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COVID-19: Suspeitos de Afungi denunciam desgaste psicológico devido ao isolamento

Alguns  trabalhadores do acampamento da multinacional francesa Total, estão cansados do confinamento a que estão sujeitos há cerca de dois meses, e receiam ter traumas psicológicos caso o isolamento se prolongue por mais tempo.

Segundo contaram ao “O País”, em anonimato para evitar represálias, a quarentena começou desde que foi descoberto o primeiro caso em Março último, e até hoje, continuam isolados e não podem sair dos quartos.

“São dois meses fechados em quatro paredes de um quarto e o pior sozinho”, contou um dos trabalhadores em quarentena.

Apesar das boas condições que tem, em termos de acomodação, alimentação e cuidados de saúde, algumas pessoas sentem-se como criminosos condenados à prisão.

De acordo com um dos trabalhadores em quarentena, “temos um tratamento especial. Bons quartos com camas confortáveis, uma boa comida que até supera as condições das nossas próprias casas, incluindo cuidados de saúde excelentes, mas sinto-me como um prisioneiro, porque não posso sair das quatro paredes, nem para tomar um banho de sol.

A situação é considerada crítica, e a maior das pessoas estão a ficar frustradas, por não saber as causas que os levam a continuar num isolamento quase que total.

“Além de termos cumprido com a quarenta, segundo as recomendações da saúde, temos feitos testes várias vezes com todos resultados negativos, temos informação de existência de certificados que provam não termos sido infectados com o Coronavírus, mas continuamos aqui presos”, denunciou  outra fonte, que está na lista dos mais de 100 trabalhadores que estiveram no acampamento da Total, onde foi confirmado o primeiro caso da pandemia ao nível da província de Cabo Delgado.

O isolamento dos trabalhadores de Afungi também está a afectar psicologicamente as suas famílias, que estão preocupadas com a situação, apesar do contacto diário por via telefone.

“Todos dias falo com meu marido, e diz que está bem, mas estou preocupada porque penso que algo grave esteja a acontecer com ele, e não entendo o que leva a não voltar a casa”, desabafou esposa de um dos trabalhadores do acampamento da Total, confinados devido ao COVID-19.

A situação já é considerada crítica e praticamente insuportável, mas o ministério da saúde só vai retirá-los da quarentena depois da reconfirmação dos resultados realizados anteriormente.

“Todas as pessoas que tiramos de Afungi, mesmo com teste negativo colocamos em quarentena para fazer novos testes para ver se não ficam positivas", esclareceu Armindo Tiago.

 

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