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COVID-19 abalou a confiança empresarial no 1º trimestre de 2020

A confiança das empresas moçambicanas nos indicadores económicos registou uma queda nos primeiros três meses deste ano, facto associado à pandemia do novo coronavírus.

O Indicador do Clima Económico (ICE), expressão que determina a confiança dos empresários do sector real, caiu no primeiro trimestre de 2020, devido à pandemia da COVID-19 que assola o mundo desde Dezembro de 2019.

No país, em particular, a incerteza agudizou-se a partir do mês de Março, quando foi diagnosticado o primeiro caso positivo da doença, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A confiança desfavorável dos empresários foi extensiva às expectativas em relação ao emprego e à procura, pois estas registaram quebras no mesmo período de análise.

O INE, refere ainda que a tendência negativa do ICE entre Janeiro e Março de 2020, deveu-se à degradação da confiança em todos sectores de actividade inquiridos, destacando-se em termos de amplitude os ramos de alojamento e restauração, bem como transportes que viram seus níveis de confiança reduzirem 22 e 9.2 pontos percentuais, respectivamente, face ao mês de Fevereiro.

A confiança no emprego registou uma queda no primeiro trimestre face ao quarto trimestre de 2019, facto que acontece pelo terceiro trimestre consecutivo.

“A perspectiva de queda de emprego no primeiro trimestre deveu-se em média à uma depreciação nos sectores de alojamento e restauração, de comércio, de transportes, de construção e produção industrial”, escreve o boletim do INE.

Em média, 44% das empresas inquiridas enfrentaram algum obstáculo no primeiro trimestre de 2020, o que representou um aumento de 12% de firmas com limitação de actividade face ao trimestre anterior, facto que está em linha com o ICE que diminuiu.

Essa situação foi influenciada, pelo aumento de empresas afectadas por algum obstáculo no período de referência em todos os sectores, com maior destaque para os sectores de serviços de transportes (com 58% de empresas afectadas), de alojamento e restauração ( 52%), da construção (45%) e da produção industrial (41%). 

Entre Janeiro e Março, o indicador de confiança do sector de alojamento, restauração e similares abrandou depois de sinais de recuperação no trimestre anterior, tendo o respectivo saldo se situado abaixo da média da respectiva série temporal.  

A avaliação desfavorável da confiança no sector em análise deveu-se à queda do indicador em todas as componentes do indicador síntese do sector, com maior destaque para a diminuição substancial da procura futura no período em análise. Refira-se que este sector registou quedas da procura actual e do volume de negócios significativas.  

Em linha com o indicador síntese do sector, a perspectiva da capacidade hoteleira – a oferta diminuiu profundamente no mesmo período, facto acompanhado pela quebra da perspectiva de preços futuros.

Mais de metade (52%) das empresas deste sector enfrentaram alguma limitação da actividade, no trimestre em análise, o que representou um incremento de 24% de empresas com constrangimentos face ao trimestre anterior.

Os principais factores referidos pelos agentes económicos do sector foram, a baixa procura (47%), a concorrência (18%) e a falta de acesso ao crédito (12%), em ordem de importância.

 

 

 

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