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Craveirinha homenageado pela Fundação Fernando Leite Couto

A Fundação Fernando Leite Couto homenageou o poeta da Mafalala numa sessão presencial, sexta-feira à noite, na Cidade de Maputo. A sessão contou com performances dos irmãos Willy e Aníbal, de Helena Rosa e Cândida Mata.

 

Se estivesse vivo, José Craveirinha teria completado 99 anos de idade, esta sexta-feira. Porque apenas partiu o homem e não a obra, que perdura, a Fundação Fernando Leite Couto abriu as suas portas para receber leitores, declamadores, músicos e tantas outras pessoas que convieram com o poeta maior da literatura moçambicana.

O evento durou aproximadamente uma hora. No palco montado, declamou-se e cantou –se a poesia do primeiro africano a conquistar o Prémio Camões, já em 1991. Entre os textos declamados por Helena Rosa e Cândida Mata, ouviu-se “Karingana ua karingana” e, porque já é inverno e pelo país abundam citrinos, “As saborosas tanjarinas de Inhambane”, um poema sarcástico, crítico e muito actual. O público percebeu a actualidade do poema hilariante e reagiu sempre à medida que os versos carregados pelas vozes das duas declamadoras.

E porque no dia 28 de Maio nasceram os irmãos gémeos Willy e Aníbal, músicos com 46 anos de percurso musical, a Fundação Fernando Leite Couto convidou-os para participarem no evento. Assim, não só houve poesia de José Craveirinha. Igualmente, ecoou pelo átrio da Fundação uma espécie de regresso ao tempo, materializado nos acordes das guitarras dos dois manos com 70 anos de idade fresquinhos. Tudo ponderado. A organização do sarau quis homenagear Craveirinha e cantar os parabéns a Willy e Aníbal, que ficaram contentes por isso: “Estamos muito felizes por contribuir para esta homenagem a José Craveirinha, depois dele partir. Temos uma gratidão por este embondeiro das lestras moçambicanas. E, sendo este o dia do nosso aniversário, unimos o útil ao agradável”.

Os irmãos Willy e Aníbal estiveram em todos momentos da cerimónia, ora tocando e cantando, ora fazendo som ambiente para as declamadoras que também se entusiasmaram ao receberem a proposta de celebrar Craveirinha: “Para mim”, explicou Helena Rosa, “foi uma experiência incrível poder declamar José Craveirinha neste evento. Penso nele como um poeta que nos traz poesia de reflexão e de combate. Isso, nesta altura que estamos a atravessar a pandemia, é importante”. E para Cândida Mata: “Para mim, não havia melhor prenda do que esta, em que nós cantamos Craveirinha, o que nos encanta e a nossa moçambicanidade”.

O sarau José Craveirinha inseriu-se numa série de eventos que a Fundação Fernando Leite Couto tem realizado este ano, em homenagem a grandes nomes da literatura moçambicana. Além do poeta maior, nas edições anteriores, também foram relembrados autores como Albino Magaia, Aníbal Aleluia e Fernando Leite Couto.

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