O País – A verdade como notícia

Vários artistas moçambicanos e indianos partilharam o palco no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, este sábado, na Cidade Maputo. A iniciativa da Associação Cultural Indiana de Moçambique pretende contribuir para a manutenção dos laços históricos entre Moçambique e Índia.

 

No dia em que se celebrou 47 anos da independência nacional, a Associação Cultural Indiana de Moçambique realizou um evento artístico que consistiu em promover diferentes tipos de danças tradicionais moçambicanas e indianas. Durante duas das três horas que durou o evento, dançarinos e bailarinos partilharam no palco do Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo, momentos de revisitação do passado ainda bem presente do quotidiano de dois países com muito em comum.

A terceira edição da iniciativa da Associação Cultural Indiana de Moçambique foi essencialmente promovida em prol do intercâmbio cultural que deve aproximar os moçambicanos aos indianos e vice-versa. “Este é um evento em que nós promovemos as culturas de Moçambique e da Índia, com grupos locais e indianos. O que nós pretendemos é garantir essa mistura de culturas porque ambos os países mantém ligações históricas muito antigas”, disse Nand Kumar, Presidente da ICA (Associação Cultural Indiana de Moçambique).

Realçando a intervenção de Nand Kumar, o Presidente da ANDAGOA (Associação Moçambicana dos Naturais, Descendentes e Amigos de Goa, Damão e Diu), Ricardo Velho, afirmou: “O objectivo deste evento é promover aquilo que é a actuação cultural e a cooperação Índiana-Moçambique. E a nossa intervenção, como ANDAGOA, é promover a identidade cultural de Goa, Damão e Diu”.

A representar a Ministra da Justiça, que não pôde estar na cerimónia por questões de agenda, esteve o Director Nacional para Assuntos Religiosos, Albachir Macassala: “Nós sabemos que laços culturais vão muito além daquilo que são laços políticos ou de outra índole”.

No evento, de facto, viu-se vários tipos de danças moçambicanas e indianas. No palco, estiveram dançarinos de várias idades: crianças, adolescentes, jovens e adultos. As apresentações, com efeito, foram feitas individualmente, em grupos de três ou mais pessoas, ora com músicas indianas, ora ao som de timbilas e batuques.

Para Jay Garrido, a fotografia é a razão das coisas. A imagem, por isso, não é apenas uma circunstância. De igual modo, preserva em si um conjunto de factores. Por exemplo, o momento, o tema, o movimento, a expectativa e a emoção das pessoas. Jay Garrido é um fotógrafo de humanidades. Daí, ao longo do seu percurso, ao fotografar, sempre esmerar-se em transmitir o que considera “eu interno das pessoas”. Nesta entrevista, o artista fala das possibilidades de uma imagem, do que lamenta não ter fotografado e de um projecto para breve: uma individual de fotografia.

 

 

Jay Garrido, o que significa a fotografia para si?

Depreendo-me com a fotografia no seu sentido mais literal, que é do grego, foto (luz) e graphein (escrever). Nós, essencialmente, estamos a escrever com a luz. Há aquele velho adágio que diz: uma palavra vale por mil palavras. Então, estamos a escrever mil palavras numa imagem. Acho que essa é a grande motivação de qualquer fotógrafo, transmitir as mil emoções e os mil sentimentos que possa ter durante o momento em que está a fazer fotografia.

 

A fotografia é uma forma de interpretar essa luz?

É exactamente isso e é diferente para todos. Já tive a experiência de trabalhar com muitos fotógrafos e de estar em vários ambientes. Em todos os cenários, os fotógrafos executam a sua forma de ver o mundo de forma diferente.

 

O que diferencia a visão do fotógrafo?

Quero acreditar que isso tem a ver com o desenvolvimento da pessoa ao longo do tempo. Desde que nasceu até à fase em que está a criar aquela fotografia. Todas as experiências que a pessoa foi passando na vida vão criando uma espécie de carácter fotográfico, da mesma forma que a pessoa tem um carácter psicológico. Por exemplo, há fotógrafos mais literais e os que são mais subjectivos. Portanto, a interpretação varia de fotógrafo para fotógrafo.

 

Em algum momento, o seu trabalho apresenta essas duas componentes: mais realística e mais subjectiva. O que tem a dizer em relação a essa combinação?

Antes de mais, deixa-me dizer que eu sou um fotógrafo que gosta de estar com pessoas. O meu tipo de fotografia sempre está ancorada à ideia de que sempre tem de ter uma pessoa lá. Há momentos em que eu tiro fotografias de outras coisas. Isso é experimentar e sair um pouco da minha zona de conforto e, às vezes, dá um bom resultado. Mas a maioria das vezes, eu quero sempre estar ligado a retratos. Fotografar pessoas mesmo que seja de forma experimental ou de forma subjectiva.

 

Por exemplo, Bruno Huca e banda Gran’Mah.

Sim. Fotografei Bruno Huca enquanto fazia uma performance. Em relação à banda Gran’Mah, aquilo era para ser uma coisa e inverteu-se de tal forma que acabou ficando a capa do último álbum que eles lançaram. Nós combinamos uma ideia e fomos atrás dessa ideia. Mas, enquanto estávamos no local, houve uma luz acesa e saíram fotos que não estavam no meu plano original quando saí de casa para ir fazer aquela sessão com eles. Houve uma boa sinergia entre mim, criativo visual, e eles, criativos de áudio. Lidar com a música faz parte do meu desenvolvimento pessoal. Eu sou filho de músico. Beber um pouco da criatividade deles foi bom.

 

Como é esta coisa de explorar o infinito, dando imagem ao ritmo, como fez com Gran’Mah?

O meu grande objectivo ao fotografar pessoas é tentar transmitir o seu eu interno. Esta procura do infinito sempre foi, para mim, um processo de estar a tentar exprimir criatividades, tentando descobrir onde melhor me encaixava. E descobri que é atrás de uma máquina. Então, da mesma forma que eu lutei para descobrir o meu eu, como fotógrafo, através da fotografia, eu tento captar o eu da outra pessoa.

 

O grande objectivo é dar outros sentidos improváveis à realidade ou é fugir da realidade?

Para mim, é um pouco dos dois, porque a parte da subjectividade é a fuga da realidade.

 

Captando um momento que não se repete…

Exactamente. O mundo existe a milhões de anos. Com uma fotografia, nós estamos a travar um centésimo de um segundo dentro desses milhões de anos. E isso nunca mais se vai repetir. Não aconteceu até aquele momento e não voltará a acontecer depois daquele centésimo de um segundo.

 

Isso deve dar muita responsabilidade a um fotógrafo.

Dá. Por exemplo, no momento do casamento, em que o padre diz que o noivo pode beijar à noiva, se a máquina falha, acabou. Podemos repetir o momento, mas aquela foto nunca carregará a emoção daquele primeiro beijo. Então, a responsabilidade de captar o momento é muito pesada porque estamos a eternizar…

 

Já lhe aconteceu a máquina falhar num momento em que precisava?

Felizmente, não. Mas já tive um problema com um cartão a posterior. Ao meter o cartão no computador para baixar as imagens, o cartão falhar. Mas para isso existem pessoas especializadas em recuperar os dados, embora seja muito caro. Ainda assim, vale a pena honrar o que foi acordado. Aliás, durante muito tempo, eu fiz menos dinheiro com a minha arte fotográfica do que aquilo que poderia ter feito, porque eu funcionava mais como artista do que como um homem de negócios. Hoje em dia, tendo filhos e uma renda de casa e combustível que está cada vez mais caro para pagar, comecei a ter um bocadinho mais acuidade nos negócios e comecei a tornar os meus preços mais realísticos para aquilo que eu estava a fazer. Ainda assim, não estou dentro do escalão do que poderia cobrar, mas não sinto necessidade de cobrar mais, porque não procuro mais do que eu preciso.

 

O dinheiro é uma consequência?

O dinheiro é uma consequência e se o artista fizer bem o seu trabalho, o dinheiro sempre virá. E nunca deve ser visto ao contrário, ou seja, nunca se deve pensar em ganhar dinheiro para fazer arte melhor. A primeira pessoa que olhou para mim com uma máquina e disse “Por favor, não pares nunca”, foi Ricardo Rangel. Até hoje eu tenho essa máquina guardada em casa. Eu acredito que ser artista fazia parte do meu destino mesmo antes de saber.

 

Tendo convivido com Rangel, Malangatana e Roberto Chichorro, há momentos que lhe ocorre que deveria ter fotografo todos eles?

Há vários momentos. Por exemplo, no caso de Malangatana, um dia antes do Natal, a minha tia Otília foi ter connosco com ele. Malangatana virou-se para minha mãe e disse vou oferecer-te um presente de Natal. Ele pegou numa folha A4 e numa caneta de tinta permanente e lá fez um desenho a Malangatana. Isso foi de 93 para 94 ou de 94 para 95. Até hoje nós temos esse desenho em casa. Eu vi a pintura a acontecer e eu gostaria de voltar no tempo para fotografar justamente aquele momento em que ele desenhava a conversar com a minha mãe e a minha tia Otília. Outro momento, Malangatana tinha uma escultura enorme, em casa dele, à volta de uma escada. Eu vi uma parte daquela escultura a ser feita. Esse é um dos momentos que eu gostaria de ter fotografado. O meu pai foi director da Empresa Moçambicana de Entretenimento. Eu vi um dos álbuns dos Ghorwane a ser gravado. Eu era pequenininho e ficava na cabine de som com o técnico, a assistir a história da música moçambicana a acontecer sem fazer a mínima ideia do que se estava a passar. Mais um momento que eu gostaria de ter registado: aquele em que Beto Sarmento, na cabine de som, controlava os canais de áudio quando a banda lá fora atacava os instrumentos musicais. Gostaria de ter estado apto para fotografar esses momentos, mas todos aconteceram antes de ter 10 anos de idade.

 

Há momentos que fotografou, mas que hoje preferia não ter fotografado?

Já ocorreu estar a chegar a casa – o meu prédio encontra-se num cruzamento –, ao sair do carro, ver um acidente. Eu moro num dos cruzamentos da Vladimir Lenine. Nesse dia, o condutor que vinha a alta velocidade daquela avenida foi cortado a prioridade. Por isso desviou o carro da estrada para evitar o embate com outro carro e atropelou uma criança no passeio, que, infelizmente, faleceu ali. Eu acabava de sair de um trabalho e tinha a câmara comigo. O meu primeiro instinto foi ir para o local do acidente. Eu fotografei o carro que estava a fugir, mas, infelizmente, não foi com a resolução suficiente para apanhar a matrícula. Depois, fotografei a destruição. Infelizmente, tive de apanhar um cenário que era de morte. Eu preferia que não tivesse passado por essa experiência.

 

A sua fotografia pretende investir na esperança?

Certo. Eu gosto de acreditar que a minha fotografia concentra-se em momentos positivos, que as pessoas gostariam de se lembrar, do que o contrário.

 

Além das pessoas, o que mais gosta de fotografar?

Mais recentemente, tomei o gosto de fotografar coisas mais abstractas. Por exemplo, as ondas do mar. Fiz a primeira vez e gostei. Passei a fazer por todas as praias por onde passo. Mesmo processo, mas resultados sempre diferentes. Enfim, as melhores fotografias de um fotógrafo acontecem-lhe. Não é forçado. Ele tem de estar no sítio certo, no momento certo e não forçar as coisas.

 

E quanto a exposições das suas fotos?

Eu sou muito crítico em relação ao meu trabalho. Fiz uma exposição no início da minha carreira quando tinha o interesse de pôr o meu nome na praça pública. Essa exposição aconteceu em 2010. Foi a minha única exposição até aqui. Olhando para trás, penso que não deveria ter feito aquilo daquela forma e isso deixou-me com uma espécie de reticências e muita autocrítica em relação a fazer exposições. Quando for a expor, quero que esteja bem patente que aquilo é à minha imagem. Estou há seis anos a preparar uma exposição. Originalmente, era para ter sido exposta em 2017, mas, depois de ter começado em 2016, não tinha atingido o número de fotografias que eu desejava. Em 2018 casei-me e a partir de 2019 não havia condições para expor. Mas tenho material suficiente. O tema é acertado e forte e tenho uma curadora, que é Sónia Sultuane. Desde o início do projecto que eu pensei que devia ter um curador que olhasse para o meu trabalho com os olhos diferentes dos meus. No meu estágio e dentro das pessoas que eu conheço pessoalmente, não consigo encontrar alguém mais digno de ver o meu trabalho, pela experiência que tem. Eu acredito que não passa de 2023, até porque a minha esposa tem dito que estou com muitos projectos de exposição que não estou a fazer.

 

Acredito que a Sónia Sultuane é uma das pessoas que gostou muito de fotografar. Ela é tão fotogénica…

Além de fotogénica, ela tem uma boa energia. Sempre que posso interagir com ela, não me nego a essa oportunidade. Sempre que me encontro com ela, surge-me uma ideia nova do que posso fazer.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro o livro O último voo do flamingo, de Mia Couto, e o filme The prestige, de Christopher Nolan.

 

Perfil

 

Jay Garrido nasceu a 12 de Maio de 1984. “Sempre disse que a primeira coisa que me aconteceu no mundo foi sentir um raio de sol, e, por isso, alimento-me muito da luz do dia e da energia boa do sol”. O fotógrafo considera-se uma mescla de artes. “Sou filho de Música e Paixão. Sempre me vi englobado numa perspectiva artística, e deixei o fluxo da vida me encaixar onde melhor me sentia”. Actualmente, considera-se um Curador de Aventuras Audiovisuais.

 

 

“O Apetrechar do Tempo” é o título da nova exposição inaugurada no Centro Cultural Português em Maputo. Da autoria de Gonçalo Mabunda e Francisco Vidal, a colectiva configura-se como um encontro entre a escultura e a pintura.

“O Apetrechar do Tempo” marca o regresso à exposição de Gonçalo Mabunda no Camões. Desta vez, o artista apresenta as suas obras numa colectiva que conta com a participação do artista plástico português, Francisco Vidal, que, através da pintura, traz o traçado em linhas caligráficas sobre as telas.

“É isso que a gente tentou fazer durante algum período. Eu e Vidal temos ideias diferentes apesar da amizade, ainda descordamos um com o outro. Mas, no fim de tudo, o resultado deu positivo.”.

Já Francisco Vidal considerou que as obras são resultado da amizade criada durante uma viagem a Hong Kong.

Na inauguração da exposição, a ministra da Cultura e Turismo reconheceu o trabalho apresentado pelos artistas e, em particular, o papel de Mabunda na arte, que reflecte a situação do terrorismo em Moçambique.

“O nome Mabunda está, intrinsecamente, ligado às armas que dilaceraram o país durante 16 anos da guerra e, de forma sábia, tem alimentado aquele movimento, quando, vezes sem conta, afirma ‘eu pinto com ferro, ensino com ferro e vivo com ferro’. Para combinar com o lixo da guerra, simplesmente resume: mais balas na arte, menos balas na rua”, reconheceu Materula.

Disponíveis na galeria do Centro Cultural Português, a exposição está aberta ao público até 31 de Julho.

Até 02 de Julho, realiza-se, na Cidade de Maputo, a 5ª edição do Festival Raiz, evento de cariz tradicional dedicado à música moçambicana, com vista a resgatar, preservar e divulgar a diversidade cultural enraizada em Moçambique.

Segundo uma nota de imprensa, a presente edição do Festival Raiz leva ao público uma programação diversificada e itinerante; escalando diversos espaços com propostas que partem desde concertos, cinema, conversas, oficinas, feiras de artesanato, gastronomia e literatura.

Sexta-feira, a partir das 18 horas, o terraço no Cine Scala vai acolher o evento Gumba Gumba Roots Party, com actuações da Banda Hodi, Ash Ismael e DJ Meque. Será uma sessão de confluência de ritmos e géneros assentes na tradição e na modernidade.

O programa do Festival Raiz segue depois para o Jardim do Centro Cultural Moçambicano Alemão (CCMA) com uma performance de música étnica a ser protagonizada pela cantora de eSwatini, Thobile Makhoyane. Por sua vez, o Camões – Centro Cultural Português vai acolher, dia 29 deste mês, o sarau cultural “Pontes de Raiz” com apresentações dos artistas António Bexiga (Portugal), Nélia Gilberto (Moçambique) e Mabjeca Tingana (Moçambique).

O Festival Raiz vai igualmente levar à Fundação Fernando Leite Couto um concerto étnico / conferência com intervenções e performances de Luka Mukhavel e Micas Silambo.

O concerto Étnico Tradição & Transformação será um dos maiores momentos do Festival Raiz 2022 e vai acontecer na sala grande do Centro Cultural Franco – Moçambicano. São convidados ao concerto: Xixel Langa, Márcia Pascoal, Akanaka Mundawu, Janeth Mulapha, Sky Dladla (RSA), Maria Toro (Espanha), Djibra Mussa, Othnell Moyo (Zimbabwe), Lilian Kwalud (Ilha Reunião), António Bexiga (Portugal) entre outros.

A festa no CCFM está agendada para o dia 01 de Julho, e logo a seguir, no sábado, 02 de julho, o Festival continua no Museu Nacional de Arte, com música étnica e tradicional, feira de artesanato e gastronomia, encontros e oficinas criativas.

O Festival Raiz é apoiado pelo PROCULTURA, ação do programa PALOP-TL e UE, financiada pela União Europeia, co-financiada e gerida pelo Camões, I.P.

 

 

Estudantes e professores irão apresentar-se em concerto no Teatro Avenida, na Cidade de Maputo, a partir das 17h30 desta quarta-feira.

O Teatro Avenida, na Cidade de Maputo, irá receber, esta quarta-feira, um concerto designado “Encontro com a música”. Ao evento, foram convidados estudantes e professores da Universidade Pedagógica de Maputo, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane e da Fundação MUSIARTE.

A partir das 17h30, primeiro, irão apresentar-se estudantes em piano, guitarra e canto. Depois, o programa do evento prevê uma parte de recital do professor Damiano Lazzaron, com obras de Mozart. De igual modo, irão apresentar-se ao palco do Teatro Avenida Agostino Steffani, Maurillio Cacciatore, as cantoras líricas Stella Mendonça e Sónia Mocumbi, Adrien Palácio, Moisés Mavale, Queiros Júlia, Kyanga Paco, Taís Antunes, entre outros.

Essencialmente, o concerto “Encontro com a música” tem como finalidade estimular os estudantes que se estão a formar nas suas instituições de ensino em música, de modo que possam ter um exemplo do caminho que devem trilhar rumo à profissionalização futura. Assim, os promotores da iniciativa pretendem, igualmente, criar sinergias entre as instituições de ensino em Moçambique, para que possam colaborar em termos artísticos, e, consequentemente, melhorarem o nível de qualidade do que têm aprendido.

O concerto “Encontro com a música” insere-se no quadro da Mobilidade Erasmus + em parceria com a Universidade Pedagógica de Maputo, Universidade Eduardo Mondlane e a Fundação MUSIARTE – Conservatório de Música e Arte Dramática.

O concerto desta quarta-feira, no Teatro Avenida, terá uma hora de duração.

A telenovela brasileira Pega pega estreia hoje, na Stv. A produção brasileira é uma exaltação à moral e à decência e irá ao ar às 21 horas, de segunda a sexta-feira.

Em primeiro lugar, a nova telenovela das 21 horas, na Stv, é uma história sobre o que é certo fazer em situações de aperto e de aflição. Diante de uma crise ou de um conflito individual ou familiar, certas personagens terão de escolher o que é certo fazer para, por exemplo, resolver um problema.

No enredo de Pega pega há um roubo inesperado de 40 milhões de dólares do cofre de um luxuoso Hotel, local importante para os acontecimentos, o que muda e condiciona a vida de várias personagens. Logo, Pega pega é uma história sobre a honestidade, a ambição, o bom senso, a lealdade aos sentimentos e às pessoas que justificam esses mesmos sentimentos. No enredo, fundamentalmente, a moral e a decência estão representadas através das escolhas das personagens, cruzando-se de forma recorrente.

Entre o crime que muitas vezes condiciona o destino e a sobrevivência dos que estão na trama, encontram-se personagens interpretadas por actores bem conhecidos pelos telespectadores moçambicanos que vêem telenovelas na Stv. Entre eles, Marcelo Serrado, Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Vanessa Giacomo, Nanda Costa, Thiago Martins, Guilherme Weber, Nicete Bruno e Mateus Solano, que interpreta o papel de Eric Ribeiro. “Em Pega pega, Eric Ribeiro irá aprender a ser mais humano, a ser menos um homem de negócio e a ser um homem que deixa o coração falar”, disse Mateus Solano, um dos protagonistas da telenovela.

Pega pega é uma história engraçada, dramática e policial, que, igualmente, tem o amor no centro da narrativa. As personagens são muito bem-humoradas e divertidas. Ainda assim, conseguem tecer uma narrativa que coloca o telespectador a perguntar-se se vale a pena roubar para se resolver uma situação grave.

Os acontecimentos da telenovela Pega pega passam-se em dois universos. Primeiro, Copacabana, meio rico. Segundo, nas vilas da Tijuca, onde moram a maior parte do hotel luxuoso que funciona como local importante da trama.

Maputo, Gaza e Inhambane são as três províncias do Sul do país que se vão beneficiar da primeira fase do ciclo de capacitação destinado aos profissionais do sector cultural. A acção de carácter nacional é levada a cabo pelo Ministério da Cultura e Turismo e pela Embaixada da França em Moçambique no âmbito do Fundo de Solidariedade para Projectos Inovadores (FSPI), sociedade civil, francofonia e desenvolvimento humano.

O programa, avança o Ministério da Cultura, visa colmatar o problema da frágil capacidade técnica por parte de um significativo segmento de gestores públicos e privados, entre eles artistas, produtores, promotores e empresários. Fundamentalmente, o ciclo de capacitação tem como principal objectivo melhorar as competências técnico-científicas destes profissionais.

Ao todo, são cerca de 200 profissionais que estarão envolvidos nas capacitações.

No Sul país, o ciclo arrancou esta segunda-feira e irá decorrer até dia 29.

Na segunda fase, as capacitações seguirão para o Centro do país, onde terão lugar na Cidade da Beira (4 de Julho a 13 de Julho).

Por fim, o Norte do país irá receber as capacitações em Nampula (18 a 27 de Julho de 2022).

 

Por Sandra Sousa

University of Central Florida, USA

 

 

Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura, o novo livro de Almiro Lobo em conjunto com Teresa Manjate, publicado pela editora Alcance, reúne, como os próprios coordenadores indicam na “Nota Explicativa,” textos de diversa índole (prefácios, textos de apresentação em cerimónias de lançamento, comunicações em conferências, congressos, reflexões, etc.) sobre Literatura Moçambicana, seja ela considerada sob pontos de vista teóricos e mais abrangentes, seja centrando-se em autores e obras moçambicanos específicos. Estes textos de incursão pela narrativa, pela poesia (veja-se, por exemplo, os textos sobre Guita Jr, Luís Carlos Patraquim, Lica Sebastião, Craveirinha) e dramaturgia (veja-se o texto sobre Lindo Lhongo) literária moçambicana têm a virtude de serem escritos com uma perspectiva “de dentro,” ou seja, foram produzidos pela mão de professores de Literatura da Secção de Literatura e Cultura da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. Virtude ainda porque na reunião destes textos se dá mais um passo no enriquecimento da crítica literária moçambicana em Moçambique. Explico-me melhor: para o olhar “de fora” este é um momento de extrema alegria, pois vê-se reconhecido um conjunto de professores que não descuram o seu papel de críticos literários e da importância que o seu contínuo trabalho tem para que um sistema literário nacional se consolide, sistematize e visibilize, tanto dentro como fora das suas fronteiras físicas.

A profusão de temas discutidos e analisados nas páginas destas “trajectórias” daria certamente pano para que mais um livro fosse escrito, tal é a riqueza do conteúdo que aqui encontramos. Restringir-me-ei a mencionar de leve alguns, na expectativa de aguçar o apetite para a sua leitura na totalidade que, posso desde já atestar, contribui para um aumento do conhecimento da ficção e intelectualidade moçambicanas, essencial e cada vez mais necessário para as mentes do século XXI demasiado dispersas em actividades superficiais.

Um desses temas aqui discutidos é o do cânone literário moçambicano ou do cânone literário em Moçambique, discussão com que a presente colectânea abre as suas páginas, decerto não sem um propósito intencional por parte dos coordenadores, através da inclusão de uma apresentação de Lucílio Manjate de três livros que sobre tal assunto se debruçam. Assunto controverso que passa pelo debate sobre a nacionalidade literária e se revela um “espaço de ambiguidades teóricas e práticas provavelmente insolúveis” (8) e no qual a crítica (e obviamente outros factores), que em Moçambique se tem revelado, de acordo com Lucílio Manjate e outros, perversamente silenciosa, tem um papel de peso. Daí a relevância e virtude de Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura cujo objectivo é também um apelo revelado nas palavras de Teresa Manjate num outro texto incluído na colectânea, ou seja, “a necessidade de restaurar o papel da crítica literária que se pretende mais robusta, com espaços igualmente fortes que possam enobrecer o trabalho de muitos actores [escritores] que podem, em virtude deste marasmo, cair no esquecimento, sob pena de outras gerações, as futuras, obviamente, questionarem não sem razão esta apatia e, sentença de morte a objectos (obras) e sujeitos (autores) nossos contemporâneos” (89). Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura tem, a meu ver, esse papel de extrema significância: contribuir para a consolidação do cânone literário moçambicano através da abertura desse espaço à crítica, quebrando o silêncio e abrindo voz a outras trajectórias. Seria de lamentar que a crítica literária moçambicana não aproveitasse esta ocasião para se expandir e revelar em toda a sua exuberância e qualidade como nos revelam os textos de mérito intelectual aqui reunidos.

A discussão em torno do cânone, e da crítica, leva-nos a outro tema de peso presente em diversos dos textos destas trajectórias de escrita e leitura, o da memória, ponto fulcral das obras de muitos, senão todos, os escritores moçambicanos de grande envergadura, tais como José Craveirinha, Paulina Chiziane, Mia Couto, Ungulani ba ka Khosa, João Paulo Borges Coelho, Aldino Muianga, para mencionar apenas alguns. De facto, a literatura moçambicana passa recorrentemente por essa “recomposição da memória do nosso passado” (43), citando as palavras de Almiro Lobo num dos textos incluídos na colectânea. Esse passado é recriado pelos escritores em obras ficcionais numa relação sedutora com a História do país que se invoca, relata, transforma e transfigura  através do acto criador da palavra, de forma a fazerem e transmitirem sentido sobre as diversas e, por vezes, contraditórias narrativas sobre a nação. É um processo indispensável para a identidade cultural de um país saído de trágicas guerras, para não mencionar, a situação de dependência colonial, em caminho da união, crescimento e entendimento de si mesmo. A recuperação e manutenção das memórias individual e colectiva surge aqui ainda discutida como oportunidade para dar liberdade a outras formas, marginalizadas estas, de se olhar para o passado, viabilizando, deste modo, um espaço de igualdade e formação de novas utopias.

Utopia, tema que igual e insistentemente perpassa as páginas deste livro é, de forma unânime, encarada como estando morta, tendo ficado enterrada nesse passado que se desamarrou das garras coloniais e apenas na memória de alguns que lhe sobreviveram e que por ela anseiam; assim como morta, ou adormecida, parecia estar, a certo momento, a literatura moçambicana. Mas, como sabemos, o povo moçambicano é um povo caracterizado pela resiliência e Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura é prova disso mesmo: um livro sobre livros. Mais do que qualquer outra coisa, este é um livro de resistência. Resistência de um conjunto de críticos que não entregam as suas armas (canetas, teclados de computador, folhas de papel) em prol do futuro de uma nação que se vai costurando com “velhos” e “novos” escritores, em que uns e outros acreditam que sem literatura um povo jamais se pode imaginar e, portanto, recriar e seguir rumando a um futuro mais justo.

Os textos incluídos na colectânea demonstram tanto uma sensiblidade na escrita e na análise como uma acessibilidade de leitura a um público mais vasto.Trajectórias de Leitura é, deste modo, um livro de leitura indispensável, que terá certamente de fazer parte não apenas de estantes pessoais como integrar o currículo das humanidades nas universidades moçambicanas.

 

Literatura Moçambicana: Trajectórias de Leitura. Org. Almiro Lobo e Teresa Manjate. Maputo: Alcance Editores, 2022, 195 pp.

A telenovela brasileira Pega pega estreia esta noite, depois do Jornal da Noite, na Stv. A produção brasileira é uma exaltação à moral e à decência.

 

Em primeiro lugar, a nova telenovela das 21 horas, na Stv, é uma história sobre o que é certo fazer em situações de aperto e de aflição. Diante de uma crise ou de um conflito individual ou familiar, certas personagens terão de escolher o que é certo fazer para, por exemplo, resolver um problema.

No enredo de Pega pega há um roubo inesperado de 40 milhões de dólares do cofre de um luxuoso Hotel, local importante para os acontecimentos, o que muda e condiciona a vida de várias personagens. Logo, Pega pega é uma história sobre a honestidade, a ambição, o bom senso, a lealdade aos sentimentos e às pessoas que justificam esses mesmos sentimentos. No enredo, fundamentalmente, a moral e a decência estão representadas através das escolhas das personagens, cruzando-se de forma recorrente.

Entre o crime que muitas vezes condiciona o destino e a sobrevivência dos que estão na trama, encontram-se personagens interpretadas por actores bem conhecidos pelos telespectadores moçambicanos que vêem telenovelas na Stv. Entre eles, Marcelo Serrado, Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Vanessa Giacomo, Nanda Costa, Thiago Martins, Guilherme Weber, Nicete Bruno e Mateus Solano, que interpreta o papel de Eric Ribeiro. “Em Pega pega, Eric Ribeiro irá aprender a ser mais humano, a ser menos um homem de negócio e a ser um homem que deixa o coração falar”, disse Mateus Solano, um dos protagonistas da telenovela.

Pega pega é uma história engraçada, dramática e policial, que, igualmente, tem o amor no centro da narrativa. As personagens são muito bem-humoradas e divertidas. Ainda assim, conseguem tecer uma narrativa que coloca o telespectador a perguntar-se se vale a pena roubar para se resolver uma situação grave.

Os acontecimentos da telenovela Pega pega passam-se em dois universos. Primeiro, Copacabana, meio rico. Segundo, nas vilas da Tijuca, onde moram a maior parte do hotel luxuoso que funciona como local importante da trama.

 

+ LIDAS

Siga nos