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Concluídas obras complementares da barragem de Corumana em Maputo

Terminaram as obras complementares da barragem de Corumana, no distrito de Moamba, província de Maputo. Cerca de dois milhões de habitantes daquele distrito, bem como de Magude e Manhiça passam a beneficiar de água potável.

Na inauguração do empreendimento, esta quinta-feira, o Presidente da República, Filipe Nyusi, disse que o seu Governo “elegeu o acesso à água potável e ao serviço adequado de saneamento como elementos essenciais para a melhoria da qualidade de vida, bem-estar e dignidade” da população.

A obra que acaba de entrar em funcionamento enquadra-se na visão de melhorar a disponibilidade da água, o abastecimento da mesma e o aumento da produção e da produtividade, prosseguiu Filipe Nyusi.

A barragem, cujas obras custaram 40 milhões de dólares, pode armazenar 1.380 milhões de metros cúbicos de água.

Com essa capacidade, segundo o Chefe do Estado, haverá “fiabilidade na irrigação de cerca de 19 mil hectares na bacia hidrográfica do rio Incomáti”, assim como “melhor gestão de cheias e seca na região sul do país, em particular na bacia do rio Incomáti”.

De acordo com Filipe Nyusi, os problemas de falta do precioso líquido com que os moradores dos bairros Muchipe, Dindiza, Batime e Fongotine se debatiam estão ultrapassados. “Estamos a celebrar o bem-estar gradual para as populações desta região”.

Nyusi disse ainda que o Executivo está empenhado na mobilização de fundos para a construção da barragem de Moamba-Major, que vai permitir a expansão do fornecimento de água ao Grande Maputo e fiabilidade na irrigação de campos agrícolas.

A construção da barragem de Corumana, localizada no posto administrativo de Sábiè, iniciou em 1983 e foi antecedida por estudos preliminares, entre 1972 e 1973, e projecto executivo, entre 1983 e 1989.

A edificação da infra-estrutura, na bacia hidrográfica do rio Incomáti, concretamente na bacia do rio Sábiè, iniciaram em 1983. A cerimónia foi orientada pelo falecido Presidente da República Popular de Moçambique, Samora Machel.

Em 1989, houve inauguração da mesma infra-estrutura, dirigida pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano.

Trata-se de uma barragem construída com metal e betão. Devido à guerra civil e às limitações de financiamento, as obras não foram concluídas. Seis comportas ficaram por montar, o que não permitia que a infra-estrutura operasse na capacidade inicialmente projectada.

Para a conclusão da obra, o Governo mobilizou fundos juntos do Banco Mundial. A empreitada consistiu na montagem de equipamentos hidromecânicos [cuja força motriz é a água], instalação de seis comportas radiais [emissão de raios de luz ou calor] no descarregador principal.

As referidas comportas, fabricadas na República Popular da China, têm 7,27 metros de altura, 18 metros de largura e um peso de 70,51 toneladas cada uma. O processo de fabrico durou oito meses, desde a concepção até a entrega em Corumana.

O trabalho consistiu igualmente na instalação de uma comporta ensecadeira no descarregador principal, composta por quatro troços de aço com 1.75 metro de altura e 18 metros de largura e 5.65 toneladas cada uma.

Dada a dimensão da obra, foram reassentadas 533 pessoas e construídas 132 casas do tipo 3, 4 e 5. Além disso, as autoridades construíram um sistema de abastecimento de água para abastecer cerca de cinco mil pessoas, entre outros benefícios.

Aliás, foram preparados 234 hectares de terra para 154 famílias praticarem agricultura.

Dessa empreitada, as autoridades contam que tiveram duas lições a não perder de vista: uma diz respeito à necessidade de “maior articulação contínua com as comunidades para melhor apropriação dos benefícios sociais” da barragem de Corumana e “diminuição da percepção de perda de terras e/ou de infra-estruturas no âmbito do reassentamento”.

Outra lição tem a ver com a necessidade de inclusão, na equipa de fiscalização, de técnicos com domínio da legislação e de práticas costumeiras nacionais.

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