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CTA prevê forte depreciação do Metical com reabertura das fronteiras

Numa leitura a derrapagem da moeda nacional, o Metical, os economistas traçam um cenário pior pós-reabertura de fronteiras, com o relaxamento de medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19.

Para o economista Ibraimo Mussagy, a forte depreciação do Metical não é uma novidade, pois já tinha atingido o seu pico em 2016, e já nesta fase, tornou-se notório que esta situação não era “originária das forças naturais do mercado mas sim do movimento especulativo” reforçado pelo conjunto de incertezas vividas dentro da nação – os conflitos armados no centro e norte do país.

Já o economista e director-executivo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a moeda nacional já sofre “pressão aguda” por conta do actual cenário de pandemia e vai agravar ainda mais com a maior procura da moeda estrangeira para viagens e importações após a reabertura das fronteiras.

Em entrevista concedida ao “O País Económico”, o economista Elcídio Bachita, explica como este fenómeno pode estar relacionado com a fraca produção, o que gera menor volume de exportações, comparada as importações, principalmente na agricultura.

“Aquilo que o agricultor sul-africano produz em um mês, o agricultor moçambicano produz em um ano”, disse Elcídio Bachita.

 

COMO CONTORNAR A SITUAÇÃO ACTUAL?

Segundo Bachita, a solução contra a depreciação do Metical é a diversificação de produção, ou seja, não deixar a economia ficar dependente de alguns sectores de produção. Há uma necessidade de buscar produzir mais e importar menos, pois, “enquanto continuarmos a importar sempre vamos presenciar depreciação cíclica do metical”.

No entanto, para Mussagy, apesar de haver factores que não são passíveis de controlo no momento, “há medidas que podem ser tomadas para relançar a economia, tais como a facilitação de acesso a linhas de crédito para as empresas, e incrementação das mesmas, pois atendem a menos de 20% das necessidades do sector empresarial”.

 

O papel do Governo, sector empresarial e juventude como agentes económicos para a recuperação do metical

Questionado sobre a responsabilidade de cada um destes agentes económicos na recuperação do Metical, que é o reflexo da situação económica do país, Bachita disse que o Governo não pode ser considerado o único responsável, pois este tem o papel de facilitador, incentivador e regulador.

“Cabe ao sector empresarial que é a força motriz para o desenvolvimento e crescimento económico do país ser criativo, não estar dependente de concursos públicos e aproveitar as oportunidades que o Governo dá, principalmente no sector agrícola, onde há uma fraca aderência dos empresários moçambicanos”, sublinhou.
Mas, Eduardo Sengo advoga a necessidade de se criar um “ambiente favorável” para as empresas e evitar fazer desta busca por soluções “um jogo de ping pong” onde culpados são apontados. Apontando para o facto de ser mais barato para o produtor escoar matéria-prima bruta, que um produto acabado ou semiacabado, que tem mais valor no mercado.

Bachita apontou o projecto Sustenta, levado a cabo pelo Ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER), como um exemplo de oportunidade gerada pelo Governo, que deve ser aproveitada pelos empresários.

Contudo, de acordo com a descrição do MITADER, o público-alvo do projecto são pequenos camponeses, o que torna o sector empresarial menos suscetível a beneficiar-se do mesmo.

Sobre as possíveis soluções, Mussagy residente na cidade da Beira recém-afectada pelo ciclone Idai, faz uma leitura diferente do assunto, apelando à uma intervenção assertiva do Governo.

“Sofala ainda não recuperou do ciclone Idai e provavelmente alguns não conseguirão recuperar. O tecido empresarial esta em desequilíbrio, grande parte  tentava retomar este ano. Grande parte das empresas não beneficiou na altura das facilitações criadas pelo governo. Contudo, hoje, com estes adventos todos, sem apoios efectivos e sem a mão interventiva do Governo, ficará impossível se reerguerem sozinhas”, concluiu.

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