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Cimenteira turca investe USD 50 milhões para produzir 700.000 toneladas por ano

Chama-se Limak Cimentos SA e é a 13ª terceira cimenteira no país e a quarta no parque industrial da Matola. Com capacidade para produzir 700 mil toneladas/ano, a fábrica opera desde 2017, mas só hoje foi oficialmente inaugurada. O grupo turco Limak Cimentos investiu 50 milhões de dólares para instalar, em 16 meses, a imponente fábrica numa área de 80 mil metros quadrados. No total, o projecto criou de 141 empregos, dos quais 85 são ocupados por trabalhadores efectivos e 56 por subcontratados. Para já, a cimenteira é descrita como sendo o maior investimento directo turco em Moçambique e também um dos dois maiores que o grupo Limak Cimentos realizou em África. Estes números “impressionaram” o Presidente da República a aceitar o convite para inaugurar a fábrica. Depois de descerrar a placa e cortar a fita, Filipe Nyusi visitou alguns departamentos da fábrica, com destaque para laboratórios. Na hora do discurso, Nyusi fez os cálculos e concluiu que a nova fábrica aumenta a capacidade instalada de produção de cimento para 4.787.500 toneladas por ano. Já a produção efectiva aumenta para 3.830.000 toneladas. Até 2019 – término do mandato do governo – perspectiva-se a abertura de novas fábricas de cimento no país. O chefe do governo não disse quantas fábricas, mas estimou que a capacidade instalada de produção vai subir para sete milhões de toneladas por ano. “Esta perspectiva adensa a nossa convicção de que o sonho de erguer as infra-estruturas nacionais com recurso exclusivo ao cimento produzido em Moçambique é realizável”, disse o Presidente da República. Enquanto o sonho não se concretiza, o governo está a preparar um pacote de regras específicas para a produção, comercialização e controlo da qualidade de cimento. “Estas medidas contribuem para combater o contrabando, melhorar a fiscalização, proteger o consumidor, saúde, segurança e meio ambiente. As regras visam ainda proporcionar um instrumento de protecção à indústria nacional em relação ao cimento importado”, detalhou. A protecção é extensiva ao ambiente: Nyusi fez questão de chamar a atenção dos gestores da Limak Cimentos a observar rigorosamente as regras ambientais, sobretudo “o plano de gestão aprovado pelas autoridades competentes na sequência dos resultados do estudo de impacto ambiental efetuado”.

Uma preocupação que a cimenteira Limak parece levar a sério, segundo as palavras director-geral executivo da fábrica. “Vamos emprestar ao país uma nova visão e servir de exemplo para investimentos industriais na região, com a nossa arte tecnológica, sistema de automação e filtração, laboratórios de investigação e desenvolvimento, padrões de qualidade e de segurança ocupacional e abordagem de produção amiga do ambiente”, prometeu Gültekin Aksüyek.

Já a embaixadora da Turquia em Maputo disse que os investimentos directos turcos em Moçambique totalizam 270 milhões de dólares, sendo que a contratação de serviços chegam a 300 milhões de dólares. Em 2016, o volume de comércio bilateral entre Moçambique e Turquia estava em torno de 115 milhões de dólares. Durante a sua visita a Maputo, o Presidente Recep Erdogan propôs trabalhar a elevar o volume bilateral para 250 milhões num curto prazo e, posteriormente, para 500 milhões de dólares. “Estamos felizes ao que, fruto de nossos esforços conjuntos para este objectivo, o nosso volume de comércio bilateral atingiu 162 milhões de dólares em 2017, representando um crescimento de 41%”, anotou a diplomata.

Nyusi critica importação de matéria-prima

O Presidente da República criticou o facto de a maioria das cimenteiras que operam no país apostar na importação de matéria-prima para a produção do cimento. “Moçambique possui importantes jazigos de calcário, gesso e argila, que são matérias-primas essenciais para a produção de cimento. Entretanto, continuamos a importar centenas de milhares destes minérios. Até ao momento, além da empresa Cimentos de Moçambique, nenhuma outra se dispôs a investir na sua extracção e processamento, o que tornaria o cimento nacional muito mais competitivo”. Filipe Nyusi lembrou que se as cimenteiras investissem também nas matérias-primas, o país iria poupar divisas com a importação daqueles minérios.

Nos últimos cinco anos, a indústria de cimento tem estado a crescer com taxas que variam entre os seis e 10%. Actualmente, esta indústria ocupa a quarta posição, atrás da indústria metalúrgica, alimentar e de bebidas.

 

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