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“Conferência dos doadores não visa angariar dinheiro para construir casas”

O Gabinete de Reconstrução pós Idai e Keneth deixou ficar claro, hoje, que a conferência dos doadores que terá lugar amanhã e sábado na cidade da Beira, não visa procurar financiamento para o governo construir casas para as vítimas dos ciclones.

De acordo com Francisco Pereira, director do gabinete, o objectivo da conferência não é construir as cerca de 250 mil casas destruídas pelos ciclones nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Tete, Inhambane, Cabo-Delgado e Nampula, mas sim apresentar o relatório do impacto causado pelas calamidades e lançar a fase de reconstrução das zonas centro e norte do país após a destruição.

"A conferência não é o fim de um processo. É o princípio de um processo. Não estamos a espera, como acontece em todas as conferências deste género que seja anunciados a disponibilidade total dos recursos que nós precisamos (cerca de três mil e duzentos milhões de dólares), porque esta totalidade que nós precisamos, que veio do levantamento dos estragos causados pelos dois ciclones, não se repõem num ano e nem em cinco anos. Portanto, para nós a conferência é o ponto de partida para a mobilização interna e externa de financiamentos que nos permitam desenvolver programas de reconstrução durante os próximos anos".

Espera-se que na conferência sejam encontrados modelos de financiamentos aos afectados. "As opções estão abertas. Haverá pessoas que estarão em condições para entrarem directamente nos programas, nomeadamente os que tem rendimentos que lhes permitem entrar em processos de financiamentos para reconstrução ou construção da casa. Mas infelizmente há outras pessoas que não têm essas condições. Teremos que encontrar soluções, como, por exemplo, financiamento de materiais. Temos grupos de estudo que estão a trabalhar neste sentido, que envolvem as nações unidas, para encontrarmos soluções possíveis de executar".  

Para Francisco Pereira o mais importante é criar condições para os afectados não retornarem às zonas vulneráveis. "Esta escolha terá de ser muito criteriosa e vai ser feita  pelos órgãos locais, nomeadamente o Conselho Municipal, o governo provincial, incluindo o INGC. É um processo complexo mais muito importante".

Ainda em torno da Conferência Internacional dos Doadores, o presidente do Conselho autárquico da Beira convocou a imprensa nesta quinta-feira para entre outros pontos mostrar que alimenta uma enorme expectativa em ver os parceiros a construírem uma plataforma para alavancar o sector privado.

Refira-se que a cidade da Beira necessita de cerca de 888 milhões de dólares para repor os danos e as perdas causadas pelo ciclone Idai. Na conferência de imprensa a edilidade apresentou um sumário executivo do plano de recuperação e resiliência da Beira que irá apresentar aos doadores.

A conferência contará com cerca de 600 participantes, entre eles, governo central, provincial e autárquico, fundações, sector privado nacional e internacional, Agências da ONU e instituições financeiras internacionais.

A conferência termina este sábado e será encerrado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.     
 

 

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