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Crise de água continua em Nampula, mas evitou-se o pior

O nível actual de água na barragem de Nampula está abaixo de três metros (contra o normal de 10 metros) e a produção foi ajustada para cerca de 18 a 20 mil metros cúbicos por dia. Quinze camiões-cisternas estão a garantir o abastecimento aos fontanários móveis.

Nas últimas três semanas soou o alarme quando a pior crise de água dos últimos 10 anos abateu-se sobre a cidade de Nampula que regista chuva abaixo do normal desde o ano passado. A barragem de Nampula, sobre o rio Monapo, existe há mais de 60 anos, com capacidade de 3.7 milhões de metros cúbicos, que correspondem a menos de 20% das necessidades de abastecimento dos mais de 700 mil habitantes da “capital do norte”.

O director dos Serviços Centrais de Operações do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água, (FIPAG), Elídio Khossa, está em Nampula desde semana passada a dirigir os trabalhos de mitigação da crise, juntamente com os técnicos da área operacional da cidade de Nampula. O impacto já começa a se fazer sentir nos bairros, uma vez que foram mobilizados 15 camiões-cisternas que abastecem um total de 53 fontanários móveis, que são tanques de 10.000 litros colocados nos bairros mais críticos, a partir dos quais a população tem água potável de forma gratuita.

Para diminuir a pressão sobre a rede pública, foram construídos oito pontos de toma de água nos bairros de Namiteka, Muatala, Namicopo e Muhala Expansão, onde os camiões privados, assim como os que abastecem os fontanários fazem o enchimento.

“As ações combinadas permitem-nos afirmar que nas últimas 48 horas o serviço de abastecimento de água em Nampula foi minimizado, mas há necessidade de continuar com as ações de mitigação e uso racional de água”, disse Elídio Khossa, em entrevista ao “O País”, este domingo.

Atendendo que a chuva não cai, e se cai, é em quantidades insignificantes, o FIPAG está a apostar na operacionalização do campo de furos de Namiteca, a pouco mais de 10 km do centro da cidade.

Trata-se de uma zona onde no limiar da crise, ano passado, o FIPAG fez estudos geofísicos e descobriu, de forma surpreendente, um aquífero que tem capacidade para produzir água na mesma quantidade que se consegue na barragem de Nampula. Até aqui foram abertos 10 furos e enquanto se aguarda pela chegada da rede pública de energia, neste momento de emergência foi posicionado um gerador que funciona a diesel para pelo menos dois furos entrarem em acção para abastecer os camiões-cisternas.

“Com os furos que temos agora,  um cálculo aritmético que fizemos, permite-nos com 20 furos conseguimos ter uma capacidade um pouco superior à barragem de Nampula e tem um custo baixo em termos de tratamento”, disse Belarmino Chivambo, director de Serviços Centrais de Investimento do FIPAG, que falava na barragem de Mujica, na semana finda, durante uma visita que o governador da província, Manuel Rodrigues, efectuou para se inteirar do projecto de uso da água daquela barragem, que tem 14 vezes mais capacidade de encaixe que a barragem de Nampula. No entanto, o grande dilema reside no facto de estar a 110 km da cidade de Nampula, o que necessita de avultado investimento para transportar a água, passar pelas estações de tratamento, até chegar à cidade de Nampula.

Trata-se de uma barragem que foi construída pelo então grupo Matanuska para irrigar a plantação de banana. As negociações até este momento resultaram na aceitação da disponibilização de 15 milhões de metros cúbicos/ano para o projecto da cidade de Nampula. O Governo Central já mobilizou investimentos para o estudo de viabilidade para o uso da barragem de Mujica.

Pelo que parece, e tal como anotou Manuel Rodrigues, Mujica é um investimento de médio e longo prazo, pelo que neste momento as atenções estão viradas para o campo de furos de Namiteca.

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