O País – A verdade como notícia

Circuncisão: a prevenção de doenças de transmissão sexual

A circuncisão masculina é um procedimento que evita doenças provocadas por vírus, fungos e bactérias. De acordo com a OMS a circuncisão reduz em 60 por cento o risco de contrair HIV em relações sexuais.

Foi em 2009 que Moçambique iniciou a implementação do Programa de Circuncisão Masculina como método de prevenção de novas infecções por HIV. Volvidos nove anos, a circuncisão já é vista como uma prática benéfica para saúde, mas ainda rodeada de medos e tabus.

Aos 25 anos, Fabito Júlia tomou coragem para fazer o procedimento, graças ao apoio de um amigo.

“Eu sou de Quelimane, e na altura em que eu era criança não havia essa cultura de fazer circuncisão. Quando me tornei dono do meu nariz, comecei a conversar com amigos sobre a importância de fazer a cirurgia, mas me faltava coragem. Mas depois de uma conversa com um amigo decidi vir hoje fazer a circuncisão”, revelou.

E o medo, era o seu principal entrave. Para vencê-lo teve de reflectir em torno das vantagens. “O meu amigo me explicou que é uma coisa muito boa. E eu também tive a informação de que com a circuncisão podemos evitar muitas doenças, principalmente o HIV”, disse Fabito.

As declarações do jovem, a nossa reportagem foram feitas na unidade de circuncisão do Centro de Saúde da Matola II na província de Maputo, criada em 2012 e que em média atende 60 utentes por dia. A pequena cirurgia de circuncisão dura até 30 minutos. Mas antes de chegar a sala de operações, os utentes passam pelo aconselhamento onde recebem explicações sobre como vai decorrer a cirurgia, segue-se para a colocação das vestes apropriadas e só depois parte-se para a sala de procedimentos.

“Começamos por preparar o campo operatório fazendo a desinfecção. Depois aplicamos uma anestesia localizada e só depois inicia a cirurgia que consiste em tirar o prepúcio, pele que reveste a glande do pénis. Depois fazemos pontos na região e isolamos a ferida de modo que não ocorra uma hemorragia”, explicou o técnico superior de cirurgia, Carlos Neves.

E durante o procedimento se reforça o aconselhamento sobre os cuidados do pós-operatório para os utentes, porque são eles que vão ditar o sucesso da cirurgia.

“A posição em que o membro será colocado depois da cirurgia tem muita influência na recuperação. É preciso que o pénis seja colocado na posição vertical, ou seja, de cabeça para cima. Isto para garantir a circulação normal do sangue e evitar edemas”, alertou Neves.

Depois da cirurgia, os utentes voltam a unidade sanitária 48 horas depois para fazer o penso e uma semana depois para fazer o controlo. Só depois de seis semanas, é que a pessoa circuncidada fica totalmente recuperada. Nessa altura é feito um novo controlo, onde são dadas recomendações sobre o retorno da vida sexual.

“Quando se trata de homens sexualmente activos é importante que eles usem o preservativo durante seis meses nas relações sexuais. Porque por fora parece que a ferida já cicatrizou, mas por de baixo da pele o processo continua”, disse o técnico superior de cirurgia.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a circuncisão masculina reduz em 60 por cento o risco de contrair HIV em relações sexuais. Contudo, este procedimento não anula o uso de outros métodos de prevenção. Os homens sexualmente activos são o grupo alvo do programa. Contudo, o Ministério da Saúde tem registado uma maior adesão de crianças de até 15 anos de idade.

“Desde o início do programa já alcançamos cerca de 1.3 milhão de homens. A nossa meta é chegar a cerca de dois milhões de homens até 2021”, fez saber, Albano Matsinhe, do programa de circuncisão masculina no MISAU.

Para chegar a mais homens sexualmente activos que ainda não foram circuncidados, o ministério da Saúde faz campanhas de sensibilização e aproxima-se das comunidades onde a circuncisão é feita como parte dos ritos de iniciação.

A circuncisão é gratuita, em todas unidades sanitárias do país. Para a realização do procedimento estão em serviço 180 provedores, 87 unidades fixas e temporárias e 19 unidades móveis. O Programa é financiado pelo Governo dos EUA.

 

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos