante para que possam melhorar as suas produções aos poucos. Seja como for, está garantida a qualidade das histórias também”.

O tema das curta-metragens submetidas ao Prémio Novos Autores Moçambique foi de escolha livre.

O grande vencedor do concurso realizado pelo KUGOMA – Fórum de Cinema de Moçambique, com a pretensão de estimular a arte cinematográfica no país, será anunciado próximo mês. Quanto à cerimónia, a abertura está prevista para decorrer presencialmente a 26 de Agosto, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo, com a estreia nacional da longa-metragem Viva Riva!, do cineasta congolês Djo Munga, com a participação do actor Tomás Bié.

A banda Rockfeller’s e a música moçambicana perderam, esta terça-feira, o baixista e compositor Ivan Velhanos. O artista perdeu a vida em Maputo, vítima de doença.

Quando nasceu, a 11 de Junho de 1976, na Cidade de Maputo, o terceiro filho de nove irmãos foi baptizado Evangelos Alberto Velhanos. No entanto, entre familiares, amigos e no universo da música, o seu nome que vingou se resumiu a quatro letras: Ivan.

Ao longo dos anos e sempre que pôde, o terceiro filho de Alberto André Velhanos e Marta Zandamela viveu a música intensamente e sonhou como ele próprio. Por isso mesmo, com os amigos Marco Ribeiro e Victor Ribeiro fundou a banda de rock Inéditos, que, mais tarde, adoptou o nome Rockfeller’s. O grupo de rock granjeou muita simpatia dos moçambicanos graças ao rigor técnico na execução das instrumentais e à relevância dos temas tratados: simples, actuais e desconcertantes. Em grande parte, o sucesso da banda deveu-se à visão musical de Ivan.

Segundo contou esta terça-feira, Xavier Machiana, a sua integração nos Rockfeller’s foi graças ao convite do baixista, que, sem ele: “Eu não teria seguido a carreira musical. O Ivan é o grande e responsável por eu ser músico, hoje”.

Além de Xavier Machiana, a decisão de integrar novos membros dos Rockfeller’s sempre passava por Ivan, pois ele era a alma que ligava a todos os membros e um dos que nunca abandou a banda.

Na sua dedicação à música, Ivan esmerou-se em ter coisas perfeitas e puxou pelos outros. Foi um sonhador, enérgico e muito batalhador. Além de tocar a viola baixo, também compôs. Aliás, um dos grandes temas dos Rockfeller’s, “Namorado”, foi escrito por Ivan Velhanos.

45 anos depois do seu nascimento, o baixista da (eventualmente) mais representativa banda de rock moçambicana foi infectado pelo Coronavírus. Quando soube da notícia, cumpriu o isolamento em casa e começou a tratar-se. Mas a situação agravou-se e teve de ser internado por quatro dias numa das clínicas da Cidade de Maputo. O rock man  resistiu até onde pôde, mas o seu destino na terra estava cumprido. Na madrugada desta terça-feira, a família Velhanos, os integrantes da banda Rockfeller’s, os amigos de sempre e os admiradores incondicionais receberam a trágica notícia: “O Ivan já não está entre nós”

Partiu um artista que foi a força motora de um movimento juvenil que se impôs no país há aproximadamente 20 anos. Assim, Evan, Ellis e Nayika, seus três filhos, ficaram sem pai; Alberto André Velhanos e Marta Zandamela ficaram sem o seu terceiro filho; António, Graça, Amélia, Páscoa, entre outros, perderam um irmão; a música moçambicana, essa, ficou sem um instrumentista e compositor. Esta quarta-feira não será, por tudo isso, como tantas outras para os que continuarão a amar Ivan, mesmo sem poderem se despedir dele. Ficará, possivelmente, para os amigos e para os que com o baixista conviveram, a imagem de um homem com alto sentido de família. Ivan partiu, será enterrado esta quarta-feira de manhã, no Cemitério de Michafutene, em Maputo, mas o rock nunca se vai esquecer dele.

Por: Belchior Eduardo

 

– Alguém ajude-me aqui, o computador desligou-se. Suplicou Zezinho com uma voz ensurdecedora.

– Tire-o da tomada e volte a colocar e faz um restart. Uma voz o respondeu.

Tendo feito, Zezinho estava nervoso, empolgado e revestido de ansiedade para uma mudança de vida repentina. Suava, reparava os cantos e, frequentemente, pegava na sua cabeça e nos seus cabelos crespos. O computador ali abriu. Conectou à internet e foi ao gmail verificar uma nova mensagem na sua caixa de entrada.

– Conservei o dinheiro no banco de Gana, onde tenho um amigo disposto a ajudar em tudo que for necessário para o desembolso do valor. Respondeu a TT do outro lado.

– A política bancária e monetária, no meu país, não facilita ao pacato povo, somos extorquidos até mesmo pelos bancos. Zezinho Respondeu.

Naquele mesmo instante, falou um silêncio entre ambos e, pouco tempo depois, TT respondeu:

– Tenho consciência disso, da vossa política monetária e bancária em África, faremos tudo em parte.

Dito aquilo, apareceu-lhe Zezinho uma pergunta que pudesse ter feito já há muito tempo.

– Quanto é o valor mesmo no qual te referes?

Cerca de 5 minutos sem resposta da TT e eis que naquele mesmo instante respondeu:

– São 12 milhões de dólares norte americanos.

Zezinho ficou boquiaberto por uns mais de 10 minutos.

Parece irrisório esse valor, quando se trata para construção de infra-estruturas sociais, implementação de programas virados a mulheres e idosos, crianças órfãs e outras camadas “frágeis” da sociedade, mas, para mim, 40% desse valor nos meus bolsos mudariam completamente a minha vida, não precisarei acordar muito cedo neste inverno de arrepiar para ir trabalhar – Pensou Zezinho.

Zezinho acedeu à proposta irrecusável daquelas, enviou em dois dias os seus dados ao correio electrónico de TT e garantiram-no que o valor reflectiria em sua conta em 73 horas. Assim, esperou.

Um banco comercial ligou ao Zezinho dizendo-o que o valor correspondente a 12 milhões reflectiu na sua conta, transferido de um banco de Gana. A satisfação foi tanta.

Naquele dia, pegou no sono de tanto pensar numa imaginação da maionese na sua futura vida brilhante. Avisou a TT que recebeu o valor.

No dia seguinte, ouviu a sua porta numa licença ameaçadora de quem talvez estivesse nervoso, e meio preocupado, Zezinho foi e abriu:

– Bom dia, desculpa pelo procedimento e por interromper o seu sono.

A surpresa de Zezinho tomou conta dele, vendo naquele momento quem estava a falar consigo: a polícia.

– Está preso por fraude monetária, tráfico de armas de fogo, falsificação monetária e atentado à humanidade.

Zezinho ficou imóvel sem nada puder fazer.

 

 

KaNyaka abre biblioteca municipal com a pretensão de fomentar a leitura e a cidadania.

Com a abertura da biblioteca municipal, a pretensão das autoridades locais é exortar os alunos e a comunidade no sentido de redobrarem esforços e garantir que os hábitos de leitura e a massificação de acções em prol do livro estejam na linha da frente das prioridades de cada munícipe.

Segundo uma nota de imprensa, a abertura da biblioteca realizada semana foi dirigida pelo vereador daquele distrito municipal, Alexandre Muianga, para quem “a abertura da biblioteca significa que a escola e a comunidade são resilientes às adversidades, ganham um acervo bibliográfico, fomentam um espaço de promoção de hábitos de leitura na comunidade de Noge em particular e do distrito municipal de KaNyaka no geral, visando o incremento de práticas leitoras e transformando os desafios em actos heróicos, tal como fez o presidente Eneas Comiche, um dos poucos moçambicanos que se formou no tempo colonial”.

Além de exortar os munícipes a aderirem aos programas de formação que o Conselho Municipal de Maputo dispõe, o dirigente recomendou ao Director da Escola Primária Completa Inhaca Noge, Felisberto Milando, que mobilize os professores, os alunos e a comunidade a visitar a biblioteca.

Por sua vez, avança a nota de imprensa, o Director da Escola Primária Completa Inhaca Noge avaliou que o novo espaço proporciona cidadania, inclusão social e oportunidade de crescimento cultural aos adolescentes e jovens do distrito municipal. “A abertura da biblioteca vai melhorar as condições de aprendizagem para os alunos e para a comunidade, vai também encurtar as distâncias percorridas pelos alunos do bairro Inguane para Ribuene à busca de obras literárias”, disse Felisberto Milando. E não se ficou por aí. O régulo de KaNyaka, Carlos Nhaca, reforçou o conceito da educação como ferramenta da transformação social da comunidade, recorrendo à sua experiência pessoal. “Agradeço pela biblioteca ao Conselho Municipal de Maputo, que continua a acreditar no crescimento do distrito. No meu tempo estudei debaixo das árvores, agora tudo mudou, porque o Governo está preocupado com o desenvolvimento da Ilha de Inhaca”, explicou o régulo.

O acervo da Biblioteca Municipal de KaNyaka será composto, inicialmente, por dois mil títulos. A chefe das bibliotecas municipais, Neyma Madaugy, explicou que o projecto de expansão das bibliotecas visa abranger todos os bairros e, no entanto, o Conselho Municipal de Maputo tem em cada distrito municipal uma biblioteca, o que concorre para o aumento dos níveis de leitura e, consequentemente, para a erradicação do analfabetismo.

Neyma adiantou que os Serviços Municipais de Bibliotecas e Arquivos estão a estudar estratégias com os alunos, professores e a comunidade, para a divulgação das actividades no espaço de leitura e pretendem dinamizar as várias acções que já vêm desenvolvendo em outras bibliotecas, tais como a hora do conto, os clubes de leitura e debates nas bibliotecas.

Refira-se que o Conselho Municipal de Maputo, por meio da Vereação de Cultura e Turismo, passa a contar com 10 bibliotecas municipais na sua rede.

 

 

Depois de quase dois anos de muitas incertezas no seio dos fazedores da arte, sem poderem se fazer ao palco, devido às restrições impostas pela COVID-19, hoje, os artistas estão proibidos de usar o uniforme da Polícia, para quaisquer actuações artístico-culturais.

Foi através da instrução 14/2021 que o Comando-geral da Polícia da República de Moçambique proibiu o uso do uniforme da PRM e de qualquer indumentária similar que se confunda com o uniforme policial, por civis, em quaisquer circunstâncias.

Sem apontar o dedo, o Comandante-geral da PRM, Bernardino Rafael, avançou que com esta medida visa-se pôr fim aos cada vez mais frequentes pedidos de autorização para o uso do fardamento da Polícia, por artistas (entre cantores e actores), que, no seu entender, têm usado em actuações que não abonam a boa imagem da corporação.

Lê-se na instrução 14/2021, ora enviada a todas as unidades policiais, para cumprimento imediato, que esta decisão é tomada “em conformidade com o número 2 do artigo 1 do Regulamento de Uniforme da Polícia da República de Moçambique, aprovado pelo decreto nº 72/2016, de 30 de Dezembro, que estabelece que os modelos do uniforme, suas cores, distintivos, bem como outros sinais identificativos da PRM, são de uso exclusivo dos membros da PRM com funções policias. Por isso, instruo a proibição do uso do uniforme policial, do espólio da PRM e de indumentária auxiliar que se confunda com uniforme policial, por civis, em quaisquer circunstâncias”.

E assim estava armado o braço de ferro entre a PRM e a classe dos fazedores da arte (actores, músicos, outros).

De um lado, a Polícia não quer mais ver os artistas actuando com o seu fardamento, do outro lado, estão os artistas que consideram infundada a decisão e acima de tudo pretende pôr algemas às artes.

Falando em nome da Associação Moçambicana de Teatro – AMOTE, o actor e Docente Universitário, Dadivo José diz ter ficado surpreso com a decisão da PRM, que vem muitos anos depois de uma harmonia e cordialidade inquestionável entre as partes.

Dadivo José respeita a decisão do Comandante da PRM, no entanto estranha a forma como esta veio a público, pois esperava que houvesse uma consulta antecipada à AMOTE, como sendo o organismo que vela pelos interesses da classe dos artistas do teatro no país.

“Apesar de reconhecermos que alguns colegas nossos têm usado o uniforme de forma pouco justificada, nós achamos que esta decisão é um atentado à liberdade criativa. Tirar o figurino da Polícia do nosso repertório é o mesmo que dizer que o Polícia não faz parte do nosso imaginário artístico, o que não é verdade”.

O actor continua dizendo que “com boas ou más acções, cabe aos artistas saberem como projectar as suas acções (boas ou más), pois a Polícia faz parte da nossa sociedade”.

Diante desta decisão, considerada unilateral, a AMOTE diz estar aberta para o diálogo, por forma a serem encontradas soluções que abonem a arte e a cultura moçambicana.

A mesma opinião é partilhada pelo gestor artístico e actor, Félix Mambucho, que considera haver muita leviandade quando são tomadas decisões que implicam a arte.

É consensual que esta decisão irá causar alguns desajustes no tecido criativo artístico, mas, para Mambucho o que está em causa não é a proibição em si, mas a forma “autoritária” como esta decisão vem.

“O grande problema desta proibição não tem muitos contornos artísticos, pois a nível do teatro nós temos várias formas de representar a Polícia: a forma de andar, de agir, a autoridade que exibe, etc., mas está na forma como esta decisão chega, sem querer saber se haverá alguém a ser lesado“, desabafa Félix Mambucho.

Os fazedores de teatro, os principais visados, invocam a lei para se defenderem, citando o Artigo 94 da Constituição da República que determina que “Todos os cidadãos têm direito à liberdade de criação científica, técnica, literária e artística”.

Mas nem todos vêm ao todo irregularidades no procedimento.

Apesar de não concordar com a decisão, o actor Félix Tinga defende que os artistas devem usar esta proibição como combustível para a revolução do fazer da arte e cultura.

“Não vejo razões para alarme. Pelo contrário, nós como artistas devemos nos preocupar em criar mais, usar os nossos conhecimentos para simbolizar a Polícia. Nós não precisamos usar o uniforme da Polícia para demonstrar que estamos a representá-la. Há simbolismos” referiu o actor.

O Antropólogo e Docente Universitário, Genito Santana defende que mais do que proibir, devia-se encontrar mecanismos de debate, em prol da arte e da cultura.

“O que é importante é que não se polarize as opiniões. Que sejam criadas plataformas de diálogo entre a corporação e a associação dos artistas. É certo que é uma lei, mas temos que pensar no futuro, nos filmes, nas novelas, como será? Então deve haver um entendimento do artista sobre o que é a lei e da Polícia sobre o que é a arte”, concluiu.

Depois de muito ouvir o posicionamento de quem é directamente implicado pela decisão, consultamos um jurista, ao que nos revelou: “A decisão de proibir o uso de uniformes da PRM por parte de civis é ilegal”.

Sérgio Massingue aponta que uma simples instrução não pode, em nenhum momento, se sobrepor a um decreto do Conselho de Ministros.

Para o jurista, a instrução 14/2021 não tem poder jurídico para opor-se ao que vem plasmado no decreto 72/2016, de 30 de Dezembro, aprovado pelo Conselho de Ministros, que no número 5, do artigo 2, determina que: O uso de uniforme, distintivos e outros sinais identificativos da PRM não é permitido a cidadãos que não tenham funções policiais na PRM, excepto mediante autorização expressa ao Comandante-geral da PRM, em casos devidamente fundamentados

O jurista aconselha para que haja ponderação na tomada das decisões que possam prejudicar o funcionamento de certas áreas de trabalho, porém vai mais longe, chamando à razão a corporação para os problemas que realmente não abonam a imagem da Polícia, de acordo com a lei.

“Quem está a usar mal o uniforme é o próprio Polícia. Quantas vezes não assistimos agentes se comportando mal, trajando uniforme da PRM”.

O jurista invoca o regulamento de uniforme da PRM, o decreto 72/2016, artigo 2, nos números 6,7 e 8 que indicam as condições e proibições do uso de uniforme.

Encontramos nos artigos 7 e 8 proibições como “cabelo desfrisado, uso de acessórios, consumo de bebidas alcoólicas, entre outras”.

“Quantas vezes não assistimos a nossa Polícia com cabelos longos, acessórios, outros sem a placa de identificação, e quando um cidadão o exige, pode até ser detido? Portanto, acho que mais do que se preocupar com as proibições, o nosso comandante devia começar a olhar para dentro e encontrar soluções para os reais problemas da nossa Polícia”, concluiu o jurista.

Enfim, prevalecendo esta proibição, ao público só vão restar as lembranças das várias, emocionantes e educativas actuações artístico-culturais em que tinham como figurino, os nossos polícias.

Foto: Time

O Parque Nacional de Chimanimani e a Ilha de Benguerra integram a lista dos 100 melhores lugares do mundo para visitar em 2021. A selecção foi feita pela revista norte-americana Time.

Dos Estados Unidos de América chegou uma notícia que interessa aos turistas nacionais e estrangeiros. A célebre revista Time anunciou, dia 20 deste mês, os seus The World’s Greatest Places of 2021, ou seja, Os 100 melhores lugares do mundo em 2021. Moçambique ocupa duas vagas na lista, com o reconhecimento dos encantos do Parque Nacional de Chimanimani, localizado na Província de Manica, e Ilha de Benguerra, localizado no Arquipélago de Bazaruto, na Província de Inhambane.

De acordo com a revista Time, o Parque Nacional de Chimanimani “é um testemunho dos esforços contínuos de conservação do país. Com uma vasta paisagem, incluindo o pico mais alto de Moçambique, o Monte Binga, o parque é o lar de elefantes raros da montanha e dezenas de pássaros, répteis, borboletas e plantas que são únicas na área. Grupos de turistas guiados em Moçambique e no Zimbabwe recomendam Chimanimani como uma atracção principal, ostentando trilhas para caminhada e caminhadas intocadas por carros – e a chance de vislumbrar algumas das centenas de espécies identificadas por estudos recentes de biodiversidade na área”.

A aproximadamente 90 minutos da Cidade de Chimoio, numa viagem de carro, porque a estrada está em más condições, o Parque Nacional de Chimanimani é um lugar cheio de biodiversidade, onde o passado e o presente se misturam em beleza. É um lugar vasto, com cascatas e paisagens incríveis. Outros grandes destaques de Chimanimani são as pinturas rupestres nas rochas, a resumirem, segundo se acredita, séculos de história do povo bantu.

A diversidade do ecossistema e a vegetação propensa à agricultura permite que se desenvolvam no Parque Nacional de Chimanimani projectos de desenvolvimento comunitário e de conservação.

Quanto à Ilha de Benguerra, a revista Time, primeiro, avança que é a segunda maior do Arquipélago de Bazaruto. Depois, a estimular os turistas para visitarem o lugar, acrescenta: “continua a ser uma queda idílica e discreta no Oceano Índico – a ilha fica dentro de uma reserva marinha nacional. Está prestes a ver seu perfil turístico aumentar com a abertura do Santuário Kisawa, o primeiro resort em 3D do mundo construído com argamassa de areia e água do mar”.

No anúncio da Time, pode-se ler que o ultra-exclusivo resort de 12 bangalôs – um tipo de construção que se pode comparar a uma pequena habitação de campo, no caso de luxo – é uma bela base para explorar as praias de flamingo da Ilha de Benguerra e recifes de coral imaculados, nos quais vivem dugongos e tubarões-tigre, com o mínimo de intervenção humana.

Além do Parque Nacional de Chimanimani e da Ilha de Benguerra, estão entre os 100 melhores lugares do mundo para visitar em 2021 os seguintes espaços: Kwazulu-Natal e Parque Nacional de Kruger (África do Sul); Marraquexe (Marrocos); Cairo (Egipto); São Vicente (Cabo Verde); Acra (Gana); Lake Kivu (Ruanda); Desaru Coast (Malásia); Arouca (Portugal); Gotemburgo (Suécia); Oslo (Noruega); Sicília e Veneza (Itália); Cannes e Paris (França), Osaka (Japão); Jaipur (Índia); Lijiang (China); Sidney (Austrália); Quito (Equador); Mendoza (Argentina); e Los Angeles e Nova Iorque (Estados Unidos).

A escolha dos 100 melhores lugares do mundo 2021 é um tributo da Time às pessoas e empresas que em circunstâncias extraordinárias encontram maneiras de se adaptar, construir e inovar. Para compilar a lista, a Time solicitou aos seus correspondentes e colaboradores nomeações de lugares que oferecem experiências novas e emocionantes.

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