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Cidades inteligentes devem tornar as pessoas mais felizes

As tecnologias continuam a proporcionar muitas mudanças ao modo de vida das pessoas em todo mundo. Graças à evolução tecnológica, produto do conhecimento humano, actualmente, já não basta ter um bom aparelho tecnológico para resolver problemas diários. Além de um telemóvel, uma viatura ou uma televisão de sei lá quantas polegadas, o Homem contemporâneo tem necessidades maiores, que exigem da tecnologia uma dimensão mais abrangente. É a pensar nisto tudo que o painel da MozTech, o segundo da tarde, discutiu, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, a problemática à volta das “Cidades inteligentes”. Na verdade, esse foi o tema de discussão que envolveu Simão Mucavel, do Conselho Municipal de Maputo, Sofia Nogueira e Silva, Directora da Nova Base Moçambique, Sidney Quintela, Director da SQ + Arquitectos Associados (Brasil), e António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal do Viseu (Portugal).

Começando pelo primeiro interveniente, Simão Mucavele, referindo-se às cidades inteligentes, disse que é urgente tornar os espaços urbanos mais humanos, e que o Conselho Municipal de Maputo está nessa caminhada, algo que se vai materializando com o envolvimento das pessoas, de forma progressiva. “Como exemplo de que a cidade de Maputo quer tornar-se inteligente é o serviço MOPA. Esta plataforma faculta ao cidadão, por via do telemóvel, poder participar na gestão urbana, ao ter a possibilidade de informar as autoridades casos sobre lixo espalhado nas ruas ou incêndios, sem que haja necessidade de se recorrer à infra-estrutura do Conselho Municpal”, afirmou.

Confrontando sobre a fragilidade do MOPA, em termos de adesão e funcionalidade, por um dos participantes, Mucavele sugeriu que se cobre respostas ao vereador da área urbana do Conselho Municipal, que ele está mais focado a aspectos atinentes à educação.
A única voz feminina do painel, Sofia Nogueira e Silva, também interveio, partilhando com o auditório do Centro de Conferências Joaquim Chissano, mais uma vez muito concorrido, sustentou a ideia de que o investimento nas cidades inteligentes deve ter como objectivo fulcral tornar as pessoas mais felizes. “A tecnologia, e esta é a visão da Novabase, não é um fim nesse processo, mas um meio”. Continuou: “há 20 anos, a Novabase implementou primeiro sistema de bilhete electrónico, em Portugal, e de lá para cá investiu em sistemas para os municípios conseguirem gerir as cidades, adquirindo possibilidades de melhor controlo de tráfego de pessoas. Além disso, a nossa empresa investe em serviços que, por via do celular, possam ajudar o cidadão a locomover-se pela urbe sem informações que se baseie no contacto humano, o que permite às pessoas terem mais informações sobre os locais e mais independência”. Concluindo? “A tecnologia tem sido usada para simplificar processos, algo atractivo para empresas que podem criar serviços que antes eram complexos serem materializados em curto espaço de tempo”.

Sidney Quintela, por seu turno, afirmou que as cidades inteligentes dependem de complementaridade, possível com participação de diferentes actores. “No caso de Maputo, a primeira coisa que deve ser feita é criar-se um grupo de trabalho para pensar num plano para desenvolvimento nos próximos 50 anos, “porque não se pensa cidade de um dia para outro. Tal facto envolve força humana até se chegar às plataformas digitais, com um plano que deve ser revisitado em cada 10 anos, para se adaptar às novas condições que vão surgindo. Assim, é importante ter-se respeito pelos espaços públicos e pelas pessoas. Temos de planejar o futuro para nada dar errado, o que implica ouvir a todos, políticos, taxistas, cidadãos e empresários”, sugeriu o brasileiro.

Por fim, António Almeida Henriques clarificou que a inteligência das cidades depende das pessoas. Elas é que marcam a diferença, com acções concretas que possam permitir concentrar competências no universo urbano. “Isso é importante porque ajuda a tomar boas decisões rumo ao desenvolvimento. Nesse sentido, a ideia de cidades inteligentes não deve ser algo virtual, todos os esforços sobre a matéria devem convergir para um objectivo comum: interferir positivamente na vida das pessoas”.

 

 

 

 

 

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