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Como explicar as reprovações em massa? Professores e especialistas divergem

A ONP não tem dúvidas de que “as reprovações em massa” são uma consequência da pandemia da COVID-19. António Cipriano, especialista em educação, diz que este ano foi um dos melhores, entre os últimos lectivos. Já o Movimento de Educação para Todos entende que as reprovações podem ser consequência da abolição dos exames da 2ª época

Quase metade dos alunos submetidos a exames da 10ª e 12ª classes na cidade de Maputo reprovaram. Segundo dados avançados pelos Serviços de Assuntos Sociais na capital, que tutelam o sector de educação, resultados preliminares apontam para 60.1 por cento de aprovados e 39.9 por centro de reprovados na 10ª classe e situação semelhante na 12ª classe.

Ainda não existem dados definitivos. Entretanto, os professores, especialistas e organizações da sociedade civil que actuam na área da educação divergem, no que aos números preliminares diz respeito.

“Essas reprovações são uma consequência cuja causa principal é a pandemia da COVID-19”, introduz Teodoro Muidumbe, Secretário-Geral da Organização Nacional dos Professores (ONP).

“Nós fomos surpreendidos por esta doença, não estávamos preparados quanto as novas tecnologias de informação e comunicação que nos permitissem lecionar as aulas para todas as classes”, acrescenta. E a consequência disso, segundo Muidumbe, é que “os alunos não tiveram tempo de se prepararem”.

Opinião diferente tem António Cipriano, especialista na área de educação e que actualmente exerce a função de director da Faculdade de Educação na Universidade Eduardo Mondlane.

Para ele, contrariamente ao discurso da maioria, os resultados são positivos e até superam o aproveitamento pedagógico registado durante o ano lectivo de 2019. “2015 foi o ano em que nós tivemos os piores resultados da 10ª classe, que situaram-se em torno de 42 por cento e para 12ª classe os resultados situaram-se em torno de 49 porcento. Em 2020, ao que tudo indica, tantos os resultados da 10ª, como da 12ª classe situam-se em 74 por cento, a nível nacional, e são melhores em relação aos de 2019”, considera.

Segundo o especialista em educação, a explicação para eventuais melhores resultados no ano lectivo que acaba de terminar estaria relacionada ao facto de que os alunos esforçaram-se porque já tinham conhecimento de que seriam submetidos a exames.

Já o Movimento de Educação para Todos alinha no pensamento de que há sim resultados negativos e que foram influenciados pela pandemia. E explica que “nos anos anteriores havia melhores resultados porque as oportunidades de avaliação eram maiores” com a primeira e segunda época, diz Abel das Neves, representante da organização.

Das Neves entende ainda que “os resultados finais sobre os niveis de aproveitamento nas classes com exames devem ainda ser divulgados pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano”.

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