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Corrupção mancha progressos registados na segunda avaliação de Moçambique

O relatório hoje lançado em Maputo destaca avanços significativos em várias áreas ligadas a governação, mas volta a manifestar preocupação com a corrupção no país.

Dez anos depois da primeira avaliação nacional, no quadro do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), Moçambique voltou a expor-se para uma nova radiografia, que veio mostrar um misto de progressos e desafios em áreas consideradas fulcrais para o desenvolvimento.

De entre os aspectos mais críticos, destaque vai para a corrupção que segundo o relatório exige medidas acutilantes para o seu combate. “A corrupção está a minar todo o tecido social, desde o mais pequeno núcleo da sociedade até ao mais alto nível da governação,” explicou o Presidente do Fórum Nacional do MARP, Lourenço do Rosário, à margem do lançamento oficial do segundo relatório.

O relatório coloca a corrupção no pacote de problemas globais que “não podem ser resolvidos só por Moçambique”. Apesar de alguns sinais dados pelo país, no processo do combate a este problema, o relatório indica que o nível do problema continua longe de ser travado.

“Não se pode apenas combater a corrupção com medidas administrativas e punitivas. Pode-se meter um governo inteiro na prisão, a corrupção não passa, isso é uma constatação efectiva ” explica o presidente do Fórum Nacional do MARP.
Também na linha dos desafios que o país não pode combater sozinho estão as mudanças climáticas que, segundo o relatório, precisa de acções concertadas ao nível global.

O desemprego juvenil, a limitação de capacidade e financiamento e prestação de serviços de qualidade, tanto para áreas rurais como para urbanas, que, segundo o relatório "requerem atenção imediata".

Dívidas Ocultas

O problema das dívidas ocultas também merece uma observação no recente relatório de avaliação nacional. "O país enfrenta alguns desafios, um dos quais é o efeito da crise da dívida oculta de 2016 que afectou a economia" aponta o sumário do relatório, destacando os passos dados para resolver o problema.

"Para ultrapassar este desafio, Moçambique embarcou em uma Mobilização de Recursos Internos robusta que está a amortizar a dívida. "Espera-se que o país tenha uma trajectória económica ascendente" manifesta o relatório.

Foco do desenvolvimento

O relatório lança um alerta sobre os efeitos da mudança do foco na agricultura como a base para o desenvolvimento nacional. "Em 2009 a agricultura era, efectivamente, a base do desenvolvimento, agora há uma hesitação bastante grande, até como percepção que podemos deslocar esse foco para a indústria extractiva o que traz alguns perigos" explicou Lourenço do Rosário.

Perante este panorama, o relatório "encoraja o país a diversificar os seus meios de meios de produção da economia para promover um melhor desenvolvimento".
Depois do lançamento, segue-se agora a fase da divulgação por todos os sectores da sociedade, por forma a ajudar na planificação nacional.
 

 

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