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COVID-19 cria transformações no mercado de emprego

Dados de plataforma de emprego registam acréscimo de 76% nas candidaturas, de Abril a Agosto de 2020, comparativamente a igual período do ano anterior. Especialistas concordam que o mercado de emprego nunca mais será o mesmo, devido à COVID-19.

O imperativo do distanciamento social fez com que muitos negócios interrompessem as suas actividades, deixando inúmeras pessoas sem trabalho.

Uma destas pessoas é Ermelinda Matavel, jovem moçambicana que trabalhava num restaurante da cidade de Maputo.

Desde o dia em que foi divulgado o primeiro caso do novo Coronavírus em Moçambique, “ela [a chefe da nossa entrevistada] preferiu que nós fechássemos o restaurante para todos nós estarmos em segurança”, contou Ermelinda.

Apesar de achar a situação compreensível, Ermelinda ressentiu-se da falta de emprego. “Eu não pude pagar a minha renda de casa, por um bom tempo, por uns meses”.

Porque as necessidades precisam ser supridas, Ermelinda não consentiu ficar parada e apostou no auto-emprego. Ela aprendeu a fazer biscoitos fritos, conhecidos como “txobobos”, para vender. E é deste negócio que ela sobrevive.

O IMPACTO

Desde Abril, mês em que foi decretado o Estado de Emergência, a Agosto passado, foram registadas na plataforma “emprego.co.mz” 13.240 candidaturas, o que representa um acréscimo de 76% comparando ao igual período do ano anterior.

Na plataforma de trabalho informal “Biscate” houve registo de 955 trabalhos entre Janeiro a Agosto deste ano, uma redução de 12%, comparando com igual período do ano anterior.

Os dados acima referidos foram concedidos pela UX, empresa de tecnologia que criou as referidas plataformas de emprego formal e informal.

“As pessoas que procuram as vagas passam mais tempo no site a ver um maior número de vagas (..). Neste período, o que reparamos é que as pessoas olham para quatro, cinco, seis vagas”, explicou Tiago Coelho, director executivo da UX.

Mas, nem tudo foi mal neste período, segundo Mauro Mahumane, representante da Precision Recruitment International, ou, simplesmente, P.R.I, empresa multinacional de consultoria em recursos humanos e recrutamento. Alguns sectores ofereceram mais emprego em tempos de pandemia.

Mauro apontou o sector de mineração, alimentação e transporte como os que mais procuraram os serviços da P.R.I para recrutar trabalhadores.

Enquanto dados da UX mostram que o sector que mais divulgou vagas na plataforma “emprego.co.mz” foi o de Saúde, com 63 das 910 vagas publicadas entre Janeiro e Agosto deste ano. A seguir está o sector de Finanças, com 62, e por fim, o sector de Supervisão e Coordenação, com 61 vagas.

CONSEQUÊNCIAS PERMANENTES

Apesar de Mauro acreditar que não existirá um período “pós-COVID”, ele explica que a pandemia deixará cicatrizes no mercado de emprego e quem quiser sobreviver precisará adaptar-se ao “novo normal”.

“Como estamos parados, temos que fazer formações, participar em webinars, actualizar os nossos CV’s (currículos vitae) ”, disse Mauro.
Tiago Coelho antevê um advento do trabalho remoto, pois a pandemia mostrou haver posições que são mais produtivas com os colaboradores fazendo os seus trabalhos a partir de casa, o que mudará as dinâmicas do emprego como conhecemos.

Algumas funções que demandam presença física, como os serviços de limpeza de escritórios ou administração dos mesmos podem ser grandemente impactados com isso.

E porque readaptação é a palavra de ordem, Ermelinda está hoje a aprender corte e costura para suprir as suas necessidades. E é este o conselho que ela deixa a todos que se encontram na mesma situação que ela.

 

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