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COVID-19 retrai dadores de sangue no país

Cerca de 6.800 pessoas deixaram de doar sangue no país nos primeiros seis meses deste ano, comparativamente ao mesmo período do ano passado. A pandemia da COVID-19 foi a principal responsável pela redução, segundo a vice-ministra da Saúde.

Nos primeiros seis meses do ano passado, havia 63.308 dadores de sangue no país. A pandemia da COVID-19 afectou negativamente este sector e, consequentemente, de Janeiro a Junho de 2021, os números caíram para 56.434, uma redução de 10.8 por cento, segundo a vice-ministra da Saúde, que falava nesta segunda-feira (30), por ocasião do Dia Nacional do Dador de Sangue.

“O número de doações de sangue de dadores voluntários do nosso país continua a não ser satisfatório, continuando a registar-se uma redução nas doações. O desafio do sector continua a ser aumentar o número de doações provenientes de dadores voluntários e de repetição. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a colheita de sangue, através das dádivas voluntárias e não remuneradas, é mais segura e mais eficiente”, explicou a vice-ministra da Saúde, Lídia Cardozo.

Na ocasião, Lídia Cardozo lançou um apelo para que as pessoas continuem a apoiar o sector da Saúde, como forma de evitar que falte sangue.

“São várias as situações em que o precioso líquido é requerido. Entre estas, destacamos os cuidados prestados à mãe e à criança, em particular nos casos de hemorragia durante ou depois do parto, anemias graves devido à malária e desnutrição, vítimas de traumatismos e acidentes, entre outros”, disse.

Entretanto, apesar desta queda, actualmente, o país tem saldo positivo em termos de disponibilidade, como explica a directora-geral do Serviço Nacional de Sangue, Sara Salimo.

“Em termos de disponibilidade de stock, podemos dizer que temos quantidades mínimas de sangue. Ao nível do país, temos cerca de 2600 unidades de sangue. Isto significa que nós temos sangue suficiente para responder aos pedidos urgentes, desde que sejam os tipos que temos disponíveis, mas, mesmo assim, sempre queremos mais”.

É para responder a esta solicitação que José Loureço, de 44 anos de idade e dador há mais de seis anos, continua a dar o seu contributo.

“Eu doo sangue há muitos anos e sempre fiz. Na primeira vez, fiz para salvar uma tia de que precisava para uma cirurgia. Dali para frente, não mais parei”, explicou o dador que diz que, anualmente, doa sangue três vezes.

A pandemia da COVID-19 colocou em causa as campanhas de sensibilização para as doações, consequentemente a redução das pessoas que aderem à Associação de Dadores de Sangue, mas José não se deixou influenciar.

“Confesso que tive um pouco de receio de entrar no hospital, numa altura em que muita gente morria todos os dias, mas depois acabei tomando coragem, pois sei que muitas pessoas dependem do meu acto. Se nós, os dadores pararmos, muitos sairão prejudicados”, completou.

Um outro dador apelou a todos para que adiram à doação de sangue, dizendo: “não espere que aconteça algo com um familiar. Devemos passar a fazer a doação”, exortou Miguel Neves.

O Dia Nacional da Doação de Sangue, celebrado no último domingo (29), é comemorado, este ano, sob lema “Doe Sangue e Mantenha o Mundo a Pulsar” e as cerimónias centrais tiveram lugar esta segunda-feira (30), no centro de referência nacional de sangue, em Maputo, dirigidas pela vice-ministra da Saúde.

Na ocasião, foram premiados, de forma simbólica, os dadores que mais se destacaram, com mais de 50 doações.

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