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Começam a sentir-se os efeitos do novo preço do cimento

Alguns estaleiros, na cidade de Maputo, já começaram a baixar o preço do bloco na sequência da queda do preço de cimento que se regista no país. Enquanto isso, os revendedores deste produto dizem que as frequentes reduções prejudicam o negócio.

Com 30 anos de idade, a jovem Checha Santana está, de novo, entusiasmada por realizar o sonho de ter casa própria, onde deverá ficar com os seus dois filhos. É que antes, ela tinha paralisado a obra por falta de recursos para continuar.

“Quando comecei, os preços estavam muito altos e tinham a tendência de aumentar. Senti-me sufocada, porque agora também pago renda e acabei por parar”, conta a jovem sentada numa das paredes da sua casa.

Hoje, um novo horizonte abriu-se na sua vida e ela vê a sua obra mais próxima de se tornar no lar que sempre sonhou. Tudo porque o preço do cimento caiu. “Com a queda, pude fazer a vedação da minha casa e agora estou a pensar muito seriamente em fazer alguns sacrifícios para conseguir concluir”.

Outro factor que acelera o seu sonho e de muitos outros cidadãos é que, com a redução do preço do cimento, que é matéria-prima do bloco de construção, esse também ficou mais barato, como, aliás, foi-nos confirmado pelos estaleiros, ontem arredores da cidade de Maputo.

Dércio Balate, dono de um estaleiro no bairro Albazine, conta que, no seu estabelecimento, o bloco estava a 22 meticais, mas houve uma redução de dois meticais, “tudo porque o preço da nossa matéria-prima baixou”.

O principal responsável por esta queda do preço do cimento é a empresa Moçambique Dugongo Cimentos, inaugurada em finais de Maio último. Ainda assim, as frequentes reduções não agradam aos revendedores, que dizem estar a somar prejuízos.

“É que marcamos um preço, mas, uma semana depois, já baixou e não sabemos como fazer para vender o que temos no armazém, porque os que tiverem mercado nesse dia vão reduzir e nós perdemos dinheiro”, contou Gabriel Simango, revendedor de cimento.

Quem também diz estar a perder dinheiro por suposta concorrência desleal são algumas empresas de cimento que já operavam em Moçambique há mais tempo. Por isso mesmo, recentemente, enviaram uma carta ao Ministro da Indústria e Comércio, pedindo uma intervenção no sentido de obrigar a Dugongo a ajustar o preço ao deles, ou seja, a subir.

A carta vazou pelas redes sociais e está a ser fortemente contestada pelos moçambicanos através de textos, alguns explicativos, outros só de opinião. Mas todos são contra a subida do preço do cimento.

Deve ser, por isso mesmo, que o Ministro, a quem foi submetida a carta, diz que será cauteloso ao fazer a análise da situação.

Carlos Mesquita refere que “estamos numa economia de mercado, mas estamos atentos. Vamos analisar, não haja euforias em relação a isso. Temos uma equipa já a trabalhar. Vamos analisar os custos de produção para se chegar à margem do lucro”.

Até esta segunda-feira, quando o jornal “O País” esteve no terreno, o preço médio de um saco de cimento da Dugongo era de 250 meticais, sendo que os estaleiros dizem que há mais procura por este cimento em detrimento do produto das outras empresas que, em tempos, chegaram a cobrar, por saco, perto de quinhentos meticais.

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