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Conta bancária de Zulficar Ahmed foi aberta para receber 100 mil dólares da Privinvest

Foto: O País

Da acusação apresentada pelo Ministério Público consta que a conta bancária em dólares, de Zulficar Ahmed, foi aberta justamente para receber 100 mil dólares do grupo Privinvest. Nesta sexta-feira, durante o interrogatório na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, na província de Maputo, a Procuradora Ana Sheila Marrengula apresentou o extracto da conta bancária do réu, que prova que antes de receber o valor da Privinvest, nunca tinha efectuado qualquer movimento.

No entanto, na sua versão dos factos, Zulficar Ahmed aceitou receber 100 mil dólares na sua conta bancária, domiciliada no BCI, com a pretensão de ajudar um amigo. “Honestamente, eu quis fazer um favor a um amigo de longa data, Marcos Calafiore. Ele perguntou-me se podia receber alguns dólares na minha conta bancária. Como o conheço há muito tempo, nunca desconfiei que fosse de um assunto duvidoso. De contrário, nunca lhe teria dado a minha conta. Facultei-lhe a conta. Uma ou duas semanas depois, entrou o valor. Longe de imaginar que fossem 100 mil dólares. Levantei e devolvi-lhe o valor. Como compensação, ele deu-me dois mil dólares”.

De acordo com o réu, o seu falecido amigo, Marcos Calafiore, vivia em Komatipoort, África do Sul, sendo que vinha a Moçambique regularmente. Ao Tribunal, Zulficar Ahmed disse que conheceu o amigo de nacionalidade brasileira e libanesa numa mesquita, entre 2008 e 2010. Entretanto, não se lembra em que avenida, rua, endereço, onde ou com quem vivia.

Questionado pela Procuradora Ana Sheila Marrengula, que não compreendia como o réu tinha défice de conhecimento sobre alguém que considera amigo de longa data, Zulficar Ahmed afirmou que não se recorda qual foi o fundamento apresentando ao seu banco para receber os 100 mil dólares e que o amigo lhe pediu ajuda porque não era detentor de uma conta em dólar em Moçambique. Dito isso, o Ministério Público quis saber por que Marcos Calafiore lhe solicitou a recepção de dinheiro em dólar em Moçambique, quando podia tratar dessa transferência na África do Sul. O réu disse que não sabia, nem se preocupou em colocar-lhe essas questões, pois confiava nele.

Ao Tribunal, o réu Zulficar Ahmed disse que não conhece Jean Boustani, a empresa Privinvest, o réu António Carlos do Rosário, nem a Txopela Investiment. E mais, afirmou que não sabe de que empresa eram provenientes os 100 mil dólares por si recebidos na sua conta bancária.

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